domingo, 11 de maio de 2008

Viagem ao Nordeste - João Pessoa, Recife, Porto de Galinhas

01/03/2008 - 70259 km no odômetro 6:24

Saímos de João Pessoa com destino a Recife

Meia hora depois paramos para tomar café, inicialmente paramos num bar e restaurante onde havia placa de café da manhã, estacionei o Celta e vi pessoas balançando em rede.
O local parece ser muito bom e o café melhor ainda, aproximamos do balcão e tentamos pedir o café, mas o senhor que servia o café pediu que sentássemos e que logo serviria o café, assim mesmo pedimos um café e ele trouxe um cardápio, onde havia carne de bode e outras especiarias da terra, deixamos o cardápio no balcão, resolvemos não usar as redes e o conforto daquela cafeteria, pois ainda havia muita estrada a percorrer, logo a seguir entramos num bar que servia café e lanche atendendo a pressa própria de nós paulistas.

8:04 – 70332 km - Atravessamos a divisa Paraíba com Pernambuco

8:09 – As torres de igrejas se destacam na paisagem de uma cidade e nos chamou a atenção pelo estilo e pelo grande número, numa cidade tão pequena, resolvemos parar e dar uma espiada. A cidade se chama Goiana e uma placa nos informa que ali é o berço da nação brasileira.


Ela gosta de ser fotogênica

Primitivamente ocupada por índios caetés e potiguaras, a cidade de Goiana originou-se de um dos mais antigos núcleos de colonização da região e foi, por diversas vezes, sede da capitania.
A povoação foi elevada a freguesia em 1568 quando Diogo Dias, um cristão-novo de muitas posses, comprou de D. Jerônima de Albuquerque Sousa 10 mil braças de terra próximas à atual cidade de Goiana, então Capitania de Itamaracá, estabelecendo um engenho fortificado no Vale do Rio Tracunhaém. Este colono foi alvo do ataque ao engenho Tracunhaém, em 1574, no qual índios potiguaras exterminaram toda a população do engenho. Este episódio provocou a extinção da capitania de Itamaracá e a criação da capitania da Paraíba.
Em janeiro de 1640 defrontaram-se entre Goiana e a ilha de Itamaracá a esquadra de D. Fernando de Mascarenhas, conde da Torre, e a holandesa, comandada por Willen Corneliszoon, num combate que seria imortalizado em quatro gravuras de Frans Post.
No dia 24 de abril de 1646, munidas de paus, pedras, panelas, pimenta e água fervente, as mulheres de Tejucupapo, pequeno distrito do município, venceram os holandeses que ameaçavam suas terras e famílias. Evento este conhecido e retratado em filme denominado de "Epopéia das Heroínas de Tejucupapo", que no último domingo de abril é recontada através de uma encenação teatral ao ar livre no marco histórico pelo Clube das Mães. A encenação mostra a vida de mulheres que lutaram contra os invasores e contra o preconceito.
Elevada à categoria de vila em 15 de janeiro de 1685, ganhou foros de cidade em 5 de maio de 1840 e de sede de município em 3 de agosto de 1892.

9:50 – 70417 – Chegamos a Recife, aqui um amigo do Álvaro, ex-colega de trabalho em Furnas, nos espera e quer que fiquemos hospedados em sua casa.
Telefonamos para ele para nos buscar, enquanto apreciamos a vista da praia de Boa Viagem.

10:13 – A recepção na casa do Eduardo foi muito calorosa, nós, eu e minha esposa, queríamos ir para um hotel ou pousada, mas diante da insistência do Eduardo e família, concordamos em ficar hospedados com eles. O Eduardo nos abrigou no apartamento de sua mãe a Dona Albeniza, uma senhora muito gentil, que nos tratou como se fôssemos grandes figuras.

Almoçamos na casa do Eduardo, provamos das delícias que a Sueli, esposa dele, preparou, um tal de escondinho, que aqui em Sampa e nas Gerais a gente chama de "vaca atolada"

13:43 – Saímos para conhecer um museu que o Eduardo fez questão de nos apresentar, o Instituto Ricardo Brennand que tem uma coleção de punhais, filetos, espadas, espadas-pistolas francesas, clavas, massas, alabardas, facas e canivetes dos mais diferentes formatos, ricamente trabalhados com pedras semipreciosas, marfins, chifres, madrepérola, carvalho, aço e outros metais abrangendo um período entre 1500 - 1890, inclusive um canivete do tipo “suíço” com 85 itens e mais de 100 funções, de muita qualidade e criatividade.


O Instituto possui acervos de obras de arte das mais diferentes procedências e épocas, cobrindo um espaço de tempo entre a Europa medieval do século XV, o Brasil Colonial das invasões holandesa, século XVII, até o Brasil do século XIX.

Também tem uma coleção de cintos de castidade e de elmos, ao olhar uma vitrine com estes instrumentos uma moça ao meu lado comentou: - “que elmo bonito”, - eu retruquei, assim como quem fala para ninguém e ao mesmo tempo para todo mundo:
- “Os homens de antigamente colocavam cinto de castidade nas esposas e depois saiam por aí com estas perucas de touro” . Devemos estudar o passado para não repetir os mesmos erros, portanto não gosto de armas e instrumentos de morte, tampouco de instrumentos de tortura contra as mulheres.
Saímos do Museu Brennand e fomos até Olinda, visitamos o centro histórico e a igreja principal onde também dissemos “Oh, linda” vista, lá encontrei o casal de italianos que já havia visto em João Pessoa.

02/03/2008 – 8:12 – Vamos à Porto de Galinhas em companhia do Eduardo, ele já tem experiência naquela praia.
Quando chegamos lá, ele nos acomodou em um estacionamento já conhecido, nos alojamos em uma barraca de praia, onde combinamos de consumir peixe da barraca e com a permissão de tomarmos a cerveja que havíamos trazido de casa.
Fizemos passeio de barco até as piscinas naturais, que têm muito peixe, fotografamos...

18:03 - Estamos de volta ao apartamento do Eduardo.
O apartamento da Dona Belina é muito acolhedor, ela prefere morar sozinha, mas perto de seus filhos.

03/03/2008 – Acordamos cedo, eu com muito gosto e o Álvaro meio na forçada, para ver o “nascer do sol” na praia da Boa Viagem.
O Eduardo vai todas as manhãs para a praia para nadar, jogar conversa fora e se divertir no
“aquário de Deus”, como eles chamam a parte da água entre a areia e os arrecifes.
Tem uma turma de cantadores, recitadores de poesia, de pessoas de bem com a vida que aproveitam a melhor hora do dia para curtir o melhor da vida e ir à praia. Gostei muito.

8:46 – 70603 km no odômetro estamos de novo na estrada rumo a Maceió.
Leia também os outros capítulos:Capítulo 1- início - Viagem ao Nordeste - São Paulo, Jericoacoara                         São Paulo, Cristalina, Brasília, Barreiras, Canto do Buriti, Terezina, Jijoca e finalmente, nosso destino: Jericoacoara 

Capítulo 6 - Viagem ao Nordeste: Recife, Arapiraca e as Alagoas

Capítulo 7 – final - Viagem ao Nordeste, final: Praia do Francês, Aracaju, Itacaré, São Paulo

sábado, 10 de maio de 2008

Viagem ao nordeste - Natal, Pipa, João Pessoa

28-02-2008 7:58 – 69930 km no odômetro do Celta
Carro na estrada, com destino à Pipa, vamos continuar rumo ao sul

8: 20 – Paramos em frente à base aeroespacial de Barreira do Inferno. Aqui foram lançados os foguetes espaciais brasileiros até que um presidente maranhense transferisse para outro local a base de lançamento.


