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quarta-feira, 31 de março de 2010

Maior investimento do PAC 2 é na candidatura da ministra Dilma Rousseff





PAC do PAC
"Prateleira de projetos", na definição de Lula, o maior investimento do PAC 2 é na candidatura da ministra Dilma Rousseff 

EM NOVO ATO de campanha eleitoral, o governo divulgou anteontem a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de proporcionar mais um palanque para a candidata oficial Dilma Rousseff, é de perguntar qual seria o objetivo desse PAC 2.
Quem sabe seja o de acelerar o PAC original, que foi lançado em 2007 com um plano de investimentos de R$ 638 bilhões. Como entre 2007 e 2010 foram executados apenas R$ 256,9 bilhões, 40% do valor previsto, temos agora o que seria uma espécie de PAC do PAC. O fato é que entre 2007 e 2010 o plano não teve efeito sobre a capacidade de investimento da União, que permaneceu próxima a 1% do PIB.
O PAC 2 associa medidas de desoneração fiscal a financiamento público e privado para investimentos em infraestrutura, num total de R$ 959 bilhões entre 2010 e 2014 -e mais R$ 631 bilhões a partir de 2015. Da primeira etapa, cerca de R$ 220 bilhões viriam de investimentos da União. O restante divide-se entre empresas estatais (R$ 300 bilhões), recursos da poupança para financiamento imobiliário (R$ 180 bilhões), Estados e municípios (R$ 95 bilhões), setor privado (R$ 46 bilhões) -e uma parcela ainda com fonte de financiamento incerta.
A vedete é o setor de energia, que contaria com 70% do total, com destaque para o pré-sal. Apesar de algumas boas (e vultosas) intenções, tudo não passa de uma "prateleira de projetos", como definiu o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva -algo que está muito longe de se constituir em nova referência de planejamento estatal, como pretende a propaganda.
O investimento público não foi o principal fator a acelerar o crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Bem maior influência, por exemplo, pode ser atribuída à elevação dos preços das commodities, decorrente da forte demanda chinesa, e a situações internas, como o consumo das famílias.
É correto considerar que as políticas de transferência de renda e de aumento do salário mínimo desempenharam papel importante nesse processo. A ação governamental também se fez sentir, entre outras medidas, na reação à crise internacional, ao elevar a oferta de crédito público para empresas e consumidores.
Neste quesito, a prorrogação até o fim do ano do Programa de Sustentação dos Investimentos, anunciada pela Fazenda, foi acertada, pois proporciona até R$ 80 bilhões adicionais em crédito subsidiado (mesmo considerando o custo estimado de R$ 10,5 bilhões para o Tesouro) para a aquisição de máquinas.
Mas é preciso separar as coisas e reconhecer que a competência em executar projetos não está entre os pontos altos da atual gestão -nem das anteriores. Até que se prove o contrário, o PAC 2 não muda esta realidade. O esforço para capacitar o Estado depende de progressos, até agora insuficientes, na profissionalização do serviço público e no controle dos gastos de custeio.
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Editorial da Folha de São Paulo de 31/03/10

sábado, 27 de março de 2010

Objetivo do PT "quebrar a espinha dorsal" do governo

Confronto entre PMs e professores fere 20
Presidente de sindicato da categoria, ligado ao PT, afirmou que objetivo era "quebrar a espinha dorsal" do governo Serra, do PSDB

Manifestantes partiram para cima dos policiais, que revidaram com balas de borracha; governador estava fora, em agenda no interior



Rodrigo Coca/Fotoarena
Policial militar é carregado na avenida Giovanni Gronchi, em São Paulo, durante o confronto com professores públicos em greve


Grevistas do PT queimam livros, pois não interessa que os alunos aprendam,  vejam esta foto de Ernesto Rodrigues, da Agência Estado.

apeoesp-queima-livros



FÁBIO TAKAHASHI
RICARDO WESTIN
DA REPORTAGEM LOCAL

Um protesto de professores, com os objetivos de "quebrar a espinha dorsal" do governo José Serra (PSDB) e exigir aumento salarial, terminou em confronto entre a Polícia Militar e os manifestantes, com feridos dos dois lados.
No início da manifestação, a presidente da Apeoesp (o maior sindicato dos professores estaduais), Maria Izabel Noronha, gritou do alto do carro de som: "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador".
O confronto com a PM ocorreu quando os manifestantes se dirigiam de um dos portões do estádio do Morumbi para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.
Um cordão de isolamento, formado por cerca de cem PMs, impediu a passagem dos manifestantes. Nos primeiros minutos, tentaram empurrar a barreira, mas foram contidos com spray de pimenta.
A tensão aumentou, e os grevistas começaram a atirar paus, pedras, sacos de lixo, cones de trânsito e até um caixão. Foram então contra-atacados pelos PMs com bombas de efeito moral e balas de borracha.
De acordo com a PM, houve ao menos 20 feridos -dez deles policiais. Um manifestante foi levado para a delegacia por atirar pedra nos policiais e tentar colocar fogo em um carro.

A sindicalista Maria Izabel é filiada ao PT e sua entidade é ligada à CUT, o braço sindical do partido. Na noite anterior, estava em evento com a pré-candidata petista à Presidência, ministra Dilma Rousseff.
Liderados pela Apeoesp, os professores estaduais deram início a uma greve no dia 8. Pedem reajuste salarial de 34,3%. O governo diz que o aumento desorganizaria suas finanças.
Segundo a PM, cerca de 5.000 pessoas participaram do protesto. Na versão do sindicato, foram 20 mil manifestantes.
Os professores convocaram a próxima manifestação para a quarta-feira, dia em Serra deixará o governo para se candidatar à Presidência.
A greve, diz o sindicato, conta com a adesão de mais de 60% dos professores. Para a Secretaria de Estado da Educação, o movimento não afeta mais que 1% das escolas estaduais.



O PT CONTRA SÃO PAULO - PARTIDÁRIOS DE DILMA QUEIMAM LIVROS, DEPREDAM PATRIMÔNIO PÚBLICO, ATACAM A POLÍCIA, INVESTEM NO CAOS…



A turma da Bebel, presidente do sindicato, também acha que ler faz as pessoas infelizes — por isso, inclusive, opõe-se a qualquer forma de promoção por mérito no magistério.

Fontes: Folha de São Paulo e blog  do Reinaldo Azevedo

Meu comentário:
A principal razão destas arruaças, é que a Apeoesp não conseguiu impedir a avaliação dos professores.
A Apeoesp deseja que as crianças sejam cuidadas por professores que não conseguem ler, escrever ou fazer contas, a Apeoesp deseja uma nação de analfabetos, pois para eles quanto pior melhor.
Outra coisa o desespero da Apeoesp é muito grande pois os professores continuam trabalhando e não existe a greve, a parada total das escolas.

quinta-feira, 18 de março de 2010

STF manda soltar advogado condenado por sequestro de criança




Ademilson Alves de Brito foi condenado a 36 anos de prisão.
Para ministro, advogado tem direito de recorrer em liberdade.

