sexta-feira, 10 de abril de 2009

A vaca vai pro açougue e o consumidor vai pro brejo

Durante os últimos dias estive em contato com pequenos pecuaristas do interior de Minas, mais especificamente na zona da Mata Mineira e constatei o grande número de vacas e novilhas sendo vendidas para abate.
Qualquer pessoa míninamente informada sabe que a pecuária vive ciclos de preços bons e preços ruins, ciclos de aumento do rebanho de carne e leiteiro e ciclo de descarte.
Quando o preço do leite pago ao produtor está muito baixo como está acontecendo neste início de ano, devido a importação de leite vindo da Europa disfarçado, rotulado, de leite argentino o produtor fica com as melhores matrizes e descarta as vacas reprodutivas, mas com pouco leite, se o período de preços baixos persistir por muito tempo e a matança de vacas e novilhas for muito grande, o estrago no rebanho será sentido dentro de dois a três anos, então o mercado começa a pagar melhor preço ao produtor e consequentemente a cobnrar preços absurdos do consumidor, é a maldição da vaca que foi precocemente pro açougue, ela se vinga no consumidor que se afunda no pantanal dos preços altos.

De Josè Gerado da Silva

Sobre este assunto republico texto do G1/Estado sobre o leite triangulado pela Argentina

Argentina empurra leite barato para o Brasil

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou hoje que dados do governo mostram que a Argentina está "empurrando" leite a preços baixos para o mercado brasileiro. Segundo ele, o Brasil não pode "virar depósito de excesso de leite", num momento em que a Argentina não tem para quem vender. Ele fez as afirmações ao participar de evento na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), onde se discutia o setor de lácteos.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) acusa a Argentina de triangulação na venda de leite para o Brasil, alegando que há indícios de que o produto esteja sendo comprado da União Europeia por preços abaixo do custo de produção e revendido para o Brasil.

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1077024-9356,00-STEPHANES+ARGENTINA+EMPURRA+LEITE+BARATO+PARA+O+BRASIL.html

quarta-feira, 11 de março de 2009

A marolinha que virou TSUNAMI

Recuo do PIB brasileiro é o pior entre os Brics, diz ONU

PIB brasileiro se contraiu 3,6% no último trimestre de 2008.
'Resultado é chocante', afirmou economista-chefe.

Do G1, com informações da Agência Estado

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que recuou 3,6% no último trimestre em relação ao perído imediatamente anterior, é o pior até agora entre os países do Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China). A queda é ainda superior à redução do PIB da Europa. 

Foto: Editoria de Arte/G1

O resultado é chocante", afirmou o alemão Heiner Flassbeck, economista-chefe da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Desenvolvimento e Comércio.

Na terça-feira (10), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB brasileiro ficou 3,6% menor no último trimestre de 2008, na comparação com o período imediatamente anterior. A queda foi a maior desde o início da série, iniciada em 1996. No acumulado do ano, no entanto, o PIB cresceu 5,1% e chegou a R$ 2,9 trilhões.

Os dados do Brasil ficam piores na comparação anualizada. Na China, o crescimento no quarto trimestre (anualizado) foi de 6,5%. A Índia cresceu 5,3%, menos que a previsão de 7,6%. Se o recuo de 3,6% do PIB brasileiro no quarto trimestre de 2008 for anualizado, pode significar uma queda de 13,6% da atividade econômica em 2009.

Já a Rússia sofre tanto com a queda do preço do petróleo como com a redução da demanda na Europa para suas exportações. O resultado é um crescimento previsto ainda de 2% para os últimos três meses de 2008. Para 2009, a previsão é de que a economia russa sofra uma contração de até 0,7%. 

Europa

O resultado brasileiro é ainda pior que a queda do PIB na Europa no quarto trimestre de 2008. A média da redução foi de 2,4% e pôs a Europa em uma recessão, fez a inflação despencar e está levando ao desemprego mais de 12 mil pessoas diariamente nos 27 países da União Europeia (UE). Entre os 16 países que usam o euro (zona do euro), a queda foi de 1,5% entre outubro e dezembro do ano passado.

PIB tem queda de 3,6% no 4º trimestre, a maior desde 1996

Queda foi registrada frente ao 3º trimestre de 2008.
Em 2008, PIB cresceu 5,1% e chegou a R$ 2,9 trilhões.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ficou 3,6% menor no último trimestre de 2008, na comparação com o período imediatamente anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (10). A queda foi a maior desde o início da série, iniciada em 1996. 

No acumulado do ano, no entanto, o PIB cresceu 5,1% e chegou a R$ 2,9 trilhões. O IBGE também revisou para cima o crescimento do PIB de 2007, para 5,7%. Na comparação com o quarto trimestre de 2007, a economia brasileira registrou expansão de 1,3%.

A maior influência para a queda registrada no quarto trimestre frente ao trimestre anterior veio da indústria, que "encolheu" 7,4%, no maior recuo desde o período de outubro a dezembro de 1996, quando a queda foi de 7,9%. Na agropecuária, a queda foi de 0,5%, enquanto o setor de serviços recuou 0,4% no último trimestre de 2008.

O que se observa é que todos os setores tiveram uma desaceleração no 4º trimestre. O único que não desacelerou foi a administração pública. Pela ótica da produção, a queda da indústria foi a maior (-7,4%), que tem peso de 28%. Pela ótica da demanda o setor mais afetado foi investimentos”, diz Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE.

Na comparação trimestral, os investimentos das empresas e o consumo das famílias também registraram recuos. A formação bruta de capital fixo teve queda de 9,8%, a maior da série do IBGE. Já o consumo das famílias ficou 2,0% menor, na primeira queda desde o segundo trimestre de 2003.

Exportações e importações de bens e serviços também caíram, 2,9% e 8,2%, respectivamente. Já a despesa de consumo da administração pública cresceu 0,5%.

CRISE

Para Rebeca Palis, a crise abortou o crescimento contínuo do PIB. "Houve uma ruptura, mas não dá para dizer se isso vai mudar o patamar". 

"Nesse momento é difícil fazer qualquer interpretação desses dados porque o quarto trimestre é completamente atípico. O (resultado) do quarto trimestre era inesperado, com uma crise ímpar e que teve um impacto forte", ressaltou a técnica do IBGE. 

"Houve desaceleração, mas saber qual o ponto principal que levou a isso, no momento atual, não dá para saber. Para um quadro mais detalhado será preciso esperar. Quais são os impactos futuros disso ainda não dá para dizer", diz Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais. 

PIB anual

Em 2008, o PIB a preços de mercado acumulado cresceu 5,1% em relação a 2007. Com isso, o PIB per capita atingiu R$ 15.240, segundo os dados do IBGE, um crescimento de 4% frente ao ano anterior. 

Foto: Editoria de arte/G1

 Veja a evolução anual do PIB (Editoria de Arte/G1)

"A média anual de crescimento do PIB nos últimos dez anos (1999-2008) foi de 3,3%, e a do PIB per capita foi 2,0%", apontou Rebeca Palis. "A média anual dos últimos 5 anos (2004-2008) do PIB foi 4,7%, e do per capita (3,5%)", explica.

Entre os setores, a agropecuária foi a atividade com maior crescimento no ano passado, de 5,8%. Os destaques positivos na produção agrícola do ano foram: trigo (47,5%), café em grão (25,0%), cana (19,2%), milho em grão (13,3%), arroz (9,7%), feijão (5,0%) e soja (3,4%).

A indústria fechou o ano com alta de 4,3%, com destaque para a construção civil (8,0%). Em seguida, veio a eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (4,5%). A extrativa mineral subiu 4,3%, em decorrência, principalmente, do crescimento anual de 5,2% na produção de petróleo e gás e de 1,9% na produção de minério de ferro. A indústria da transformação apresentou elevação de 3,2%.

No setor de serviços, que registrou crescimento de 4,8%, as maiores altas vieram dos subsetores de intermediação financeira e seguros (9,1%), serviços de informação (8,9%) e comércio (6,1%). 

Consumo das famílias

Na análise da demanda, a despesa de consumo das famílias registrou seu quinto ano consecutivo de alta, de 5,4%. A formação bruta de capital fixo cresceu 13,8% frente a 2007, no maior crescimento anual desde 1996.

No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram queda de 0,6% e as importações de bens e serviços elevação de 18,5%.