8: 39 – Estamos no quadrilátero do maior cajueiro do mundo, é uma visita obrigatória para quem vem ao Rio Grande do Norte.
Transitar nas imediações é complicado por que a placa de sentido, mesmo quando indica contra-mão fica no meio do quarteirão, ou seja depois que estamos no meio da rua, em Morro Branco também isto acontece.
Na cidade Nísia Floresta passamos pela árvore Baobá, que o escritor Saint Exupéry descreve no livro “o Pequeno Príncipe”. Passamos também pelo túmulo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto que foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira.
É considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava.
Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.
O primeiro livro escrito por ela e o primeiro no Brasil a tratar dos direitos das mulheres à instrução e ao trabalho intitula-se: Direitos das mulheres e injustiça dos homens.
Foi esse livro que deu à autora o título de precursora do feminismo no Brasil e até mesmo da América Latina, pois não existem registros de textos anteriores realizados com estas intenções, mas ela não parou por ai, em outros livros ela continua destacando a importância da educação feminina para a mulher e a sociedade. São eles:
Conselhos a minha filha, de 1842;
Opúsculo humanitário, de 1853; A Mulher, de 1859
Além das atividades agropecuárias tradicionais e do turismo, destaca-se na economia da cidade de Nísia Floresta local o recente crescimento da carcinocultura (cultivo de camarões), por tal motivo que ganhou o apelido de "a terra do camarão”.

10:28 Entramos na BR 101

11:08 Passamos por Tibau do Sul

11:16 – 70046 no odômetro, chegamos à Pipa.
Rodamos no centro da cidade à procura de um local para ficarmos, as pousadas e hotéis são caros ou muito ruins. A vila só tem uma mão de direção, pois a rua é muita estreita então para trafegar na vila é preciso sair da vila para retornar. Após algumas tentativas e inclusive caminhando na contra mão por mais de 2 quilômetros, desistimos de ficar na vila e chegamos à conclusão que é melhor não recomendar a praia de Pipa para nenhum amigo, talvez só para os inimigos.
Ainda paramos em uma falésia para contemplar a maravilha de mar, praia e rochedo que existe nos arredores de Pipa, pena que o poder público permitiu a favelização de uma praia tão bonita.
Retornamos para estrada e almoçamos em Tibau do Sul

14:00 – Estamos na estrada para João Pessoa

14:27 – A estrada asfaltada é duplicada, com pistas distintas para cada direção, coisa difícil de ver nestas por estes lados, tomara que as principais estradas do país sejam duplicadas.
Neste trecho começamos a ver enormes plantações de cana, cena que vai se repetir até Alagoas.

14:57 - Estamos na divisa Rio Grande do Norte Paraiba

16:14 – 70195 km no odômetro, chegamos em João Pessoa.
Passeamos de carro pela praias de Cabo Branco à procura de hotel ou
pousada. Procuramos o SESC que nos deixou boas lembranças, mas estava lotado.
18:38 – Finalmente encontramos uma pousada para pernoitarmos.
Guardamos o carro, arrumamos as coisas nos quartos e fomos passear a pé pela praia e refrescar a garganta com uma gelada, ou várias. Provamos também o “arrumadinho”, prato típico feito à base de feijão verde, carne de sol e farinha de mandioca.

29/02/2008 – Último dia de fevereiro deste ano bissexto
De manhã enquanto os outros viajantes ficaram curtindo a cama, eu saí para caminhar na praia e vi surpreso que a pista da Avenida Cabo Branco estava interditada para veículos e liberada para pedestres caminharem e praticarem esportes. O corpo de bombeiros e a polícia participam pesando as pessoas, medindo a pressão, fornecendo água mineral gelada aos caminhantes.
O Álvaro estava com o pé inchado e dolorido por causa da caminhada em Genipabu, a Auxiliadora preguiçosa preferiu não caminhar e a Conceição ficou com os dois para fazer companhia, eu resolvi colocar um pé na frente do outro e fui caminhar em direção ao Cabo Branco.Fiz todo percurso da praia, onde conheci um casal de italianos juntos subimos o morro em direção ao Cabo Branco que é o ponto continental mais oriental das Américas, lógico que as ilhas oceânicas não entram nesta geografia.

O Farol do Cabo Branco está situado na Ponta de Seixas, extremo oriental do continente americano, com longitude de 34º 47' 38".
O panorama que se descortina de seu mirante é deslumbrante, vendo-se à frente toda a beleza do Oceano Atlântico em sua plenitude e, aos lados, o litoral paraibano e suas lindas praias, à esquerda, Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa e, à direita, Penha, Seixas e Costa do Sol e a beleza do Picãozinho que são piscinas naturais formadas pelos corais, semelhante à Porto de Galinhas.
Antes de chegar ao Farol do Cabo Branco passei pela construção da Estação Ciência, Cultura e Artes Oscar Niemeyer, que certamente se tornará mais um cartão de João Pessoa.
Quando retornei da caminhada, peguei os preguiçosos e os levei até o Farol do Cabo Branco, em seguida fomos à praia dos Seixas, da Penha com sua capela centenária.
À tarde e noite fomos até o o centro na praia de Tambaú em frente ao Hotel Tropical que parece ser o marco Zero da Cidade.Onde fizemos compras, conhecemos tapiocas com vários recheios, pena que meu estômago não agüenta tanto recheio, pois tudo que como ele denuncia aumentando de tamanho. O jeito foi olhar e sentir o cheiro daqueles recheios todos. Cada tapioca é suficiente para duas pessoas jantarem se não almoçaram.
Gostamos muito desta capital. Um pequeno detalhe que nos emocionou muito foi a gentileza dos motoristas ao pararem para os pedestres passarem. Toda vez que estamos numa esquina esperando os carros passarem, para que pudéssemos atravessar, algum motorista gentil parava e insistia para atravessarmos.
Para quem está acostumado com Sampa...

