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domingo, 24 de outubro de 2010

Lei Maria da Penha não saiu do papel

A falta da implementação da Lei Maria da Penha contribui para a continuidade da violência contra a mulher

O poder público ainda não desenvolveu políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão

A contribuição história da indignação da sociedade ao reagir contra alguns crimes que ficaram famosos

O caso Aracelli

O Caso Ângela Diniz e Doca Street

O caso Daniela Perez

Maria da Penha Maia Fernandes

A impunidade de Pimenta Neves

Eloá e Lindenberg

O caso da médica paulista Glaucianne Hara

Caso Eliza Samudio


De 1975 a 2006
O ano de 1975 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher para chamar a atenção dos governantes para os graves crimes cometidos contra a mulher em todos os países de todos os continentes. A partir de então a ONU realiza várias ações para que todas as formas de violência contra a mulher sejam erradicadas.
O Brasil como signatário da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher precisava de uma lei que contemplasse a norma constitucional contida no parágrafo 8º do artigo 226.
Em 07 de agosto de 2006 foi promulgada a lei 11.340, a lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
A lei 11.340 tipifica as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher e inova ao criar as medidas protetivas para preservar a integridade física da ofendida.
A elaboração da lei e sua promulgação foi o coroamento de uma grande mobilização nacional contra esta forma de crime, que até aquela data era considerado apenas como mais uma forma de relacionamento do casal, ou como se dizia: “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”

A violência de gênero
A violência de gênero é um problema mundial e antigo, AGREDIR, matar, estuprar uma mulher ou uma menina são fatos que têm acontecido ao longo da história em praticamente todos os países ditos civilizados e dotados dos mais diferentes regimes econômicos e políticos. (1)
Portanto, nós brasileiros, que amamos nossas mulheres, nossas esposas, companheiras, filhas, mães, não precisamos nos envergonhar de sermos brasileiros, precisamos, sim, trabalhar para que o Brasil saia da lista dos países com altos índices de violência geral e em particular contra as mulheres.

Na China as mulheres são mortas ainda no ventre da mãe, pois o programa de controle da natalidade que só permite um filho por casal, aliado ao machismo reinante, provoca aborto dos fetos femininos e se por acaso nascem, as meninas são abandonadas e acabam morrendo de fome e falta de cuidados.

A violência contra a mulher é política de estado nos países de religião islâmica, pois interpretações arcaicas da lei de Maomé determinam punições por apedrejamento até a morte, como punição por atos que em outros países não é crime. 
Em boa parte do continente africano e quase todos os países de religião islâmica ainda se pratica a extirpação do clitóris, que é uma violência absurda praticada contra as meninas.
Eu fico muito preocupado, pois até mesmo meninas, filhas de pais trogloditas, nascidas aqui no Ocidente são submetidas à extirpação do clitóris, apesar da mutilação ser crime na maioria dos países de cultura ocidental, eles burlam a lei viajando paras seus países de origem e lá cometem o crime; isto pode acontecer até mesmo com meninas brasileiras filhas destes monstros.

Aqui no Brasil a violência contra a mulher faz parte de nossa cultura machista, que herdamos dos tempos coloniais.
O colonizador era um homem branco, português, que se servia das mulheres escravas, índias e negras, para aplacar seu apetite sexual e também para a necessidade de gerar mais braços para o trabalho, ou seja, as mulheres eram barrigas para a multiplicação da prole. As escravas não tinham nenhum direito e qualquer rebeldia era punida no pelourinho, com chibatadas e até mesmo com a morte.  As mulheres brancas ou quase brancas eram pouquíssimas e viviam sobre a lei do seu amo e não passavam de barrigas de procriação.
O que nos salvou como civilização, é que nem todos os homens tratavam assim suas mulheres brancas e nem suas escravas e é destes homens brancos de bom coração, que nasceu nossa atual civilização, onde os homens gostam de cuidar de suas mulheres, que tratam com carinho e respeito suas esposas, filhas, irmãs e mães. Sobre os homens de bom coração posso contar uma história que aconteceu em minha família. No início do século passado, por volta de 1920, na Tradicional Família Mineira não havia namoro, como acontece nos dias atuais, o rapaz conhecia a moça frequentando a igreja e assistindo as missas dominicais, ou nas festas religiosas; nesta época um rapaz, um bom rapaz, eu o conheci meio século depois, se encantou por minha tia de 16 anos de idade e foi pedir a mão dela em casamento, então meu avô respondeu que ela com 16 anos, estava muito nova para casar. O rapaz procurou outra moça para casar e minha tia se casou alguns anos mais tarde com outro rapaz. O moral da história é que naquele tempo, em que era costume casar a filha o mais rápido possível para se livrar da “cangalha”, existiam homens iguais a meu avô: humano e protetor de sua filha.  
O resquício de violência herdado de nossos ancestrais perdura até hoje e nós os homens de bem precisamos trabalhar para que os homens maus sejam contidos antes de agredirem nossas mulheres e aqueles que agredirem se tornem exemplos de punição para inibir futuros agressores; o que não é fácil pela frouxidão de nossas leis, a pouca eficiência da polícia e a má vontade da justiça.  

Crimes famosos e a contribuição histórica da indignação da sociedade
Vou relembrar alguns crimes com grande repercussão na mídia e que indignaram a nação brasileira, também vou descrever qual foi a contribuição histórica que a grande divulgação destes crimes proporcionou para melhoria de nosso sistema policial e judicial.

O caso Aracelli
Aracelli Cabrera Sanches, oito anos, foi seqüestrada no dia 18 de maio de 1973 e seu corpo encontrado somente seis dias depois. Aracelli era a segunda filha de Gabriel Sanches Crespo e da boliviana radicada no Brasil, Lola. Viviam em uma casa modesta na cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo. A ausência de Aracelli foi notada pelo pai, quando a menina não voltou para casa depois da escola no dia 18 de maio de 1973. Imediatamente o pai começou a procurá-la pela cidade e logo em seguida procurou a polícia.
O corpo da menina Aracelli foi encontrado seis dias depois atrás do Hospital Infantil de Vitória. Tinha os mamilos e a vagina lacerados a dentadas. Depois de ter sido estuprada, jogaram ácido sobre ela. O corpo estava corroído e desfigurado.
Os suspeitos do crime eram empresários ligados a duas famílias ricas do Espírito Santo; apesar de serem conhecidos na cidade como usuários de drogas e por violentar meninas menores de idade e de existirem testemunhas contra eles, jamais foram sentenciados pela morte da Aracelli. Também foi arrolada no caso a mãe de Aracelli apontada como traficante que usava a própria filha como "mula" (gíria conhecida para pessoa que entrega drogas) para entrega de drogas aos drogados daquela época.
Este caso foi retratado no livro "Aracelli, Meu Amor", por José Louzeiro. (2)

