sábado, 21 de março de 2026

Amendoim pode causar alergia grave

Entenda o choque anafilático, reação que levou a filha do atacante Hulk ao hospital

Evento alérgico é descrito por médicos como 'muito grave' e pode levar à morte se socorro demorar
Filha do jogador, de 3 anos, teve episódio enquanto comia amendoim na quarta-feira (18)

A anafilaxia —ou choque anafilático— é a forma de reação alérgica mais agressiva que existe, segundo especialistas. Assim como em episódios alérgicos comuns, ela ocorre após o contato com o agente externo cuja intolerância leva à reação do corpo. Porém, de maneira intensa e rápida, podendo levar à morte se não tratada rapidamente.

Isso explica o susto do jogador e a ida rápida até a emergência com a filha.

"A pressão cai abruptamente para níveis baixíssimos, como 5 por 2 (50/20), e o corpo começa a inchar, obstruindo as vias aéreas e bloqueando a respiração", explica Celso Henrique Binotti de Oliveira, médico alergista e doutor em clínica médica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), do hospital Vera Cruz.

Uma pessoa em choque anafilático pode não conseguir ajuda porque a pressão baixa, ou hipotensão, causa desmaios. A situação se torna mais grave se o inchaço travar a respiração, levando à morte por falta de ar ou a danos cerebrais por falta de oxigênio.

O QUE É O CHOQUE ANAFILÁTICO?

É uma reação alérgica com resposta integral do corpo. "Em algumas alergias, a pessoa fica com coceira, espirros, respostas específicas em diferentes regiões do corpo. Na anafilaxia, é como se todo o corpo tivesse respondendo contra o agente externo para qual ele tem intolerância, o que leva a um colapso", explica Oliveira.

Essa reação exagerada do corpo é também muito mais rápida que as alergias leves, ocorrendo em até cinco minutos após o contato com o alérgeno –o agente provocador.

No caso da filha de Hulk, o episódio aconteceu após a criança comer amendoim que, segundo Oliveira, é um dos alimentos mais associados a reações alérgicas.

QUAIS OS RISCOS?

Os riscos são diretamente ligados à velocidade do estímulo contrário. Isto é, quanto mais tempo demorar para interromper a reação, mais danos o choque pode causar.

A hipotensão, por exemplo, pode causar desmaios, que por sua vez podem levar a traumas se a pessoa cair. O maior risco está na dificuldade de respiração, no entanto. O inchaço das vias aéreas obstrui a respiração gradativamente. Daí a necessidade de buscar socorro o mais rápido possível.

COMO RESOLVER?

A recomendação dos médicos é reproduzir o mesmo que fez o jogador com sua filha: correr para a emergência.

No atendimento médico, se houver uma caneta de adrenalina, pode-se aplicar para interromper a reação agressiva do corpo e manter os sinais vitais. Esse medicamento, contudo, são pouco disponíveis no Brasil, diz o alergista. Tampouco substituem a necessidade do atendimento médico.

COMO APARECE?

O choque anafilático, apesar de ser mais raro, aparece como uma reação alérgica comum. Ele pode ocorrer não no primeiro contato com a substância que o provoca, mas no segundo (mais comum) ou até mesmo no terceiro.

"O corpo recebe o alérgeno, identifica que não gosta dele e então cria uma resistência", explica o médico emergencista Raphael Eloy.

Há alergias que surgem ao longo da vida, após os 30, 40 anos, por exemplo. Isso significa que um choque anafilático pode surgir com coisas cuja pessoa nem imagina ter alergia.

COMO IDENTIFICAR?

Segundo Oliveira, é possível identificar a alergia em um exame de sangue. Para isso, as células da amostra são colocadas em contato com substâncias comumente associadas a alergias.

Amendoim, frutos do mar e leite são alguns exemplos. Mas picadas de insetos, poeira e contato com alguns produtos específicos, como o látex, também podem desencadear uma reação.

COMO EVITAR?

Para Eloy, os cuidados são simples quando a alergia já é conhecida. "Pessoas com alergias pré-identificadas devem evitar contato com o que elas sabem que causam a reação. Ainda que exista o antialérgico, que ajuda na crise, é comum que as reações se tornem cada vez mais agressivas", explica o médico.

