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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Bush diz que papel do etanol em alta de alimentos é pequeno


Lula está em boa companhia



Papel do etanol em alta de alimentos é pequeno, diz Bush

Para líder dos EUA, biocombustível responde por, no máximo, 15% da crise.
presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o papel exercido pelo etanol na inflação mundial de alimentos é pequeno.
Bush disse achar que o biocombustível respondia por 15% do problema e que em sua avaliação 85% da atual crise alimentar vem sendo gerado por fatores climáticos, pelo aumento da demanda por alimentos e pela subida dos preços de energia.
Os comentários do líder dos Estados Unidos foram feito durante uma entrevista coletiva nos jardins da Casa Branca. Entre outros temas, Bush falou sobre a atual crise econômica americana.
''A verdade é que é do nosso interesse que nossos fazendeiros cultivem energia, em vez de adquirir energia a partir de outras partes do mundo que são instáveis ou que podem não gostar de nós'', afirmou Bush.
O líder americano acrescentou que a alta do petróleo irá gerar mais investimento em etanol e que os Estados Unidos estão depositando recursos na pesquisa com etanol celulósico - a modalidade do biocombustível feita a partir de produtos não-comestíveis, como sabugos de milho, lascas de madeira e grama.

Petróleo
Bush afirmou ser preciso conciliar programas de biocombustíveis com ações capazes de contribuir para a auto-suficiência energética americana.
''Se nós estamos genuinamente interessados em levar adiante uma política energética que envie um sinal ao mundo que nós queremos reduzir nossa dependência em petróleo estrangeiro, temos que explorar a prospecção doméstica, assim como investir em programas de combustíveis alternativos'', afirmou.
Para o líder americano, o caminho para a auto-suficiência passa pelo Congresso do país.
''Se o Congresso estiver genuinamente interessado, poderemos investir na exploração de gás e de petróleo em nosso território, a começar por Anwar'', disse, referindo-se à região que é considerada um santuário ecológico, mas que abrigaria uma vasta jazida de petróleo no Estado do Alaska.
Esforços para permitir a prospecção na região vêm sendo bloqueados por emendas e vetos no Congresso desde o ano passado.

Tratado com Colômbia
O líder americano voltou a dar uma alfinetada no Congresso, ao se referir ao tratado de livre comércio com a Colômbia, que foi bloqueado pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi.
''O acordo de livre comércio com a Colômbia beneficiaria nossa economia, porque traria mais exportações.''
Atualmente, disse Bush, ''muitos produtos (colombianos) entram em nosso país livres de impostos, enquanto que os nossos produtos são taxados quando entram na Colômbia''.
''O Congresso deveria ao menos ter insistido que outro país seja tratado da mesma maneira que nós o tratamos'', afirmou o presidente americano.

Recessão?
Bush voltou a refutar afirmações de que os Estados Unidos já estariam vivendo uma recessão.
''As palavras para definir a economia não definem como o cidadão médio se sente. O cidadão médio não está preocupado com a maneira como iremos chamar. Eles sabem que estão pagando um preço alto por petróleo e estão preocupados se conseguirão permanecer em suas casas.''
De acordo com Bush, ''estes são tempos difíceis'', mas a ''terminologia correta'' para defini-los, cabe aos economistas.
A definição, no entanto, se os Estados Unidos estão ou não vivendo uma recessão poderá já se dar nesta quarta-feira, quando serão divulgados os dados relativos ao PIB do país.

Do G1


http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL446200-9356,00-PAPEL+DO+ETANOL+EM+ALTA+DE+ALIMENTOS+E+PEQUENO+DIZ+BUSH.html

Somos "investment grade"

A promoção do Brasil a “investment grade” pela Standard & Poors traz uma dose adicional de apreciação cambial e uma rodada adicional de lucros aos invesidores interacionais.

O que provoca a apreciação cambial, fundamentalmente tem sido o diferencial entre juros internos e externo para títulos brasileiros. Com a elevação da taxa Selic, esse diferencial aumentou, trazendo o dólar mais para baixo.
O ponto de equilíbrio desceu abaixo de R$ 1,70.

Com o “investment grade” significa que a taxa internacional dos títulos brasileiros cairá – já que o componente “risco” diminuirá. Cairá um pouco mais com a decisão do FED Americano de reduzir em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros. E mais ainda porque, com a classificação, os fundos poderão destinar uma fatia maior de seus ativos para aplicar no país.

Finalmente, observando esses movimentos, haverá mais capital especulativo surfando nas ondas dos juros altos + desvalorização do real – que proporciona um duplo ganho. Nesse movimento, cai o dólar mais ainda, sobe a Bolsa no curto prazo, mas o deficit nas contas externas se amplia de forma mais acelerada. É essa avaliação sobre as contas externas que impedirá o Mercado de apostar mais firmemente na queda do dólar.

Mais ainda: o Banco Central se verá ante um dilema. Ao subir a taxa Selic, sua intenção foi reduzir as taxas de juros de médio prazo. Com o “investent grade” as taxas deverão cair, deixando-o em um dilema: aumentar mais ainda a Selic? Nessa andar da carruagem, qual a nova projeção para as contas externas?

Esses dilemas marcarão a política econômica nas próximas semanas. Certamente haverá pressão para que as taxas de juros internos convirjam para as taxas dos emergentes.

Do blog do Luis Nassif de 30/04/08 17:50

Ninguém mata uma criança na 1ª agressão, diz pediatra


Ninguém mata na 1ª agressão, diz pediatra

Para médico, se o casal Nardoni matou Isabella, como diz a polícia, a menina já teria sido vítima de agressão em outras ocasiões

Profissionais de educação, de saúde ou vizinhos devem estar atentos a hematomas ou queimaduras no corpo da criança, diz Monteiro Filho


Para o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da Abrapia (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência) e hoje editor do Observatório da Infância, a sociedade brasileira ainda passa pela fase da negação da realidade de que os pais podem, sim, ser os principais agressores dos próprios filhos. Foi a Abrapia que criou o primeiro telefone nacional gratuito de denúncia anônima contra casos de abuso sexual infantil.
Monteiro Filho reconhece que há sempre o risco desses telefones serem usados como instrumento de vingança por meio de denúncias falsas, mas esse é um ônus necessário para evitar a morte de crianças pelos pais.
Segundo o pediatra, se a polícia estiver certa e o pai e a madrasta de Isabella Nardoni forem mesmo seus assassinos, eles provavelmente não cometeram o primeiro ato de agressão no dia da morte da menina. "A não ser em caso de surtos psicóticos, ninguém mata o filho numa primeira agressão."
Leia trechos de sua entrevista concedida à Folha em seu consultório, em Copacabana (Rio).

FOLHA - Como foi o processo de criação do disque-denúncia?
LAURO MONTEIRO FILHO - Começou no Rio de Janeiro, quando, em 1988, criamos a Abrapia [que encerrou suas atividades há dois anos] e montamos uma estrutura para atender denúncias por telefone de abuso sexual e violência física no Estado. Em pouco tempo, muito por pressão internacional, surgiu a necessidade de criar um número nacional no Brasil, já que havia a imagem de que o país não estava fazendo nada para coibir a exploração sexual de crianças.
Em 1998, fomos chamados pelo Ministério da Justiça para criar um telefone federal. Inicialmente, trabalhou-se apenas a questão da violência sexual. Em 2003, com a troca de governo, o ministério nos chamou e informou que eles iriam assumir o programa. Eles decidiram ampliar e incluir toda forma de violência contra a criança e o adolescente, não apenas sexual.