  

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello concedeu liminar em habeas corpus para libertar o advogado Ademilson Alves de Brito.Ele está condenado a 36 anos de prisão pelo sequestro de Lucas Ferreira da Silva, de seis anos, em Arujá, na Grande São Paulo, em 2006.
O menino ficou refém 64 dias, até que a polícia descobriu o cativeiro, libertou o garoto e prendeu os sequestradores.
Três pessoas foram condenadas, entre elas o advogado Ademilson, vizinho do garoto, acusado de planejar o crime.
Mas o ministro Marco Aurélio considerou que o trâmite do processo foi longo demais e que, por isso, o advogado tem o direito de recorrer da sentença em liberdade.
Ademilson Alves de Brito saiu da cadeia na noite desta quarta-feira (17).

Do G1, com informações do Jornal da Globo

segunda-feira, 15 de março de 2010

Abuso sexual. PRECIOSA, o filme

O perigo vem de perto 
Maioria das violências sexuais cometidas contra menores de idade acontece dentro de casa; saiba como e onde denunciar 

Mayra Dias Gomes 

O silêncio dos inocentes
Quando eu tinha 15 anos de idade, duas músicas não saíam do meu Discman: "Shade", do Silverchair, e "She", do Green Day. Ambas falavam sobre parar de se esconder, quebrar o silêncio e deixar de sentir culpa. "Shade", em particular, incentivava vítimas de abuso a conversarem com alguém. Eu me identificava. Aos 15 anos, havia sido vítima de abuso sexual. Esta é a primeira vez que admito isso em público.
O número de abusos sexuais que vemos nas estatísticas não chegam nem perto do que esse número é de verdade. A maioria dos casos permanece em segredo. A criança ou o adolescente que foi abusado geralmente sente vergonha, nojo, medo e culpa -prefere não denunciar para não trazer o caso para os holofotes.
O menino maior de idade que abusou de mim primeiro me seduziu a ter vontade de perder a virgindade com ele. Na noite em que ele transou comigo contra minha vontade, eu o havia convidado para uma festa na minha casa. E nós já havíamos nos beijado antes.
"Vão me culpar porque eu gostava dele" e "Ninguém vai acreditar em mim" foram alguns dos pensamentos que me impediram de denunciá-lo. Era o que ele queria. Eu fui aliciada a pensar dessa maneira.
Carla (nome fictício), de Ribeirão Preto, em São Paulo, também ficou em silêncio. Três amigos do irmão de sua amiga, que moravam no mesmo condomínio que ela, a seguraram e a estupraram. Ordenaram que ela fingisse que estava gostando ou apanharia.
Carla continua vendo um dos estupradores todos os dias e, às vezes, dá "oi" quando ele passa. Ela ainda tem medo de que ele a segure à força novamente, mas prefere ignorar o que aconteceu. É doloroso demais lembrar.
Mesmo que Carla sinta-se mais forte hoje em dia e que eu tenha superado o incidente por conta do apoio familiar que recebi, sabemos que nossos agressores estão livres e que, certamente, repetiram ou repetirão o que fizeram conosco. Isso nos atormenta.
Escrevo a coluna desta semana bravamente para tocar quem está passando por algo parecido. Coloco-me em primeira pessoa para servir de exemplo negativo e para pedir que o silêncio seja quebrado. Se você foi ou está sendo abusado, denuncie. Não deixe que outra pessoa sofra na mão do seu agressor. Mude uma vida.


O perigo vem de perto 

DIOGO BERCITO

De manhã, com porta fechada e luz apagada, Carlos dava início a um ritual que repetiu por dez anos. Estuprava Joana, hoje com 15 anos, tomava banho e então estuprava Marta, 20. É pai das duas.
Essa história violenta, que se prolongou porque as filhas eram ameaçadas de morte, é parecida com a vivida por Preciosa no filme que venceu dois Oscar.
Ao contrário de "Preciosa", porém, o estupro de Marta e Joana é real. Está registrado em um dos processos criminais a que a Folha teve acesso e terminou com Carlos condenado a 54 anos de cadeia -e Joana e Marta traumatizadas pelo ato.
É dentro de casa, e não na rua, que é cometida a maior parte dos abusos sexuais contra menores de idade. E o agressor, longe de ser desconhecido, costuma fazer parte da família ou ser próximo dela.
Em 33% dos casos, o abusador é pai ou mãe da vítima, segundo levantamentos da ONG Centro de Referência da Criança e do Adolescente (ligada à Ordem dos Advogados do Brasil). Em 14%, é o padrasto.
Nessas situações, o parentesco muitas vezes é usado como justificativa pelo criminoso.
"Os pais se sentem no direito de abusar, usam o argumento "antes eu do que outra pessoa'", explica Márcia Salgado, dirigente da Delegacia da Mulher.
"Os jovens estão vulneráveis em relação às pessoas que deveriam protegê-los", diz Carmen Lutti, presidente da ONG Movimento em Defesa da Criança e do Adolescente -e são obrigados a viver divididos entre os sentimentos de medo e de afeto em relação aos pais.
Em casos de abuso como os vividos por Joana e Marta, em que o crime demora a vir à tona, o estupro passa até mesmo a fazer parte da rotina da casa.
Para evitar engravidar as filhas, por exemplo, Carlos controlava os ciclos menstruais das duas com remédios. Apesar do cuidado, o abuso foi descoberto pela mãe de ambas justamente quando Marta abortou um filho do próprio pai. Foi quando a denúncia foi feita à polícia.


Receio
A longa duração de situações como essa se dá por uma série de fatores que, juntos, calam a vítima. Além de serem ameaçados de morte, esses jovens dependem do salário dos pais e tentam preservar o amor da mãe pelo marido.
Por sua vez, quando se dá conta do abuso, a mãe enfrenta dilemas semelhantes -e pode preferir fazer vista grossa para manter o parceiro e o sustento.
Nos depoimentos de Suzana, 14, abusada pelo pai, o dilema aparece na oposição entre indignação e medo. Em determinado momento, ela diz à psicóloga querer arrancar a própria pele, de nojo. Depois, demonstra receio de tirar dos irmãos o pai que eles amam.
Pesa também nos jovens a sensação de terem sido de alguma maneira responsáveis pelo abuso -principalmente nos casos em que, depois de algum tempo, a vítima deixou de oferecer resistência.
"O que esses jovens não percebem é que não houve permissão, eles foram impulsionados para essa situação", alerta Marli de Oliveira, da ONG Liga Solidária, que tem polo de prevenção à violência doméstica.
Para a lei, a violência é presumida quando a vítima do estupro tem menos de 14 anos.


