Augusto Cury tem maior patrimônio entre presidenciáveis, e Lula registra queda de bensCandidato pelo Avante, com R$ 242,2 milhões, é o mais rico entre candidatos, seguido por Romeu Zema (Novo), com R$ 178,7 milhões;
Flávio aumentou quatro vezes seu patrimônio desde 2018 e Lula teve queda de 49% em relação a 2022
O escritor Augusto Cury (Avante) tem o maior patrimônio declarado à Justiça Eleitoral entre os presidenciáveis de 2026, com R$ 242,2 milhões, seguido por Romeu Zema (Novo), o segundo mais rico, com R$ 178,7 milhões.
À frente nas pesquisas de intenções de votos, Lula (PT) declarou R$ 4,8 milhões e Flávio Bolsonaro (PL), R$ 8,2 milhões.
A autodeclaração de bens é uma exigência para o registro da candidatura. O objetivo da prestação não é fiscal, como no Imposto de Renda, por exemplo. A finalidade é dar transparência para que os eleitores possam comparar os valores informados à Justiça Eleitoral.
Ronaldo Caiado (PSD) é o terceiro com maior patrimônio declarado, com R$ 52,6 milhões. Na sequência aparece Wilson Grassi (Democrata), com R$ 50 milhões, e Clariana Barão (DC), com R$ 1,8 milhão.
Renan Santos (Missão) declarou R$ 795,1 mil; Edmilson Costa (PCB), R$ 454,5 mil; Samara (UP), R$ 33 mil, e Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) informaram não ter bens.
O escritor Augusto Cury disputa sua primeira eleição. Seu patrimônio se concentra, principalmente, em fazendas e imóveis rurais, que somam R$ 19 milhões, além de empréstimos a empresas (R$ 125,3 milhões) e participações societárias (R$ 54,6 milhões).
Variação de patrimônio
Entre os candidatos que participaram das eleições federais de 2022 e, portanto, possibiltam comparação à lista de bens acumulados na época, o ex-governador de Minas Gerais ficou 15% mais rico no período. Em 2022, ele declarou R$ 129,7 milhões, o equivalente a R$ 155 milhões em valores corrigidos pela inflação atual.
Boa parte do patrimônio declarado por Zema está concentrada em participações empresariais e aplicações financeiras. Entre os itens informados neste ano estão uma participação de R$ 94,5 milhões em uma holding familiar e um fundo multimercado de R$ 56,2 milhões.
Lula percorreu o caminho inverso entre as duas últimas eleições. O petista declarou R$ 7,4 milhões em 2022, R$ 8,8 milhões em valores atualizados, 46% a menos do que neste ano, quando apresentou R$ 4,8 milhões em bens.
Entre os principais bens declarados por Lula, estão dois planos de previdência privada, de R$ 1,4 milhão e R$ 1,9 milhão, além de imóveis, aplicações financeiras e outros bens e direitos.
Na comparação entre as declarações, em 2022, Lula teve perda nos investimentos em previdência privada. O VGBL declarado por Lula neste ano caiu aproximadamente 50%. Em 2022, eram R$ 5,5 milhões investidos, ou R$ 6,6 milhões considerada a inflação do período.
Em 2022 havia um item de R$ 250.722,03, descrito como "devolução de valores bloqueados por determinação judicial", que não aparece na declaração de 2026.
Já o crédito judicial de R$ 179.298,96 continua aparecendo em 2026, agora descrito como crédito decorrente do distrato relacionado à Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários). Trata-se de decisão judicial que restitui ao presidente valor pago por Marisa Letícia, de quem é viúvo, por apartamento no edifício Solaris, em Guarujá. Triplex no mesmo condomínio foi investigado na Operação Lava Jato.
O patrimônio de Ronaldo Caiado aumentou 328% em relação a 2022. Na eleição anterior, o ex-governador de Goiás declarou R$ 24,8 milhões, o equivalente a R$ 29,7 milhões em valores corrigidos pela inflação.