Contribuição histórica
A indignação e revolta com este crime motivou várias campanhas de esclarecimento e de combate à violência sexual e chegou ao Congresso Nacional que aprovou a Lei 9.970 consagrando o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

O Caso Ângela Diniz e Doca Street
 Por ciúmes, Doca Street matou com quatro tiros a chamada "Pantera de Minas" - Ângela Diniz, uma mulher da alta sociedade, numa casa de praia, em Búzios, às seis da tarde do dia 30 de dezembro de 1976.
Em primeiro julgamento, que teve repercussão nacional dada à grande cobertura da TV Globo, foi inocentado sob o argumento da "defesa da honra", pois teria sido traído. A reação popular resultou em cancelamento desse julgamento e numa segunda ocasião, foi condenado por homicídio a 15 anos prisão, Doca Street cumpriu um terço da pena em penitenciárias no Rio de Janeiro. Depois, ganhou liberdade condicional e desde 1997, não deve nada à Justiça.

Contribuição histórica
O crime deixou de ser um caso policial: virou símbolo da luta pelo fim da violência contra as mulheres. Uma palavra de ordem correu o país: quem ama não mata!
A partir deste caso ficou muito mais difícil para os advogados defenderem os matadores de mulheres alegando ciúme. (2)

O caso Daniela Perez
Daniela tinha 22 anos quando foi assassinada pelo seu colega de trabalho Guilherme de Pádua, ex-ator e pela mulher dele, Paula Nogueira Thomaz, que a emboscaram e mataram com 18 golpes de punhal.
A atriz Daniela Perez era filha da autora de telenovelas Glória Perez.
Causou muita indignação à população brasileira o fato do casal de assassinos, poucas horas depois de atirar o corpo de Daniela num matagal, ter ido abraçar e prestar solidariedade à família dela, chegando à delegacia no próprio carro onde começaram a apunhalar Daniela.
Julgados e condenados por homicídio duplamente qualificado, com motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, os dois cumpriram apenas seis dos 19 anos a que foram condenados.

Contribuição histórica
A indignação popular que se seguiu a esse episódio resultou na alteração da legislação penal, graças aos esforços da mãe de Daniela, Glória Perez, que encabeçou uma campanha de assinaturas e conseguiu fazer passar a primeira iniciativa popular de projeto de lei a se tornar lei efetiva na história do Brasil.
Ainda que a mudança da lei não tenha atingido os assassinos de Daniela, a partir daí o homicídio qualificado passou a ser punido com mais rigor. (2)

Maria da Penha Maia Fernandes

Em 1983 o ex-marido de Maria da Penha, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica.

Contribuição histórica
Não conseguindo apoio no Brasil para que seu agressor fosse punido, Maria da Penha apelou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e o crime foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica.
Em 07 de agosto de 2006 foi sancionada a lei 11.340, a lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A impunidade de Pimenta Neves
Antônio Marcos Pimenta Neves, (Uberlândia, 1937) ex-jornalista, ex-analista da área de Economia e Finanças e ex-diretor de redação do jornal O Estado de São Paulo, ganhou ampla notoriedade policial em 2.000 por ter matado a namorada (e também jornalista) Sandra Gomide em um haras de propriedade de João Gomide, pai da vítima, em Ibiúna, interior de São Paulo.
Segundo João Gomide, pai da vítima, Sandra e Pimenta Neves namoraram às escondidas por cerca de dois anos. Quando João descobriu o relacionamento da filha, consentiu no namoro, embora o jornalista tivesse idade para ser pai dela. Ao fim de quase quatro anos de namoro, Sandra encerrou o relacionamento. Pimenta Neves a teria agredido brutalmente, conforme queixa registrada pela vítima. A agressão foi constatada pelo IML local. Poucos dias depois, o agressor teria pedido perdão. João Gomide diz que pedia sempre a Pimenta Neves para deixar sua filha em paz.
Na véspera do crime, 19 de agosto de 2000, o jornalista apareceu na chácara da família Gomide para almoçar. "Ele dissimulava muito bem", segundo palavras do próprio João Gomide. Mas, ele parecia já ter tudo planejado. No dia seguinte, 20 de agosto, o jornalista voltou ao haras da família de Sandra para tentar a reconciliação, que ela recusou. Pimenta Neves, então, respondeu sacando do bolso da calça uma arma, com a qual atingiu dois tiros em Sandra, sendo um pelas costas e outro no ouvido (este último possivelmente para tentar levantar hipótese de falso suicídio).
Ele ficou preso durante sete meses até 2001, quando conseguiu liberdade provisória para aguardar o julgamento, foi julgado e teve o direito de permanecer em liberdade para recorrer da sentença. (2)

Contribuição histórica
Este caso é a UMA VERGONHA NACIONAL, pois demonstra toda parcialidade de nossa justiça, bons advogados conseguem prorrogar a execução da pena, até que o condenado morra de velhice aos 200 anos de idade.
Quando a razão se fizer presente este caso passará para a histórica jurídica como algo a ser evitado, ou como a justiça foi achincalhada.

 Eloá e Lindenberg
O sequestro de Eloá Pimentel foi um triste espetáculo midiático em que tudo deu errado.
Em 13 de outubro de 2008, Lindenberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do sequestrador, Eloá e sua amiga Nayara Silva.
No dia 14, o advogado do sequestrador passou a acompanhar as negociações do cliente com o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais). Às 22h50min desse dia, Nayara Rodrigues, 15 anos, amiga de Eloá, foi libertada, mas no dia 15 a policia paulista permitiu que ela retornasse ao cativeiro para “supostamente” continuar as negociações.
Após mais de 100 horas de cárcere privado, policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta, alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns. A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Centro Hospitalar de Santo André onde morreu.
O sequestrador, sem ferimentos, foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade. Posteriormente foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na cidade de São Paulo.