Omissão
Psicólogos, advogados e assistentes sociais ouvidos pela reportagem concordam que denunciar o abuso é necessário -por mais que possa doer ter de falar sobre o assunto.
Mas procurar o poder público nem sempre é o primeiro passo a ser tomado.
"É importante a família estar pronta, para que a intervenção não piore as coisas", aconselha Lélio Ferraz Neto, do Ministério Público de São Paulo (veja ao lado algumas entidades que prestam auxílio a vítimas).
Afinal, a denúncia, quando feita, abala as relações familiares. No caso de Cris, 15, e de Camila, 13, a acusação de que o padrasto abusou delas -desacreditada pela mãe- levou à expulsão das garotas de casa.
O apoio que as duas não encontraram na mãe, porém, veio de uma tia. Juntas, procuraram a Justiça. O acusado foi condenado a 12 anos de prisão.
Por sigilo de Justiça, os nomes de todos os envolvidos nos processos foram trocados


 79 
é a média de denúncias recebidas por dia em janeiro de 2010 pelo Disque 100*


*Fonte: Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Para denunciar, disque 100 


 62% 
das 202 mil vítimas (menores) atendidas entre maio de 2003 e janeiro de 2010 eram do sexo feminino


94% 
é a porcentagem de casos em que o abusador é alguém que desfruta de convivência com a criança, como familiares, amigos ou vizinhos


Fonte: ONG Cecria (Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes) 




O QUE É ABUSO SEXUAL? 


 É forçar uma pessoa a uma situação sexual da qual ela não quer fazer parte, mesmo que não haja penetração (como acariciar os órgãos genitais). Dependendo das circunstâncias, o ato pode ser enquadrado em mais de um artigo do Código Penal
 No caso de vítimas menores de idade, as penas são maiores -estupro de menor de idade, por exemplo, pode levar a no mínimo oito anos de detenção


Fonte: Lélio Ferraz de Siqueira Neto, coordenador da área de infância e juventude do Centro de Apoio Cível do Ministério Público de SP; Código Penal
Saiba por onde começar a falar sobre esse assunto delicado 


Para conversar 
Parentes, médicos, professores


Para diagnóstico médico 
 Hospital Pérola Byington
(tel. 0/xx/11/3248-8000)


Para apoio psicológico e judicial 
 Cerca (Centro de Referência da Criança e do Adolescente, tel. 0/xx/11/3170- 8327), CNRVV (Centro de Referência às Vítimas da Violência, tel. 0/xx/11/3866-2756)


Para denúncia 
 Delegacias, Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar

Abuso e luta 

"Preciosa" mostra tragédias de vítima de violência 

Divulgação: Gabourey Sidibe, em cena de "Preciosa": abuso familiar











TARSO ARAUJO


Um exemplo do estrago que o abuso sexual pode causar numa família e, mais especificamente, na vida de um adolescente está em cartaz no Brasil, com "Preciosa", vencedor de dois Oscar.
A personagem que dá título ao filme tem 16 anos e está grávida do segundo filho do pai.
A mãe, além de fazer vista grossa, tem ciúmes da preferência do marido pela filha e, em vez de defendê-la, bate na menina e a proíbe de estudar.
O roteiro do filme é baseado num livro homônimo, escrito pela poeta americana Sapphire. Ela, por sua vez, escreveu inspirada por suas experiências como alfabetizadora de adolescentes e adultos no Harlem, bairro pobre de Nova York.
A professora incentivava suas alunas a escreverem sobre sua vida em diários. Ela os lia, corrigia e comentava. Nesse processo, de tabela, conhecia a intimidade de suas alunas.
Baseada nessas biografias, a personagem que nasce na ficção é muito convincente.
No livro, o realismo ainda é reforçado pelo texto "escrito como se fala", com ritmo e gírias, e cheio de erros, exatamente como deviam ser os cadernos de suas jovens alunas.
"A gente podemos fazer o que quiser quando tá falando ou escrevendo, não é que nem viver, quando a gente só podemos fazer o que tá fazendo", diz um trecho do livro. Repare na mistura de pensamentos simples e sentimentos complexos que Preciosa expõe no seu diário.


Na escola, a esperança
Aprender a ler e a escrever, aliás, é o que permite à jovem esboçar sua autoestima, lidar com os traumas e assumir, progressivamente, controle de sua vida e da de seus filhos.
No filme, apesar de algumas mudanças sutis, a história segue o mesmo fio. Com o requinte da atuação de Mo'Nique, Oscar de atriz coadjuvante, e cenas fortes de sexo.
Mas o livro é ainda mais duro, tanto na revolta que causam os relatos de abuso, quanto na mensagem de esperança que a protagonista nos transmite.


O livro
Autora: Sapphire
Editora: Record
Preço: R$ 30 (192 págs.)


O filme
Direção: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique e Mariah Carey
Classificação: 16 anos


OUTRAS HISTÓRIAS


Sugestões de obras que tocam no assunto
FILMES 
 "A Sombra da Dúvida"
(Aline Issermann, 1993)


 "Dúvida"
(John Patrick Shanley, 2008)


 "Festa de Família"
(Thomas Vinterberg, 1998)


 "Zona de Conflito"
(Tim Roth, 1999)


 "Sobre Meninos e Lobos"
(Clint Eastwood, 2003)




LIVROS 


 "Lolita"
(Vladimir Nabokov, 1955)


 "Reparação"
(Ian McEwan, 2001)


 "Suave É a Noite"
(Scott Fitzgerald, 1934)


Textos da FOLHATEEN, caderno da Folha de São Paulo de 15/03/10
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Adultos aliciam crianças pela internet e marcam encontros

Para revelar essas táticas, e ensinar você a se proteger, produtores do Fantástico se passaram por menores.





Um assunto do maior interesse para os pais e os filhos: saiba como é que adultos conseguem aliciar crianças pela internet e marcar encontros, geralmente em lugares movimentados, onde ninguém desconfia.

Para revelar essas táticas, e ensinar você a se proteger, produtores do Fantástico se passaram por menores de idade.

Em uma sala de bate-papo na internet, uma menina conheceu uma pessoa que se apresentou como Josi, uma colega de escola. Em pouco tempo, a tal pessoa começou a enviar mensagens pornográficas. 




“Na ocasião, tinha 12 anos e era uma menina que não estava voltada para uma vida sexual e falar sobre esse tipo de coisa”, conta a mãe da menina, Fátima Freire. 


Acreditando ser de fato uma colega de escola, a menina tinha mandado fotos dela para o desconhecido e, quando tentou encerrar a conversa, o homem fez ameaças. “Ele começou a dizer para ela que ela ia se arrepender se não voltasse a entrar em contato com ele. Ela disse que não ia falar mais com ele e ele disse que ia desmoralizar ela na escola na frente dos amigos”, acrescentou Fátima. 
O homem distribuiu montagens obscenas com as fotos da menina entre os colegas de escola. “Eu percebi que ela estava diferente. Na escola, ela começou a ser menosprezada pelos amigos. Ela chegou em casa e me contou. E eu comecei a agir”, disse a mãe.
Fátima fez uma denúncia e a polícia montou uma armadilha para pegar o sujeito. A menina marcou um encontro em um supermercado, no Rio de Janeiro. “Ele pediu que ela fosse com os cabelos soltos, com vestido. Eu comuniquei aos policiais e eles foram diretamente para lá”, contou Fátima.