FOLHA - A denúncia é eficiente para coibir casos de violência infantil?
MONTEIRO FILHO - A denúncia é fundamental. É preciso convencer a população de que temos, sim, que nos intrometer na família. Pais não são donos dos filhos. Aliás, ninguém é "dono" de uma criança, mas eu diria que um pai que bate no filho é menos dono de alguém que a protege. O problema que enfrentamos no Brasil é que boa parte da população acha que sua denúncia não vai dar em nada. É preciso ter canais para denúncia, mas a população precisa enxergar que isso terá uma conseqüência.

FOLHA - Esses telefones de denúncia, no entanto, são muitas vezes usados como instrumento de vingança. Não há o risco de muitos pais serem denunciados injustamente?
MONTEIRO FILHO - Esse é, sem dúvida, um ônus desses instrumentos. A denúncia infundada leva a graves prejuízos. Tanto que em vários países foram criados associações de vítimas de denúncias infundadas de abuso sexual. Fui perito da vara de família no Rio durante três anos e lidei muito com pais que se separavam e continuavam com o litígio na Justiça. Nesses casos, o risco de falsa denúncia é realmente alto.
Mas não podemos deixar de criar mecanismos para prevenir a violência. Quem denuncia tem que ter responsabilidade e pensar nas conseqüências.

FOLHA - Quando vocês administraram o telefone nacional de denúncia houve casos de pais que cometeram atrocidades contra os filhos?
MONTEIRO FILHO - Inicialmente, as denúncias que chegavam eram de exploração sexual, que aconteciam na rua ou em estabelecimentos públicos. Nesse caso, os pais não eram os principais responsáveis. Num segundo momento, começaram a aparecer casos de abuso sexual dentro de casa.
Nesses casos, o abusador já era com freqüência alguém da família: um pai, um padrasto, um irmão mais velho. Admitir que os pais podem ser violentos contra os filhos é uma mudança de comportamento necessária para passar a atuar na prevenção. Estamos ainda numa fase de negação dessa realidade. Precisamos passar pela fase de sofrimento e aceitar que os pais podem ser violentos.

FOLHA - Crianças dificilmente vão falar com estranhos e denunciar os próprios pais. Como perceber que estão sendo vítima de violência?
MONTEIRO FILHO - Há vários sinais que profissionais de educação, de saúde ou vizinhos podem perceber. No caso de professores, é muito comum a criança maltratada aparecer com marcas de beliscão no corpo, queimaduras, marcas de cinto ou hematomas. A professora deve desconfiar se a criança está muito quieta, chorando demais. Ela precisa então passar essa suspeita para a direção da escola, para que alguém tome alguma atitude. O mesmo vale para os profissionais de saúde. Já no caso de vizinhos, é mais difícil perceber essas marcas físicas no corpo, mas é preciso também estar atento. Nesse caso da morte de Isabella Nardoni, se o pai e a madrasta forem mesmo os culpados, como acredita a polícia, a menina provavelmente já gritou "pára, pai" outras vezes. Também já deve ter chegado na casa da mãe com sinais de agressão. Ninguém começa uma agressão já matando o filho, a não ser em caso de surtos psicóticos. Nunca vi nenhum pai ou mãe admitir que maltrataram o filho, mesmo quando havia todas as evidências de que eles eram culpados.

FOLHA - Toda essa preocupação em denunciar a violência contra crianças não pode levar a um nível de exagero que iniba os pais de impor limites aos filhos?
MONTEIRO FILHO - Acho que é consenso que uma das tarefas dos pais é estabelecer limites. Eles têm que mostrar aos filhos que são amados, a criança tem que ser criada com auto-estima elevada, mas educar é uma situação conflituosa. A criança não quer limite, mas tem que ter. É normal a criança querer confrontar os pais, mas sou a favor, por exemplo, de que em vez da palmada, dê-se o castigo.

FOLHA - O que há de errado com a palmada?
MONTEIRO FILHO - É um ato de violência e de covardia. É uma forma também de transmitirmos a mensagem de que os conflitos são resolvidos por meio da violência.

De ANTÔNIO GOIS na Folha de São Paulo de 28/04/08
Foto

FHC, o FFHH, afirma que terceiro mandato seria abrir as portas para o autoritarismo

É mesmo um cara de pau, mudar a constituição para favorecer o FFHH pode, mas mudar a constituição a favor de outra pessoa é autoritarismo.


Leia esta reportagem da Isabela Vieira da Agência Brasil


O ex-presidente da República Fernado Henrique Cardoso afirmou hoje (30), no Rio de Janeiro, que a possibilidade de terceiro mandato "abre as portas para o autoritarismo" no país.

"Não tem um instituto do terceiro mandato. É mandato indefinido. Ora, mandato indefinido é abrir as portas para o autoritarismo, para o personalismo. Acho que não tem cabimento", criticou.

Para ele, oito anos são insuficientes para "mudar um país" e é preciso que as mudanças sejam feitas por vários presidentes e correntes políticas.

Fernando Henrique Cardoso disse ainda que a maturidade de um país passa pela alternância de poder entre os partidos políticos e pela continuidade desse processo. "Neste sentido, o Brasil é maduro."

O ex-presidente fez as declarações em entrevista à imprensa, pouco antes do lançamento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia.

Do UOL Notícias
http://noticias.uol.com.br/ultnot/brasil/2008/04/30/ult23u2118.jhtm

Meu comentário:
É mesmo um cara de pau, mudar a constituição para favorecer o FFHH pode, mas mudar a constituição a favor de outra pessoa é autoritarismo.
Não sou favor da reeleição no Brasil, muito menos da perpetuação no poder, aqui não é Argentina, Peru, México, Paraguai, muito menos Cuba ou Venezuela, mas que o FFHH é um tremendo de um cara de pau, isto ele é.
Para conseguir a reeleição, fez a balança comercial ir pro brejo, mandou comprar votos de deputados para a mudança da constituição e agora vem com esta...
Ora faça-me o favor. Fica calado, que da sapiência dele eu não quero um tostão.

03/05/2008

Ouça também o comentário de Carlos Chagas a respeito de FHC na Jovem PanFHC não se emenda e chama de golpe aquilo que ele mesmo fez!http://jovempan.uol.com.br/real/texto_comentaristas/20080503_131112.ram




segunda-feira, 28 de abril de 2008

O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo

A alta nos preços dos alimentos representa a fome para milhões de pessoas e também a instabilidade política, como já se viu no Haiti, Egito e Costa do Marfim. Sim, a energia mais cara e o mau tempo devem ser considerados culpados em parte, mas a verdadeira questão é saber por que o ajuste não está sendo mais simples. Um grande problema é que o mundo não tem um comércio que baste em matérias-primas para alimentação.

O dano causado pelas restrições ao comércio é provavelmente mais evidente no caso do arroz. Embora o arroz seja a principal matéria-prima para metade do mundo, é altamente protegido e submetido à regulamentação. Apenas entre 5% a 7% da produção de arroz do mundo é negociada entre países; isso é extraordinariamente pouco para uma commodity agrícola.