A taxa de investimento no ano de 2008 foi de 19,0% do PIB, a maior desde o início da série iniciada em 2000. Já a taxa de poupança alcançou 16,9% do PIB, inferior à taxa apresentada nos quatro anos anteriores.

 

Crescimento do PIB de outros países em 2008

País/Região Variação do PIB
China 9,0%
Brasil 5,1%
México 1,3%
Espanha 1,2%
EUA 1,1%
Alemanha 1,0%
União Européia 0,9%
Zona do Euro 0,8%
Reino Unido 0,7%
Canadá 0,5%
Japão -0,7%
Itália -1,0%.

Fonte: Instituto de Estatística/Banco Central

Do G1

domingo, 1 de março de 2009

Cubanos Nocauteados x Brasil de Quatro

A VOZ DO DONO
Com a fuga de Cuba do boxeador Guillermo Rigondeaux, escreveu-se o penúltimo capítulo da uma história iniciada em 2007, quando ele e seu colega Erislandy Lara foram deportados pela polícia do comissário Tarso Genro.
O último será escrito quando se souber com quem Fidel Castro falou no dia em que ele soube do desaparecimento da dupla. Que falou com alguém, falou, pois isso foi contado pelo seu chanceler, Felipe Pérez Roque. Nas suas palavras, o Comandante pediu ao seu interlocutor ajuda para "propiciar e organizar" o repatriamento dos fujões. Pode demorar, mas um dia a identidade do amigo de Fidel será conhecida.

Texto de Elio Gaspari na Folha de São Paulo de 01/03/09


Republico meu texto de 24/08/07 sobre este assunto

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch enviou carta a Tarso Genro. No texto, a entidade cobra do governo brasileiro uma “investigação completa e imparcial” da ação policial que resultou na deportação dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, ocorrida em 4 de agosto de 2007.

“Ainda que os dois atletas não tenham requisitado asilo político explicitamente, pedidos de obtenção do status de refugiado podem ser sinalizados por ações, e não apenas por pedidos explícitos. O fato de que Rigondeaux e Lara desertaram uma delegação atlética oficial cubana sugere fortemente que eles pudessem estar interessados em pedir asilo ao Brasil”
A deportação destes cubanos lembra a triste história de Olga Benário, esposa de Luis Carlos Prestes, ocorrida durante a ditadura de Vargas. Grávida de sete meses foi deportada para a Alemanha e entregue a Hitler, e morreu num campo de concentração, executada numa câmara de gás.
Já usaram o benefício do asilo político vários políticos brasileiros, que fugiram dos governantes de plantão no Brasil entre eles José Dirceu, o ministro da justiça Tarso Genro, o deputado Fernando Gabeira, o governador de São Paulo José Serra.
Para não azedar suas relações com Cuba o governo brasileiro curvou-se ante o governo cubano e entregou os boxeadores cubanos ao governo opressor que domina “A ILHA”
Será que Lulla negaria asilo político a José Dirceu?

15/08/07 Senador Suplicy pede que Fidel Castro não puna os boxeadores e sua família

23/08/07 - O avião fretado que levou os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara do Brasil para Cuba é venezuelano, de prefixo YV-2053. "Esse prefixo é venezuelano. O avião é da Venezuela".
YV é um dos prefixos usados no país de Hugo Chávez.

Fidel e Chaves agora mandam no Brasil, que pena, aqui ponto, chegou a diplomacia companheira.

71% das mortes de bebês poderiam ter sido evitadas

71% das mortes de bebês poderiam ter sido evitadas

Dados do Ministério da Saúde indicam que óbitos de crianças com até um ano de idade seriam reduzidos com atendimento melhor à gestante e ao recém-nascido

Morte é injustificável quando falta ação adequada de diagnóstico, tratamento, imunização e combate à desnutrição da criança

Caio Guatelli/Folha Imagem
Pamela Silva durante pesagem do filho Pablo, em Marsilac

ANGELA PINHO e LEANDRA PERES

Sete de cada dez mortes de bebês no Brasil poderiam ter sido evitadas por um atendimento melhor à mãe e à criança, segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde.
Depois de analisar as declarações de óbito de 48.332 bebês registradas em 2006, o estudo do governo federal concluiu que pelo menos 15.224 (31,5%) poderiam estar vivos se tivessem sido bem atendidos nos primeiros dias de vida.
Somado a outros fatores, como cuidados à gestante, no parto, em diagnósticos e tratamento e ações de saúde, esse percentual sobe para 71%.
A mortalidade de crianças até um ano está em queda no país desde a década de 1980. Mas ainda é alta se comparada a de outros países. No Brasil, para cada mil crianças nascidas vivas em 2007, 19,3 morreram antes do primeiro aniversário. Índice maior do que na Argentina (15), EUA (7) e Cuba (5).
Os dados do estudo nacional foram apresentados pelo ministro José Gomes Temporão a governadores do Nordeste e da Amazônia Legal em reunião reservada no Palácio do Planalto em janeiro. As duas regiões concentram cerca de metade da mortalidade infantil do país, com apenas 13% da população total brasileira.
Os cuidados nas primeiras horas significam dar medicamentos adequados aos prematuros, como o sulfactante, usado para expandir o pulmão, e garantir atendimento especializado aos bebês com problemas de saúde -cerca de 10%, segundo a área técnica de saúde da criança e aleitamento materno do Ministério da Saúde.
A coordenadora Elsa Giugliani reconhece, porém, que em diversas maternidades brasileiras há uma deficiência de leitos de UTI neonatal e que em outras o equipamento é bom, mas não há especialistas.
A possibilidade de um bebê nascer com problemas de saúde diminui quando a gravidez tem um acompanhamento adequado. Um diagnóstico precoce de infecção urinária na mãe, por exemplo, pode impedir o nascimento de uma criança prematura, lembra Jucille Meneses, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Entretanto, a falta de um atendimento de qualidade durante a gestação é justamente a segunda maior causa evitável de morte de bebês -poderia ter poupado 13% das vidas, concluiu o estudo do ministério.
Na lista das causas de óbitos injustificáveis, seguem, em ordem, ações adequadas de diagnóstico, tratamento, imunização e ações preventivas e de promoção à saúde, como combate à desnutrição.
São consideradas mortes inevitáveis aquelas provocadas por doença sem cura ou por má formação incompatível com a vida, como a anencefalia.
A representante do Ministério da Saúde reconhece que, em muitos locais, faltam profissionais capacitados e/ou a estrutura é precária, resultando em maternidades superlotadas.
Ela afirma, que não se pode atribuir a responsabilidade pelas mortes evitáveis apenas ao sistema de saúde. Segundo ela, o serviço de saúde pode até deixar de salvar um bebê que nasce com baixo peso, mas ele talvez não tivesse esse problema se a mãe fosse bem nutrida.
Antônio Prates Caldeira, doutor pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e professor da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros), concorda que há diversos fatores em jogo, mas diz que há, sim, uma corresponsabilidade do sistema de saúde. "Óbitos evitáveis podem ser devido a um sistema mal organizado e à falta de comprometimento de alguns profissionais", diz ele, autor de pesquisa sobre causas evitáveis da mortalidade infantil na região de Belo Horizonte.
"Um sistema de saúde que não proporciona atendimento adequado e acesso para a gestantes fazer pré-natal também tem uma parcela de culpa."

Da Folha de São Paulo de 01/03/09

sábado, 28 de fevereiro de 2009

MST contra o Brasil

Gilmar Mendes critica invasões de sem-terra no Pontal do Paranapanema e cobra ações de Justiça, MP e governo

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, durante entrevista coletiva, em Brasília - Foto de Roberto Stuckert Filho - O Globo

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou nesta quarta-feira as invasões realizadas por movimentos sem-terra durante o carnaval, entre elas as lideradas por José Rainha, dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ministro concordou que essas ações extrapolam os limites da legalidade e, em referência indireta ao governo federal, ressaltou que a lei impede o poder público de financiar esses grupos. As declarações de Mendes foram dadas antes de os movimentos socias anunciarem que estão deixando as propriedades ocupadas.