A menina foi ao supermercado, mas o desconhecido não estava lá e ela saiu. “Quando ele viu que ela estava saindo do supermercado, ele jogou o carro e falou o nome dela. E aí ela falou 'quem é você? E ele falou 'eu sou o amigo da Josi e eu estou com o seu material, com as suas imagens aqui para te entregar. Entra no carro’. Aí ela falou que não ia entrar e ele falou 'entra no carro agora'.

E ele puxou a arma. Ameaçou e ainda fez um gesto de segurar ela. Ela puxou e aí foi quando a polícia cercou o carro dele e ele não teve como sair. E na mala do carro dele foram apreendidos vários materiais de outras meninas, de encontros”, contou Fátima.

O pedófilo tinha 49 anos. É o terceiro-sargento da Marinha, Francisco Luis Dias, que está preso, condenado a oito anos de cadeia.

“Então, eu digo para as pessoas que estão passando por esse problema. Não tenham medo. Não tenham medo. Denuncie, porque é denunciando um pedófilo que fez isso com a sua filha que você vai evitar que ele faça com outras meninas”, defende Fátima.

Só no ano passado, em todo o Brasil, foram mais de 43 mil denúncias de pornografia infantil na internet. Para mostrar como adultos conseguem aliciar crianças em salas de bate-papo, um produtor e uma produtora do Fantástico se fizeram passar por menores de idade. Os dois foram orientados por um especialista em crimes de internet, Vanderson Castilho.

O primeiro que se apresenta é um tal de "professor César" querendo conversa com a suposta menina de 13 anos - a produtora do Fantástico. Na conversa, ele pergunta a idade da menina, que responde ter 13 anos. Ele pergunta se ela gosta de homens mais velhos, se ela está sozinha e pede que abra a câmera para vê-la melhor.

O especialista Vanderson Castilho explica porque eles fazem questão de abrir a webcam, a câmera: “Para ter certeza de que eles estão conversando com quem eles acham que estão conversando, nesse caso uma menina de 13 anos mesmo. E quando ele visualiza pela webcam que é a menina, a conversa começa a fluir, e aí ele vai partir para uma forma de aliciamento.

O homem pede para a menina mostrar o corpo, levantar a blusa. Outro homem surge na tela e diz que é piloto de avião e pergunta se a menina iria a um motel com ele, se tem vontade de fazer amor.

Depois, aparece um tal de Joel, de 48 anos, que pergunta se a menina é virgem e se gostaria de alguém mais maduro.

A produtora aceita marcar um encontro com Joel, em um shopping de São Paulo. E as câmeras do Fantástico acompanham tudo de longe. Veja em vídeo a conversa. Ele pede para ela dar uma volta com ele e diz que ela não precisa ficar com medo de ele seqüestrá-la.

Quando eles saem do shopping, o repórter Eduardo Faustini aborda o suposto Joel, perguntando se a moça é filha dele. Ele diz que é uma colega, que não costuma marcar encontro pela internet. Ele diz ainda que eles estavam tomando um sorvete e sai correndo.

Jonas se mostra bem prestativo. Ele é tão prestativo que ele quer ensinar um pouco de sexo para uma menina de 13 anos.

A produtora do Fantástico, que parece muito jovem e convence no papel de uma menina de 13 anos, também marcou encontro com Jonas, em um shopping em Curitiba. Ele diz que, normalmente, as mulheres gostam de homens mais velhos.

Procuradora da república “Esse exemplo que vocês gravaram é a típica ação do pedófilo na internet. Ele tenta aliciar o menor sempre com uma conversa dócil, tentando se passar por amigo, tentando também passar naturalidade daquela situação, do ato sexual que ele pretende praticar com o menor”, explica a procuradora da república Neide Cardoso de Oliveira.

O homem convence a produtora a sair do shopping. Ele diz que tem 29 anos, que não sabia que ela tinha 13 anos e que tinha acabado de encontrá-la no shopping. Mas o registro da conversa do Jonas na internet deixa claro que ele acredita estar diante de uma menina de 13 anos.

Ele diz que é estranho se relacionar com uma menina de 13 anos e que, agora que sabe que ela tem essa idade não quer mais. Ele conta ainda que não a conhecia ainda e que a relação com ela talvez seria de amizade. Mas, na sala de bate-papo, ele perguntou se ela já tinha mostrado partes íntimas para alguém.

Em mais uma conversa em sala de bate-papo, um homem de 53 anos pede para que a produtora do Fantástico ligue a câmera do computador e brinca com o ursinho de pelúcia que aparece ao fundo.

“É exatamente esse o perfil do pedófilo. Ele usa a linguagem da criança e do adolescente que ele pretende aliciar. Então, se a criança tem dez anos, ele vai saber qual é o filme da moda, qual o personagem do momento, o programa que a criança gosta de assistir,enfim, o que está na moda. Ele vai saber dialogar com a criança. Justamente porque muitas vezes ele quer se passar por criança também”, diz a promotora.

Os aliciadores da internet procuram meninas e também meninos. O produtor do Fantástico se apresenta como Tiago, 13 anos, e aceita um encontro com um advogado de 49 anos.

Os aliciadores preferem encontros em lugares movimentados, para não chamar a atenção e para tranquilizar suas vítimas. O homem fala muito, joga conversa, e, para seduzir, faz elogios. Mas ele é precavido. “Só duas pessoas podem ficar sabendo. Nem com teus amigos você pode falar isso”. E convida: “O único lugar que eu tenho que posso fazer isso e que é acima de qualquer suspeita é o meu escritório”, diz o advogado aliciador.

O intuito de todos é aliciar, encontrar e manter relações sexuais. O produtor do Fantástico finge aceitar o convite. Eles saem, mas não chegam a entrar no carro do advogado.

Durante esta reportagem, o Fantástico registrou imagens e diálogos tão obscenos que não puderam ser mostrados.

Estes homens não foram identificados porque, segundo a lei, eles não chegaram a cometer crime, uma vez que os produtores do Fantástico são maiores de idade. Mas eles serão investigados pelo Ministério Público.

A procuradora Neide de Oliveira, que integra o grupo de combate à pedofilia na internet, alerta: “A principal orientação que os pais devem passar para os seus filhos é não fazer amizade com estranhos na internet. A criança e o adolescente não vão ter o discernimento para distinguir se aquela outra pessoa é um adulto ou é uma outra pessoa da idade dela“, diz a promotora.

“Então, o correto é: criança e adolescente não pode fazer amizade com estranho pela internet. Eu não acho invasão de privacidade um pai querer saber o que o seu filho faz na internet. Eu acho uma obrigação. Porque o responsável pelo seu filho é o pai, então ele tem que saber o que está acontecendo. Se tem alguma garota que está assistindo e, aconteceu alguma coisa com uma outra amiga, não fica com medo, porque a sua mãe nunca vai querer seu mal, ela sempre vai querer seu bem. Sempre vai querer te ajudar”, conclui.