A declaração de Caiado é fortemente concentrada em imóveis rurais e atividade agropecuária, além de aplicações financeiras. O candidato declarou R$ 36 milhões em imóveis rurais e R$ 10,5 milhões em rebanho.
Flávio Bolsonaro (PL) declarou ter R$ 8,1 milhões em bens, quatro vezes mais do que o informado nas eleições de 2018, quando concorreu ao Senado. Naquele ano, informou patrimônio de R$ 1,74 milhão, equivalente a cerca de R$ 2,6 milhões em valores de 2026.
No período, foram incluídos ao seu patrimônio a mansão em Brasília de R$ 6,2 milhões, aplicação em fundo de investimento de R$ 1 milhão, além de depósitos bancários de R$ 568,7 mil. Em 2018, o então candidato ao Senado declarou um apartamento na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, de R$ 917 mil, uma sala comercial no mesmo bairro de R$ 150 mil e participação em empresa de chocolate equivalente a R$ 50 mil.
Renan Santos, que disputa uma eleição presidencial pela primera vez, declarou R$ 795,1 mil, distribuídos entre participações societárias, créditos e bens relacionados a atividade autônoma.
Clariana Barão (DC), também em primeira eleição, afirmou ter patrimônio concentrado em imóveis, além de um carro e saldo em conta corrente.
Samara informou apenas dois bens: um automóvel de R$ 29 mil e R$ 4.000 em poupança. Em 2022, a candidata informou patrimônio de R$ 3.364, ou R$ 4.018 em valores corrigidos.
Hertz Dias, que declarou um apartamento de R$ 100 mil (R$ 151 mil em valores corrigidos) nas eleições de 2018, informou não ter bens nesta eleição. Rui Costa Pimenta, que também declarou não ter bens, não concorreu nas eleições de 2022 e 2018.
Candidatos a vice
Candidato a vice-presidente na chapa que disputa a reeleição do presidente Lula, Geraldo Alckmin (PSB) teve alta do patrimônio declarado neste ano em comparação com as últimas eleições. De R$ 1 milhão informado em 2022, (R$ 1,2 milhão em valores atuais), o ex-governador de São Paulo atualizou sua renda acumulada para R$ 3,29 milhões em 2026.
Em 2022, os principais bens do candidato a vice incluíam um apartamento de R$ 323,8 mil, um fundo de previdência privada de R$ 314,9 mil, um fundo de investimento de R$ 172 mil, além de uma casa e terrenos. Em 2026, o patrimônio está mais concentrado em aplicações financeiras: aparecem, entre outros itens, previdência privada de R$ 812 mil, aplicação de renda fixa de R$ 563,5 mil e outra de R$ 490,8 mil, além do mesmo apartamento de R$ 323,8 mil e imóveis em Pindamonhangaba (interior de SP).
Gilberto Kassab (PSD), vice de Caiado, declarou ter R$ 20,9 milhões de patrimônio. Os principais bens são R$ 19,8 milhões em cotas de empresas e um apartamento de R$ 744 mil em São Paulo. A última eleição disputada pelo presidente do PSD foi a de 2014, quando declarou ter R$ 6,5 milhões em bens, R$ 12,6 milhões em valores corrigidos.
O senador Eduardo Girão (Novo), vice de Zema, declarou R$ 34,1 milhões em bens em 2026, abaixo dos R$ 36,3 milhões (R$ 55 milhões atuais) listados em 2018, quando foi eleito senador. Em 2024, Girão concorreu à Prefeitura de Fortaleza e declarou naquele ano R$ 48,1 milhões (R$ 52,9 milhões atuais) em bens.
O patrimônio de Girão se resume a investimentos e participações financeiras. Entre os maiores valores estão R$ 9,9 milhões em ações no exterior, R$ 4,2 milhões em aplicação de renda fixa e R$ 4,2 milhões em participação societária. A declaração também inclui R$ 1,5 milhão em previdência, fundos e outras aplicações financeiras, além de créditos, mútuos, imóveis e veículos. Há ainda recursos mantidos em contas e investimentos no exterior.