" A sociedade tolerou excessivamente esse tipo de ação "

- Os movimentos sociais devem ter toda a liberdade para agir, manifestar, protestar, mas respeitando sempre o direito de outrem. É fundamental que não haja invasão da propriedade privada ou pública. Eu tenho impressão que a Justiça tem que dar a resposta adequada. Há meios e modos jurídicos para se ter uma resposta serena, mas firme. Eu tenho impressão de que a sociedade tolerou excessivamente esse tipo de ação, por razões diversas, talvez um certo paternalismo, uma certa compreensão, mas isso não é compatível com a Constituição isso não é compatível com o Estado de Direito - afirmou o magistrado. (Qual o principal entrave para a solução definitiva para a questão agrária?)

" Dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude "

Além de defender a atuação da Justiça contra as invasões, Gilmar Mendes cobrou participação do Ministério Público, por meio de ações públicas no caso de assassinatos. O ministro também manifestou preocupação com a possibilidade do movimento sem-terra se tornar armado, pois passaria "a ter outras conotações". (Leia mais: MST invade duas propriedades no norte do Paraná)

O presidente do STF evitou fazer críticas diretas à atuação do governo frente às invasões, mas ressaltou a legislação que proíbe o financiamento público de movimentos que cometem ilegalidades. Ele não quis, no entanto, avaliar a legalidade dos repasses do Ministério do Desenvolvimento Agrário, responsabilizando o MP de pedir as informações devidas:

- Dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude. O que se sabe é que termômetro jurídico sinaliza que há excessos e é preciso repudiá-los. Essas pessoas podem ser acionadas por responsabilidade. Elas repassam recursos sem base legal, estão operando em quadro de ilicitude. Cabe ao MP pôr cobra a esse tipo de situação.

Lei proíbe repasse a movimentos invasores

Gilmar cobrou do Ministério Público a fiscalização desses repasses e a denúncia de autoridades envolvidas por crime de responsabilidade. O ministro frisou que a lei 8.629, que regulamenta a reforma agrária, proíbe repasses de verba pública a movimentos que invadam terras.

- Temos uma lei que estabelece a necessidade de que o poder público não subsidie tais movimentos, cesse de repassar recursos para esse tipo de movimento. O financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, ilegítimo - disse. - Essas pessoas (autoridades) podem ser acionadas por responsabilidade. Cabe ao MP pôr cobro a esse tipo de situação.

Cassel não comenta declarações de Gilmar Mendes

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, não quis comentar as declarações de Gilmar. Por sua assessoria, afirmou apenas que as respeita. O ministério informou que não é o único setor do governo a distribuir verba para essas associações.

O ministério silenciou sobre as declarações do secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, que recomendou aos movimentos que protestem em Brasília contra a lentidão no assentamento de sem-terra no estado. Desde o episódio do "Carnaval Vermelho", no fim de semana, nenhuma autoridade do governo Lula se pronunciou.

O governo federal transfere dinheiro a cooperativas ligadas ao MST. A Federação das Associações dos Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Fafop) é uma delas. Ano passado, essa entidade recebeu do Incra R$ 1.373.598,25. O último repasse do convênio assinado com a federação foi feito em novembro, no valor de R$ 400 mil.

Governador de Pernambuco: 'Lugar de homicida é na cadeia'


Rainha pede a ministro Gilmar Mendes mesmo tratamento dispensado a Daniel Dantas

José Rainha Júnior, ex-líder do MST- Arquivo/Diário de São Paulo

SÃO PAULO e TERESINA - O líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, rebateu nesta quinta-feira as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que criticou na quarta-feira a violência do movimento e disse que as autoridades não podem tolerar as invasões . Rainha, que liderou a ocupação de 21 fazendas no Pontal do Paranapanema durante o carnaval , cobrou do ministro o mesmo tratamento dispensado ao banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity e acusado de corrupção, durante a Operação Satiagraha , da Polícia Federal, no ano passado. (Qual o principal entrave para a solução definitiva para a questão agrária?)

Dantas foi preso duas vezes, mas acabou solto após habeas corpus concedidos por Mendes. Ele foi condenado em dezembro a dez anos de prisão pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis.

" Não se pode deixar os ricos sempre a favor da lei e condenar os pobres por se valerem de lutas "

- Nós estamos lutando pela dignidade humana e o ministro não pode nos dar tratamento diferenciado ao que deu, por exemplo, a Daniel Dantas. Não se pode deixar os ricos sempre a favor da lei e condenar os pobres por se valerem de lutas - disse o líder dissidente do MST.

O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, durante entrevista coletiva, em Brasília 

Nesta quinta, Gilmar voltou a criticar uso de dinheiro público para financiamento de movimentos sociais. Para ele, esse financiamento significa que a sociedade está financiando a violência no Brasil. De acordo com Mendes, movimentos sociais ocupam terras, ocupam imóveis e geram violência. Segundo ele, a lei proíbe esse tipo de financiamento porque os recursos são públicos e sua aplicação não tem essa finalidade.

- Isso é a sociedade financiando a violência do Brasil - declarou, em Teresina, durante inspeção do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), do qual é presidente, na Justiça do Piauí.

" Isso é a sociedade financiando a violência do Brasil "

Rainha, por sua vez, afirmou que a invasão não é um crime e muito menos o Pontal uma região de conflitos violentos.

- O ministro está fora do foco. A questão é de ordem social. O Pontal nunca foi um lugar de violência. Aliás, eu sou contra qualquer tipo de violência. A vida tem que estar acima de qualquer coisa. Ninguém nunca morreu em conflito por aqui - disse Rainha, acrescentando que a situação em Pernambuco, onde quatro seguranças de fazendas foram assinados pelos sem-terra , "é bem diferente".

Para Rainha, qualquer desvio deve ser investigado

Rainha afirmou que qualquer desvio de verba pública pelas cooperativas associadas aos movimentos sociais deve ser investigado, mas pediu também acompanhamento no repasse de recursos para as prefeituras e para a Fundação Instituto de Terras de São Paulo (Itesp), órgão do governo paulista que cuida da reforma agrária no estado. Segundo ele, o Itesp e as prefeituras não informam o que fazem com o dinheiro que recebem.

O líder dissidente do MST vai pedir ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que intermedeie um encontro com Gilmar Mendes. Ele também pretende ligar para o secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey, para tentar remarcar a reunião que estava prevista para esta quinta. O encontrou foi desmarcado pelo governo do estado assim que os sem-terra ocuparam as fazendas no Pontal.

Na quarta-feira, os sem-terra recuaram e anunciaram que iriam deixar as fazendas . Rainha disse que foi um gesto de boa vontade para que o diálogo com o governo do estado fosse retomado.

Na manhã desta quinta, os sem-terra deixaram as fazendas invadidas e retornaram para acampamentos montados às margens de rodovias.

Apenas três áreas ligadas ao MST continuam invadidas no Pontal.

Sarney condena invasões do MST e elogia Gilmar Mendes

O presidente do Senado, José Sarney, também condenou nesta quinta-feira as invasões de terra. Segundo ele, não se pode violar "os direitos consagrados na Constituição". Sarney elogiou o posicionamento do de Gilmar Mendes, que criticou o financiamento público às entidades que promovem ocupações ilegais.

- O ministro Gilmar Mendes está prestando um grande serviço ao Brasil. Ele está defendendo o estado de direito e as liberdades públicas. Há no Brasil uma democracia estável, onde o direito de um termina onde começa o direito do outro. Não podemos permitir que invadam o direito dos outros

Marisa Serrano defende votação de pacote fundiário

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) pretende reunir todas as matérias em tramitação na Câmara e no Senado que tratem do processo de regulamentação do setor fundiário ou que tenham relação com o assunto em um pacote chamado "paz no campo" e propor sua análise e votação ao presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP).


Para ministro, não podemos ser contemplativos diante do MST


O MP precisa fazer uma apuração mais detalhada do uso do dinheiro público pelo MST, diz o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes

Ouça esta entrevista na rádio Bandeirantes

http://radiobandeirantes.terra.com.br/audios/pgm2702gilmarmendes.mp3




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A doença de amar o agressor!