João Pessoa foi fundada em 5 de agosto de 1585
Gentílico pessoense
Características geográficas
Localização 07° 05' 00" S 34° 50' 00" O07° 05' 00" S 34° 50' 00" O
Área 210,45 km²
População 674.762 hab. est. IBGE/2007
Densidade 3.206,3 hab./km²
Altitude 40 metros
Clima tropical Aw
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,783 médio IBGE/2000
PIB R$ 5.024.603.980,00 (BR: 60º) IBGE/2005
PIB per capita R$ 7.603,84 IBGE/2005

Leia também os outros capítulos:

Capítulo 1- início - Viagem ao Nordeste - São Paulo, Jericoacoara                         São Paulo, Cristalina, Brasília, Barreiras, Canto do Buriti, Terezina, Jijoca e finalmente, nosso destino: Jericoacoara 

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Alerta geral: os chineses vem ai

China busca mais terra para elevar segurança alimentar
Proposta, que deve ser aprovada em breve, tende a sofrer oposição de outros países

Alimentos subiram 25% no 1º tri do ano no país, que, mais rico, troca arroz por carne, o que requer grande volume de ração importada


Foto Edson Silva
Plantação de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto, nordeste do Estado de São Paulo, uma das terras mais caras do país


Empresas chinesas serão encorajadas a adquirir terras aráveis no exterior, especialmente na África e na América do Sul, a fim de ajudar a garantir a segurança alimentar da China, nos termos de um plano que está em estudos em Pequim.
Uma proposta preparada pelo Ministério da Agricultura dá posição central na política do governo a um programa de apoio à aquisição de terras agrícolas no exterior por empresas agrícolas chinesas. Pequim já tem programas semelhantes para estimular o investimento de bancos estatais, indústrias e empresas petroleiras, mas os investimentos agrícolas externos até agora se limitavam a alguns pequenos projetos.
Caso aprovado, o plano poderia enfrentar intensa oposição externa, devido à disparada nos preços mundiais dos alimentos e ao temor de desflorestamento. No entanto, um funcionário próximo às deliberações disse que a aprovação é provável.
"Não deve haver problema na aprovação desta política. O problema poderia vir de governos estrangeiros que estejam indispostos a abrir mão de grandes áreas de terra", disse o funcionário.
A medida surge no momento em que países ricos em petróleo, mas pobres em terras aráveis do Oriente Médio e da África do Norte, começam a explorar possibilidades semelhantes. A Líbia está negociando com a Ucrânia o cultivo de trigo na antiga república soviética, enquanto a Arábia Saudita anunciou que investiria em projetos de agricultura e pecuária no exterior a fim de garantir sua segurança alimentar e controlar os preços das commodities.
A China está perdendo sua auto-suficiência alimentar porque sua riqueza crescente vem gerando alteração na dieta básica do país, com a substituição de arroz pela carne, que requer grande volume de ração importada.

Segurança alimentar
A China abriga cerca de 40% dos agricultores do mundo mas só 9% das terras aráveis. Alguns estudiosos chineses argumentam que as empresas agrícolas nacionais devem se expandir no exterior, caso o país deseje garantir sua segurança alimentar e reduzir sua exposição às flutuações no mercado global.
"A China precisa sair porque temos recursos limitados em termos de terras", disse Jiang Wenlai, do Instituto de Ciências Agrícolas da China. "A solução seria vantajosa para as duas partes, porque aproveitaria ao máximo as vantagens de ambas".
No primeiro trimestre do ano, os preços dos alimentos subiram 25% na China, ante o mesmo período de 2007, o que representa a maior taxa de inflação agrícola desde o começo dos anos 1990, segundo o banco UBS.
A China continua a ser exportadora de commodities agrícolas, em termos líquidos, mas depende cada vez mais da importação de soja. E em breve se tornará importadora de milho.
O país importou 60% da soja consumida no ano passado, e o produto pode ser foco de apoio público a empresas que adquiram terras no exterior, na companhias de bananas, legumes e óleos vegetais, disse um funcionário que conhece a proposta do ministério. O governo já está conversando com o Brasil sobre a possível aquisição de terra para soja, de acordo com esse funcionário.
Alguns países considerariam especialmente problemático que Pequim apóie empresas chinesas para o uso de mão-de-obra chinesa em terras adquiridas ou arrendadas no exterior, uma prática comum entre as empresas chinesas que operam fora do país.

Texto de JAMIL ANDERLINI DO "FINANCIAL TIMES"
Tradução de PAULO MIGLIACCI

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0905200803.htm

sábado, 3 de maio de 2008

A futura herança maldita: "investment grade"

A coligação rentista, que nos governa, está em festa: para a Standard & Poor's, somos "investment grade"

A ECONOMIA brasileira não fez outra coisa, nas últimas décadas, a não ser adaptar-se aos ciclos do capital financeiro internacional. Na década de 1970, absorvemos, sob a forma de dívida, uma fração do excesso de liquidez provocado pelo acúmulo dos petrodólares.
Na década de 1980, com o governo dos Estados Unidos enxugando essa liquidez, fomos convocados a remeter ao exterior um múltiplo do que havíamos recebido; iniciamos um longo período de crise. Na década de 1990, quando o sistema financeiro retornou a uma posição emprestadora, fomos chamados a renegociar a "dívida velha", para voltar a receber recursos novamente disponíveis. Graças a eles, durante vários anos, sustentamos déficits em transações correntes, o verdadeiro lastro do Plano Real. Uma nova crise cambial, alguns anos depois, mostrou como tudo era frágil.
O problema estrutural da economia brasileira é sua condição de "economia reflexa", que apenas se adapta a ciclos externos e, por isso, não constitui um projeto próprio de desenvolvimento. A expressão não é minha, mas de Eugênio Gudin, cunhada na década de 1950. Aprofundamos essa condição ao nos inserir no processo de globalização, principalmente, pelos fluxos financeiros, ao contrário das economias asiáticas, que privilegiaram a inserção pela produção e o comércio. Elas sempre selecionaram os investimentos que consideram desejáveis, aqueles que fortalecem as economias locais, e recusaram os indesejáveis, o endividamento irracional e predador, que prepara desequilíbrios e crises.
Nós nos atrelamos a capitais que mantêm conosco vínculos tênues, ligados a oportunidades de realizar bons negócios no curto prazo. Como o espaço de manobra desses capitais ultrapassa amplamente o espaço da sociedade nacional, perdemos a capacidade de controlar o nosso processo de desenvolvimento. A abertura financeira, iniciada por Collor e concluída por Lula, entregou a eles o nosso destino.
A primeira conseqüência é a fraca capacidade de nossa sociedade de disciplinar o impulso de acumulação de capital, compatibilizando-o com o equacionamento da questão social e o fortalecimento da soberania nacional, em bases economicamente sustentáveis. A segunda conseqüência é o aprofundamento da tendência a realizar ajustes passivos aos ciclos internacionais. A conjuntura favorável dos últimos anos -um gigantesco "choque externo positivo"- tem servido para legitimar essa opção.
A coligação rentista, que nos governa, está em festa: para a Standard & Poor's, somos "investment grade". Mais capital especulativo ficará disponível para operações de arbitragem. As empresas poderão tomar mais recursos lá fora, a juros reais negativos, para aplicá-los nos papéis mais rentáveis do mundo, remunerados pelo Estado brasileiro.
Não importa em quanto aumentará o nosso passivo externo líquido -imenso, porém discreto, pois não contabilizado na forma de uma dívida tradicional. Não importa que, com uma nova rodada de apreciação cambial, aprofunde-se a tendência ao desequilíbrio em conta corrente e se consolide uma economia baseada em indústrias maquiadoras e na produção de commodities, as atividades mais adaptadas a esse ambiente. Não importa saber que uma reversão do ciclo internacional nos imporá altíssimo preço, como já impôs no passado. Essas são questões do futuro, um tempo em que os especuladores de hoje não estarão mais aqui.
Recebemos de presente uma maçã envenenada. Uma herança maldita está a caminho.