O aliciamento de menores de idade pela internet ou qualquer outro meio de comunicação é crime. A pena prevista vai de três a oito anos de prisão.

“A internet é um mundo maravilhoso, tanto ruim quanto bom, mas é um mundo maravilhoso porque você consegue fazer trabalhos de colégio, você conhece, pode fazer cursos pela internet, você pode ver sites interessantes de matérias, descobrir novas descobertas pelo mundo da internet ou não. Então, tem que saber usar”, diz uma vitima de pedofilia.


Do Fantástico no G1

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1529276-15605,00-FANTASTICO+DENUNCIA+CRIMES+DE+PEDOFILIA+NA+INTERNET.html

Juizes, aposentadoria compulsória: punição ou prêmio?

É castigo ser aposentado e continuar a receber em casa proventos pagos com recursos públicos depois de cometer crimes? 

AS RECENTES e pedagógicas decisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de afastar magistrados que deixaram de observar os mais elementares deveres funcionais e incorreram em práticas de corrupção e malversação de dinheiro demonstram a maturidade alcançada por esse importante órgão de controle externo. Ao mesmo tempo, nos levam a refletir acerca da aposentadoria compulsória concedida a magistrados e membros dos tribunais de contas envolvidos com essas situações. No mínimo, despertando certo grau de perplexidade.
Como está expresso no título deste artigo, é castigo ser aposentado e continuar a receber em casa proventos pagos com recursos públicos após cometer esses crimes? Ou terá sido uma bênção? Em busca de uma resposta digerível, não é à toa que o tema tenha se inserido no Parlamento, a partir de projeto de emenda constitucional apresentado pela senadora Ideli Salvatti (PEC 83/09) e que está prestes a ser analisado no Senado Federal.
Ao decidir dessa forma, o CNJ nada mais fez do que seguir a "penalidade" prevista no inciso VI do artigo 42 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional e lei complementar nº 35/79. Editada em um momento singular das instituições, a chamada Loman procurou preservar a independência e a autonomia dos integrantes do Poder Judiciário contra atos arbitrários do passado. A realidade hoje é outra.
O magistrado age com total liberdade e tem a seu favor o preceito constitucional que lhe confere o direito à vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos (artigo 95 da Constituição Federal), justamente os obstáculos à punição daqueles que incorrem em faltas graves no exercício de suas atividades.
Esses obstáculos se apoiam em dois pilares: 1) a vitaliciedade só pode ser afastada por sentença transitada em julgado; e 2) a previsão da aposentadoria compulsória, ou seja, direito à percepção dos subsídios integrais ou proporcionais (dependendo do tempo de serviço), autorizado pelo disposto no artigo 93, VIII, da Constituição, em conjunto com o contido no inciso VI, do artigo 42, da Loman.
De fato, a previsão em causa não encontra base racional lógica. É, antes, uma construção que foge ao razoável e agride o bom senso, configurando violação aos mais elementares preceitos de moralidade pública e administrativa que a Constituição de 1988 expressamente impõe. Sua derrisória e final mensagem é que brasileiros, sobretudo os que integram uma casta privilegiada, após banquetear-se em práticas criminosas, serão "punidos" com régia aposentadoria, mesmo que não preencham os requisitos legais para tanto.
Se o exemplo é bizarro, o que dizer daquele magistrado honesto que tenta, voluntariamente, se aposentar com proventos proporcionais ou integrais? Não, esse não pode. O benefício só alcança aquele que praticou ato ilícito a juízo do próprio tribunal ou do CNJ, depois de submetido ao amplo direito de defesa em processo legal administrativo disciplinar. Vá explicar...
Por outro lado, ao fazer uma comparação entre os magistrados e os demais agentes públicos, não se vislumbra idêntico tratamento ao presidente da República em caso de crime de responsabilidade (Poder Executivo) nem aos deputados e senadores em caso de processo político-parlamentar (não judicial, portanto), muito menos aos servidores em geral, que podem ser demitidos a bem do serviço público sem direito nenhum.
A "punição" também agride o próprio sistema contributivo de aposentadoria a que estão submetidos todos os servidores públicos, incluindo os magistrados e membros dos tribunais de contas. Nele estão previstas a aposentadoria por invalidez permanente, a aposentadoria compulsória (70 anos) e a aposentadoria voluntária, desde que cumpridos ao menos dez anos no serviço público e cinco anos no cargo efetivo de final de carreira.
Nunca, porém, a da aposentadoria compulsória com proventos proporcionais em decorrência de penalidade aplicada em processo administrativo-disciplinar. Como se vê, manter a aposentadoria compulsória nesses casos é afirmar, em alto e bom som, que nem todos são iguais perante a lei. É indigno, injusto, imoral. Agride a isonomia contida na norma constitucional.
Configura privilégio, descolado do conceito de cidadania. Reformado e revigorado nos últimos anos, é chegada a hora de o Judiciário brasileiro provar sua maturidade e enfrentar essa questão com coragem e determinação, nos fazendo crer que a velha e reconfortante máxima "a lei é para todos" ainda não nos abandonou. A sociedade agradece. 


Texto de OPHIR CAVALCANTE, 49, é presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Na Folha de São Paulo de 15/03/10

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres, um mundo misturado

Para cada ano a mais de instrução da mãe, a taxa de mortalidade infantil diminuiu nove mortes em cada mil nascimentos 

EMBARAÇADO PELAS minhas limitações, tentei compreender o sentido do Dia Internacional da Mulher. Lembrando as mulheres que conheço, concluí que elas seriam incapazes de criar uma data para sua autoexaltação sem contexto. Desviando o pensamento para os homens que conheço, suspeitei que eles pudessem ser os autores da obra, enfim, quem mais além delas lhes concede emoções tão incontidas? Rapidamente desisti. Acho que eles seriam incapazes de expressar gratidão.