Então, quando o preço sobe - na verdade, muitas variedades de arroz praticamente dobraram de preço desde 2007 - esse mercado bastante segmentado indica que o comércio com arroz não flui nos locais de demanda mais elevada.

O baixo rendimento com o arroz não é o principal problema. A Organização para Alimentos e Agricultura da ONU calcula que a produção global de arroz tenha aumentado em 1% no ano passado e diz que deve aumentar 1,8% este ano. Isso não é impressionante, mas não deveria provocar mortes pela fome.

O dado mais significativo é que durante o próximo ano o comércio internacional de arroz deve declinar em mais de 3%, quando deveria estar-se expandindo. O declínio é atribuído principalmente às recentes restrições sobre a exportação de arroz nos países produtores de arroz, como Índia, Indonésia, Vietnã, China, Camboja e Egito.

À primeira vista, parece compreensível, porque um país pode não querer enviar valiosas matérias primas para o exterior em uma época de necessidade. Apesar disso, os incentivos de prazo mais longo são contraproducentes.

Tais restrições à exportação indicam aos produtores agrícolas que suas safras são menos rentáveis exatamente quando são mais necessárias. Existe pouco incentivo ao plantio, colheita ou armazenagem de arroz suficiente - ou de qualquer outro plantio, por essa razão - como uma proteção contra os maus tempos.

Essa tendência de desvio das leis da oferta e procura também é aparente nas Filipinas, onde o governo está perseguindo e prendendo açambarcadores de arroz que, é claro, estão simplesmente armazenando arroz ante a possibilidade de chegarem tempos ainda mais difíceis.

Nos mercados de commodities não é raro que a elevada demanda cause acentuados aumentos de preços; no curto prazo, em geral, é difícil conciliar a nova demanda com os novos fornecimentos. A questão é saber se o suprimento e o comércio podem aumentar para compensar o aperto no mercado.

As restrições sobre o comércio de arroz trazem o risco de tornar permanentes a escassez e os preços elevados. As restrições às exportações ameaçam tornar o comércio e a produção de arroz em um jogo de compensações onde os ganhos de um país são conquistados à custa de outro. Isso dificilmente seria a melhor forma de se progredir em uma economia mundial que cresce rapidamente.

Essa falta de apoio ao comércio reflete uma tendência mais ampla e perturbadora. Uma crescente porcentagem da produção mundial, incluindo aquela para a agricultura, vem dos países pobres. No geral, isso é bom para os países ricos, que podem se concentrar na criação de outros bens e serviços, e para os países pobres, que estão produzindo mais riqueza. Mas pode desacelerar a velocidade do ajuste para as condições globais em transição.

Por exemplo, se cresce a demanda pelo arroz, os produtores agrícolas vietnamitas - que continuam cativos das duradouras regulamentações do comunismo - nem sempre têm condições de dar uma resposta rápida.

Eles não têm nem mesmo a liberdade completa de embarcar e comercializar o arroz dentro de seu próprio país.

Os países mais pobres também tendem a ser os mais protecionistas. Para piorar as coisas, cerca de metade do comércio global de arroz é controlado por conselhos estatais de caráter político.

A realidade é que grande parte da escassez atual em commodities, incluindo a que existe pelo petróleo, acontece porque cada vez mais a produção e o comércio ocorrem em países relativamente pouco eficientes e sem flexibilidade. Estamos acostumados ao tempo de resposta do Vale do Silício, mas quando se trata da produção de commodities, muitas das mais importantes instituições do exterior têm apenas um pé na era moderna. Em outras palavras, a mesa das commodities do mundo está longe de ser plana.

Muitos países pobres, incluindo alguns da África, poderiam estar produzindo muito mais arroz do que produzem agora. Os principais culpados por isso incluem a corrupção na cadeia de abastecimento de arroz, sistemas de irrigação mal planejados, estradas terríveis ou não existentes, instáveis direitos de propriedade, reformas agrícolas mal avaliadas e controles de preço sobre o arroz.

A capacidade de produção de arroz de um país depende não só de seu clima, mas também de suas instituições. Burma, agora Mianmar, já foi o principal exportador de arroz do mundo, mas agora é um país mal administrado e grande parte de sua população passa fome.

Claro, os países ricos são parcialmente culpados também. Japão, Coréia do Sul e Taiwan protegem os produtores nativos de arroz; também se verá o arroz sendo produzido na Espanha e na Itália, com a ajuda dos subsídios da União Européia e do protecionismo. Os Estados Unidos gastam bilhões em subsídios aos produtores domésticos de arroz.

No curto prazo, a existência desses produtores domésticos de arroz aponta para menos pressões sobre a demanda no mercado mundial, o que pode ser uma boa coisa. Mas de novo, os efeitos no longo prazo, são perniciosos.

A produção de arroz de baixo custo em países como a Tailândia não é voltada para o atendimento a uma demanda estrangeira mais elevada, como o seria em um mercado mais livre. Quando se precisa de mais arroz, a capacidade é limitada e é lento o fornecimento dos grãos. E o arroz protegido dos países ricos é simplesmente caro demais para aliviar a fome nos países muito pobres.

Recentemente tornou-se moda afirmar que, nessa época de turbulência nos mercados financeiros, os ensinamentos de Milton Friedman, voltados para o mercado, pertencem mais ao passado que ao futuro. A triste realidade é que quando se trata da produção de alimentos - sem dúvida a mais importante de todas as atividades humanas - as idéias de livre comércio de Friedman ainda não viram a luz do dia.

Texto de Tyler Cowen é professor de economia na George Mason University, no
The New York Times

Tradução: Claudia Dall'Antonia

sábado, 26 de abril de 2008

Oi, sócia do LuLLinha, fecha compra da BrT por R$ 5,86 bi

Integração operacional terá que esperar mudanças no Plano Geral de Outorgas, que regulamenta o setor

Aquisição cria grande tele nacional para disputar mercado com a espanhola Teléfonica e o grupo mexicano América Móvil