Publicado originalmente na Folha de São Paulo de 03/05/08

Texto de CESAR BENJAMIN , 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Viagem ao Nordeste - Jericocoara, Paracaru, Fortaleza, Canoa Quebrada, Natal

Uma aventura possível

23/02/2008
7:00 Tomamos café da manhã
Consultamos o tempo e as nuvens no céu diziam que por mais um dia não haveria por do sol no mar, então resolvemos botar as malas no "Celta" e começar nosso retorno para o Sul.

9:34 - 69.851 km no odômetro do Celta
Malas no Celta, ou quase, pegamos estrada, se é que pode chamar de estrada, pegar um trilho nas dunas para voltar a Gijoca.
Mal saímos da vila, após andar alguns quilômetros afundamos na areia, conseguimos sair do primeiro afundamento, graças à pá de areia que o Álvaro tinha trazido e graças ao esforço do quarteto, que retirou areia debaixo do Celta, ainda insistimos neste caminho, mas após algumas atoladas, onde o chassi do Celta fica sentado na areia, desistimos, retornamos e pegamos um caminho mais longo, porém menos complicado, mas mesmo assim, sujeito a atolamento na areia.
Com o calor que já se aproximava, os passageiros do Celta lembramos de tomar uma Boêmia gelada e então verificamos que havia ficado na calçada na vila de Jericoacoara, o que mais foi esquecemos ali?






11:03 - Este caminho nos levou até Preá, onde é obrigatório recalibrar os pneus, pois para andar sobre as dunas foi necessário, esvaziar os pneus.
Seguimos para Santa Cruz pela estrada CE 085 de chão batido

11:43 - Retornamos ao asfalto e uma placa nos avisa que estamos a 243 km de Fortaleza, passamos por Acaráu, Itapipoca.

14:01 - Paramos numa banca de frutas onde a Maria Auxiliadora comprou manga, eu ciriguela, o Álvaro cajarana.

Paramos para almoçar e neste restaurante o banheiro dos homens é indicado com uma foto do Lula, e o banheiro das mulheres com uma foto da dona Marisa, achei muito apropriado, pois para quem só faz... este é o local mais apropriado para estarem.
A Conceição não gostou da comida e classificou o local como péssimo.

A região está muita seca, tem muita pedra.

16:00 - 69.134 km -Estamos na cidade de Paracuru, visitamos a praia da cidade.



Características geográficas de Paracuru
Distância até a capital 87 quilômetros
Área 303,253 km²
População 32.418 hab. est. 2006
Densidade 106,9 hab./km²
Altitude: está ao nível do mar
Clima Tropical
Fuso horário UTC-3
Indicadores IDH0,641 PNUD/2000
PIB IBGE/2003 R$ 64.030.886,00 - PIB per capita R$ 2.121,49

Na cidade existem placas proibindo o som de veículos, segundo lei federal e lei municipal, deve ser por que os donos de carros adoram estourar os tímpanos dos cidadãos com som insuportável em decibéis e em mau gosto.
Aliás, você já viu Mercedes, Audi, Ferrari... com som alto?
Quanto mais velho o carro, mais alto é o som?

18:30 - Escolhemos uma pousada para passar à noite e saímos de novo para dar uma volta na cidade, durante a noite de sábado.
Estacionei o Celta na praça, procuramos uma lanchonete para uma cerveja e um lanche.
Algumas meninas vestiam uma roupa, tipo vestido, sei lá... menor que a largura da gravata e estas meninas estavam em carrões, pareciam filhas de gente importante... não eram turistas deviam ser filhas da cidade, enfim moda é moda.

Dizem que o carnaval daqui é muito animado e tem uma tem uma postura mais familiar, com machinhas e bandinhas a moda antiga e realiza outros grandes eventos durante o ano todo.
Entrei numa lun-house para verificar meus recados no Orkut, mas como em Jericoacoara, a internet parecia movida a carvão. Fica para depois.

24/02/2008
8:00 - O Álvaro e as duas Marias foram à missa
Em seguida pegamos o carro e fomos à praia da Pedra Rachada, uma praia muito bonita, um verdadeiro paraíso, com aquários naturais, currais de peixe, barreiras de corais... e, fora do mar, uma areia muito branca e fina, todos gostamos, pena que não seja mais divulgada.
Fica perto de um terminal petrolífero da Petrobrás, nesta região existem muitos poços de petróleo, poços pequenos, mas com extração de baixo custo, pois o petróleo está quase na superfície.



Filme: curral de peixe na praia da Pedra Rachada em Paracuru

Praia da Pedra Rachada em Paracuru
Ao fundo pier da Petrobrás e o curral de peixe

Almoçamos na praia e em seguida pegamos a estrada em direção à Fortaleza

Tentamos passar em Cumbuco, mas passei direto e não encontrei a praia.

Chegamos em Fortaleza e ficamos no Hotel Veleiros na praia do Futuro.


Tentei passear pela praia do Futuro e me divertir um pouco, mas acabei desistindo, já era final de tarde e a praia já estava deserta.

25/02/2008 - 69.290 km no Odômetro do Celta
7:30 - Saimos do hotel com destino ao Mercado Central de Fortaleza
O mercado central é um paraíso de novidades para nós "paulistas", existem roupas e toalhas, bordados por ótimos preços.
Todos compramos alguma coisa, as mulheres compraram roupas, eu comprei uma rede, uma sandália de couro de jegue, castanhas.
O Álvaro, mais mão aberta, também comprou rede e um punhado de lembranças e presentes para seus amigos.
Almoçamos dentro do mercado, a Auxiliadora disse que não estava com fome, mas almoçou.



12:25 - Saimos do mercado e logo em seguida paramos para fotografar a catedral de Fortaleza.
Paramos numa agência do Banco do Brasil para o Álvaro sacar dinheiro, no estacionamento um cidadão muito inconveniente, queria um trocado e eu fiquei super chateado com a situação, pois o cara "intimava" mesmo.
13:30 - Passei por um shopping e resolvi comprar nova câmera fotográfica, pois a minha velha Sony de 3,2 pixels, resolveu não funcionar. Ao escolher a nova câmera, fiquei com uma configuração intermediária entre aquelas que estavam no mostruário, uma boa câmera Sony 12 pixels.
15:28 - Passamos por Beberibe e chegamos a Morro Branco, cidade onde o trapalhão Didi, fez alguns filmes e onde a TV Globo já ambientou algumas novelas.
Tudo aqui é pago, aliás, como tudo em toda cidade turística.
Para conhecer as falésias fomos convencidos a fazer um passeio de bug, que não durou nem dois minutos e em seguida estávamos no começo da falésia onde um guia gentil dizia que não cobraria nada para nos orientar nas falésias, eu agradeci, pois já sabia que seria de graça, mas teria que dar uma "gorjeta", como eu já conhecia o trajeto, seguimos sem guia.
Passeamos pelas falésias, inclusive nos cenários da abertura do Fantástico e do filme do Didi.
No retorno da falésia o bug nos esperava para nos levar de volta.