Voltei a lembrar das mulheres que conheço e acho que compreendi. É delas mesmo que deve ter surgido a iniciativa, afinal, mais do que atuar como instrumento de perpetuação da espécie, acho que elas queriam ser lembradas pela sua participação, frequentemente desprezada, na construção de sociedades mais justas, dentro de um mundo confuso e misturado.
Não por acaso, a ONU estabeleceu em 2000 o Projeto do Milênio, em que foram definidas ações para, até 2015, reduzir pela metade a fome e a miséria no planeta. Planeta habitado por 800 milhões de pessoas que, vítimas da pobreza e da insensibilidade, vão dormir famintas ao final de cada dia e onde 29 mil crianças morrem diariamente atingidas por desnutrição ou doenças infecciosas já erradicadas nos países mais sérios. Tragédia que, apesar da exaltação oficial, não poupa o Brasil.
Designada a nona economia do mundo pelo seu PIB, nossa nação ostenta um aflitivo 75º lugar no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH. Parâmetro mais humano do que o PIB, já que agrega valores de saúde e de instrução de um povo. E reflete a brutal realidade que prevalece na nossa sociedade, povoada por 35 milhões de pobres e miseráveis e onde 1% dos mais ricos acumula a mesma renda que 50% de toda a população.
De forma emblemática, o projeto contemplou medidas de valorização e de proteção à mulher, por motivos fáceis de compreender. O ciclo de transmissão da fome e da miséria nas nações menos desenvolvidas só pode ser interrompido se os desprovidos tiverem acesso à educação, à saúde e ao trabalho. Nessas sociedades, as mulheres têm uma participação única e insubstituível. Elas são responsáveis por cerca de 70% do trabalho que sustenta as famílias e são provedoras quase exclusivas da assistência aos vulneráveis, crianças, doentes e idosos. Representam também, nas nações mais pobres, o principal elo, muitas vezes solitário, de agregação das famílias. Ademais, estudos da OMS e do Banco Mundial mostraram que, nos países pobres, a taxa de escolaridade dos filhos aumenta em quase 50% quando a mãe, ao contrário do pai, tem educação básica. Comprovaram ainda que, quando os proventos familiares são gerenciados pelo pai, e não pela mãe, as despesas com a alimentação dos filhos aumenta 15 vezes, devido ao desperdício e aos gastos inúteis. Além disso, para cada ano a mais de instrução da mãe, a taxa de mortalidade infantil diminuiu nove mortes em cada mil nascimentos.
Contrastando com a relevância do seu papel nas sociedades contemporâneas, as mulheres têm seus direitos restringidos ou ignorados na maioria delas. Por isso, combater as desigualdades de gênero é fundamental para produzir a prosperidade de uma nação e, principalmente, para respeitar a essência da condição humana. O que significa que é imprescindível que se conceda às mulheres os mesmo direitos desfrutados pelos homens no trabalho, na propriedade e na política, que se privilegie seu acesso à saúde e aos cuidados na maternidade, que se reduza sua vulnerabilidade à violência física, sexual e psicológica, que elas tenham a prerrogativa de comandar a sua vida sexual e reprodutora e, principalmente, que se conceda a elas o direito de controlar o próprio destino.
Termino dirigindo, neste dia, um olhar de reconhecimento a todas as mulheres. Mulheres que se confundem com a questão eterna da maternidade, com o manto de aconchego da condição humana e com a superação da miséria no mundo. E que têm sido afrontadas pela discriminação, pela injustiça, pela opressão e pela violência.
Como membro do outro gênero, aproveito também para pedir desculpas. E justifico socorrendo-me em Riobaldo, o jagunço-filósofo de Guimarães Rosa: "Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro lado o branco, que o feio fique apartado do bonito e a alegria longe da tristeza!
Quero todos os pastos demarcados...
Como é que posso com este mundo?
Este mundo é muito misturado".


Texto de 
MIGUEL SROUGI , 63, médico, pós-graduado em urologia pela Harvard Medical School (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP e presidente do conselho do Instituto Criança É Vida.
Na Folha de São Paulo de 08/03/08

domingo, 7 de março de 2010

A felicidade dura pouco, pois Smartphone deixa amigo carente e silencia papo de bar



Dois artigos da Folha me chamaram a atenção, os dois falam sobre o uso dos celulares desses que fazem coisas que até Deus duvida


No primeiro deles a Danuza Leão diz que: "com 
alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total"
Mas, ela acabou de ganhar um IPod, poode?!

O outro artigo é uma reportagem do  Vinícius Queiroz Galvão que entrevista o Tomás Toledo que diz:
"A sensação que tenho é que o Twitter e o Facebook são mais interessantes que eu".
E o André Neves, outro entrevistado, relata:  
"Nem o contador de piadas do grupo existe mais. Todo mundo agora tem um vídeo engraçado para mostrar no Youtube"

DANUZA LEÃO

A felicidade dura pouco


Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total 


HÁ MUITOS, muitos anos, havia uma musica de Zé Rodrix que nos emocionava. Os primeiros versos diziam "eu quero uma casa no campo, onde eu possa compor muitos rocks rurais"; e continuava dizendo coisas lindas, como "eu quero a esperança de óculos e um filho de cuca legal, eu quero plantar e colher com as mãos a pimenta e o sal". Era com isso que sonhávamos, mesmo sem saber, ou era o que gostaríamos de querer; belos tempos.
Os anos passaram, e os sonhos, no lugar de se ampliarem, encolheram.
O que é que se quer hoje em dia? Menos, acredite, pois querer um celular novo que faz coisas que até Deus duvida é querer pouco da vida. Meu maior sonho é bem modesto.
Nada me daria mais felicidade do que um celular que não fizesse nada, além de receber e fazer ligações. Os gênios dessa indústria ainda não perceberam que existe um imenso nicho a ser explorado: o das pessoas que, apesar de conseguirem sobreviver no mundo da tecnologia, têm uma alma simples.
As duas mais dramáticas novidades trazidas pelos celular foram as odiosas maquininhas fotográficas e a impossibilidade de uma conversa a dois. Quando duas pessoas saem para jantar, é inevitável: um deles põe o celular -às vezes dois- em cima da mesa. O outro só tem uma solução: engolir, mesmo sem água, um tranquilizante tarja preta.
No meio de uma conversa palpitante, o telefone toca, e a pessoa faz um gesto de "é só um minuto". Não é, claro. Vira um grande bate-papo, e não existe solidão maior do que estar ao lado de alguém que te larga -abandona, a bem dizer- para conversar com outra pessoa. No meio de um deserto, inteiramente sós, estamos acompanhados por nossos pensamentos. Com alguém ao lado falando num celular, lendo os e-mails ou checando as mensagens, não se pode nem ao menos pensar. É a solidão total, pois nem se está só nem se está acompanhado. Tão trágico quanto, é estar falando com alguém que tem um telefone com duas linhas; no meio do maior papo, ele diz "aguenta aí que vou atender a outra linha" e frequentemente volta e diz "te ligo já" -e aí você não pode usar seu próprio telefone, já que ele vai ligar já (e às vezes não liga). Não dá.
Raros são os que atendem e dizem "estou com uma amiga, depois te ligo" -nem precisavam atender, já que o número de quem chama aparece no visor, e as pessoas têm todos eles de cor na cabeça, como eu não sei.
Eu juro que tentei, já troquei de celular três vezes, mas desisti. Recebia contas que não entendia, entrei, de idiota, num "plano", e quase enlouqueci quando quis sair. Hoje tenho um que praticamente não uso, mas é pré-pago, e só umas quatro pessoas conhecem; ponho 20 reais de crédito, se não usar não vou à falência, mas pelo menos não recebo aquelas contas falando de torpedos e SMS, coisas que prefiro nem saber que existem. Ah, e meus telefones fixos são com fio.
Do carro já me livrei: há cinco anos não procuro vaga, não faço vistoria, não pago IPVA, nem seguro, e sou louca por um táxi. Até ontem me considerava uma mulher feliz, mas sempre soube que a felicidade dura pouco: hoje ganhei um iPod. Uma quase tragédia, eu diria.