A operadora de telefonia Oi anunciou ontem o fechamento da compra da Brasil Telecom, por R$ 5,863 bilhões. Com isso, a antiga Telemar se tornará um dos maiores grupos empresariais brasileiros, com receita anual de R$ 29,3 bilhões (a soma das operadoras em 2007).
A operação financeira total, incluindo o valor a ser pago aos acionistas minoritários, ultrapassará R$ 12 bilhões. Isso sem incluir os recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), de R$ 2,569 bilhões, para a reestruturação acionária da Oi.
O negócio foi fechado sem amparo legal. A compra da BrT depende de mudanças no PGO (Plano Geral de Outorgas), que estabeleceu as regras do mercado após a privatização, em 1998. Também serão necessárias as autorizações da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Enquanto isso não acontece, as duas companhias permanecerão atuando separadas. O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, que estará à frente da nova operadora, espera mudanças no PGO num prazo de até três meses: "As mudanças já estão maduras. Esperamos agora ventos positivos e fumaça branca saindo das chaminés".
A compra da BrT pela Oi era esperada desde dezembro, quando as negociações se intensificaram. Mas rumores sobre o assunto circulavam havia cerca de dois anos. O resultado será a criação de uma grande tele nacional, projeto estimulado por boa parte do alto escalão do governo federal.
Os analistas consideram que as chances de impedimento legal para o negócio são remotas. Assim, a telefonia brasileira assistirá a uma disputa entre três grupos: a Oi, a espanhola Telefónica e o grupo mexicano América Móvil, de Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel.
O negócio foi fechado na tarde de ontem. Foi uma negociação em duas etapas. Na primeira, os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte (de Carlos Jereissati) compraram as participações do Citigroup, do Opportunity e da GP Investimentos na Oi (Telemar). Na segunda etapa, a Oi comprou o controle da BrT -que, por sua vez, também passou por reestruturação societária, com a saída do Citigroup e do Opportunity.
Para que essa engenharia se concretizasse, Opportunity, Citigroup e fundos de pensão desataram o nó societário da BrT -umas das disputas mais ferozes entre companhias brasileiras. A Telemar pagará R$ 315 milhões para eliminar as pendências judiciais relativas à disputa do controle acionário.
A operação financeira total compreende os R$ 5,8 bilhões pagos pela Oi para a compra do controle da BrT, R$ 3,5 bilhões ofertados num instrumento chamado "tag along" (que estende aos minoritários 80% do valor pago) e R$ 3 bilhões na oferta pública voluntária para os minoritários com ações preferenciais (sem direito a voto).
Em entrevista concedida ontem à noite, Falco disse esperar reação: "Acho que eles [os concorrentes] vão tentar impedir o negócio. Mas o fato é que o Brasil tomou a decisão de não ter duas plataformas [no setor de telecomunicações], e sim três".
Segundo ele, o mundo assiste a um processo de intensa concentração no mercado de telecomunicações. Os grandes grupos passaram a atuar em diversos segmentos: telefonia fixa, celular, acesso à internet e transmissão de dados. E citou o exemplo dos EUA, onde, depois de muitas fusões e aquisições, restaram três grandes: AT&T, Qwest e Verizon.
Para competir com os gigantes internacionais Telefónica e América Móvil, a Oi tentará conquistar mercados no exterior. A meta é atrair 30 milhões de clientes estrangeiros em cinco anos. Falco mira América Latina, Europa e África.
Segundo ele, para competir no país com os grupos espanhol e mexicano, a Oi precisará de escala e se tornar uma operadora global. Exemplo: mesmo no Brasil, a nova Oi larga na terceira posição no bilionário mercado de telefonia celular, com 17,9% dos clientes. A Claro tem 25% e a Telefónica detém 56,7%, incluindo a operação da TIM no Brasil (o grupo espanhol comprou participação no controle da Telecom Italia, dona da TIM) -as duas atuam de forma independente).
Do ponto de vista financeiro, a Oi nasce com receita anual de R$ 29,3 bilhões, contra R$ 41,5 bilhões do grupo Telefónica (incluindo TIM), e supera a Claro (R$ 20,5 bilhões). Os números são de 2007.
Mas, na comparação internacional, o quadro muda: a Oi, que não tem negócios lá fora, mantém os R$ 29,3 bilhões. Já os espanhóis tiveram receitas de R$ 240,1 bilhões, contra R$ 81,3 bilhões do grupo mexicano, sempre levando em conta os resultados do ano passado.

Reportagem dee ROBERTO MACHADO na Folha de São Paulo de 26/04/08

As terras indígenas são uma ameaça à soberania nacional

As terras indígenas são uma ameaça à soberania nacional?

O "jardim antropológico" é uma insensatez

TODOS OS países americanos se confrontaram com a questão indígena. É indiscutível que em todos eles a relação entre europeus colonizadores e a população nativa foi originariamente conflituosa. Esse conflito conduziu ao extermínio das populações costeiras (Brasil), levando os nativos a se refugiarem no interior remoto de cada um desses países.
É a partir sobretudo do século 19 que se diferenciam a conduta dos europeus e a de seus descendentes nas Américas. Nos EUA, a opção da população branca foi o extermínio dos nativos: "a good indian is a dead indian".
O Brasil não teve política indigenista até o início do século 20. O índio foi romantizado por José de Alencar e outros. Mas a conduta real, por parte dos que se adentraram pelo Oeste, foi de espoliação das terras indígenas, com violenta expulsão dos nativos.
A política indigenista no Brasil não foi, originariamente, formulada pelo governo federal, e sim por esse grande pioneiro que foi o general Rondon.
Encarregada da extensão das linhas telegráficas até Cuiabá, a Missão Rondon, como foi designada, se defrontou com as populações indígenas do interior do país. A política adotada por Rondon foi a de total respeito aos índios, reconhecidos como legítimos proprietários das terras.
Meu saudoso pai, general Francisco Jaguaribe de Mattos, então jovem capitão, foi o geógrafo e cartógrafo da missão. Dele tenho narrativas diretas de como se procedia então. Seus membros, nos freqüentes encontros com os índios, os abordavam pacificamente, incorporando os que desejassem. O lema de Rondon era: "Morrer se necessário, matar, nunca".
A política indigenista de Rondon partia do suposto de que o índio era o brasileiro nativo, que devia ser tratado respeitosamente pelos civilizados e induzido, pacificamente, a se incorporar à cidadania, recebendo conveniente educação e assistência.
A República manteve a política indigenista de Rondon. De acordo com suas idéias (ele mesmo tendo ascendência indígena), estimava-se que, gradualmente, a total população indígena, ora da ordem de 700 mil entre 190 milhões de habitantes, seria incorporada à cidadania brasileira.
Em anos mais recentes, a política indigenista brasileira passou a ser orientada por etnólogos. Estes, diversamente de Rondon, não intentavam a pacífica incorporação do índio, mas a preservação das culturas indígenas. Para isso, adotou-se a prática da delimitação de amplas áreas nos sítios povoados por índios, como reservas.
A política de reservas vem sendo aplicada sem levar em conta os imperativos de defesa nacional, o que ocorre nos diversos casos em que elas se estendem até nossas fronteiras com países vizinhos. As autoridades militares têm alertado o governo, com toda a razão, sobre o perigo da prática.
Por essas e outras razões, a política indigenista brasileira requer uma urgente a ampla revisão. Desde logo, independentemente da nova orientação que se lhe dê, é preciso estabelecer uma faixa que acompanhe as fronteiras do Brasil com outros países e dela excluir as reservas indígenas. Em termos mais amplos, importa questionar: que objetivos deve ter tal política, ademais da proteção do índio?
Por outro lado, a perpetuação de culturas nativas, em que se fundamenta, no Brasil, a política de reservas, carece de sentido. Em termos antropológicos, pois é impossível sustar o processo civilizatório. As populações civilizadas do mundo são descendentes de populações tribais, que seguiram, em todos os países, o secular caminho que leva paleolíticos a se transformarem em neolíticos e estes, em civilizados. Criar um "jardim antropológico", à semelhança de um jardim zoológico, é uma insensatez. Cabe ao governo federal zelar pela unidade do país, e não contribuir para autonomizar supostas nações indígenas que, no limite do caso, poderiam apelar para a ONU para lhes salvaguardar a independência e ser objeto de penetração estrangeira.
A nossa política indigenista não pode ter outro objetivo senão o da incorporação pacífica do índio à cidadania brasileira, para tal lhe dando toda a assistência requerida: sanitária, educacional e profissional.