Saímos de Morro Branco em direção à Canoa Quebrada
17:40 Chegamos a Canoa Quebrada onde alguns gentis guias queriam nos indicar uma pousada, mas resolvemos procurar por nossa conta e ficamos na pousada Missare.

Saímos para dar uma volta pela vila e jantamos pastel e cerveja.
26-02-2008 –

8:00 - As acomodações da pousada Missare são excelentes e por preço muito bom, como dizem os economistas a melhor relação custo benefício.
A praia estava suja, com algas, muitas algas estavam na faixa de areia banhada pelas ondas do mar e era impossível ficar na areia perto da vila de Canoa Quebrada. Aproveitamos para caminhar pelas falésias e fiquei triste ao vislumbrar uma enorme escada entre a praia e a parte alta das falésias, progresso é muito bom, mas na avenida Paulista, eu prefiro praia ao natural assim como as mulheres, quando menos cobertura melhor, esta escada é de um mau gosto incrível.
Por causa da sujeira de algas caminhamos um pouco na praia até encontrarmos um local, onde a areia estivesse limpa, aproximamos de um quiosque, escolhemos algumas cadeiras espreguiçadeiras e um guarda-sol, pedimos umas geladas, não resistimos aos sabores da terra e consumimos queijo coalho, castanhas de caju, “que se dane a dieta” e tentamos tapar os ouvidos para não ouvir a música desagradável que o dono do quiosque despejava pela praia, ficamos propositalmente longe dos falantes e seu incrível mau gosto musical e curtimos a cerveja.


Após alguns copos resolvemos caminhar um pouco mais e fomos para extremidade da praia, onde a areia estava limpa e havia algumas piscinas naturais, as “meninas” curtiram ficar ali com água pelo meio da canela, e espreguiçaram curtindo o sol como se fossem jacarés.

Muitas fotografias depois e muito papo furado, o Álvaro em grande contador de “causos”.
Segundo ele na cidade natal de um dos seus colegas de trabalho na “Furnas Centrais Elétricas” existe um barbeiro muito eficiente e dedicado, que gosta de fazer a barba bem feita e deixar a face do cliente bem limpinha, para isto ele descobriu um método muito eficiente, o barbeiro pede que o cliente abra a boca, enfia o dedo dentro da boca do cliente e empurra a bochecha e então retira o pelo encravado.
14:00 - Retornamos à pousada, tomamos banho, almoçamos num restaurante próximo, e os homens foram se informar num lun-house, as mulheres ficaram na pousada arrumando as coisas.

18:00 – Passeamos pelas ruas da vila, tomamos água de coco.

27/02/2008 – 7:00
Café da manhã e despedidas
Fizemos as malas, colocamos no Celta, despedimos da pousada Missare de onde sentiremos saudades. “Esta foi a melhor pousada em ventilação, limpeza, colchão e travesseiro.
8:46 – 69.486 no odômetro, estamos de novo na estrada em direção a Natal.
Nesta divisa Ceará e Rio Grande do Norte a vegetação está super seca, dá pena de ver as plantas tão secas, tentando sobreviver, eu fico imaginando o caboclo, sua agricultura e seu rebanho, todos a morrer de fome e de sede.
9:52 – Passamos por Mossoró e seus imensos armazéns de sal, não passamos perto de salinas, estamos com pressa, precisamos chegar a Natal o mais rápido possível, já estamos a 12 dias na estrada e ainda temos muito chão para rodar.
10: 52 - Aqui no Rio Grande do Norte pudemos ver “com esses olhos que a terra há de comer” o duro flagelo da seca. Os rios estão secos, SECOS.
A gente passa por cima de alguma coisa e vê embaixo uma vala e quando lê a placa de identificação descobre que ali embaixo está um rio, que rio? Onde está o rio? A gente só vê a construção, que mais parece um viaduto e a placa dizendo que aquilo é rio.
A placa informa que é uma ponte sobre o rio tal...
Eu já sabia que existia, já tinha em reportagens na televisão, mas é difícil de acreditar que aquilo que seria um viaduto aqui em São Paulo, lá no Nordeste é um viaduto. A explicação para este fenômeno é que grande parte dos rios do Nordeste secam a maior parte do ano e só tem água para passar debaixo da ponte por apenas alguns meses, no INVERNO
11:14 – Ponte sobre o Rio Pedrosa, veja a foto, o rio está seco, não tem água, toda a região está seca e seca de pedras, muitas pedras.


Praticamente todos rios do Rio Grande do Norte estão secos, e nós estamos viajando a uns 50 quilômetros da costa, ou seja não estamos no interior do Nordeste estamos bordejando a costa.


12:42 – Parada Riachuelo, na BR-304 ou RN-120
Alguns quilômetros depois a Auxiliadora apanha manga e caju na beira da estrada, em seguida paramos numa banca de frutas e Álvaro compra Siriguela e Umbucajá
13:51 – Passamos por São Gonçalo do Amarante. Sua origem está ligada ao massacre de Uruaçu, quando os holandeses, em 1645, dizimaram todos os habitantes do Engenho Potengi. De Pernambuco, foram enviados os portugueses Ambrósio Miguel do Serinhaem e Pascoal Gomes de Lima que, com suas famílias, refundaram o povoado às margens do Rio Potengi, próximo ao local do massacre, onde instalaram uma capela em homenagem a São Gonçalo de Amarante.
Devido a sua proximidade com a capital, está sendo construido o maior aeroporto da America Latina, o Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante que fica na divisa do município com a capital.
14:53 – Almoçamos e já estamos a caminho de Natal. Passamos em frente a fábrica da Ambev, o Álvaro gravou imagens para mostrar à seu filho que trabalha na Ambev.
15:30 – Estamos na praia de Genipabu, 1035 km depois de Jericoacoara. Vimos a praia, subimos nas dunas, vimos os dromedários, vamos tentar chegar a lagoa de Genipabu.



Quando chegamos na reserva de Genibabu onde está a lagoa, já estavam fechados e o guarda nos informou que o horário é de 8 às 16 horas, fica para outra vez.
Continuamos rumo a Natal, passamos pela Ponte de Todos, este partido tem a mania de colocar sua sigla em tudo que inaugura, a ponte é muito bonita, mas foi construída com o suor do meu imposto, por isto acho injusto que este partido ponha a sigla dele em tudo que é obra.
!8:03 – Estamos na praia da Ponta Negra, reduto das pousas e hotéis, à procura de um hotel ou pousada. Encontramos a Pousada Senac Ponta Negra.
Depois de nos alojarmos, fomos a uma feirinha onde fizemos algumas compras, tomamos algumas cervejas e retornamos à pousada
28-02-2008 – 7:00 – Tomamos um ótimo café da manhã. As instalações da pousada são muito boas, meu Celta ficou estacionado no clube do Senac, me deram até cartão para participar de atividades no clube, pena que tínhamos que pegar a estrada.

Veja e leia os outros capítulos.

Capítulo 1- início -
 Viagem ao Nordeste - São Paulo, Jericoacoara                         São Paulo, Cristalina, Brasília, Barreiras, Canto do Buriti, Terezina, Jijoca e finalmente, nosso destino: Jericoacoara 

O "investment grade" e os dólares assustados

Confesso que fiquei como Thomas Trebat, diretor do Centro de Estudos do Brasil da Universidade Columbia :

“Fiquei surpreso pelo timing, conceder o grau de investimento bem no meio de um ciclo econômico que está prestes a virar”, disse.