Contribuição histórica
O caso Eloá fez a polícia paulista rever seu método de ação em casos semelhantes.
Entre inúmeros outros erros o mais grave deles foi permitir o retorno da amiga de Eloá ao cativeiro, contrariando todas as normas de segurança de vítimas.
Casos posteriores foram tratados com mais energia, pois cabe à polícia proteger a vítima, mesmo que tenha que sacrificar o agressor.

O caso da médica paulista Glaucianne Hara
"Taty, eu amo o Rodrigo, sei que ele me bate porque tenho alguma culpa nisso tudo”.
 Esse é um trecho do e-mail enviado pela médica paulista Glaucianne Hara, dias antes de sua morte. Ela conversava com sua psicanalista e amiga, Tatiane Mendes, sobre o relacionamento que mantinha com o marceneiro gaúcho Rodrigo Fraga da Silva, assassino confesso da parceira.
A médica paulista Glaucianne Hara foi morta dia 5 de junho a facadas em frente ao hotel Bauer, na cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande Sul. O marceneiro Rodrigo Fraga da Silva se apresentou à polícia e assumiu a autoria do crime. Ele é casado e mantinha com a vítima um relacionamento conturbado havia três anos.
A frase do início do texto resume a história recorrente de mulheres que se envolvem em relacionamentos suicidas, vivem dias de terror e até têm a vida interrompida por tal decisão. A mídia tem relatado também os casos da advogada Mércia Nakashima e da modelo Eliza Samudio e a pergunta que fica no ar é: há como prever um ato de tamanha violência por comportamentos ou atitudes do companheiro?
"Estou te ligando para dizer que dessa vez acabou, acabo de sair de um coma... Ele me chutou e me bateu tanto que fiquei em coma e perdi os movimentos de uma perna. Quero me dedicar aos meus filhos pequenos, agora basta", diz Glaucianne à amiga. E duas semanas depois, o discurso muda: "A verdade é que não consigo, vou atrás dele de novo, ele deve ter tido motivos para fazer o que fez..."(3)

Contribuição histórica
Este caso nos fez refletir sobre a existência das mulheres mariposas, mulheres que continuam amando mesmo depois de agredidas. Mulheres independentes financeiramente, mulheres com instrução de nível superior, mas que não conseguem ficar longe do algoz.
Tal como a mariposa que se apaixona pelo fogo e morre queimada, a médica voou de encontro ao seu grande amor, mas só encontrou a morte.

Caso Eliza Samudio
O misterioso desaparecimento de Eliza Silva Samudio.
Em 26 de junho de 2010 soubemos do misterioso desaparecimento de Eliza Silva Samudio, de 25 anos, e de seu filho Bruno, de apenas quatro meses, que começou a mobilizar as divisões de Homicídios de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Policiais procuram a moça que, no ano passado, acusou o goleiro Bruno, do Flamengo, de tê-la agredido e forçado que tomasse remédios abortivos para que perdesse o bebê durante a gravidez.
O bebê foi localizado e entregue à avó materna e até hoje, dia 10 de agosto, o corpo da modelo ainda não foi localizado.
A polícia acredita que ela tenha sido assassinada e seus restos mortais tenham sido jogados aos cães, mas não consegue explicar o que houve com os ossos. A população tem certeza que ela foi morta com requintes de perversidade.
Em entrevista na revista Istoé Sobre a promotora de Justiça Luiza Nagib Eluf afirma:
A lei permite que se prenda o sujeito que ameaça a vida da mulher. Mas os juízes não mandam prender. A Eliza filmou depoimento na frente da delegacia dizendo que deu queixa, precisava de proteção e não conseguiu.

Contribuição histórica
A procura por parceiros famosos pode resultar em tragédia como esta que aconteceu com a Eliza, a fama não significa atestado de boa conduta, ao contrário pode até exacerbar o espírito violento do indivíduo. 

Considerações sobre a lei Maria da Penha
A falta de implementação da lei 11.340 contribui para a continuidade da violência contra a mulher.

O artigo 1º proclama que a lei 11.340 cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher e dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

O artigo 2º prescreve que toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Já o artigo 3º ainda não foi cumprido, pois o governo não assegurou às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

Quanto ao § 1º, o poder público ainda não desenvolveu políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

O artigo 5º é descumprido rotineiramente, pois determina que para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
Em sua decisão, a juíza titular Ana Paula Delduque Migueis Laviola de Freitas diz que Eliza Samudio, por não manter qualquer tipo de relação afetiva, familiar ou doméstica com o jogador, não podia se beneficiar das medidas protetivas, nem "tentar punir o agressor", no caso Bruno, "sob pena de banalizar a finalidade da Lei Maria da Penha". (3)

O art. 7º deve ser desconhecido pela maioria dos funcionários das delegacias, pois se negam a fazer boletim de ocorrência, quando não existem marcas visíveis de agressão, então vamos relembrar.
 São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; 
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.


As determinações do artigo 8, que são fundamentais para a erradicação da violência ainda não foram implantadas.
 Vamos conferir?
VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e de raça ou etnia;
VIII - a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito à dignidade da pessoa humana com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia;
IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, para os conteúdos relativos aos direitos humanos, à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher.

O artigo 18º determina que as medidas protetivas de urgência devam ser decididas, pelo juiz, no prazo de 48 horas; mas apenas depois de recebido o pedido da ofendida, porém este pedido demora a chegar à mesa do juiz.

Capitulo V
O não cumprimento do capítulo V que fala DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR explica porque a violência continua vitimando uma mulher a cada quinze segundos e matando dez mulheres por dia.  
Art. 29. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que vierem a ser criados poderão contar com uma equipe de atendimento multidisciplinar, a ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde.

Art. 30. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar, entre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito ao juiz, ao Ministério Público e à Defensoria Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, e desenvolver trabalhos de orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas, voltados para a ofendida, o agressor e os familiares, com especial atenção às crianças e aos adolescentes.
Em todo o estado de São Paulo existe apenas um juizado como o descrito acima, em boa parte dos estados só tem um juizado como o descrito acima e o restante dos estados ainda não tem.

Art. 31. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada, o juiz poderá determinar a manifestação de profissional especializado, mediante a indicação da equipe de atendimento multidisciplinar.
Art. 32. O Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, poderá prever recursos para a criação e manutenção da equipe de atendimento multidisciplinar, nos termos da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

No Artigo 35, o verbo “poderão” em vez de “deverão” facilitou a vida dos governantes e sua inércia. Vamos conferir?
Art. 35. A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios poderão criar e promover, no limite das respectivas competências:
I - centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em situação de violência doméstica e familiar;
II - casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar;
III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar;
IV - programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar;
V - centros de educação e de reabilitação para os agressores.