HELIO JAGUARIBE na Folha de 26/04/08

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HELIO JAGUARIBE, 85, sociólogo, é decano emérito do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (RJ), membro da Academia Brasileira de Letras e autor de, entre outras obras, "Um Estudo Crítico da História".

Meu comentário:
É dever de cada cidadão brasileiro preservar a integridade física do território brasileiro, território conquistado com a vida e morte de muitos ancestrais, é crime de lesa-pátria a entrega de territórios fronteiriços à ONGs estrangeiras, que defendem os interesses de outros países.

Perguntas, só por perguntar

O PSDB nasceu, a rigor, para que seus caciques paulistas (Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, José Serra, Franco Montoro, para citar só os principais) se livrassem da inconveniência de chamar de companheiro a Orestes Quércia.
Agora, o cacique tucano José Serra não vê mais inconveniente em chamar Quércia de companheiro, tanto que foi o articulador, nas sombras, do acordo para que o PMDB, a marca fantasia do quercismo em São Paulo, apoiasse Gilberto Kassab, que, aliás, é do DEM, cujas lideranças mais antigas sempre estiveram na margem oposta à dos líderes que viriam a ser tucanos, até a campanha de 1994. Lembra-se? Eu me lembro.
A pergunta seguinte inevitável é: mudou Quércia? Mudaram os tucanos? Ou são mesmo todos farinha do mesmo saco?
Agora, perguntas para o PT. Diz nota da Executiva, ao vetar o acordo do prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel, com o governador tucano Aécio Neves, que "os diretórios nacional e estadual do PT consideram o governo Aécio Neves uma administração comprometida com políticas frontalmente distintas daquelas que compõem nosso ideário e o nosso programa de governo".
Beleza. Podemos todos, então, deduzir que Quércia, sim, é compatível com o PT, já que o partido, em São Paulo, buscou ansiosamente coligar-se com ele? Que Fernando Collor é compatível com o PT, aliados que são no Senado? Que Paulo Maluf é compatível com o PT, posto que faz parte da base de sustentação do governo Lula?
Aliás, se fosse para levar a ferro e fogo a nota do PT, o governo Lula também é incompatível com o partido, porque a política econômica é comandada por Henrique Meirelles, eleito pelo mesmo PSDB de Aécio Neves, por sua vez incompatível com o "ideário" petista.
É tudo tão ridículo.

De Clóvis Rossi na Folha de São Paulo de 26/04/08

Éramos todos negros

ATÉ ONTEM , éramos todos negros

A você que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: não seja ridículo

ATÉ ONTEM , éramos todos negros. Você dirá: se gorilas e chimpanzés, nossos parentes mais chegados, também o são, e se os primeiros hominídeos nasceram justamente na África negra há 5 milhões de anos, qual a novidade?
A novidade é que não me refiro a antepassados remotos, do tempo das cavernas (em que medíamos um metro de altura), mas a populações européias e asiáticas com aparência física indistinguível da atual.
Trinta anos atrás, quando as técnicas de manipulação do DNA ainda não estavam disponíveis, Luca Cavalli-Sforza, um dos grandes geneticistas do século 20, conduziu um estudo clássico com centenas de grupos étnicos espalhados pelo mundo.
Com base nas evidências genéticas encontradas e nos arquivos paleontológicos, Cavalli-Sforza concluiu que nossos avós decidiram emigrar da África para a Europa há meros 100 mil anos.
Como os deslocamentos eram feitos com grande sacrifício, só conseguiram atingir as terras geladas localizadas no norte europeu cerca de 40 mil anos atrás.
A adaptação a um continente com invernos rigorosos teve seu preço. Como o faz desde os primórdios da vida na Terra sempre que as condições ambientais mudam, a foice impiedosa da seleção natural ceifou os mais frágeis. Quem eram eles?
Filhos e netos de negros africanos, nômades, caçadores, pescadores e pastores que se alimentavam predominantemente de carne animal. Dessas fontes naturais absorviam a vitamina D, elemento essencial para construir ossos fortes, sistema imunológico eficiente e prevenir enfermidades que vão do raquitismo à osteoporose; do câncer, às infecções, ao diabetes e às complicações cardiovasculares.
Há 6.000 anos, quando a agricultura se disseminou pela Europa e fixou as famílias à terra, a dieta se tornou sobretudo vegetariana.
De um lado, essa mudança radical tornou-as menos dependentes da imprevisibilidade da caça e da pesca; de outro, ficou mais problemático o acesso às fontes de vitamina D.
Para suprir as necessidades de cálcio do esqueleto e garantir a integridade das demais funções da vitamina D, a seleção natural conferiu vantagem evolutiva aos que desenvolveram um mecanismo alternativo para obter esse micronutriente: a síntese na pele mediada pela absorção das radiações ultravioletas da luz do sol.
A dificuldade da pele negra de absorver raios ultravioletas e a necessidade de cobrir o corpo para enfrentar o frio deram origem às forças seletivas que privilegiaram a sobrevivência das crianças com menor concentração de melanina na pele.
As previsões de Cavalli-Sforza foram confirmadas por estudos científicos recentes.
Na Universidade Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan Pritchard realizaram exames de DNA em 52 grupos de habitantes da Ásia, África, Europa e Américas.
Conseguiram dividi-los em cinco grupos étnicos cujos ancestrais estiveram isolados por desertos extensos, oceanos ou montanhas intransponíveis: os africanos da região abaixo do Saara, os asiáticos do leste, os europeus e asiáticos que vivem a oeste do Himalaia, os habitantes de Nova Guiné e Melanésia e os indígenas das Américas.
Quando os autores tentaram atribuir identidade genética aos habitantes do sul da Índia, entretanto, verificaram que suas características eram comuns a europeus e a asiáticos, achado compatível com a influência desses povos na região.
Concluíram, então, que só é possível identificar indivíduos com grandes semelhanças genéticas quando descendem de populações isoladas por barreiras geográficas que impediram a miscigenação.
No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsável pelo aparecimento da pele branca européia.
Num estudo publicado na revista "Science", o grupo de Keith Cheng seqüenciou esse gene em europeus, asiáticos, africanos e indígenas do continente americano.
Tomando por base o número e a periodicidade das mutações ocorridas, os cálculos iniciais sugeriram que as variantes responsáveis pelo clareamento da pele estabeleceram-se nas populações européias há apenas 18 mil anos.
No entanto, como as margens de erro nessas estimativas são apreciáveis, os pesquisadores tomaram a iniciativa de seqüenciar outros genes, localizados em áreas vizinhas do genoma. Esse refinamento técnico permitiu concluir que a pele branca surgiu na Europa, num período que vai de 6.000 a 12 mil anos atrás. A você, leitor, que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho apenas um conselho: não seja ridículo.


De Dr. DRAUZIO VARELLA na Folha de São Paulo de 26/04/2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O biocombustível provoca falta de alimentos e destrói a floresta amazônica

Haitianos continuar a comer bolinhos feitos de barro, óleo e açúcar.