A Enfª Jaqueline nos brinda com dois excelentes textos

A dependência que faz tanto mal

Embora o começo de todos os relacionamentos afetivos seja regado a muita sedução, sonhos e desejos, infelizmente com o tempo, o envolvimento emocional pode levar à dependência, rotina e desgaste. Uma pessoa pode se tornar dependente de comida, drogas, álcool, jogos, trabalho, filhos ou amigos. Mas é na relação a dois que com mais freqüência a dependência se torna destrutiva, podendo sem dúvida, tornar-se doentia e simbiótica, impedindo o crescimento e a troca entre o casal. A dependência geralmente acontece quando um ou os dois já tiveram experiências durante a vida de abandono, rejeição, levando-os a temerem passar novamente por isso. Cria-se a dependência, como uma forma desesperadora e fantasiosa de impedir que aconteça de novo.

Mesmo quando a realidade mostra uma relação transformando a vida em um pesadelo, muitos acreditam ainda que estão sonhando, pois é difícil acordar. A pessoa ao sentir-se incapaz de mudar sua vida, se acomoda. Geralmente a dependência psicológica acontece por necessidades inconscientes nem sempre identificadas. Além disso, ela propicia gratificações secundárias, como a sensação de segurança. É como se a pessoa respirasse através do outro, como se o outro fosse o responsável pela manutenção da sua vida e do ar que respira. Talvez por causa dessas gratificações, muitos sentem dificuldade para se libertarem, ainda que a relação esteja totalmente destrutiva.

Os dependentes deixam que desvalorizem tudo que lhes é mais caro: seus sentimentos. Perdem completamente o valor ao se permitirem que o outro jogue no "lixo" seu eu mais verdadeiro, desprezando tudo que dizem, sentem, fazem, pois nada que é seu é valorizado, ao contrário, tudo é motivo de crítica, fazendo-os acreditarem serem incapazes. O que não é verdade!

Em geral, essas pessoas tornam-se tristes, depressivas, enclausuradas em seus quartos escuros, podendo ficar assim durante anos, até o momento em que não suportam mais e explodem.
Algumas também implodem, ou seja, somatizam e adoecem gravemente. Depois de externalizarem toda raiva contida, e conseguem retomar de alguma forma sua saúde mental, podem perceber as contradições no outro e em si mesmo, tomando consciência de quanto eram sufocadas sob os valores e interesses de terceiros. Retomando essa consciência, que pode ser adquirida através do processo de psicoterapia ou mesmo da profundidade da dor, começam a perceber seus próprios valores, seus desejos, vontades e sentimentos, resgatando assim com sua saúde mental, a auto-estima e o amor-próprio.

Neste momento percebem que são capazes de ouvirem suas próprias vozes e não mais os gritos que as ensurdeciam e as palavras que as dilaceravam, percebem que suas vozes podem voltar a se tornarem novamente doces, suaves, como uma melodia gostosa de se ouvir. Conseguem assumir a responsabilidade pela própria vida, não mais colocando a sua vida na mão de quem quer que seja, mas na única pessoa em quem pode confiar: em si mesma. Claro que tudo isso exige muitas lutas internas, rever um passado que machucou muito, mas que se não for identificado e elaborado, continuará machucando através das repetições de padrões antigos e na manutenção de relações destrutivas.

Para romper esse círculo vicioso é preciso identificar as necessidades que não foram supridas durante a vida, principalmente na infância, entender que por mais que tenha machucado, já passou e desprender-se da ânsia, inconsciente é claro, de compensar perdas e rejeições passadas por meio de um relacionamento dependente como garantia de não mais ser abandonada. E ao conseguir se libertar de um relacionamento doente, cure cada uma das feridas existentes e não se entregue imediatamente a um novo relacionamento, pois será grande o risco de transferir os comportamentos viciados se ainda não forem identificados, podendo comprometer mais um relacionamento.

Muitos ainda dedicam suas vidas à procura da sua cara metade. Sem dúvida, seriam mais felizes se permitissem a si mesmos serem seres inteiros, capazes de aceitar e conviver com outro ser inteiro e não descobrirem depois de muito sofrimento, que a relação se manteve porque na verdade havia duas pessoas doentes e excessivamente carentes de amor. Quando um ser inteiro encontra-se com outro ser inteiro, tornam-se duas pessoas predispostas ao crescimento, a troca, a uma relação de paz e harmonia e não de brigas e desentendimentos. Quando se inicia esse processo de libertação é natural sentir-se triste e em alguns momentos duvidar se conseguirá, mas conforme as coisas forem acontecendo e for sentindo um certo alívio por poder fazer as pequenas escolhas do dia a dia, não ouvir mais críticas, nem cobranças, nem sentir-se mais culpada pelo que fez e não fez, o alívio virá com certeza e te dará a certeza que mais importante que viver um grande amor é viver em paz consigo mesma!

Rosemeire Zago,
Psicóloga clínica com abordagem jungiana. Desenvolve o auto conhecimento
e ministra palestras motivacionais.
Contato: (011) 3815.9172


Quando o amor faz sofrer

O ser humano busca e necessita de amor desde seu primeiro momento de vida. Todos nós esperamos amar e sermos amados. Pelo amor somos protegidos, nos desenvolvemos e sobrevivemos. De fato, o ser humano necessita do outro para dividir e compartilhar suas dores, alegrias e suas emoções.

Quando adultos, desejamos sermos amado, e a necessidade de carinho e proteção se faz presente, mas agora dentro de uma relação de troca. No momento em que esta troca não é mais satisfatória, e a exigência de um deles prevalece, um dos parceiros passa a se anular em função do outro, instalando-se com isso a dor e o sofrimento. Esta situação pode ocorrer em ambos os sexos, porém é bem mais freqüente em mulheres.

É muito comum perceber que nestas situações, quando se ama demais, as mulheres se distanciam de outras atividades que outrora eram de seu interesse, e necessitavam de seu cuidado, como vida social, trabalhos, estudos e filhos.

Percebemos nestas mulheres um grande medo de serem abandonadas, por este motivo se entregam cegamente à relação, tornando-se extremamente dependentes desse amor. Imaginam que este homem, e somente este homem, as farão felizes e as protegerão. Aflitas e com o medo de ficar só, entregam-se ao amado imaginando não poder viver sem ele, pois, neste momento, tem alguém para amar.

Justificando tudo isso vem o chamado amor, causador desse sofrimento, pois na ansiedade e expectativa de manter este sentimento, essas mulheres se anulam, investindo toda energia neste homem idealizado, que certamente não atenderá suas expectativas. Então ouvimos algo como, “não consigo viver sem ele”, “ele é tudo para mim” “perdi o sentido de minha vida”.

Nesta relação o que se vê é uma vulnerabilidade aos caprichos do outro perdendo desta forma, até mesmo a própria identidade. O que de fato encontramos diante desse sofrer é um ciúme excessivo, o desejo de controle, o medo da perda, a insegurança e a baixa auto-estima. Uma preocupação que parece interminável, sempre imaginando haver uma terceira pessoa na relação, validando a “convicção de um ser incapaz de possuir atrativos”, sentimentos que são frutos de uma baixa auto-estima.

A referência que se tem de amor é aquele em que existem obstáculos e conflitos, amor sempre está acompanhado da dor “se existe muito sofrer, existe muito amor”. Mas sempre a sensação de algo incompleto é iminente e quando abandonada, provavelmente, entrará em processo de compulsão à repetição, com o desejo inconsciente de compreender onde errou, ou seja, muitas vezes, sem perceber, repetirá o mesmo erro em outras relações com o intuito de compreender este abandono, uma vez que imagina estar dando o melhor de si e por isso esse homem dará a ela o que precisa.

Um pouco de investigação nos remete a situações semelhantes vividas nas relações de sua infância, como necessidade de agradar, necessidade de aprovação, medo do abandono, assim, mulheres que amam demais desempenham papeis ou funções para satisfazer a vontade do outro, no desejo de sentirem-se aceitas. A culpa e a frustração, sentimentos muito comuns nessas mulheres, aparecem por não atingirem a aprovação e aproximação do objeto amado e desta forma, preocupam-se somente em agradarem e cuidarem do outro sem conseguirem cuidar e proteger a si mesma. Se não conseguem conquistar o homem amado sentem-se fracassadas mais uma vez, e enormemente estimulada a se valer dos mais impensáveis feitos para manter-se encarcerada a ele.

Desta forma é fácil perceber que estas mulheres tornam-se tão obcecadas por relacionamentos quanto pessoas às drogas em geral, imaginando que o parceiro trará significado a sua vida e alivio às suas ansiedades, tal qual acontece nas demais dependências.