Vice de Renan Santos, coronel Medina (Missão) declarou R$ 1,59 milhão em bens à Justiça Eleitoral, sendo a maior parte investidos em imóveis, além de dois carros, uma medalha de ouro avaliada em R$ 200 mil, uma espada de R$ 10 mil e uma pistola Taurus de R$ 12 mil.
Em 2024, quando se candidatou a vereador em Porto Alegre, o policial militar aposentado afirmou ter patrimônio de R$ 1,4 milhão, em valores corrigidos pela inflação, o dobro do protocolado em 2018, R$ 798,8 mil, quando se candidatou a deputado estadual no Rio Grande do Sul.
Reportagem de Mariana Zylberkan e Marina Pinhoni na Folha de São Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/augusto-cury-tem-maior-patrimonio-entre-presidenciaveis-e-lula-registra-queda-de-bens.shtml
sábado, 15 de agosto de 2026
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Jovens de uma geração de mal-educados não dizem ‘bom dia’
Cumprimento quem cruza meu caminho, talvez com inspiração no meu paiSe um brasileiro reclama de que os franceses são mal-educados, deveria reconsiderar
Digo "bom dia" a toda pessoa que cruza o meu caminho. Talvez eu me inspire no meu pai, que perguntava de manhã a quem encontrasse: "Bom dia, flor do dia, tomou banho de bacia de água fria na casa da sua tia?"
No interior, todos respondem. Na cidade, a grande maioria. Se for um segundo depois do meio-dia, passa a ser boa tarde, e muita gente me corrige se ainda digo bom dia.
Um segundo depois das seis da tarde, vira boa noite. Me pergunto se aqueles que corrigem ficam aguardando o ponteiro do relógio cravar a hora de mudar para repreender quem erra a saudação.
Um grupo considerável não responde: os jovens. Que também não dizem "obrigado". Numa pesquisa global da Ipsos, 70% dos jovens preferem resolver interações via texto e evitam conversa por voz.
Desconfiança? Ocupados numa realidade paralela, marcada pelos traumas do isolamento social da pandemia? Fones de ouvido? Sinapses em curto por conta da desconcentração causada pelas redes sociais?
Ou, pior, uma geração de mal-educados se forma diante de um mundo distópico e despótico, legado de gerações anteriores. Fico triste por eles. Por vezes, repito: "Bom dia". Me ignoram novamente.
Pouco a pouco, vou desistindo, não cumprimento mais, repetindo o terrível lema de uma sociedade individualista: "Ema, ema, ema, cada um com seus problemas".
Minha irmã Nalu se mudou para Paris em 1982. Desde que fui visitá-la na primeira vez, ela me ensinou a etiqueta fundamental para se comunicar com franceses. E, quando me esqueço, ela até hoje me chama atenção. Viu a pessoa, "bonjour".
Entrei certa vez numa loja, tinha cinco vendedores, e escutei cinco vezes "bonjour". Responde-se a cada um.
Começar a pergunta sempre no futuro do pretérito do indicativo, na forma de tratamento "vous", jamais "tu" (a não ser para íntimos), sem se esquecer do "por favor" ao final, "s’il vous plaît".
A Revolução Francesa procurou igualar os cidadãos. Todos devem ser tratados com a mesma deferência, de um nobre a um plebeu. "C’est la vie"...
Nunca se esquecer do "obrigado", "merci". E de se despedir ao sair. Servem as variações: "au revoir" (até logo), "à bientôt" (até breve), "à tout à l’heure" (o nosso até mais), e minha preferida, "bonne journée", cuja tradução literal é metafísica, boa jornada, que é o que mais esperamos da vida: que ela seja intensa.
Italianos também usam "buona giornata". E exigem, antes de qualquer troca de palavras, um saboroso "buongiorno", assim como os espanhóis, "buenos días".
Se um brasileiro reclama de que os franceses são mal-educados, deveria reconsiderar. O problema não está em nossa espontaneidade? Se um patrício chegou a essa conclusão, é porque não proferiu as etapas corretas de se pedir um cafezinho.