“O boom econômico brasileiro não vai durar para sempre; por causa da crise mundial, haverá queda nos fluxos de capital e nos preços das commodities, e o País voltará a ter déficit em conta corrente. A melhora foi um reconhecimento do esforço de política econômica dos últimos 12 anos, mas precisamos ver como o País vai reagir ao ambiente menos amistoso dos próximos tempos.”

Vamos entender esse imbróglio:

1. A S&P pisou feio na bola com a Argentina e Brasil, antes de 1999, ao analisar exclusivamente as contas públicas – sob a ótica de capacidade de pagar dívidas contraídas. Dançou feio porque não adianta contas públicas em ordem sem contas externas em ordem. O investidor entre com dólares, adquire reais, aplica. Na hora de sair precisa comprar os dólares para remeter. Na hipótese de uma crise cambial a pressão pelas compras provocará uma explosão nas cotações, que lhe infligirá prejuízos.

2. O Brasil não está perto de uma crise cambial, mas não está longe. A deterioração nas contas externas se dá a olhos vistos, por conta da apreciação cambial. E essa apreciação cambial é fruto do diferencial entre juros internos e externos – quanto maior, mais dólares entram, mais o real se aprecia. Com o “investment grade”esse diferencial aumenta (porque a rentabilidade do títulos soberano do Brasil no exterior diminuir, por ser considerado menor o risco); ocorrerá aumento do fluxo de dólares (muitos fundos institucionais aplicam fatias de sua carteira de acordo com o grau de investimento dos ativos); e o dólar cairá mais ainda por aqui. Portanto será um fator a mais de risco para as contas externas.

3. Os investidores entrarão com a mão no revólver (não diria o dedo no gatilho, porque ainda falta um tempo), de olho nas contas externas. Ficarão até à véspera de uma situação considerada insustentável. Depois se mandam. Futurismo? Não: análise do passado recente apenas.

Para ficar mais claro, entenda quem ganha e quem perde:

1. Ganham investidores externos, que terão mais recursos e mais diferencial de juros para ganhar, enquanto a festa durar.

2. O governo Lula, obviamente, por calar a boca dos críticos da política econômica. É óbvio que, quando vier a crise externa, os críticos passarão a criticar a política econômica e fingirão que não a apoiavam antes. A conta será toda do governo.

3. Grandes multinacionais brasileiras? Dificilmente, já que muitas delas já tinham melhor avaliação que a do Brasil.

4. Importadores em geral. Mas quem adquire bens de investimento ficará com um pé no freio, porque a deterioração das contas externas está se acelerando.

Quem perde:

1. Contas públicas. Cada dólar que entra pelo mercado financeiro está levando o Banco Central a aumentar as reservas e exige como contrapartida a colocação de títulos públicos no mercado. Essa conta é paga pelo contribuinte.

2. Exportadores, por razões óbvias.

3. As contas externas brasileiras, com a ampliação do déficit nas transações correntes.

Estamos falando do primeiro tempo do jogo.

A questão é o segundo tempo.

Numa ponta, há sinais nítidos de que o FED americano está terminando o ciclo de baixa dos juros. Assim que a economia americana demonstrar o menos sinal de recuperação, tratará de aumentar os juros e inverter a queda do dólar. O dólar voltará a se valorizar, os juros a aumentar, reduzindo os fluxos financeiros para o mundo.

Haverá efeitos sobre os preços das commodities (que hoje abrigam capitais especulativos fugindo da desvalorização do dólar) e recuperação da capacidade de importar dos EUA.

A estratégia brasileira tem sido a de substituir dólares seguros (provenientes de contas comerciais) por dólares assustados (do mercado financeiro), Quando os seguros deixarem de entrar, os assustados se assustam.

Do blog do Luis Nassif, de 01/05/08


Meu comentário:
A agência Standard & Poor's está mostrando aos gafanhotos onde podem podem devastar e nosso banco central obediente aos seus patrões, os financistas, vai continuar aumentando a SELIC para compensar as perdas no mercado americano.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Inflação mais difícil para o BC

Desde 2005, quando se delineou com clareza um ciclo de valorização do real relativamente ao dólar, o Banco Central (BC) desempenha um dos papéis mais fáceis da política macroeconômica brasileira. No seu trabalho usual, procura controlar a inflação via taxa básica de juros, sem nenhuma preocupação com as seqüelas indesejáveis do que faz. Desde então, entretanto, teve enorme ajuda de importadores estrangeiros e exportadores brasileiros, aqueles aumentando fortemente sua demanda de produtos do Brasil e estes atendendo a essa procura. Com superávits crescentes nas principais contas externas nacionais, o real valorizou-se (ou o dólar ficou mais barato na nossa moeda), o que teve efeito crucial no controle da inflação, pois preços de produtos transacionados com o exterior se tornaram mais baratos em reais.

Apesar do papel desses muitos outros atores, sintetizado na taxa de câmbio, nosso BC sempre se atribuiu o mérito maior pela redução da inflação. É verdade que mesmo em queda a taxa de juros fixada pelo BC se manteve ainda muito elevada em termos reais, ficando sempre no primeiro ou no segundo lugar no campeonato mundial de taxas desse tipo. Isso também contribuiu para a queda da taxa cambial e da inflação, ao atrair mais dólares para o País em busca de remuneração tão vantajosa.

Contudo, mesmo com os dólares atraídos pelos juros elevados, a preocupação de quem os traz é a de ver garantida a saída de seu dinheiro se a qualquer momento optar por esse caminho. Assim, o fluxo financeiro não ocorreria com a mesma intensidade se as contas externas brasileiras não houvessem passado pelo conserto que veio do comércio exterior e de seus múltiplos atores, que, assim, foram os mais importantes.

Não obstante, tudo se passa como se o BC levasse um Oscar pelo que fez na versão cinematográfica desse enredo, ainda que o mérito maior seja o desses outros atores. Uma das razões é que, além de um papel mais facilmente identificável, o BC tem grande presença na mídia com as freqüentes reuniões em que decide a taxa de juros, e conta também com o aplauso mutuamente conveniente da influente torcida financeira que veste sua camisa.

Entretanto, desde o segundo semestre de 2007 se iniciou um novo enredo, com novos atores e uma troca de papéis que tornou mais difícil, ou pelo menos não tão fácil, o trabalho do BC. Essa mudança se acentuou a partir do mês passado.

Naquele semestre, a inflação mudou de altitude, deixando o nível de 3% ao ano e se aproximando de 4,5%. Esta última taxa, apesar de ser apenas o centro do intervalo que o BC tem como meta, na prática é tida por ele como o limite superior desse intervalo, incomodando quando alcançado e levando a reações como a recente, de aumento dos juros.

De início, a culpa foi atribuída principalmente ao preço de alimentos, com destaque para o leite e, mais recentemente, o feijão, afetados internamente por problemas de entressafra, na época tidos como transitórios. No primeiro trimestre deste ano a inflação deu sinais de retrocesso, mas em abril índices importantes como o IPCA-15 e o IGP-M mostraram novo agravamento. Mais uma vez, com destaque para os preços dos alimentos, agora particularmente o trigo e o arroz, que ao contrário do feijão são claramente produtos transacionados com o exterior.