Vemos em muitos casos pessoas que tiveram grandes perdas e hoje o fato de imaginarem a possibilidade do abandono e da solidão, já as fazem descompensar ou perder o equilíbrio emocional. Esse medo cria uma dependência emocional que as prendem à sedução e tirania do outro com amarras do medo, negando a realidade e suas potencialidades. A tentativa de “discutir relação” sempre acaba em imensas brigas e frustrações, pois em sua fantasia procura uma família idealizada que obviamente não se sustenta ao longo da relação. Viver sem o outro é viver sem ela mesma. Ela não existe para si.

Várias emoções são experimentadas, tais como depressão, medo, insegurança, raiva e desejo de vingança, relacionadas a uma baixa auto-estima, que as levarão ao ciúme patológico usando como mecanismos de defesas a agressividade e o egoísmo o que não muito raro as levam aos crimes passionais.

A maior dificuldade dessas mulheres reside no fato de não conseguirem olhar para si e perceber esta obsessão. Para essas amantes, receber amor vem depois de receber proteção e reconhecimento, tal qual um bebê que busca a proteção e aprovação do pai para cada realização que opera.
A priori, mulheres que amam demais necessitam saber o porquê sofrem. Por qual motivo esta pessoa tem um papel tão importante em sua vida, mais importante até do que ela mesma? Por que necessitam do outro para poder se identificar, sentirem-se seguras ou até mesmo poderem caminhar?
O que fazer diante de tanto sofrimento? Pois a verdade é que estas mulheres sofrem muito em suas vidas com os conflitos de um relacionamento insatisfatório. Sabemos da necessidade e da carência de amor que todos temos, mas penso que a dependência e distorções deste afeto só encontram resolução internamente. Admitir que neste momento encontra-se frágil e necessitando de ajuda, assim como, colocando sua recuperação em prioridade pode ser o que a fará mais fortalecida.

Valdirene Novaes Pimentel
Psicóloga clinica


Colaboração da Enfª Jaqueline em
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1126591&tid=5235126248322430519

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mulheres comandam São Luís do Paraitinga

Mulheres concentram o poder em São Luís do Paraitinga, a cidade 'cor-de-rosa'

Município do interior de SP tem prefeita, presidente da Câmara e delegada.
Cargo de juiz, promotor e capitão da PM também é delas.

Carolina Iskandarian, do G1, em São Luís do Paraitinga 

A prefeita de São Luís do Paraitinga, Ana Lúcia (à esq.), conversa com a amiga Sueli da Silva, dona de uma pousada na cidade. 

Desde sua fundação comandada por homens, a cidade de São Luís do Paraitinga, conhecida por seu carnaval de rua, vive agora uma nova realidade. 

Os principais cargos de chefia são ocupados por mulheres. E em todas as esferas de poder: no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e até no militar. No município de pouco mais de 10 mil habitantes, distante 182 km da capital paulista, eles passaram de protagonistas a coadjuvantes. Curiosos, esperam pela boa atuação delas.  

Paraitinga tem prefeita, presidente da Câmara Municipal, juíza, promotora (são as únicas da cidade), delegada, capitã da Polícia Militar, assessoras de secretarias municipais (como são chamadas as titulares das pastas), gerentes de banco, donas de pousada, de lojas e por aí vai. Os moradores brincam que é a “cidade cor-de-rosa”.   

Localizado na Serra do Mar, o município de São Luís do Paraitinga fica a 30 minutos da praia, em Ubatuba, e a 30 minutos de Taubaté, no Vale do Paraíba. No posto mais alto, está a prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle, de 37 anos.

Eleita em outubro do ano passado, teve o apoio de 2.844 eleitores, o que representa 36,8% dos votos válidos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O eleitorado é de cerca de 9 mil pessoas e a disputa foi acirrada, já que a prefeita, única mulher da disputa com outros seis concorrentes, ganhou com uma diferença de 537 votos.

O machismo está na mulher. Eu tive mais votos de homens”, contou Ana Lúcia, que recebeu o G1 em sua casa durante o feriado do carnaval. Nascida em Paraitinga, casada, dois filhos e olhos verdes que chamam a atenção, a prefeita ri da situação inusitada de existirem tantas mulheres no poder.


“É uma coincidência boa. A mulher é dominadora. Gosta de resolver tudo e não deixar nada para depois”, afirmou ela, que se formou professora e tem nas mãos um orçamento anual de R$ 21 milhões. “É pouco”, adiantou a prefeita.  

Da escola para o plenário 

Edilene divide o cargo de presidente da Câmara com o de professora. 

Outra magistrada de destaque na cidade é Edilene Alves Pereira, 47, quinta vereadora mais votada (247 votos) nesta legislatura, e escolhida presidente da pequena Câmara Municipal. “As articulações me deram trabalho para chegar até aqui”, brincou.

Com ela, trabalham mais oito parlamentares, todos homens. As sessões para votação de projetos no plenário acontecem a cada 15 dias, sempre às terças, na casa alugada onde fica a sede do legislativo luisense.

“São Luís tem um povo muito autêntico, que não fica copiando as coisas. Na política, não é diferente”, disse ela, tentando justificar a coincidência de tanta mulher ''poderosa'' junta no município. Para Edilene, discriminação é passado. “Eles [os vereadores] têm o maior respeito. Achei que fosse ter preconceito, mas não”.

Professora de matemática, Edilene contou que ainda está se adaptando à nova rotina de dar aulas pela manhã e se envolver com os assuntos da Câmara à tarde. “É muito papel para assinar”. Segundo ela, a experiência com os alunos ajuda no trabalho com os parlamentares.

“Se você tem didática, fica mais fácil. Acaba levando para lá sua sala de aula. Mas tudo com muita democracia”, afirmou ela, sobre a forma como tenta convencer os vereadores a votar projetos. Na gestão dela, a Câmara já tem nova cara. “Achava aquele plenário muito feio. Mandei fazer uma textura na parede e comprei microfones para todos os vereadores”, contou ela, que tem cerca de R$ 800 mil por ano de verba.  

 A delegada Vânia Idalina tem fama de durona. 

Durona

Com fama de durona, a delegada Vânia Idalina Zácaro de Oliveira, 43, já se acostumou com as reações de surpresa de quem não a conhece. “O pessoal chega a aqui e pergunta pelo delegado. Eu digo que sou eu mesma. Fica aquele espanto”, disse Vânia, que comanda o único Distrito Policial na cidade.

Raras são as vezes em que ela precisa levantar a voz. “Pouquíssimas vezes. Normalmente, eles respeitam. Não senti preconceito e olha que só trabalho com homens”, afirmou. Para ela, “é um privilégio” estar entre as mulheres que dão ordens em Paraitinga, onde quase metade da população ainda vive na zona rural. “Quando as mulheres assumem certas posições, lidam melhor com as coisas”.  

Desconfiança zero

O comerciante Luiz Gonzaga da Silva, 51, lembra que, nas eleições, Ana Lúcia causou estranheza. “Foi um choque quando o nome dela foi sugerido. As pessoas foram unânimes em rejeitar, mas temos de experimentar. Vamos ver como a mulher se sai”.

“É um acidente. A turma do bolinha fica trocando informação”, brincou o apicultor Paulo Anselmo Lingiardi, 48, sobre as “comandantes” da cidade. Em seguida, ele se retratou e disse achar a situação positiva. “É extremamente democrático”. 

Para o trabalhador rural Odair José Veloso, 30, tudo é uma experiência. “Os politicos têm má fama. Vamos ver se elas mudam isso”. 

Do G1

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1016737-5605,00-MULHERES+CONCENTRAM+O+PODER+EM+SAO+LUIS+DO+PARAITINGA+A+CIDADE+CORDEROSA.html


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

SaferNet recebeu 91 mil denúncias em 2008

No ano de 2008, 91.038 denúncias foram recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, das quais 57.574 (63%) foram relativas a pornografia infantil. Já no mês de janeiro deste ano, a Central Nacional recebeu 3.913 denúncias de pornografia infantil na Internet contra 1.692 denúncias no mesmo período em 2007.

Durante o primeiro semestre deste ano, foram registradas 27.876 denúncias de pornografia infantil em páginas e comunidades na web. No igual período de 2007, o número de denúncias de abusos contra crianças e adolescentes foi de 14.465. No comparativo entre os dois períodos, portanto, o crescimento é de quase o dobro.