As considerações acima descrevem as situações mais corriqueiras, as mais evidentes, pois se formos analisar artigo por artigo veremos que a lei 11.340 ainda não foi implementada.

Volto ao trabalho da Eva Blay que é 2003.
Apenas 14% dos réus foram julgados e condenados, pois o andamento do processo, o excesso de vezes que as testemunhas devem ser ouvidas, as possibilidades de idas e voltas certamente facilita a fuga dos réus e a perda de contato com as testemunhas. O problema, não está na suposta morosidade da justiça, mas nos trâmites legais que deveriam ser mais ágeis e limitados. Em nome da ampla defesa dos réus certos setores dos aplicadores do Direito subestimam a extensão e gravidade da violência praticada contra a mulher. É urgentíssima uma revisão do procedimento jurídico se quisermos, de fato, alterar a impunidade que cerca estes crimes, como expressaram vários juízes, promotores e advogados entrevistados.
Os assassinatos de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos.
Esta situação perdura por várias razões, tais como: a persistente cultura de subordinação da mulher ao homem de quem ela é considerada uma inalienável e eterna propriedade; uma recorrente dramatização romântica do amor passional, sobretudo na televisão e no rádio, em que realidade e imaginário se retro-alimentam; na facilidade com que os procedimentos judiciais permitem a fuga dos réus; na pouca importância que as instituições do Estado dão à denúncia e ao julgamento dos crimes contra as mulheres e meninas.
Para enfrentar esta cultura machista e patriarcal são necessárias políticas públicas transversais que atuem modificando a discriminação e a incompreensão de que os Direitos das Mulheres são Direitos Humanos. Modificar a cultura da subordinação de gênero requer uma ação conjugada, para isso é fundamental estabelecer uma articulação entre os programas dos Ministérios da Justiça, da Educação, da Saúde, do Planejamento e demais ministérios.
Nos programas escolares – desde o ensino fundamental até o universitário – precisa haver a inclusão da dimensão gênero mostrando como a hierarquia existente na cultura brasileira de subordinação da mulher ao homem traz desequilíbrios de todas as ordens – econômico, familiar, emocional e incrementa a violência. Mas a escola não pode ficar isolada de um processo amplo de transformação para alcançar a equidade de gênero. O que pode fazer uma professora, de qualquer nível da escala educacional, se ela própria é violentada? O que pode ensinar um professor que é um violador? O que pode fazer a escola se estiver desligada de um processo de transformação cultural?

As recomendações da professora Eva Alterman Blay constam da lei 11.340 sancionada em Agosto de 2006.


Eu finalizo este artigo com uma pergunta:
O que pode fazer a sociedade se as leis são votadas, aprovadas e sancionadas, mas não são colocadas em prática?

(1) Eva Alterman Blay em “Violência contra a mulher e políticas públicas no blog Scielo” Brasil

(2) Wikipédia Brasil

(3) O Globo

(4) Renata Rode em “Sinais avisam que o amado pode virar algoz, afirmam especialistas” 

domingo, 10 de outubro de 2010

Valorização da vida?

Estatísticas indicam uma linha paralela entre maior número de jovens na escola e queda da violência


DESDE QUE comecei a investigar, no fim da década de 1980, as mais diversas formas de agressão contra crianças e adolescentes no Brasil, constatei que a origem da violência estava na família. Ou na falta dela.
Nas entrevistas, surgiam, invariavelmente, histórias de maus-tratos em casa. Percebi que, embora nem todas as vítimas se tornassem pessoas violentas, os violentos tinham sofrido algum trauma doméstico, esta uma das causas do problema.
Tempos depois, tomei conhecimento de imagens captadas por ressonância magnética que mostravam que os maus-tratos na infância geram uma alteração cerebral e podem explicar atitudes antissociais.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos revelam, com nitidez, como crianças que recebem bom atendimento desde o berço e que são estimuladas pelos pais e, depois, na pré-escola são mais propícias a um bom desempenho escolar, têm maior chance de empregabilidade e menor risco de envolvimento em problemas com a polícia e a Justiça.
É por esse prisma que encaro o debate sobre aborto no Brasil, tratado agora com um tom histericamente eleitoral.



 

Causaram polêmica em escala mundial estatísticas divulgadas por economistas, segundo as quais os crimes violentos nos Estados Unidos caíram mais nas cidades em que o aborto é permitido. Por mais terrível que seja esse dado, não me espantei: deixaram de nascer crianças rejeitadas e desrespeitadas pelos pais. Misturem-se aí a baixa escolaridade, a dificuldade de conseguir um emprego, comunidades infestadas de criminosos tidos como referência a ser admirada, a falta de lazer e o acesso fácil a drogas.
Nada disso significa a defesa do aborto para evitar o crime, mas apenas a constatação de que o poder público deveria ajudar as mulheres a realizar planejamento familiar. O acesso a métodos contraceptivos é também uma questão de educação.
 

O planejamento familiar no país cresceu. Poderia ter crescido mais rapidamente se não fosse a força das religiões -tão grande que, como se vê nestas eleições, José Serra e Dilma Rousseff se veem obrigados, contrariando suas crenças íntimas, a pôr a fé acima da saúde pública.
Somente em 1994 se regulamentou o aborto nos casos de estupro e risco de morte das mães, uma lei aprovada em 1940 (sim, 1940!).
Grupos religiosos, conectados com os governos, atacaram a distribuição de pílula anticoncepcional, de camisinhas e de pílulas do dia seguinte. Condenaram até mesmo programas de educação sexual nas escolas, apontados como imorais. Na semana passada, o Vaticano atacou o Prêmio Nobel concedido ao criador da fertilização in vitro.
Isso retardou ou impediu o desenvolvimento desses programas.
É uma situação terrível. A mulher não consegue se proteger por falta de apoio do poder público e/ ou desinformação. Engravida contra a própria vontade. É condenada a fazer um aborto nas piores situações possíveis, correndo riscos, por falta de um sistema digno de saúde. Depois, ainda é apontada como criminosa e pecadora. Uma das principais causas da evasão escolar é a gravidez na adolescência.
Não quero ofender ninguém, mas isso me parece fazer maldades em nome de Deus.
 