Smartphone deixa amigo carente e silencia papo de bar

Celulares com acesso à internet criam dependência de usuários, que ficam conectados a redes sociais e checam e-mail a todo instante

Contador diz que telefone 3G acabou até com as apostas; quando alguém tem dúvida, é só fazer uma busca e calar a boca dos outros, afirma


VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
Incomodado com os amigos que não largam o iPhone, Tomás Toledo, 23, responsável pelas atividades culturais da Escola São Paulo, é do contra.
Ele não tem um smartphone e diz que o vício nos celulares 3G cria um vácuo na mesa durante os jantares nos restaurantes e os encontros nos bares, com atenções divididas entre quem está presente e o virtual. Quando os amigos estão juntos -e muitas vezes sem se dar conta- todos começam a fuçar nos seus aparelhos e fica cada um na sua, como se não houvesse ninguém ao redor. "Anulam os dois momentos.
São duas "meia pessoa", ninguém fica inteiro na conversa. A sensação que tenho é que o Twitter e o Facebook são mais interessantes que eu", diz.
Num efeito colateral, a internet dos iPhones acabou com as discussões de mesa de bar. Não lembra o nome daquela atriz que fez aquele papel naquela novela? Dá um Google nela. As incertezas não duram mais de alguns segundos.
"Não tem mais polêmica nem apostas. Quando um amigo duvida, alguém do grupo entra na internet, faz uma busca e cala a boca dos outros", afirma o contador Guilherme Araújo.
"Nem o contador de piadas do grupo existe mais. Todo mundo agora tem um vídeo engraçado para mostrar no Youtube", diz o ator André Neves.
Muito além da compulsão pela internet, os smartphones já causam dependência e problemas de relacionamento. Um dos primeiros a ter celular em São Paulo, na década de 1990, o gerente comercial Alexandre Fausto Lopes, 40, teve de fazer acordos com a mulher, Patrícia: depois das 21h, o aparelho passa a noite no vibrador.
Não só pelas insistentes ligações de trabalho, mas pela compulsão do marido em responder e-mails, mensagens e acessar a internet pelo telefone 3G. A dependência de Lopes -e de tantos outros usuários dessa tecnologia- é tamanha que ele não se desgruda um instante do smartphone. Vai com ele até ao vaso sanitário -o que substituiu o antigo hábito de ler jornal no banheiro.
"Fico viciado em responder rapidamente tudo que me é pedido. Já criei um grau de dependência tão grande que não consigo viver sem esses aplicativos. Não sei se é uma mania, mas vivo assim", afirma Lopes.
"Tivemos alguns atritos até nos policiarmos", diz a pedagoga Patrícia, 38, sua mulher. "O contato social entre os amigos diminuiu. A internet virou um espaço de convivência, as pessoas ficam aprisionadas e as intimidades tornaram-se públicas", diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependência de Internet do Instituto de Psiquiatria da USP. Num jantar com sete amigos, viu cinco deles responder e-mails no iPhone.
"A tecnologia é uma coisa boa, não dá para ser contra o progresso. O problema é o descontrole", afirma Hermano Tavares, especialista em compulsão on-line da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Para o consultor de etiqueta Fábio Arruda, o vício nos aplicativos do iPhone passa pela falta de educação e equivale a tirar um jogo de palavras cruzadas da bolsa e negligenciar atenção a quem está no grupo.
"Com esse avanço, a possibilidade dos e-mails deixa as pessoas ainda mais ansiosas e escravizadas. É uma rompimento das relações numa proporção que ninguém se dá conta", diz. 

NA INTERNET Instituto de Psiquiatria da USP
www.dependenciadeinternet.com.br

Da Folha de São Paulo de 07/03/2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Serra joga parado, mas quer preferência

O PSDB quer o pós-Lula, mas como não o explica, pode estar criando o pré-Dilma

JOSÉ SERRA e o PSDB precisam se lembrar das palavras do técnico de futebol Gentil Cardoso: "Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência". O governador de São Paulo e o tucanato não se deslocam e não pedem, mas querem a preferência da patuleia. O resultado está aí: seis meses antes do início do horário gratuito de televisão, Dilma Rousseff, o poste de Lula, encostou no grão-tucano.
O PSDB está preso numa armadilha que construiu com nervos de aço e cérebros de Bombril. Tem um candidato que não diz que é candidato, mas também não se animou a disputar prévias contra Aécio Neves que, por sua vez, também não insistiu muito no assunto.
Habitualmente, os candidatos negam suas pretensões para esconder o jogo. Esse não parece ser o caso de Serra. É provável que ele esteja em dúvida e o precedente histórico leva água para essa hipótese. Em 2006, ficou a impressão de que ele se afastou da disputa porque a candidatura de Geraldo Alckmin dividia o partido, mas o principal motivo de seu recuo foi o medo de trocar uma provável eleição para o governo de São Paulo por uma segunda derrota na disputa pelo Planalto.
Em dezembro de 2008, Serra tinha entre 41% e 47% das preferências no Datafolha e Dilma, no máximo, 11%. Contrariando as melhores expectativas do tucanato, a candidata de Nosso Guia chegou a 28% e Serra caiu para 32%. A ascensão do poste deve-se exclusivamente ao patrocínio de Lula e ao julgamento favorável que a opinião pública faz de seu governo. Quem acha que essa afirmação é exagerada pode enumerar três ideias próprias da candidata. Conseguindo, ganha uma viagem a Cuba. Durante a campanha, seus adversários enumerarão as leviandades e malfeitorias encontradas nos projetos do trem-bala (antes de ser entregue ao BNDES) e da banda larga para a internet, mas essa discussão mal começou.
A pergunta de R$ 1 milhão continua no ar: admitindo-se que Serra queira ser presidente, o que é que ele pretende fazer? Ou ainda, o que é que o tucanato tem a oferecer? Alguém lembra o que Alckmin propunha? Detestar Nosso Guia ou ter horror ao PT e aos seus mensaleiros pode ser um desabafo, mas não é uma solução. Se o PSDB acha que pode disputar uma eleição presidencial denunciando o contubérnio nuclear de Lula com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, problema dele. Como ensinava Ulysses Guimarães: "O Itamaraty só dá (ou tira) voto no Burundi".
A voz mais articulada e insistente do oposicionismo tucano é a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sua corte reúne sábios de agenda vencida, como os marqueses do Império que se reuniam em Paris para falar mal do marechal Floriano Peixoto.
Sete anos depois de ter saído do Planalto, falta ao PSDB uma crítica propositiva do mandarinato petista. Agenda negativa, o tucanato teve, mas enferrujou. O mensalão rendeu, até o momento em que arranhou as contas da campanha do senador Eduardo Azeredo, que à época presidia o partido. Passaram-se cinco anos e o encosto reapareceu na administração de seu aliado José Roberto Arruda. Aécio Neves chegou a criar a expressão "pós-Lula", mas ninguém sabe o que isso significa em termos de salários, saúde, segurança e educação. Desse jeito, quando o PSDB acordar, descobrirá que criou o pré-Dilma.