O segundo semestre de 2008 fechou com 46.975 denúncias de crimes contra os Direitos Humanos, sendo que 29.698 relativas a pornografia infantil.

Do total de denúncias, cerca de 90% são referentes a conteúdos publicados no Orkut, rede de relacionamento da Google. As denúncias são recebidas, processadas e encaminhadas para o Ministério Público Federal, autoridade parceira da SaferNet desde março de 2006.

Os relatórios de denúncias recebidas pela SaferNet também estão subsidiando os trabalhos da CPI da Pedofilia, no Senado Federal, e da Polícia Federal. Desde que foi criada a Comissão Parlamentar de Inquéritos, em março deste ano, a CPI já quebrou o sigilo de 21.591 álbuns privados do Orkut. Esta lista foi gerada e fornecida à CPI pela SaferNet Brasil, após requisição pela Comissão Parlamentar.

As estatísticas da Central Nacional de Crimes Cibernéticos estão disponíveis para consulta pública em nosso portal: www.safernet.org.br, área "Indicadores". Qualquer pessoa pode selecionar o período de análise e o tipo de crime contra os Direitos Humanos na Internet. Nosso sistema não só apresenta números, como permite visualizar a disposição destes por meio de gráficos.  

  Total de Denúncias  Total de Pornografia Infantil
Janeiro 6355 3679
Fevereiro 6537 4021
Março 6098 4241
Abril 6819 4380
Maio 7828 4993
Junho 10426 6562
Julho 10205 5975
Agosto 7230 4019
Setembro 6979 4252
Outubro 8198 5589
Novembro 7675  5115
Dezembro 6335  4571

Fonte: SaferNet Brasil / 2008

*Sobre a SaferNet Brasil* A SaferNet Brasil é uma associação civil de direito privado, com atuação nacional, sem fins lucrativos e econômicos, fundada em 20 de dezembro de 2005 por um grupo formado por cientistas da computação,professores, pesquisadores e bacharéis em Direito. A SaferNet Brasil criou a Central Nacional de Denúncias, que opera em parceria com o Ministério Público Federal, para oferecer o serviço de recebimento, processamento, encaminhamento e acompanhamento on-line de denúncias anônimas sobre qualquer crime ou violação aos Direitos Humanos praticado por meio da Internet.

O serviço atende os rígidos padrões técnicos e operacionais fixados pelos organismos de padronização e certificação internacionais. A Central Nacional de Denúncias é única na América Latina e Caribe, e recebe uma média de 2.500 denúncias (totais) por dia de crimes como Ponografia Infantil ou Pedofilia, Racismo, Neonazismo, Intolerância Religiosa, Apologia e Incitação a crimes contra a vida, Homofobia e maus tratos contra os animais. Para realizar este trabalho, foi desenvolvido um sistema automatizado de gestão de denúncias, baseado em Software Livre, que permite ao internauta acompanhar, em tempo real, cada passo do andamento da denúncia realizada por meio da Central Nacional de Denúncias. Do total de denunciantes, 99% escolhe a opção de realizar a denúncia anonimamente. E ao 1% restante é garantido total e completo anonimato.


Fonte: Assessoria de Comunicação SaferNet Brasil
Veículo de Imprensa: SaferNet Brasil
Autor:  Equipe SaferNet Brasil 
https://www.safernet.org.br/site/noticias/safernet-encerra-2008-com-mais-91-mil-den%C3%BAncias

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Viagem ao Nordeste - conheça o Nordeste comigo

Domingo de carnaval , 22 de fevereiro de 2009

Cajá-manga, umbu-cajá  e ciriguela

Um ano após o início de nossa viagem ao Nordeste visitei a cidade de Carapicuiba na região metropolitana de São Paulo e lá encontrei vendedores ambulantes vendendo ciriguela e umbu-cajá e neste domingo, hoje encontrei no supermercado cajamanga, isto me trouxe lembranças, cheiros e cores do Nordeste e fez lembrar desta gente trabalhadora e valorosa que são os nordestinos, me fez lembrar das maravilhas naturais que existem naquele rincão brasileiro, qualquer dia eu volto.

O gênero Spondias pertence à família Anacardiaceae e possui 18 espécies  distribuídas nos neotropicos, Ásia e Oceania (Mitchell & Daly, 1995). No Nordeste brasileiro, destacam-se as espécies: Spondias mombin L. (cajazeira), Spondias purpurea L.

(cirigueleira), Spondias cytherea Sonn. (cajaraneira), Spondias tuberosa Arr. Câm. (umbuzeiro) e Spondias spp. (umbu-cajazeira e umbugueleira), todas árvores frutíferas tropicais largamente exploradas, através do extrativismo como a cajazeira e o umbuzeiro ou em pomares domésticos e em plantio desorganizados conduzidos empiricamente como a cajaraneira, a cirigueleira, a umbugueleira  e a umbu-cajazeira. Estas espécies são plantadas em domesticação que produzem frutos do tipo drupa de boa aparência, qualidade nutritiva, aroma e sabor agradáveis, os quais são muito apreciados para o consumo como fruta fresca ou na forma processada como polpa, sucos, doces, néctares, picolés e sorvetes.

Domingo, 1 de Junho de 2008

Viagem ao Nordeste - conheça o Nordeste comigo

Pegue uma carona no Celta e viaje de São Paulo à praia de Jericocoara no Ceará, percorra o litoral nordestino em direção ao Sul, em direção a São Paulo.


Sente no banco, aperte os cintos e vamos acelerar.


BOA VIAGEM!













sábado, 21 de fevereiro de 2009

O nome da crise: desemprego

O nome da crise

É preciso sepultar equivocadas interpretações que ajudam a explicar nossa tolerância ao problema do desemprego

O BRASIL assistiu com leniência a um salto no patamar histórico do desemprego durante a década de 1990. Nos últimos anos, houve uma suave queda nos índices, mas tudo indica que no próximo período o problema se tornará novamente agudo. A recente queda na produção industrial foi de quase 20% em apenas um trimestre, um recorde que sinaliza o início de um ciclo de contração. Os números sobre o desemprego acabam refletindo esse movimento com alguma defasagem no tempo. É o que veremos nos próximos meses. Combater essa tendência será o grande desafio. É preciso sepultar quatro interpretações equivocadas, amplamente difundidas, que ajudam a explicar a nossa tolerância ao problema.
O aumento do desemprego foi apresentado, nos últimos 20 anos, como um subproduto do aumento da produtividade da economia brasileira, o que permitia considerá-lo, implícita ou explicitamente, como um aspecto problemático de um processo essencialmente desejável e virtuoso. Daí a ideia de uma certa inevitabilidade. É falso: modernização técnica e emprego não se excluem. O problema é que, no Brasil, a produtividade aumentou muito mais do que a produção, pois o crescimento econômico foi rastejante.
Quando a produção cresce com a produtividade, o nível de emprego se mantém. Quando cresce mais, ele aumenta.
Uma segunda interpretação tem destacado a baixa qualidade da força de trabalho brasileira. Abandona-se, assim, a questão social (oferta insuficiente de empregos) e se transfere o problema para os indivíduos afetados (sua "baixa empregabilidade").
Porém, excetuando situações específicas, não representativas do conjunto, também é falsa a ideia de que o trabalhador brasileiro não tem a qualificação que a economia demanda. As estatísticas mostram que perdem o emprego, principalmente, pessoas com 35 a 45 anos de idade, chefes de família, com experiência profissional e razoável qualificação.
Na outra ponta, criam-se empregos, principalmente, no setor de serviços sem qualificação: balconistas, vigilantes, motoboys e assim por diante.
Ao contrário do que se pensa, nossa força de trabalho se tornou superqualificada em relação ao tipo de emprego que foi criado nos últimos 20 anos no Brasil, cuja economia perdeu capacidade de agregar valor a cadeias produtivas cada vez mais internacionalizadas.
A terceira interpretação falsa destaca o excesso de encargos sociais. Divulga-se que eles representam 102% dos salários. A base desse cálculo está errada, pois ele considera encargos o descanso semanal, as férias, o décimo terceiro etc. Encargos, em todo o mundo, são apenas as contribuições destinadas a fundos coletivos que financiam políticas gerais.
Tudo o que é apropriado pelo próprio trabalhador é parte do seu salário. Fazendo as contas corretamente, a relação entre encargos e salários, no Brasil, é de apenas 25%. Além disso, o que é relevante para o investimento é o custo total do trabalho, que se mantém idêntico nas duas contas e é notoriamente baixo entre nós. A retirada de direitos trabalhistas não gera nenhum novo posto de trabalho.
Por fim, repete-se que o desemprego é uma situação típica das metrópoles, onde se realizam as pesquisas mensais, e não se repetiria no conjunto do país. Porém o último Censo -a única pesquisa com abrangência nacional- apurou uma taxa média de 15,04% em todo o território, quando o desemprego medido pelo IBGE em regiões metropolitanas estava em torno de 7%.
Combater essas mistificações é o primeiro passo para enfrentarmos o problema com a seriedade que ele merece.