Por exemplo: "Bonjour. Est-ce que je pourrais avoir un café, s’il vous plaît? Merci". Aqui chegamos ao balcão e soltamos, fazendo gestos com a mão: "solta um cafezinho", enquanto lá: "Bom dia. Será que eu poderia ter um café, por favor? Obrigado".
Aqui rolam as variações "cafezinho, chefia". Ou "chefe", "chegado", "companheiro", "amigo", "tio", "parceiro", "patrão", e a nova onda, "papai". Nenhum país é tão formal como a França. É lindo o respeito que se tem pelo outro. E nenhum país é tão informal como o Brasil; o que está impregnado na nossa alma é nossa identidade, mas pode ser considerado descortês.
No sofisticado podcast Não Importa —sempre uma aula que não se encontra numa faculdade de linguística—, João Vicente e Gregorio Duvivier debatem a linguagem do cotidiano. O programa é genial, porque falam num tom peremptório do aparentemente banal.
No episódio sobre "nepo babies", eles discorrem sobre cumprimentar um amigo e diferenças entre "meu irmão", "irmãozão", "bróder", "broderzaço", "meu bróder". "Querido", "querida" e "meu anjo" foram cancelados.
Duvivier conta um episódio que aconteceu recentemente em Lisboa. Está acostumado a ser reconhecido e bem tratado no aeroporto, por conta do sucesso lá de Porta dos Fundos. Diante do agente de imigração, enquanto procurava o passaporte, disse: "Desculpe, tá aqui, amigo". Levou uma dura: "Não sou seu amigo".
Estava diante do profissional na essência mal-humorado. Deve inclusive fazer parte do processo de seleção da alfândega escolherem os mais mal-humorados entre os inscritos. E, no treinamento, aperfeiçoarem o mau-humor. Se tivesse começado com um "bom dia"...
Meu pai dirigia sempre acima da velocidade permitida. Metia os cinco filhos no banco de trás e caíamos na estrada. Todos sem cinto, amontoados. Certa vez, fomos parados pela polícia. O patrulheiro se aproximou. Ele abriu a janela e ofereceu: "Bom dia, policial, quer um charuto?". Não foi multado.
Reportagem deMarcelo Rubens Paiva na Folha de São Paulo
Escritor, é autor de 'Feliz Ano Velho', 'Ainda Estou Aqui' e 'O Novo Agora'
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelo-rubens-paiva/2026/08/jovens-de-uma-geracao-de-mal-educados-nao-dizem-bom-dia.shtml
Digo "bom dia" a toda pessoa que cruza o meu caminho. Talvez eu me inspire no meu pai, que perguntava de manhã a quem encontrasse: "Bom dia, flor do dia, tomou banho de bacia de água fria na casa da sua tia?"
No interior, todos respondem. Na cidade, a grande maioria. Se for um segundo depois do meio-dia, passa a ser boa tarde, e muita gente me corrige se ainda digo bom dia.
Um segundo depois das seis da tarde, vira boa noite. Me pergunto se aqueles que corrigem ficam aguardando o ponteiro do relógio cravar a hora de mudar para repreender quem erra a saudação.
Um grupo considerável não responde: os jovens. Que também não dizem "obrigado". Numa pesquisa global da Ipsos, 70% dos jovens preferem resolver interações via texto e evitam conversa por voz.
Desconfiança? Ocupados numa realidade paralela, marcada pelos traumas do isolamento social da pandemia? Fones de ouvido? Sinapses em curto por conta da desconcentração causada pelas redes sociais?
Ou, pior, uma geração de mal-educados se forma diante de um mundo distópico e despótico, legado de gerações anteriores. Fico triste por eles. Por vezes, repito: "Bom dia". Me ignoram novamente.
Pouco a pouco, vou desistindo, não cumprimento mais, repetindo o terrível lema de uma sociedade individualista: "Ema, ema, ema, cada um com seus problemas".