Países produtores proíbem exportações de arroz para evitar desabastecimento do mercado interno desses países e a Argentina adotou idêntico procedimento com o trigo e os haitianos continuar a comer bolinhos feitos de barro, óleo e açúcar.
Estas duas proibições de exportações de alimentos comprovam o que este blogueiro afirma há muito tempo, em conversas com amigos e publicado em janeiro de 2007 e desmente categoricamente a afirmação de “nosso guia” sobre os biocombustíveis.
O que nossos palpiteiros de plantão em Brasília não perceberam e ainda fingem não ver é que para encher os tanques famintos dos automóveis no mundo inteiro com soja, milho, cana, beterraba, uva e outros alimentos seria preciso deixar a humanidade passar fome, pois a produção mundial de alimentos estava estabilizada até o começo do século 21, mas historicamente a produção de alimentos sempre foi deficitária e somente no século 20, com o uso de novas tecnologias e do adubo, é que o homem conseguiu produzir sobras confortáveis de alimentos, principalmente nos Estados Unidos da América do Norte.
Nos últimos séculos a escassez de algum alimento era compensada pela compra deste alimento no país que produzia em excesso, então quando o clima não era propício compensava-se a pequena safra .
pelos estoques reguladores, ou pela importação, até que o clima e as leis de mercado fizessem o ajuste.
Quero frisar que o excesso de produção era relativamente pequeno em comparação com o consumo global e também que as áreas agricultáveis já estavam e estão esgotadas na América do Norte, na Europa e Ásia, para expandir a produção agrícola e pecuária restavam o investimento em novas tecnologias e as terras ainda não aproveitadas da África, que está sempre em guerra tribal, resta também um pouco do cerrado e o semi-árido brasileiros.
A Austrália, está fora desta conta, pois enfrenta 6 anos de seca e os produtores rurais estão a vender o direito de uso da água, o que implica o comprometimento futuro dos plantios irrigados, pois na Austrália o direito de uso da água é mais importante que o valor das terras
Porém quando a maior economia do planeta resolve encher o tanque de seus automóveis com álcool produzido a partir do milho, e este é o fato novo, o fato desestabilizado da produção e oferta de alimentos, fica evidente que este milho fará falta no prato dos huamos.
Como vocês sabem, os norte-americanos consomem cereais, panquecas, bacon, frangos, hambúrgueres,carnes variadas de bovinos, suínos, aves, etc... todos alimentos cuja base é o milho, seja como ingrediente direto ou através da ração que alimenta os animais que produzem tais alimentos.
Agora que o “Tio Sam” resolveu abastecer o tanque de seus automóveis com etanol produzido pela fermentação e destilação do milho, então fica assim: consome-se mais milho e o preço do milho sobe, substitui-se o milho nos alimentos por soja e esta soja também é empregada para fazer bio-diesel, então todos outros alimentos sobem de preço.
E o Brasil e a cana-de-açúcar? O que temos a ver com isto?
Os defensores dos biocombustíveis alegam que a cana não prejudica a produção de alimentos. Isto não verdade.
O estado de São Paulo que é o maior produtor de álcool do Brasil planta cana em terras que antes eram cobertas por arroz, milho, feijão, soja, e pastagens para o gado. Os outros estados seguem a mesma trajetória, vão plantando cana em terras antes usadas para outras culturas.
A grande expansão agropecuária brasileira aconteceu por causa do emprego de novas tecnologias e a conquista do cerrado e o semi-árido irrigável artificialmente, mas agora a nova fronteira agrícola á a exterminação da floresta amazônica.
Alguns especialistas dizem que o Brasil poderia expandir sua produção de álcool utilizando novas tecnologias nas áreas já exploradas, mas tudo isto tem um limite, e aí entra a Amazônia com suas imensas terras inexploradas e é por isto que digo que os biocombustíveis serão a desgraça da Amazônia.
Os biocombustíveis são muito eficientes para um país como o Brasil onde existe abundância de terras para nós brasileiros,só nos brasileiros, mas não é suficiente para abastecer os automóveis do mundo inteiro, e certamente quando países que não tem as mesmas vantagens do Brasil, resolvem fazer etanol de milho, beterraba, etc. vão retirar alimentos da mesa dos habitantes deste pequenino planeta; aliás alguém já disse que se todos os países consumissem o equivalente ao consumo do americano, seria necessário dez planetas Terra para dar conta de tal desperdício.

José Geraldo da Silva

Meteorologia do pânico da comida

Otimismo sobre safra de trigo reduz preços, mas arroz ainda dispara e ninguém se entende sobre inflação da comida

O PÃOZINHO pode ficar menos caro. Já o franguinho comedor de milho, não. Relatório do Conselho Internacional de Grãos publicado ontem estima que a safra mundial de trigo (2008/09) será maior que o consumo, após dois anos no vermelho. Já o déficit global de milho deve continuar, pelo terceiro ano. Além de pipoca, frangos e porcos, de milho também se faz uma série de insumos de comida industrializada, como xaropes, amido etc.
Milho caro é inflação na veia. Na semana, houve mais notícias de relativo alívio a respeito do trigo -embora no final do ano passado a gente também tenha ouvido essa conversa. A Ucrânia revogou a restrição a exportações. Há boas perspectivas para as colheitas de Índia, Rússia e entorno, de Europa e China. Há chuvas boas na Austrália e na Argentina, embora os prognósticos dependam da água que vá cair nos EUA e no Canadá e do calor no norte da África. Nos grandes mercados mundiais de trigo, os preços caíram bastante ontem.
Parece a notícia da meteorologia no rádio ou boletins sobre Bolsas da TV. A alimentação e a inflação do mundo vão depender assim dessas cotações de feira semanal?
O preço do trigo está no dobro da média histórica. Nos portos europeus e americanos, está entre 60% e 70% mais caro que em abril do ano passado. Apesar da alta contínua no consumo depois de 2002, a coisa explodiu mesmo em 2007, pois.
Está difícil de achar uma análise menos inconclusiva sobre os fatores específicos da alta; a série de dados é recente e transtornada demais pelo estouro de preços e pelos novos consumidores. A gente ouve negociantes e estes dizem tanto que o arroz vai continuar em alta como que o grão pode cair 30% em seis meses. O pessoal do mercado financeiro que cuida de investimentos em índices de commodities ri feliz como em tempos de bolha, pois fazem bom dinheiro. Há muita demagogia, política nacionalista e interesses comerciais fazendo ruído no debate.
Mas as multidões que passaram a comer mais no mundo pobre e/ou remediado não devem deixar de fazê-lo, excetuada a hipótese improvável de uma catastrófica recessão mundial. Custos menores de produção e transporte ajudariam a reduzir o preço da comida (o frete marítimo equivale de 15% a 20% do preço dos grãos). Mas produção e transporte dependem de petróleo, que ora custa US$ 120 e está escasso mesmo. De resto, custo menor de produção não implica safras maiores.
Há quem diga que uma queda marginal no consumo de comida e até de petróleo derrubaria preços. Ou que a explosão de preços do final do ano para cá tem um pouco de especulação, de queda do dólar e bastante de pânico, de corrida para a proteção e formação de estoques. Até nos EUA hipermercados impõem cotas para o consumidor, mas parece lunático achar que vá faltar arroz nos Estados Unidos.
Até a semana passada, o arroz nos portos tailandeses estava 196% mais caro que em abril de 2007 (quando estava na média da década). A Tailândia negocia 30% do arroz mundial e diz que tem mercadoria. No resto, ninguém quer vender arroz. E está difícil até de tomar emprestado uma opinião segura sobre o pânico mundial dos preços da comida.