Texto de CESAR BENJAMIN , 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006), na Folha de São Paulo de 21/02/2009. 
 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carga tributária recorde vai a 36,54% do PIB

Estudo de instituto mostra crescimento desde o primeiro mandato de Lula; alta em 2008 é de um ponto percentual

Para 2009, incertezas do mercado e dificuldade no crédito podem levar a uma queda real da arrecadação, avaliam especialistas



Com 36,54%, um ponto acima de 2007, a carga tributária em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) bateu novo recorde no ano passado. Estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) usou como referência a arrecadação de R$ 1,056 trilhão para um PIB estimado em R$ 2,890 trilhões. O aumento de um ponto percentual ficou dividido em 0,52 ponto para os tributos federais, 0,35 para os estaduais e 0,13 para os municipais.
A carga tributária tem crescido ano a ano desde 2004. O último ano em que houve recuo em relação ao PIB foi 2003, quando ficou em 32,54% -em 2002, havia sido de 32,65%. "Isso quer dizer que o governo avança cada vez mais na riqueza nacional, sem que isso revele efetivamente um aumento substancial da qualidade do serviço público", afirma o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, coordenador do estudo. Procurada pela Folha, a Receita não se manifestou. A assessoria de comunicação disse que a arrecadação e assuntos correlatos serão tratados em entrevista hoje.
Embora questione a elaboração de estimativas antes da divulgação dos números oficiais, o ex-secretário da Receita Everardo Maciel, diretor da Logos Consultoria, avalia que a carga tributária "provavelmente aumentou". Maciel defende que se separe, no assunto, o conceito de pressão fiscal. Segundo ele, houve, no ano passado, aumento real de arrecadação -7,6% apenas no âmbito federal-, e não elevação de alíquotas nem da base de impostos. "Mantida a pressão fiscal, um ponto não é nada."
Em 2009, a arrecadação tende a cair. Espera-se recuo expressivo nos tributos relacionados ao ganho das empresas -Imposto de Renda e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), além de desonerações, como as que ocorreram com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a indústria automobilística, com as alíquotas intermediárias do IR das pessoas físicas e com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com o objetivo de oxigenar o crédito.
Este ano vai marcar "a despedida da bonança",diz o consultor econômico Raul Velloso, diretor da ARD Associados.

Retração
Para este ano, o IBPT avalia que a arrecadação tributária está em declínio, a exemplo do PIB. "O primeiro trimestre de 2009 será determinante para um cenário mais claro", diz Gilberto do Amaral. "Muitas prefeituras já sentem o impacto da queda da arrecadação, e penso que as coisas piorarão a partir de abril para o caixa dos governos. A lógica do contribuinte se inverteu: nos tempos de crescimento se mantinham os tributos em dia e se pagavam parte dos tributos em atraso, mesmo porque havia crédito bancário farto até para para isso."
Agora, segundo o presidente do IBPT, com as incertezas do mercado e a dificuldade no crédito, "o contribuinte pensa que é melhor segurar o dinheiro e deixar o tributo para depois, pois sempre vem uma anistia".
O instituto estima que a arrecadação deste ano vai de novo ultrapassar a marca de R$ 1 trilhão, com pequena evolução nominal, para cerca de R$ 1,1 trilhão. "Esse valor cairá apenas se não houver crescimento econômico", diz o advogado Ives Gandra da Silva Martins, que lembra que as previsões para o PIB descartam recuo.
A tendência é de uma recuo real da arrecadação, afirma Amaral, do IBPT. "Se a inadimplência crescer, a carga tributária de 2009 poderá até ter uma leve queda", afirma.

Texto de GITÂNIO FORTES, na Folha de São Paulo de 19/02/2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Contradições humanas, por Tostão



A violência urbana, dentro e fora dos estádios, e a falta de cidadania são uma vergonha para o Brasil

O SER HUMANO está, com frequência, dividido, mesmo quando não percebe, entre o prazer e a realidade, entre a ambição e a ética, entre ganhar uma partida a qualquer preço e respeitar as regras e os adversários.
Além da guerra urbana e da ida dos marginais para os estádios, a violência dentro e fora dos campos ocorre por causa da hostilidade entre os dirigentes, da pressão que sofrem os atletas e os treinadores para vencer de qualquer jeito e do exagerado destaque que a mídia dá às rivalidade entre os grandes clubes de um Estado.
Na emoção de uma partida, muitos atletas, mal-educados e pressionados por todos os lados, esquecem os valores éticos e o respeito pelo adversário e mostram todo o ódio e a agressividade humana.
No relacionamento com as torcidas organizadas, os dirigentes têm um discurso para a imprensa e outro quando recebem esses torcedores em seus gabinetes.
O presidente do Corinthians deu um grande número de ingressos para o jogo de domingo para a turma barra-pesada. Essa relação perniciosa, que acontece em muitos clubes, contribui para a violência. Esses torcedores se sentem protegidos, poderosos e acima das leis.
As contradições estão em toda a parte. É frequente ver pessoas, no futebol e em todas as atividades, participando de atividades solidárias, posicionando-se contra as injustiças e, ao mesmo tempo, tendo comportamento ganancioso e pouco ético no cotidiano.
Alguns grandes empresários, que se orgulham de seus trabalhos sociais, são os mesmos que pressionam e se aliam a políticos para serem beneficiados em seus lucros, prejudicando a população.
Como escreveu Ferreira Gullar, Lula tem um discurso para os ricos e outro para os pobres. Ocorre o mesmo em relação ao esporte.
O presidente fala uma coisa para os dirigentes e outra quando dá uma entrevista à ESPN Brasil, uma emissora independente e crítica.
Lula não pode nem deve mudar as regras do esporte por meio de decretos, mas pode influenciar mudanças nas leis, como a de acabar com a prática de dirigentes se perpetuarem no poder.
Na semana passada, o presidente do Vasco recebeu acusações e críticas. Roberto Dinamite se defendeu. Os fatos precisam ser apurados. Uma das críticas, confirmada por Dinamite, é a de que o clube paga um salário de R$ 9.500 para um parente. Como dizem os políticos, o presidente alegou que precisa de uma pessoa de confiança a seu lado.
No futebol, em todas as atividades e em todo o mundo, os que lutam pelo poder, alegando motivos nobres, costumam fazer as mesmas coisas que seus antecessores.
No Brasil, as irregularidades são mais frequentes, por causa da impunidade e da prática disseminada do jeitinho brasileiro.
Pior, mesmo as pessoas de bem se acostumam com tudo isso.
Poucas ficam indignadas com o absurdo da violência urbana e nos estádios, com os abusivos gastos no Pan-Americano, com as agressões entre os jogadores durante as partidas, com as pessoas que jogam lixo nas ruas pelas janelas de seus carros de luxo, que estacionam em filas duplas e com tantas outras coisas comuns no cotidiano.

Texto de Tostão, ex-jogador da Seleção Brasileira, tri-campeã no México

Juíza de Catanduva cogita recorrer à PF para apurar rede de pedofilia

Polícia Civil abriu novo inquérito e Justiça quer delegado especial no caso.

De acordo com juíza, criminosos podem ter feito mais de 50 vítimas. 

A juíza da Vara da Infância e Juventude de Catanduva, Sueli Juarez Alonso, disse nesta quarta-feira (18) ao G1 que as investigações sobre uma suposta rede de pedofilia na cidade, localizada a 385 km de São Paulo, apontam para a existência de mais de 50 vítimas, crianças com idade entre de 5 a 10 anos. 