Ora, os preços do trigo, do arroz e de outros alimentos subiram em face de um fenômeno mundial, a escassez da oferta de alimentos relativamente a uma demanda em forte expansão, e tudo indica que se trata de algo mais permanente. Esses preços também foram agravados por maiores custos de transporte, de fertilizantes e de agrotóxicos, fortemente influenciados pelos preços do petróleo e seus sucessivos recordes.

Assim, nessa sua nova roupagem, internacional, da "inflação de alimentos", o processo inflacionário se mostrará resistente a medidas (como o aumento dos juros) e outros desdobramentos internos (como a superação de períodos de entressafra), dificultando a ação do Banco Central.

Tal ação será ainda mais problemática se os preços da gasolina e do óleo diesel no Brasil forem reajustados para aproximá-los dos internacionais, conforme pretende a Petrobrás. E, agravando ainda mais o quadro, na esteira da valorização do real, as contas externas brasileiras começaram um ciclo de deterioração que poderá excluir de cena ou reduzir fortemente o enorme papel que a taxa de câmbio desempenhava no arrefecimento de pressões inflacionárias.

Tudo isso reduz a probabilidade de que o recente aumento de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros seja de fato o que o BC chamou de "parte substancial" do ajuste total que pretende fazer nessa taxa, pois nessas condições esse ajuste poderá ter maior amplitude e se prolongar por mais tempo.

Entretanto, não vejo nisso o pior cenário, mas o melhor, pois ele tornaria mais evidente, e, assim, com maiores perspectivas de solução, a enorme dificuldade de que padecem o efetivo controle da inflação no Brasil e a necessidade de reduzir sua taxa básica de juros. Ou seja, a omissão de um ator que poderia desempenhar papel fundamental, o governo central, o qual continua atuando na direção contrária, expandindo fortemente seus gastos de custeio e contribuindo para o aquecimento da demanda.

Enquanto isso, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, disse que, "tirando o feijãozinho que todo o mundo come...", a inflação seria menor. Ora, não dá para tirar o feijão, nem o arroz, o milho, a soja e outros produtos que todo mundo come, direta ou indiretamente. Na cozinha da política econômica, o que o governo precisa fazer mesmo é reduzir o fogo com que esquenta a inflação e os juros da economia.

Texto de Roberto Macedo, economista (USP), doutor pela Universidade Harvard (EUA), pesquisador da Fipe-USP e professor associado à Faap, foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

Fonte O Estado de São Paulo de 01/05/08
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080501/not_imp165880,0.php

Roraima é aqui - Reserva Raposa do Sol

''Morrer se preciso for; matar, nunca'' - esse era o lema de Cândido Mariano Rondon e dos pioneiros do Serviço de Proteção ao Índio, antes da degeneração da agência numa ponta-de-lança da espoliação dos índios. Rondon personificou o espírito de um tempo moldado pelo projeto de consolidação da unidade nacional. As suas idéias e ações adquirem significado sobre um pano de fundo formado por eventos como a Guerra do Paraguai, a incorporação do Acre, a delimitação final das fronteiras amazônicas e a elaboração dos planos ferroviários de integração nacional. Na visão rondoniana, a proteção estatal dos índios representava uma etapa na trajetória que conduziria até a sua integração à nação única. Quando se discute o impasse sobre a reserva Raposa Serra do Sol, o que está em jogo é o legado de Rondon.

Os indigenistas da tradição inaugurada por Rondon não indagavam se os índios seriam integrados à sociedade nacional, mas apenas como esse processo ocorreria - e dedicaram sua vida à tentativa de evitar que se integrassem como peões semi-escravizados nas fazendas ou miseráveis relegados às fímbrias da economia urbana. Nenhum deles imaginava que, no outono do século 20, emergisse, triunfante, uma doutrina empenhada na produção política de um país multinacional. Mas é disso que se trata quando se discute Roraima.

No debate sobre as terras indígenas de Roraima se contrapuseram as propostas de delimitação fragmentária e contínua das reservas. A primeira, inscrita no projeto da nação única, admitia a interação de índios e não-índios que habitam a região e tinha como horizonte a idéia de integração. A segunda, que acabou por se impor, deriva da lógica multiculturalista da separação e tem como horizonte a criação de nações indígenas autônomas nas faixas limítrofes do Estado brasileiro. Hoje, ela demanda a expulsão dos não-índios estabelecidos na região e desenha os contornos da primeira guerra étnica no Brasil do século 21.

Por vias inesperadas, transversas, os índios se incorporam a uma ''sociedade mundial'' antes de se integrarem à sociedade nacional. As notícias que chegam de Roraima dão conta da divisão dos indígenas em ''índios católicos'', defensores da expulsão, e ''índios evangélicos'', defensores da permanência dos colonos. No cipoal de organizações globalizadas e missões religiosas que atuam em Roraima, existem entidades e figuras abnegadas que contribuíram para amenizar a tragédia sanitária a que, em razão da ausência do Estado, se encontravam entregues os índios ianomâmis nos anos 80 e 90. Mas, sobretudo, se destacam os arautos da criação de nações indígenas separadas, que enxergam os índios como objetos da engenharia internacional das etnias e como pretextos na conquista de fontes de financiamento para as ONGs multiculturalistas.

Quando se discute a questão indígena, o tema verdadeiro é a viabilidade do conceito de nação. Roraima não começa nem acaba em Roraima. Na Bolívia de Evo Morales o governo escreveu uma Constituição multiculturalista que nega a existência legítima da nação e demarca uma estrada jurídica para a emergência de diversas ''nações ancestrais''. Como fruto desse passo, os mineiros do estanho se preparam para abdicar de sua dupla identidade histórica de bolivianos e trabalhadores, substituindo-a pela identidade ''original'' de indígenas. Os líderes da operação identitária já reivindicam a transferência da propriedade dos recursos do subsolo às novas nações ''ancestrais'', o que lhes permitiria vender as minas a empresas de mineração. O saque das riquezas nacionais está na dobra da esquina da renúncia à nação.

A proposta de um ''arquipélago'' de terras indígenas exprimia uma concepção sobre a fronteira entre os índios e a sociedade nacional. Aquele traço de limite deveria ser relativamente poroso, de modo a propiciar um intercâmbio vigiado pelo Estado. A delimitação contínua do ''continente'' indígena, por seu turno, pretendeu implantar um território circundado por sólidas muralhas. Do lado de fora ficariam os não-índios e o Estado; do lado de dentro, os índios, as ONGs e os missionários. Esse tipo de fronteira só poderá ser traçado pelo recurso à violência.

Há ''nações indígenas'' distintas da nação brasileira? A pergunta carece de sentido, pois nações não existem na natureza, como rios e montanhas, mas são inventadas na esfera da política. Os índios ''originais'' não podem ser restaurados, mas sempre é possível inventar, debaixo dos escombros da idéia da nação única, ''nações indígenas'' pós-modernas, financiadas por instituições multilaterais e lideradas por coalizões de ativistas bem conectados e índios globalizados.