Experiências isoladas vêm mostrando, no Brasil, como aliar informação a acesso a métodos contraceptivos tem funcionado nas comunidades mais pobres, ajudando as mulheres a planejar o tamanho de sua família, a manter-se nos estudos e a obter melhores empregos. Depois, tendem a ser melhores mães. Até porque são mais educadas.
Essas ações são resultado de gente que teve coragem de enfrentar os preconceitos e a pancadaria. Assim, hoje se pode pegar de graça pílula do dia seguinte ou camisinha numa estação do metrô ou num posto de saúde em São Paulo.
Lembro, por sinal, que estatísticas em bairros da cidade de São Paulo indicam uma linha paralela entre maior número de jovens nas escolas e queda da violência.
 

Penso que isso é valorizar a vida, considerando-a uma energia divina de criação.
 

PS- Para fazer justiça: nas minhas andanças pelos lugares mais violentos, investigando a situação das crianças e dos adolescentes, as pessoas mais despojadas que encontrei foram alguns padres, freiras e pastores. Foram lições inesquecíveis. Apesar de discordar de suas posições, prefiro a honestidade deles à encenação cristã de José Serra e Dilma Rousseff.


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Texto de Gilberto Dimenstein na Folha de São Paulo de 10/10/10

sábado, 2 de outubro de 2010

Apesar de vocês

Versos de Chico Buarque vêm à mente na véspera da eleição; o contexto é outro, mas a evocação faz sentido 


A competição presidencial não se trava sobre concepções diversas a respeito do rumo da sociedade, mas em torno de trivialidades e, no máximo, questiúnculas gerenciais.

FAZ QUASE exatamente 40 anos que Chico Buarque compôs "Apesar de Você", uma de suas músicas mais marcantes. Avisava os detentores do poder de então que a vida passa e que a escuridão do regime militar um dia se dissiparia.
Os versos vêm à mente nesta véspera de eleição. O contexto é outro, mas a evocação, creio, faz sentido. Não, contudo, na direção esperançosa que inspirava o compositor. E, apresso-me a esclarecer, tampouco desejo fazer alusão ao candidato X ou Y.
"Amanhã há de ser outro dia", prosseguia o refrão de Chico Buarque. O problema está aí. Que amanhã?
A principal disputa eleitoral que se resolverá (é o que a tendência do eleitorado indica) no pleito deste domingo opõe candidatos que, ao longo da campanha, se eximiram de adotar alguma coloração.
Conforme se apontou neste mesmo e em outros espaços, a competição presidencial não se trava sobre concepções diversas a respeito do rumo da sociedade, mas em torno de trivialidades e, no máximo, questiúnculas gerenciais.
A mensagem coletiva que passam ao eleitorado é que vai tudo muito bem -quando basta um olhar ligeiro sobre a sociedade, a economia e as instituições para perceber que as coisas não vão bem de jeito nenhum.
Isso tem pouco ou nada a ver com os oito anos de Lula no poder. Tem a ver com moléstias estruturais que permanecem instaladas com a complacência conjunta de petistas, tucanos, demistas e o que mais venha à mente.
Veja-se, para começar, a qualidade da representação política.
Costuma-se falar em "partidos de aluguel", pequenas agremiações que estão permanentemente à venda. O epíteto oculta coisa muito mais grave, a saber, aquilo que se poderia denominar de partidos de arrendamento, entre os quais o PMDB é o exemplo mais saliente, embora não único.
Alia-se a qualquer um, e qualquer um se alia a ele, como demonstram as coligações estaduais. O preço, idêntico ao dos partidos de aluguel, são cargos na administração.
Não apenas a representação política deixa de fazer sentido, como o Poder Legislativo deixa na prática de existir. De quebra, não há administração pública que resista ao assalto contumaz praticado pelos agentes políticos.
Olhe-se para o lado do Judiciário, e o que é que se enxerga? Um poder paralisado, perdido em seus próprios meandros e que falha miseravelmente na entrega da justiça.
Como é que esse tipo de tema não aparece numa campanha eleitoral, ainda que lateralmente (é complicado e não sensibiliza marqueteiros, mas mesmo assim)?
Por outro lado, deve-se talvez considerar que a evolução da sociedade moderna induz nas pessoas um acanhamento das perspectivas. Os horizontes vão se estreitando aos limites da existência pessoal ou familiar. A visão de sociedade, de futuro, de aspiração coletiva, desaparece.
Para além desse âmbito, o que parece existir são forças inexoráveis que operam numa esfera situada além da capacidade de compreensão das pessoas. Resta-lhes obedecer, porque, se não obedecerem, serão esmagadas.
Até outro dia.


Texto de CLAUDIO WEBER ABRAMO, diretor-executivo da Transparência Brasil na Folha de São Paulo de 02/10/10

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

12 de Outubro, Dia das Crianças e a Internet


Cresce a presença de crianças na web

Pequenos de 2 a 11 anos são 14% dos usuários de internet em casa do Brasil; número total passa de 4,5 milhões


Conheça meios para proteger seus filhos das ameaças on-line


Redes sociais infantis ganham espaço
Sites direcionados oferecem mais segurança e têm filtros de palavras para barrar palavrões e agressores virtuais
TogetherVille é uma espécie de Facebook para crianças; sites brasileiros misturam redes sociais com jogos

Sites recomendados para crianças

Vou copiar abaixo vários artigos da Folha de São Paulo de 29/09/10, publicados no caderno de Tecnologia


Criançada conectada
Cresce importância das crianças no mercado da tecnologia; veja dicas de jogos e redes sociais e saiba como deixar seu filho mais seguro em ambientes on-line


Leticia Moreira/Folhapress
Alunos usam computador no colégio Elvira Brandão, em São Paulo

AMANDA DEMETRIO
DE SÃO PAULO

Eles ainda são miniaturas de gente, mas já representam um bom filão no mercado da tecnologia.
As crianças de 2 a 11 anos que usam internet em casa já são mais de 4,5 milhões no Brasil, segundo dados de pesquisa do Ibope Nielsen Online-NetView realizada em agosto último. No mesmo mês de 2009, havia cerca de 4 milhões de usuários nessa faixa etária. A criançada já representa 14% do total de usuários residenciais no país.
A web anda tão importante que balança o reinado da televisão na vida das crianças. Estudo da Millward Brown Brasil, publicado pelo Ibope, mostra que, no público de até três anos, a TV reina quase que absoluta. Depois disso, porém, passa a disputar espaço com tecnologias como internet e videogames.
O mercado de celulares também aponta para a importância do setor infantil. Somente nos Estados Unidos, o número de crianças de 6 a 11 anos com celular cresceu 68% nos últimos cinco anos, segundo pesquisa divulgada no mês de janeiro.
Nesta edição, saiba mais sobre o crescimento dessa faixa do mercado e conheça jogos, redes sociais e sites específicos para o entretenimento dos baixinhos.
Aproveite também as dicas de brinquedinho eletrônico para escolher o melhor presente para o próximo Dia das Crianças.
Tudo isso sem esquecer a segurança. Não deixe de conferir dicas que ajudam a tornar a web mais segura.