De ELIO GASPARI na Folha de São Paulo de 03/03/10

7 pecados da alimentação



Conheça os sete erros mais comuns que prejudicam a saúde na mesa, e que vão muito além da gula


por Lúcia Nascimento / Shutterstock


Aguente a tentação! Nada de "assaltar" a geladeira à noite
Responda rápido: você costuma dar uma deslizadinha quando o assunto é sua alimentação? Mesmo quem se considera saudável pode se surpreender ao descobrir que nem sempre um prato recheado de folhas, legumes e grãos é o suficiente para manter o corpo em dia. Duvida?
Conte então quantas vezes, nas últimas semanas, você engoliu seu sanduíche natural em pé, sozinho ou correndo contra o relógio. Ou, quantas vezes comeu aquele restinho de salada no almoço, prestando mais atenção na TV do que na própria comida. Pois é, são muitos os pecados que se pode cometer contra a saúde. Por isso, confira os mais graves - e fuja deles!
1. Deixar de comer
"Algumas pessoas acreditam que, para perder peso, o ideal é fechar a boca. Nada mais errado", diz a nutricionista Adriana Murara, e professora de pósgraduação da Facinter e da Fatec Internacional. Ela explica que o organismo precisa de energia permanente para exercer suas funções. "Sempre que ela estiver insuficiente, o corpo lançará mão de reservas. No entanto, longos períodos sem alimento criam um mecanismo de 'economia', ou seja, com medo de desperdiçar a energia armazenada, o organismo começa a poupar."
Já deu para perceber que é fria, certo? Saiba que aquele regiminho de alguns dias que vai e volta com frequência acaba diminuindo o ritmo metabólico. Assim, quando se deixa de comer, torna o corpo mais lento e a perda de peso desacelera. "É por isso que as dietas funcionam bem no início: quando o corpo queima suas reservas, queima gordura. No entanto, ao ficar econômico, diminui o ritmo da perda e o desânimo será evidente", afirma Adriana. "Sem dúvida, um dos maiores pecados."
2. Exceder a cota à noite
Já diz o ditado: o desjejum deve ser como o de um rei, e o jantar, como o de um mendigo. "Os excessos à noite são os piores para a manutenção da saúde. Ao longo do dia, a energia proveniente dos alimentos que ingerimos é utilizada para manutenção das funções corporais. À noite, no entanto, a energia será mais facilmente convertida em reserva energética, ou seja, gordura", alerta Adriana.
Os alimentos menos recomendados para essa hora do dia - ou da noite - são as frituras. "Ao fritar os alimentos, aumenta-se muito seu percentual de gorduras saturadas, responsáveis pela elevação do colesterol no sangue. Além disso, as frituras são mais calóricas e aumentam o risco de obesidade", afirma Daniel Lages Dias, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo - Regional Campinas.
3. Acabar com os carboidratos
Quando se fala nessa substância, a palavra açúcar é a primeira que vem à sua cabeça? Então, cuidado: você está pecando sem saber. "Os carboidratos tem duas classificações. Na primeira se encaixam o açúcar branco, as frutas e o açúcar do leite, enquanto os farináceos e cereais ficam na segunda classificação", afirma Adriana. Cada um desses tipos age de maneira completamente diferente no organismo.
"Eles se diferem pelo que chamamos de índice glicêmico, que é o efeito do açúcar no sangue. Quanto mais alto for o índice glicêmico, mais o alimento contribui para o ganho de gordura. O raciocínio é simples: se a glicemia aumenta, muita insulina é liberada para metabolizar esse açúcar. Como a insulina é um armazenador de gordura, o resultado é evidente: o estoque dela aumenta", explica.
Não é difícil imaginar quais são os carboidratos que mais elevam esse índice. "Nosso corpo não tem necessidade de ingerir o açúcar refinado. Devemos evitar seu consumo frequente, não passando de duas a três vezes por semana", orienta Lara Natacci, nutricionista especializada pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp-EPM).
4. Desprezar o desjejum
Essa é a refeição mais importante do dia! E nada de dizer que isso é clichê, porque a informação é a mais pura verdade. Poucos pecados são tão imperdoáveis quanto ignorar o desjejum. Ele, além de recuperar o equilíbrio orgânico depois do repouso noturno, prepara o organismo para mais um dia de ação. "Em se tratando de café-da-manhã, não há margem para opção: cinco minutos mais cedo fora da cama podem provocar milagres na sua disposição", diz Adriana.
De acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é fazer seis refeições equilibradas durante o dia e a primeira delas, claro, é o famoso café-da-manhã. Apesar do nome sugestivo, um cafezinho preto não é o suficiente. Inclua também frutas, cereais e um copo de leite ou frios.


5. Não comer fibras
Elas estão nos grãos, nas frutas e nos vegetais em geral, mas muitas vezes ficam de fora do prato. Está vendo só como se peca mais do que se imagina? Infelizmente contra a saúde, porque são elas que "modulam o trânsito intestinal, diminuem a absorção de açúcares e gorduras, geram nutrientes que mantém a flora intestinal saudável", pondera Adriana. Além disso, os alimentos fontes de fibra ainda são ricos em vitaminas, minerais e água, nutrientes indispensáveis ao equilíbrio orgânico.
6. Exagerar no sódio
"Existe relação direta entre o consumo de sal, fonte de sódio, e o desenvolvimento de hipertensão arterial, doença que atinge 20% dos brasileiros", alerta Daniel. Esse mineral é extremamente necessário para o corpo, mas não em exagero. Como as maiores fontes de sal são alimentos industrializados, embutidos, conservas, lanches, etc., é muito fácil ultrapassar o limite da sua ingestão diária recomendada.
Dentro do corpo, ele ainda provoca a retenção de líquidos, o que pode ser bastante ruim para quem está com os quilinhos sob alerta. Mas não decida cortá-lo completamente da alimentação, pois esse também não é o caminho. Apenas evite alimentos industrializados e prepare seus pratos em casa!
7. Abusar de bebidas alcoólicas e de café
"Bebidas alcoólicas sobrecarregam o fígado e ainda podem causar danos circulatórios, quando consumidas em grande quantidade", alerta Lara. Todo mundo sabe que, se álcool fizesse bem, não deixaria aquele remorso chamado 'ressaca' para atormentar no dia seguinte, não é? Imagine quanta energia e saúde o corpo jogou fora tentando digerir os copos de cerveja e de vinho do dia anterior.
Com a cafeína, é a mesma coisa: "em grande quantidade [mais de cinco xícaras de café por dia] pode causar insônia e agitação", diz. Além de tomar com moderação, evite perto da hora de se deitar. Dessa maneira, você garante um sono tranquilo.

Fonte: Revista Vida Natural
http://revistavidanatural.uol.com.br/saude-alimentos/23/artigo129073-1.asp