De VINICIUS TORRES FREIRE na Folha de São Paulo de 25/04/08

Sarau do povo erótico

Vejam este vídeo que a participação do Manoel Hélio

http://www.youtube.com/watch?v=plrutA-pgws

terça-feira, 22 de abril de 2008

Viagem ao Nordeste - Jijoca de Jericoacoara, Mangue Seco, Jericoacoara

21/02.2008
6:30 - Café da manhã
7:30 - Saimos de Jijoca em direção à Jericoacoara em companhia de um guia muito simpático, bom de papo e muito agradável chamado Bruno.
Papo vai, papo bem e nossa companheira de viagem descobre que o guia nasceu em Mogi das Cruzes, daí pra frente tornaram-se "família".

8:40 - Avistamos o mar, após mais de 3 mil quilômetros e 5 dias de estrada, estamos na praia de Mangue Seco e para conhecer a praia percorremos no "Celta" toda a praia de Mangue Seco, o
Celta" é valente.

Prosseguindo em direção a Jeri, passamos pela Duna do Por do Sol de onde é possível avistar a vila e o por do sol dentro do mar.
O guia "Bruno" nos recomendou a pousada PARAÍSO, onde nos hospedamos e ficamos dois dias e duas noites, acomodamos nossos pertences, fomos dar uma esticada nos arredores para conhecer "JERI"
Tomei umas geladas na areia, andei um pouco, vi umas lojas, enquanto os outros três se deliciavam com as vitrines da "Oscar Freire" de Jeri, ou seja uma rua frente à praia cheia de lojas chiques e caras, até a Juliana Paes desfilando sua enorme b....
13:00 - Almoçamos fomos descansar à sombras e uma árvore, ali no meio da rua, depois relax na cama

16:30 - O Álvaro e Maria foram até a Duna do Por do S0l, mas o astro rei estava envergonhado, coberto de nuvens e não foi possível vislumbrá-lo.
Eu, José Geraldo, dormi a tarde inteira, tava precisando relaxar do estresse, e a Maria Conceição ficou de bobeira, como ela mesma escreveu, saí praticamente ao entardecer.
À noite, o Álvaro, a Maria Auxiliadora e a Conceição ficaram proseando e eu o José dormí, afinal eu sou bom de cama.
22/02/2008
7:00 - Café da manhã na Pousada Paraíso.
8:00 - Fomos ver a "Pedra Furada", a Praia do Frade, a Piscina da Princesa, o Aquário...

12:30 - Almoçamos num restaurante pequenino cuja dona é uma simpatia.
Depois do almoço ficamos andando pelas lojas da vila e aproveitando a praia
17:00 - Ao entardecer subimos na Duna do Por do Sol e mais uma vez não conseguimos ver o por do sol dentro do mar, acho até que isto é uma piada ou "marketing" para atrair incautos.

19:00 - Para relaxar, fomos comer uma pizza, tomar uma cerveja e jogar conversa fora, como eu já previa, pizza paulista, só tem em São Paulo, ou em restaurantes que importaram pizzaiolos paulistas.

23/02/2008
7:00 Tomamos café da manhã, consultamos o tempo e as nuvens no céu diziam que por mais um dia não haveria por do sol no mar, então resolvemos botar as malas no "Celta" e começar nosso retorno para o Sul.


Veja e leia esta história em 7 capítulos.
Capítulo 1- início -
 Viagem ao Nordeste - São Paulo, Jericoacoara                         São Paulo, Cristalina, Brasília, Barreiras, Canto do Buriti, Terezina, Jijoca e finalmente, nosso destino: Jericoacoara 

Fidel Castro: Biocombustíveis causam fome e mortes a três bilhoes de pessoas

Texto de FIDEL CASTRO no "Granma" de março de 2007

Mais de três bilhões de pessoas estão condenadas a mortes prematuras por fome e sede, em todo o mundo.

Não se trata de um número exagerado; na verdade, é uma estimativa cautelosa. Pensei bastante sobre isso depois da reunião do presidente Bush com as montadoras de automóveis norte-americanas.

No dia 26 de março, a sinistra idéia de converter alimentos em combustíveis se estabeleceu definitivamente como diretriz econômica de política externa para os Estados Unidos.
Um artigo da agência de notícias norte-americanas AP, distribuído a todos os cantos do mundo, afirmava, textualmente:

"WASHINGTON, 26 de março (AP). O presidente George W. Bush elogiou na segunda-feira os benefícios dos automóveis que funcionam com etanol e biodiesel, durante uma reunião com montadoras de automóveis na qual buscou estimular seus planos para combustíveis alternativos.

Bush disse que um compromisso dos líderes da indústria automobilística nacional quanto a duplicar sua produção de veículos acionados por combustíveis alternativos ajudaria a convencer os motoristas a abandonar os motores a gasolina e a reduzir a dependência do país com relação ao petróleo importado.

'Trata-se de um grande avanço tecnológico para o país', disse Bush depois de inspecionar veículos movidos a combustíveis alternativos. 'Se o país quer reduzir o consumo de gasolina, é preciso oferecer ao consumidor a possibilidade de tomar uma decisão racional.'

O presidente instou o Congresso a aprovar em regime acelerado um projeto de lei proposto recentemente pelo governo que disporia o uso de 132 bilhões de litros de combustíveis alternativos no país em 2017, e imporia padrões mais exigentes para o consumo de combustível em automóveis.

Bush se reuniu com o presidente-executivo e do conselho da General Motors, Rich Wagoner; com o presidente-executivo da Ford Motor, Alan Mulally; e com o presidente-executivo do Chrysler Group, Tom LaSorda.

Os participantes da reunião discutiram medidas de apoio à produção de veículos acionados por combustíveis alternativos, metas para desenvolver a produção de etanol com base em materiais como gramíneas e serragem, e uma proposta para reduzir em 20% o consumo de gasolina em prazo de 10 anos.

As discussões se realizaram em um momento de alta nos preços da gasolina. O mais recente estudo da Lundberg Survey sinaliza que o preço médio da gasolina nos Estados Unidos subiu em 1,58 centavo por litro, para US$ 0,69 por litro."

Acredito que reduzir e também reciclar todos os motores que consomem eletricidade e combustível é uma necessidade elementar e urgente para toda a humanidade. A tragédia não consiste em reduzir os gastos com a energia, mas sim na idéia de converter alimentos em combustíveis.

Hoje se sabe com toda precisão que uma tonelada de milho produz uma média máxima de 413 litros de álcool, a depender das densidades.

O preço médio do milho nos portos dos Estados Unidos se eleva a US$ 167 por tonelada; portanto, para produzir 132 bilhões de litros (35 bilhões de galões) de álcool seriam precisos 320 milhões de toneladas de milho.

De acordo com dados da Organização Mundial de Agricultura (FAO), a safra de milho dos Estados Unidos foi de 280,2 milhões de toneladas em 2005.