Público infantil procura entretenimento, diz estudo


Ao navegar, crianças procuram entretenimento, são impacientes, confundem-se facilmente, gostam de animações e sons, não distinguem propaganda de conteúdo e preferem recorrer aos favoritos a fazer buscas.
Essas são algumas conclusões de um estudo da Nielsen Norman Group sobre usabilidade na web, que envolveu usuários com idades entre três e 12 anos e é voltado a quem projeta sites infantis.
Enquanto adultos usam a web mais para trabalho, informação e comunicação -e recorrem muito a ferramentas de pesquisa-, crianças procuram entretenimento -e preferem usar links dos favoritos a fazer buscas.
Tanto adultos quanto crianças têm pouca paciência na web, mas os primeiros têm uma predisposição maior para entender a navegação do site ou aguardar o seu carregamento. As crianças exigem interface simplificada e resultados imediatos.
Elas tendem a explorar mais o site, ao ponto de clicarem aleatoriamente pela página para ver o que acontece. Adultos, acostumados com padrões de navegação, agem de maneira mais focada.
O estudo constatou que crianças hesitam mais que adultos em enviar informações pessoais e são bem sensíveis a diferenças de idade.
Durante um teste, uma criança com seis anos reclamou: "Esse site é para bebês, talvez com quatro ou cinco anos. Dá pra saber por causa dos desenhos e dos trens".
"Embora você possa ver tanto pessoas de cinco quanto de seis anos como "crianças pequenas", na mente de uma de seis anos a diferença entre elas é vasta", explica o guru da usabilidade Jakob Nielsen em seu site Alertbox.
Ao comparar o novo estudo com um semelhante feito há nove anos, concluiu-se que as crianças hoje são mais experientes e têm menos dificuldades com computadores, pois começam a usá-los cada vez mais cedo. (EK)


Conheça meios para proteger seus filhos das ameaças on-line

CARLOS OLIVEIRA
EMERSON KIMURA


A internet é uma farta fonte de informação e entretenimento para crianças. Por outro lado, o acesso abre portas para um sem-número de problemas, como software malicioso, conteúdo impróprio e pessoas mal-intencionadas.
Não existe método de proteção infalível, mas algumas recomendações podem ajudar a diminuir bastante a probabilidade de ocorrer um problema.
Além de estar exposta a conteúdo inadequado (como sites de pornografia, violência, drogas e armas), a criança pode envolver-se em casos de abusos virtuais (ciberbullying), conhecer pessoas perigosas, sofrer com falta de privacidade e ser vítima de software malicioso.
A popularização de portáteis (como laptops, tablets e smartphones) e a propagação do acesso à internet em diversas plataformas (como videogames e televisores) aumentam os riscos e a necessidade de cuidados. Os pais precisam ficar alertas e educar cada vez mais: para ensinar os filhos como se portar na internet, é essencial que eles mesmos conheçam os perigos virtuais.
Para auxiliar na tarefa de instruir e monitorar os filhos, existem os programas de controle para pais. São soluções -disponíveis para diversas plataformas- que possibilitam filtrar o acesso a determinados tipos de conteúdo, controlar o tempo de uso e monitorar atividades, entre outras funções.
São úteis, mas devem complementar (e não substituir) a conversa franca e sincera -ainda o meio mais eficiente de proteger os filhos.
Idades diferentes pedem cuidados diferentes.
Até os quatro anos, a criança deve usar o computador junto com os pais; assim, ao mesmo tempo ela aprende coisas novas, diverte-se e fortalece laços familiares.
A partir dos quatro anos, já é possível deixá-la brincar por contra própria, permitindo que faça descobertas e erros e aprenda com isso, mas sempre sob monitoramento.
Por volta dos sete anos a criança começa a buscar certa independência. Os pais devem incentivar isso, mas sem perdê-la de vista. Programas de controle para pais começam a mostrar sua utilidade.
Com o tempo, pode ser liberado o uso de e-mail individual, redes sociais, mensageiros e celulares -sob supervisão e sem deixar de controlar o acesso a conteúdo inadequado-, assim como o tempo de uso. Aos poucos, as restrições podem ser atenuadas até serem eliminadas.
Essas recomendações não são regras rígidas -elas variam conforme a fonte consultada e devem ser adotadas de acordo com as características de cada família.



SE LIGA

CONVERSA
O diálogo é a melhor maneira de saber como o seu filho usa o computador e de ajudá-lo a se proteger. Se ele descobrir que é monitorado sem ter sido avisado, pode perder a confiança em você. Converse sobre os perigos para ele entender a sua preocupação com a segurança dele.



REJEITADOS
Adolescentes odeiam a ideia de serem amigos dos pais no Facebook. É o que diz uma pesquisa da eMarketer feita em maio nos EUA. Entre os jovens de 13 a 14 anos, 58% detestam a presença dos pais na mesma rede. Os resultados ficam mais amenos conforme os jovens crescem.