Há, no Brasil, uma ''nação africana na diáspora'', constituída pelos ''afrodescendentes''? Eis outra pergunta que não tem resposta objetiva, pois, nas palavras de Ernest Renan, ''a nação é um plebiscito cotidiano''. Um projeto multiculturalista em curso almeja fabricar essa nação, por meio de leis raciais, da revisão radical de nossa História e do cancelamento do imaginário nacional da mestiçagem. Nações indígenas autônomas poderiam existir ao lado do Brasil. Já a ''nação afrodescendente'' só pode nascer pela substituição da nação brasileira por uma coleção de nações étnicas fundadas sobre a glorificação de supostas ancestralidades de sangue. Brasil, nessa hipótese, seria apenas um espaço geográfico confederal e um tênue pacto de convivência entre povos ciosos de suas diferenças.

Rondon, o marechal mestiço com ancestrais bororos e terenas, morreu há 50 anos. Homem de seu tempo, nacionalista e positivista, ele trocou o paradigma da catequese dos índios ''por um vago e eventual culto cívico à bandeira'' (George Zarur, A Utopia Brasileira, Abaré/Flacso, 2003). Os índios não precisam desse culto, mas precisam menos ainda das bandeiras inventadas pelos novos fundamentalistas da etnicidade.

Texto de Demétrio Magnoli,sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080417/not_imp158243,0.php

Produção atual de alimentos dá e sobra para a humanidade inteira

Produção atual de alimentos dá e sobra para a humanidade inteira

Eficiência da produção de soja é centenas de vezes superior à da carne de boi

Simples mudança na eficiência agropecuária poderia aumentar produtividade várias vezes.
Área utilizada para plantio e criação não cresceu nas últimas décadas, revelam dados.
A atual crise nos preços dos alimentos, que está colocando o planeta em polvorosa, tem pouquíssima relação com a capacidade do planeta para produzir comida. Para especialistas em produção agropecuária e ambiente, há uma enorme margem de manobra para aumentar a produtividade em áreas que já servem para plantar e criar animais. E abrir novas frentes agrícolas não vai necessariamente aliviar a situação, já que, nas últimas décadas, a produção cresceu sem que houvesse um aumento correspondente na área plantada ou usada para pecuária.
"O que eu posso garantir é que, com a área agrícola disponível hoje no planeta, sem abrir nenhum hectare novo de lavoura ou pasto, dá e sobra para alimentar a população mundial. E digo que ainda sobra um bocado de área para produzir biocombustíveis", resume Luis Fernando Laranja da Fonseca, coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG WWF-Brasil.
"Conforme a população mundial foi crescendo, até chegar a cerca de 3 bilhões [nos anos 1960], a área agrícola do mundo aumentou na mesma proporção", conta o britânico Stuart Pimm, biólogo da Universidade Duke, nos Estados Unidos. "No entanto, quando a população dobrou e chegou a 6 bilhões, a área usada para agricultura e pecuária ficou mais ou menos inalterada, no nível que tinha alcançado quando havia 3 bilhões de pessoas no mundo, ou seja, cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados."

Menos área por cabeça
Para ser mais exato, diz Fonseca, em 1965 a relação entre terra produzindo comida e seres humanos consumindo essa comida era de 1,3 hectare agrícola por pessoa, enquanto hoje essa relação caiu para 0,7 hectare. Além disso, o consumo de calorias por cabeça também cresceu - de menos de 2.400 kcal por dia para quase 3.000 kcal diárias no mesmo período. O aumento da eficiência agropecuária, portanto, é indiscutível.
Para o pesquisador do WWF, é difícil estimar o potencial máximo da agropecuária moderna para alimentar a população mundial, principalmente porque é impossível prever os caminhos que a produção vai tomar -- diferentes culturas e rebanhos podem ser mais ou menos eficientes para colocar comida na mesa. No entanto, dados sobre a produção de alimentos no Brasil sugerem que o potencial para melhora ainda é significativo.
"Pegue a pecuária extensiva brasileira, por exemplo. Em um hectare, ela produz cerca de 40 kg de carne por ano. Nesse mesmo hectare, é possível colher 2.800 kg de soja anualmente", compara Fonseca. A equação ainda vale mesmo quando se considera o aumento da demanda por proteína animal no mundo. Trata-se de um fenômeno universal: toda vez que há ascensão social e crescimento econômico em países emergentes (o caso mais recente é o da China), a população busca comer mais carne, ovos e laticínios.
"Em muitos casos, você não perde a eficiência se decidir produzir proteína animal usando o farelo de soja como ração. O frango tem altíssima capacidade de conversão energética, por exemplo -- com 1,5 unidade de proteína vegetal, você consegue 1 unidade de proteína de frango. No caso do porco, essa conta é de 2 unidades de proteína vegetal para 1 unidade de carne suína. Tudo é uma questão do tipo de proteína animal que você quer produzir", afirma o pesquisador do WWF-Brasil.
No caso brasileiro, a imensa maioria das terras aráveis -- uns 200 milhões de hectares -- vão para a pecuária, enquanto pouco mais de um quarto disso fica nas mãos da agricultura. Alterações nesse balanço ou a intensificação da pecuária, quase sempre extensiva por aqui, poderiam aumentar dramaticamente a produtividade nacional.

Espaço para crescer?
Se as oportunidades para aumentar a eficiência agropecuária são inquestionáveis, o mesmo não vale para o crescimento da área plantada. Stuart Pimm lembra que, dos atuais 15 milhões de quilômetros quadrados usados para a produção de alimentos, 2 ou 3 milhões recebem menos de 500 milímetros cúbicos de chuva por ano. "Isso nos diz que a terra agricultável já é bastante marginal [ou seja, não oferece condições agrícolas ideais]", afirma ele.
E significaria também que as áreas ainda por ocupar também têm um potencial agrícola bastante baixo. "Um exemplo: por que os brasileiros não produzem mais nas terras que foram desmatadas na mata atlântica? Bem, uma maneira de responder isso é levar em consideração que eu acabei de ajudar alguns amigos brasileiros a comprar 150 hectares de pastagem e doar a terra ao Instituto Chico Mendes [órgão conservacionista do governo federal]. Conseguimos fazer isso porque essas pastagens têm um solo tão ruim que nunca vai ser possível plantar algo valioso nelas, e portanto a terra é barata", conta Pimm.
Fonseca concorda que muitas das terras hoje não ocupadas pela agropecuária são marginais, mas lembra que outro ponto importante é a necessidade ambiental de preservá-las, mesmo se forem potencialmente úteis. Em boa medida, a produtividade agrícola depende da preservação de áreas naturais, capazes de prover os chamados serviços ambientais: renovação dos recuros hídricos, manutenção do solo e polinização, entre outros fatores cruciais. Se fosse possível transformar todas as terras do planeta em fazendas, o mais provável é que elas entrassem em colapso produtivo justamente por não contar com esses serviços, providenciados "de graça" pelos ambientes naturais.

Do G1
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL449913-5603,00-PRODUCAO+ATUAL+DE+ALIMENTOS+DA+E+SOBRA+PARA+A+HUMANIDADE+INTEIRA.html