O fato de o choque ser instantâneo auxilia na identificação de algum suposto sinal. Por isso, provar alimentos que são novidade para o corpo em pequenas doses, por exemplo, pode ajudar a fazer uma espécie de reconhecimento do alimento.

Hulk agradeceu publicamente à equipe do Hospital Público Risoleta Neves, em Belo Horizonte, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde), responsável pelo atendimento à sua filha durante a crise alérgica.

"Desde a recepção até cada profissional de saúde que atendeu minha filha, fomos acolhidos com atenção, rapidez e, acima de tudo, humanidade. Vocês foram essenciais naquele momento", disse.

Reportagem de Luis Eduardo de Sousa na Folha de São Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/03/entenda-o-choque-anafilatico-reacao-que-levou-a-filha-do-atacante-hulk-ao-hospital.shtml


domingo, 15 de março de 2026

Violência política de gênero contra a jornalista Malu Gaspar

Feminismo cala, esquerda lincha Malu Gaspar e poupa Moraes

Ataques a jornalista são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu

Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.


Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.

Trata-se de silêncio que não se observou quando outras igualmente valorosas profissionais da imprensa expuseram malfeitos de bolsonaristas e foram por eles atacadas. Nesses casos, as jornalistas receberam um uníssono coro de solidariedade vindo de coletivos feministas e organizações de mulheres que não soltam a mão de ninguém e consideram um ataque a uma jornalista mulher como ataque a todas as jornalistas mulheres. Desta vez — em que o foco das reportagens é não um presidente de direita, mas um juiz eleito herói da resistência pela esquerda —, porém, nenhum desses grupos encontrou algo para dizer em defesa de Malu Gaspar.

Mais que não ser defendida, ela vem sendo atacada por setores da esquerda. Militantes petistas pedem abertamente sua demissão, e sites de esquerda estimulam a perseguição a ela (não por coincidência, alguns desses sites figuram nos autos do inquérito Master como fregueses da generosidade suspeita de Vorcaro, mas essa já é uma conversa que transcende a hipocrisia ideológica — é assunto de polícia).

Dos teclados desses militantes saem as mais sórdidas fake news — e também as mais hilariantes desculpas para o indesculpável (o troféu cara de pau fica com a feminista que invocou o imperativo do respeito à “independência profissional das mulheres” para justificar o contrato milionário de Viviane de Moraes com Vorcaro, numa mostra de que, ao contrário de quase tudo na vida, o cinismo e a capacidade de autoengano não conhecem limites).

Nada disso chega a surpreender. Historicamente, a esquerda fundamentalista, sempre indulgente com modelos totalitários, não se vexa em trocar seus alegados princípios pela proteção de seus vilões preferidos — como podem confirmar, das profundezas do inferno, camaradas de mãos ensanguentadas e um punhado de aiatolás recém-chegados. A mesma condescendência, essa esquerda dedica a seus suspeitos de estimação.

Um ministro do STF tinha encontros recreativos com um banqueiro adepto de práticas financeiras heterodoxas? Foi flagrado pela Polícia Federal trocando mensagens com esse banqueiro no dia de sua prisão? Respondeu com mensagem de visualização única à pergunta “Conseguiu ter notícias ou bloquear”? Sua mulher tinha um contrato de R$ 130 milhões com o agora ex-banqueiro-presidiário? Não tem importância. Salvo-conduto moral para os heróis da turma, e que ardam nas redes aqueles que ousarem colocá-los sob má luz.

Foi o que fez Malu Gaspar como consequência de uma apuração profissional rigorosa. A jornalista não precisa que ninguém a defenda — sua trajetória e reputação cumprem com sobra esse papel. Mas é desolador constatar que, para os fundamentalistas da esquerda brasileira, nas revoluções como nos escândalos, princípios só valem quando servem para atacar o inimigo; é lícito e legítimo linchar quem aponta o dedo para um aliado; e todos os fatos merecem ser revelados, à exceção dos inconvenientes.

Ataques a Malu Gaspar são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu

Texto de Thaís Oyama d'O Globo

https://oglobo.globo.com/opiniao/thais-oyama/coluna/2026/03/feminismo-cala-esquerda-lincha-malu-gaspar-e-poupa-moraes.ghtml