Redes sociais infantis ganham espaço
Sites direcionados oferecem mais segurança e têm filtros de palavras para barrar palavrões e agressores virtuais
TogetherVille é uma espécie de Facebook para crianças; sites brasileiros misturam redes sociais com jogos

Usuários da internet brasileira com faixa etária entre seis e 14 anos gastaram 60% do tempo on-line em sites de entretenimento, programas de mensagem instantânea e de redes sociais, aponta estudo feito pela comScore divulgado em junho deste ano.
Redes sociais voltadas para o público infantil começam a ganhar espaço no mundo virtual. Uma das mais recentes é a Together- Ville (togetherville.com), que funciona como uma espécie de Facebook para crianças de seis a dez anos.
Disponível desde maio e por enquanto apenas em inglês, o site também dá espaço para que os pais participem e monitorem as atividades dos pequenos.
Na intenção de oferecer uma experiência mais completa, outros endereços eletrônicos combinam jogos e sites de relacionamento.
É o caso do ClubPenguin (clubpenguin.com.br), que funciona também como uma rede social para as crianças.
A criança pode personalizar um pinguim e passear por um mundo onde as aves estão no comando -mas tudo só acontece depois que um responsável faz o cadastro e configura que tipo de bate-papo (com filtro de termos ou apenas frases pré-programadas) poderá ser praticado.
O jovem pinguim pode conversar e ver os outros membros da rede andando pelo mundo virtual.
Também focado na interatividade entre os usuários, o ToonTown (toontown.com.br) oferece um ambiente parecido com o de um RPG on-line, mas bem simples. A criança pode criar um avatar animado para explorar o mundo, fazer amizades e enfrentar monstros.
Por sua vez, o Migux (migux.com.br) é um ambiente virtual aquático em que os pequenos são peixinhos, escolhem uma casa e têm que ganhar conchas, que valem como dinheiro, por meio de jogos para mobiliar seu espaço.

SEGURANÇA
A dentista Anna Carolina Perez, 27 anos, é mãe de Pedro, 9. O garoto não desgruda do computador. "Às vezes, ele não quer nem almoçar para ficar na internet ou em sites de jogos".
Anna, que nunca se preocupou com as atividades do filho na web, se surpreendeu recentemente com um perfil do filho na rede Formspring (formspring.com), onde o usuário responde a questões anônimas. "Tinha muita informação pessoal ali, sobre a escola, telefone de casa e até perguntas mais íntimas, sobre o primeiro beijo dele, que nem eu mesma sabia que tinha acontecido", diz a mãe.
As perguntas podem ter sido atitudes inofensivas de colegas da criança, mas para evitar contato com material pornográfico, vírus ou pedófilos, o ideal é direcionar a criança para sites especificamente infantis, onde o responsável pode ter maior controle. (ALEXANDRE ORRICO)
Kodu Game Lab ajuda criança a desenvolver jogos para PC
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Para quem nunca teve contato antes, o processo de programação de software é algo assustador. As linhas de código são complexas e uma simples letra no lugar errado pode dar pau no aplicativo.
Com a produção de games, a coisa é bem parecida. Um projeto do laboratório de pesquisas da Microsoft, no entanto, tenta suavizar isso e atrair as crianças para não apenas consumir jogos, mas também produzi-los.
O Kodu Game Lab está disponível para download grátis em bit.ly/kodugamelab e é compatível com Windows XP, Vista e 7. A primeira providência do projeto: tirar a programação do teclado. Tudo pode ser feito através do controle do videogame.
Próximo passo: oferecer uma interface simples. Esqueça linhas de código com números e letras. Tudo que a criança precisa fazer é escolher um personagem e atribuir funções a ele, como, por exemplo, colher maçãs.
Depois disso, o jovem programador decide o que acontece após a maçã ser colhida. E assim, a sucessão de eventos que resultam de decisões no jogo são criadas.
Matthew MacLaurin, criador do Kodu, disse à Folha que "a interface foi concebida de tal forma que se uma criança não entender logo de cara a lógica da criação, um adulto, sem qualquer experiência com programação, poderá auxiliá-la com facilidade". Uma busca pelo YouTube traz imagens de jogos criados por internautas. (BR)

OUTROS DESTINOS VIRTUAIS PARA CRIANÇAS BARBIE
barbie.com.br
O site é voltados para as garotas. As meninas podem passear por vários cômodos da Barbie e descobrir jogos e atividades em cada um deles. Na seção "shopping center", novidades e produtos disponíveis para venda


ESCOLA GAMES
escolagames.com.br
Site de jogos educativos para crianças a partir de cinco anos de idade. Todos os jogos foram desenvolvidos com acompanhamento pedagógico. Alguns exemplos de temas são: coleta seletiva, inglês e geometria


FASHION FANTASY
miniclip.com
Com cerca de 1,5 milhão de usuários, o FF é uma espécie de jogo e rede social. É voltado especialmente para garotas que gostam de moda, que podem criar suas próprias marcas de roupas

FLIPERAMA
fliperama.com.br
O paraíso para as crianças: centenas de jogos em Flash, que são executados no próprio navegador. Não precisa de instalação. Para crianças um pouco mais velhas, já que no site há jogos de tiro e luta


IGUINHO
iguinho.com.br
Site que apresenta desde atividades e animações até dicas de primeiros socorros. Há também o Último Segundinho, versão do portal de notícias Último Segundo, com tópicos de interesse dos pequenos



LEÃOZINHO
leaozinho.receita.fazenda.gov.br
Na linha do "aprenda brincando", a Receita Federal tem um site voltado exclusivamente que reúne textos, jogos e vídeos para que os pequenos possam aprender o básico sobre impostos e educação fiscal


MINICLIP
miniclip.com
A criança pode gastar horas no site, que possui milhares -literalmente- de joguinhos em flash. São estilos variados e não precisa de cadastro. Há vários jogos nos quais é possível encontrar um adversário on-line

NEOPETS
neopets.com.br
Aqui as crianças podem criar um pequeno monstrinho, chamado de Pet. Dá para alimentá-lo, mobiliar uma casa para ele, acompanhar o crescimento, comprar itens e ver a evolução de bichinhos de outros usuários


PLENARINHO
plenarinho.gov.br
O que faz um deputado? Como são escolhidos? Esta época de eleição pode ser uma boa desculpa para ensinar desde já como funciona o Congresso e como são escolhidos os representantes da sociedade


RECRUTINHA
exercito.gov.br/recrutinha
A criançada conta com a ajuda do soldado Recrutinha para entender como funciona o serviço militar no Exército brasileiro. Também aprende sobre história do Brasil e deveres cívicos, por meio de brincadeiras e jogos


SMARTKIDS
smartkids.com.br
Jogos e passatempos se misturam com informações educativas sobre ambiente como ciclo da água e origem da vida. Há ainda uma parte especial para professores em busca de conteúdo para crianças


UOL CRIANÇAS
criancas.uol.com.br
Piadas, ajuda para o dever de casa, atividades on-line, jogos e até um guia cultural podem ser encontrados no site do UOL voltado para a garotada. Bem completo, anda disponibiliza uma parte com dicas para os pais