Minha irmã Nalu se mudou para Paris em 1982. Desde que fui visitá-la na primeira vez, ela me ensinou a etiqueta fundamental para se comunicar com franceses. E, quando me esqueço, ela até hoje me chama atenção. Viu a pessoa, "bonjour".
Entrei certa vez numa loja, tinha cinco vendedores, e escutei cinco vezes "bonjour". Responde-se a cada um.
Começar a pergunta sempre no futuro do pretérito do indicativo, na forma de tratamento "vous", jamais "tu" (a não ser para íntimos), sem se esquecer do "por favor" ao final, "s’il vous plaît".
A Revolução Francesa procurou igualar os cidadãos. Todos devem ser tratados com a mesma deferência, de um nobre a um plebeu. "C’est la vie"...
Nunca se esquecer do "obrigado", "merci". E de se despedir ao sair. Servem as variações: "au revoir" (até logo), "à bientôt" (até breve), "à tout à l’heure" (o nosso até mais), e minha preferida, "bonne journée", cuja tradução literal é metafísica, boa jornada, que é o que mais esperamos da vida: que ela seja intensa.
Italianos também usam "buona giornata". E exigem, antes de qualquer troca de palavras, um saboroso "buongiorno", assim como os espanhóis, "buenos días".
Se um brasileiro reclama de que os franceses são mal-educados, deveria reconsiderar. O problema não está em nossa espontaneidade? Se um patrício chegou a essa conclusão, é porque não proferiu as etapas corretas de se pedir um cafezinho.
Por exemplo: "Bonjour. Est-ce que je pourrais avoir un café, s’il vous plaît? Merci". Aqui chegamos ao balcão e soltamos, fazendo gestos com a mão: "solta um cafezinho", enquanto lá: "Bom dia. Será que eu poderia ter um café, por favor? Obrigado".
Aqui rolam as variações "cafezinho, chefia". Ou "chefe", "chegado", "companheiro", "amigo", "tio", "parceiro", "patrão", e a nova onda, "papai". Nenhum país é tão formal como a França. É lindo o respeito que se tem pelo outro. E nenhum país é tão informal como o Brasil; o que está impregnado na nossa alma é nossa identidade, mas pode ser considerado descortês.
No sofisticado podcast Não Importa —sempre uma aula que não se encontra numa faculdade de linguística—, João Vicente e Gregorio Duvivier debatem a linguagem do cotidiano. O programa é genial, porque falam num tom peremptório do aparentemente banal.
No episódio sobre "nepo babies", eles discorrem sobre cumprimentar um amigo e diferenças entre "meu irmão", "irmãozão", "bróder", "broderzaço", "meu bróder". "Querido", "querida" e "meu anjo" foram cancelados.
Duvivier conta um episódio que aconteceu recentemente em Lisboa. Está acostumado a ser reconhecido e bem tratado no aeroporto, por conta do sucesso lá de Porta dos Fundos. Diante do agente de imigração, enquanto procurava o passaporte, disse: "Desculpe, tá aqui, amigo". Levou uma dura: "Não sou seu amigo".
Estava diante do profissional na essência mal-humorado. Deve inclusive fazer parte do processo de seleção da alfândega escolherem os mais mal-humorados entre os inscritos. E, no treinamento, aperfeiçoarem o mau-humor. Se tivesse começado com um "bom dia"...
Meu pai dirigia sempre acima da velocidade permitida. Metia os cinco filhos no banco de trás e caíamos na estrada. Todos sem cinto, amontoados. Certa vez, fomos parados pela polícia. O patrulheiro se aproximou. Ele abriu a janela e ofereceu: "Bom dia, policial, quer um charuto?". Não foi multado.
Reportagem deMarcelo Rubens Paiva na Folha de São Paulo
Escritor, é autor de 'Feliz Ano Velho', 'Ainda Estou Aqui' e 'O Novo Agora'
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcelo-rubens-paiva/2026/08/jovens-de-uma-geracao-de-mal-educados-nao-dizem-bom-dia.shtml
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