Nesta terça-feira (17) familiares das vítimas fizeram protesto para pedir agilidade na apuração. 

"As informações que eu tenho são de que foram mais de 50 crianças", disse a juíza. A Justiça de Catanduva já processa os cinco primeiros suspeitos de pedofilia e atentado violento ao pudor. Na terça-feira (17), determinou à Polícia Civil a abertura de um novo inquérito sobre o caso e a designação de um delegado especial para acompanhar as investigações. 

Sueli também cogita recorrer à Polícia Federal caso exames psicológicos a serem realizados por sua equipe comprovem que as crianças sofreram abusos. Ela suspeita que fotos das vítimas circulem na internet. A juíza já conversou com parte das mães das vítimas e está convicta de que as crianças não foram apenas aliciadas, mas abordadas com violência em bairros da periferia e transportadas em uma camionete S10.  

"As crianças são arrebatadas de pontos de ônibus e de calçadas onde estavam brincando", afirmou. Segundo a juíza, crianças relatam detalhes de uma casa localizada em um bairro de classe média na cidade.  O endereço foi levado à delegacia. "Elas falam de detalhes dessa casa, do quintal, do que tinha na parede. Não há nada superficial", disse a juíza. O proprietário do imóvel deve ser alvo do novo inquérito aberto na Delegacia da Mulher.

De acordo com a juíza, as investigações realizadas até agora apontam para cinco homens, dos quais até agora somente um, de 47 anos, está preso, no Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto.  "Particularmente, acredito que tem mais gente envolvida", afirmou a juíza. 

Suspeito solto

Sueli abriu procedimento investigatório no mês passado para averiguar denúncias contra dois homens acusados de pedofilia. Um deles, de 19 anos,  foi solto na sexta-feira (13) após expirar o prazo da prisão.

Posteriormente, ao ouvir relatos das mães, chegou ao nome de mais três suspeitos. "Esses nomes tinham sido levados às autoridades policiais, mas ninguém tomou conhecimento", disse ela. 

De acordo com a juíza, a investigação corre contra o tempo, porque as vítimas tem medo de represálias. Ela contou que um garoto de cinco anos ficou em choque e precisou ser internado ao saber que um dos acusados foi colocado em liberdade. "Ele dizia 'eu não quero morrer",  afirmou. 

Sueli quer pressa nas investigações. "Esse é o tipo de processo que não pode demorar. Tem de ser apurado rapidamente porque as famílias são ameaçadas e as pessoas ficam acuadas e não se consegue chegar a absolutamente nada."

Reportagem de Roney Domingos do G1

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1007853-5605,00-JUIZA+DE+CATANDUVA+COGITA+RECORRER+A+PF+PARA+APURAR+REDE+DE+PEDOFILIA.html


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Vaqueiro fica mais de oito anos preso por crime que não cometeu

Sebastião Soares Vieira foi acusado de matar o ex-cunhado.

Justiça determina que o estado de Goiás o indenize em R$ 1 milhão. 


Novembro de 1994: um crime bárbaro na cidadezinha de Luziânia, interior de Goiás, tinha um único suspeito: o vaqueiro Sebastião Soares Vieira. Ele estava com a família quando a polícia o prendeu.  

“A polícia chegou, falou que tinha um mandado de prisão e que eu estava preso. Não reagi à prisão, falei: ‘tudo bem, vocês tão fazendo o trabalho da polícia, mas vocês tão prendendo um inocente’”, lembra o vaqueiro.

Sebastião é acusado de assassinar o ex-cunhado para ficar com o dinheiro dele. A prisão preventiva é decretada. O vaqueiro vai para o xadrez.

“Ele foi acusado e denunciado pela prática do crime de latrocínio e ocultação de cadáver”, diz o advogado de defesa Cairo Eurípedes de Resende. 

A polícia tenta arrancar uma confissão a todo custo. “Me interrogaram. Tortura de todo tipo. Só a tortura de você ser preso e apanhar toda hora. Choque, afogamento, tapa toda hora”, conta o vaqueiro.

Sustentando inocência, Sebastião vai a julgamento. Treze pessoas foram ouvidas. Nenhuma viu o crime. Mesmo assim, a condenação: 25 anos de prisão em regime fechado.

“Às vezes eu punha a cara na grade e eu via aquele mundo, mas aquilo não era o mundo, realmente, que eu precisava. Eu precisava de mais do que aquilo que eu estava vendo. Eu fui criado solto. Eu fui criado que nem um passarinho”, diz.

O vaqueiro que trabalhou a vida inteira sem nunca se envolver em crime algum não tinha mais como sustentar a família.

“Muitas vezes ela vinha trazer uma maçã para mim, porque não tinha dinheiro para trazer nada. Só com a comida do presídio a gente não dá conta", diz ele. 

"Por eu ser mulher dele eu também não arrumava emprego muito fácil. Às vezes arrumava uma faxina, mas quando sabia que ela era mulher de preso, o pessoal dispensava até da faxina”, conta a mulher de Sebastião, Irene Leite.

O filho, Flávio, que hoje tem 19 anos, era um garoto quando ia ver o pai na cadeia. “Quando ele começava a chorar: ‘Vamos embora, pai! Vamos embora, pai!’ Como é que eu ia? Aquilo para mim, a hora que ele saía, eu preferia morrer que eu ver o meu filho virar as costas para mim daquele jeito”, lembra o vaqueiro. 

Fuga

Ele chegou a fugir uma vez, mas foi recapturado. Quase oito anos depois, a reviravolta: um pistoleiro preso por outro assassinato assume o crime atribuído a Sebastião.

“O verdadeiro autor deste fato confessou. Não só este fato. Confessou outros”, diz o advogado do vaqueiro. Sebastião recebe a notícia na penitenciária de Luziânia.

De cada dez presos, três não deveriam estar na prisão. Essa é uma estimativa do Conselho Nacional de Justiça, para quem 120 mil pessoas estão presas injustamente no Brasil, ou porque já cumpriram pena, ou porque aguardam julgamento e a prisão temporária já expirou, ou porque a Justiça errou.

Como no caso de Sebastião que, mesmo depois da confissão do verdadeiro assassino, demorou para sair da penitenciária de Luziânia.

Do momento da confissão do verdadeiro assassino até a soltura do Sebastião foram em torno de nove meses. "Demorou tanto porque existe a famosa burocracia processual”, comenta o advogado Cairo de Resende. 

Novo inquérito, nova perícia, nova reconstituição. Só depois o estado reviu seu erro, cancelando a condenação de Sebastião.

“Foram oito anos e meio nessa vida. O senhor acha que isso é brinquedo?”, pergunta a mãe de Sebastião, Ana Vieira.

Todos duvidavam. Dona Ana, não. Ela jamais desconfiou do caçula de sete filhos que criou sozinha fazendo roupas no tear que ainda maneja aos 81 anos. Mas como esquecer as visitas na prisão?

“Eu topei chorar demais. Ele veio, me tomou benção chorando, a polícia lá do lado olhando. Aquilo ali, para mim, Ave Maria. Saí e olhei. Deu vontade de entrar junto”, lembra Dona Ana.

Mesmo depois da liberdade, ficaram as sequelas. “Às vezes minha mulher até deixa um trem cair por acidente. Já me dá um nervosismo, parece que eu estou escutando: é o começo de uma rebelião, parece que eu já vejo fogo na minha frente. Se você estiver com uma gravata, eu não consigo falar com você te olhando. Para mim, é aquele promotor que está me acusando de um trem que eu não fiz”, conta Sebastião. 

Indenização

A mesma Justiça que o condenou agora determina que o estado de Goiás indenize o vaqueiro em R$ 1 milhão. A sentença, em primeira instância, saiu no mês passado.

“Para impor aquele efeito pedagógico ao estado, para o estado de Goiás, é uma pequena gorjeta que está se requerendo pagar o sofrimento de vidas humanas”, aponta o advogado Cairo de Resende.

Enquanto o julgamento definitivo não sai, Sebastião continua pobre, desempregado, sem dinheiro nem para o ônibus. Mas com a imensa alegria de, mesmo a pé, ir aonde quiser.

“Agora eu estou conhecendo o que é liberdade. Dentro da prisão eu sonhava com ela”.

Do G1, com informações do Fantástico 

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1003274-5598,00.html