Confira bons jogos para a criançada Indústria da diversão eletrônica investe no público infantil e aposta em títulos para meninos e meninas
Nos Estados Unidos, 60% dos games vendidos são considerados livres para todas as idades
THÉO AZEVEDO

Futebol, Fórmula 1, princesas, danças e muita aventura: para as crianças, jogar videogame é uma verdadeira festa. E, a despeito de quem acha que os jogos violentos são os mais populares, de acordo com a ESA (Entertainment Software Association), 60% dos títulos vendidos nos Estados Unidos são apropriados para todas as idades.
Outro tabu que caiu por terra foi o que reza que videogame é coisa de menino: nos EUA, 40% dos jogadores são do sexo feminino que, não por acaso, é o público que mais rapidamente cresce na indústria.
Em agosto, entre os dez títulos mais vendidos dos EUA, constavam pelo menos três da série Mario, há décadas uma das campeãs de preferência. Aliás, no país, 64% dos pais acham que jogar videogame é um hábito positivo para a vida das crianças.
CONSOLE BRASILEIRO
Além dos consoles de Sony, Nintendo e Microsoft, o mercado brasileiro apresenta uma opção nacional, o Zeebo.
É mais barato que os rivais, mas a qualidade gráfica dos jogos nem se compara com a dos games dos demais.
O aparelho, que baixa jogos através da rede 3G, agora também é capaz de navegar pela internet utilizando o recurso -os pacotes de hora custam entre R$ 3,90 e R$ 7,90. O acesso, porém, é restrito a certos sites, uma forma de evitar expor as crianças a conteúdos inadequados.
O Zeebo custa R$ 299, e os games para ele estão todos em português.
Veja a seguir dicas de bons jogos para todas as idades.
PRINCESAS Aventura com as personagens da Disney dá às meninas a missão de restaurar a ordem em seus reinos; você pode personalizar uma princesa, do cabelo à pele
CORRERIA O porco-espinho azul e sua turma correm à toda velocidade em Sonic Colors, que chega em novembro; eles devem resgatar alienígenas das garras do Dr. Eggman
QUEIMANDO CALORIAS Zumba Fitness, que chega em novembro e propõe um jeito animado de queimar calorias: dançando; a seleção apresenta músicas latinas
CLÁSSICO Craque do Real Madrid, Kaká enfrenta o Barcelona em Fifa 11, que chega às lojas nesta semana e traz melhorias nos passes e na personalidade dos atletas
BRINQUEDOS Toy Story 3, que segue os passos do filme, quando Buzz, Woody e sua turma lidam com um futuro incerto, e Andy está prestes a entrar na faculdade
NAS ESTRELAS Mario e seu companheiro Yoshi voam em Super Mario Galaxy 2, best-seller do Wii, que tem como atração a volta do dinossaurinho verde à série do bigodudo
DANCE NO WII Just Dance 2, cujo lançamento está programado para o Dia da Criança; oferece mais de 45 músicas para balançar o esqueleto em grande estilo
VELOCIDADE Ferrari assume a ponta em cena do jogo F1 2010, simulador que leva a velocidade da categoria ao PC, PS3 e Xbox 360, sem deixar de lado o realismo; é a chance de subir ao degrau mais alto do pódio da Fórmula 1


Garoto de 15 anos busca bi mundial em Guitar Hero
CARLOS OLIVEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Fabio Jardim tem 15 anos e é um prodígio da guitarra. Mas não do instrumento real, que está aprendendo só agora: o jovem paulistano, que está no primeiro colegial, foi campeão do game musical Guitar Hero na World Cyber Games 2009, Mundial de videogames realizado na China. Fabio, que tentará o bicampeonato no fim deste mês, conversou com a Folha na semana passada.

 

Folha - Como está sua preparação para o WCG?
Fabio Jardim -
Jogo Guitar Hero há três anos e, em épocas de competição, treino de duas a três horas por dia.
O GH acrescentou algo à sua vida fora diversão?
Ele acrescentou muito na minha vida, como viagens, conhecer artistas famosos, programas de TV e alguns trabalhos. Recebo e-mails de fãs da China, recentemente recebi fotos. Lá, os jogadores que já conquistaram prêmios se tornaram muito famosos e assediados, com isso vi alguns tendo que andar com seguranças em volta.

Que dicas você dá para quem quer competir?
O Guitar Hero é um jogo que exige muita paciência e persistência: comece fazendo cinco estrelas em todas as músicas no nível médio e então faça o mesmo no hard e no expert. Então insista nos Full Combos (acertar todas as notas das seções mais difíceis) e, depois disso, estude o lugar certo para usar o Star Power, que dobra os pontos.



Mario conquista apresentadora
Priscila, 14, comanda programa de TV para crianças e gosta de jogos estrelados pelo simpático encanador
Jovens ídolos contam quais são os seus games preferidos; Twitter serve para manter contato com os fãs
MÁRCIO PADRÃO

Apesar de o Playstation ser a febre entre as crianças que ligam para o "Bom Dia & Cia.", programa infantil do SBT, a apresentadora Priscila Alcântara gosta mesmo é do Wii, da Nintendo.
Já seu companheiro de bancada, Yudi Tamashiro, 18, é fiel ao console da Sony.
Nos games, os dois também são bem diferentes.
Yudi prefere jogos agitados como Fatal Interia, Driver e Gran Turismo. Priscila curte os games do encanador Mario e o Wii Sports. Yudi gosta ainda de pesquisar músicas e coreografias de hip-hop na internet, e ambos conversam sempre com os fãs no Twitter.
Outro jovem ídolo consultado pela Folha, o ator da Globo Edoardo Dell'Aversana, de apenas cinco anos, ainda está na alfabetização e só acessa a internet por intermédio da mãe.
"Ela tem Facebook e sempre coloca umas fotos minhas. Depois ela me mostra e lê os comentários", diz o garoto, que faz o personagem Dino na novela "Passione". Ele também é fã de Mario -especificamente dos jogos Mario Galaxy e Mario Kart.
O guitarrista da banda Restart, Pedro Lucas Munhoz, mais conhecido como Pe Lu, 19, não se interessa por videogames portáteis. "Eles me dão dor de cabeça", diz ele, que adora o XBox.
"Eu gosto de Winning Eleven, que passou a se chamar Pro Evolution Soccer. Mas descobri um jogo do Poderoso Chefão que é fantástico!", diz.
Ele usa o Orkut e o Twitter para responder aos fãs, e até promove sessões de Twitcam de vez em quando.