Ainda que o presidente fale em produzir combustível com base em grama ou lascas de madeira, qualquer pessoa pode compreender que são afirmações desprovidas de realismo. Para compreender basta dizer que 35 bilhões de galões querem dizer 35 seguido por nove zeros!

Virão mais tarde belos exemplos da produtividade por pessoa e por hectare que os experientes e bem organizados agricultores norte-americanos atingiram: o milho convertido em álcool os resíduos de milho convertidos em ração animal com 26% de proteína; o excremento de gado usado como matéria-prima para a produção de gás. Isso, claro, depois de elevados investimentos que só estão ao alcance das empresas mais poderosas, nas quais tudo precisa funcionar na base do consumo de eletricidade e combustível.

Se essa receita for aplicada aos países do Terceiro Mundo, veremos quantas pessoas entre as massas famintas de nosso planeta deixarão de comer milho. Ou algo pior: se financiamentos forem concedidos aos países pobres para que produzam álcool de milho ou de outros alimentos, não restará uma árvore para defender a humanidade contra as alterações climáticas.

Outros países do mundo rico planejam usar não só milho mas também trigo, sementes de girassol, de colza e outros alimentos na produção de combustível. Para os europeus, por exemplo, seria negócio importar toda a soja do mundo a fim de reduzir o gasto com os combustíveis de seus automóveis e alimentar seus animais com os resíduos do cereal, especialmente rico em todos os tipos de aminoácidos essenciais.

Em Cuba, diversos tipos de álcool são gerados como subproduto da indústria açucareira, depois da realização de três extrações, do açúcar ao sumo de cana. A mudança do clima está afetando nossa produção de açúcar. Grandes secas e chuvas recorde se alternam, e isso só permite produzir açúcar durante cem dias com rendimento adequado nos meses do nosso muito moderado inverno, de modo que falta açúcar por tonelada de cana ou falta cana por hectare cultivado devido às prolongadas secas nos meses de semeadura e cultivo.

Na Venezuela, pelo que sei, eles planejam usar o álcool não para exportação, mas sim para melhorar a qualidade ambiental de seus combustíveis. Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para a produção de álcool, em Cuba o emprego da tecnologia de produção direta de álcool a partir do sumo da cana não constitui mais que um sonho ou desvario daqueles que se iludem com essa idéia. Em nosso país, as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser muito mais úteis à produção de alimentos para o povo e à proteção do meio ambiente.

Todos os países do mundo, ricos e pobres, sem exceção alguma, poderiam economizar milhões de milhões de dólares em investimento e combustível se simplesmente promovessem a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes, algo que Cuba já levou a cabo em todos os domicílios do país. Isso significaria uma forma de resistir à mudança do clima sem matar de fome as massas empobrecidas do mundo.

Como se pode observar, não emprego adjetivos para qualificar o sistema e os donos do mundo. Essa tarefa pode ser perfeitamente realizada pelos especialistas em informação, pelos homens das ciências socioeconômicas e políticas honestos que existem em grande número no mundo e constantemente avaliam o presente e o porvir de nossa espécie. Basta um computador e um número crescente de redes de Internet.
Hoje temos pela primeira vez uma economia realmente globalizada, e uma potência dominante no terreno econômico, político e militar, que em nada se assemelha à Roma dos imperadores.

Alguns se perguntam por que falo de fome e sede. Respondo: não se trata do outro lado da moeda, mas sim das diversas faces de um outro objeto, como um dado que tem seis faces ou um poliedro com muitas faces mais.

Recorro, no caso, a uma agência oficial de notícias, fundada em 1945 e em geral bem informada sobre os problemas econômicos e sociais do mundo: a Telam. Reproduzo textualmente:

"Cerca de dois bilhões de pessoas viverão, dentro de apenas 18 anos, em países e regiões nos quais a água será uma recordação distante. Dois terços da população mundial poderão estar vivendo em lugares onde essa escassez gerará tensões sociais e econômicas de tal magnitude que poderiam levar os povos a guerras pelo precioso ouro azul."

Durante os últimos cem anos, o uso de água aumentou em ritmo mais de duas vezes superior ao do crescimento da população.

Segundo estatísticas do Conselho Mundial da Água (WMC, de sua sigla em inglês), se estima que, em 2015, o número de pessoas afetadas por essa grave situação suba a 3,5 bilhões.

A ONU celebrou em 23 de março o Dia Mundial da Água, conclamando os países a enfrentar a escassez mundial de água sob a coordenação da Organização de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO), com o objetivo de destacar a crescente importância da falta de água em nível mundial, e a necessidade de maior integração e cooperação, que permitam garantir uma gestão sustentável e eficiente dos recursos híbridos.

Muitas regiões do planeta sofrem escassez severa de água, vivendo com menos de 500 metros cúbicos por pessoa/ano. Cada vez mais regiões padecem de falta crônica desse elemento vital.

As principais conseqüências da escassez de água são a quantidade insuficiente desse líquido para a produção de alimentos, a impossibilidade de desenvolvimento, industrial, urbano e turístico, e problemas de saúde."

É isso que a Telam tem a dizer.

Deixo de mencionar nesse caso outros dados importantes, como o derretimento das geleiras na Groenlândia e na Antártida, os danos à camada de ozônio e a crescente presença de mercúrio em muitos peixes de consumo habitual.

Há outros temas que poderiam ser abordados, mas pretendo simplesmente com estas linhas fazer um comentário sobre a reunião do presidente Bush com os executivos que dirigem as montadoras de automóveis norte-americanas.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Lula o "cavalo de Tróia" dos biocomtíveis e da fome no mundo

A negociaçãoe a promocão sobre o etanol foi o tema principal da reunião entre os presidentes Lula e George W.Bush, em março de 2007n nos Estados Unidos.
Para Lula, a reunião foi uma demonstração de colaboração entre os dois chefes de estado.
"É indiscutível que tenha havido um aumento do nível da relação", disse hoje à imprensa o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.
A "alavanca" que propiciou a mudança - disse Amorim - é o etanol, que se tornou da noite para o dia o combustível da moda nos Estados Unidos.
Durante a escalada do preço do petróleo no ano passado, Washington se voltou para os países em desenvolvimento e descobriu que o Brasil conta com a tecnologia mais avançada para a destilação e uso deste produto.
No início deste mês e durante a visita oficial do presidente Bush ao Brasil, Amorim e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram um memorando de entendimento para cooperação na produção e no estímulo ao consumo de biocombustíveis em escala mundial.
Os presidentes divulgaram que um dos primeiros países que serão afetados pelo biocombústivel será o Haiti, pois é um caso óbvio. Outros países serão afetados. afirmou Amorim.

Baseado em reportagens de março de 20007

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Alta de alimentos no mundo coloca governos sob pressão

Comida típica dos haitianos mais miseráveis: bolinhos feitos de barro, óleo e açúcar

Países pobres e em desenvolvimento tornaram-se alvo de instabilidade política

Com dificuldades de comprar alimentos, que ficaram mais caros, população de países na África, na Ásia e na América exige medidas do governo

Protesto contra alta dos alimentos em Porto Príncipe, no Haiti

A fome derrubou o portão de entrada do palácio presidencial do Haiti e causou a demissão do primeiro-ministro do país. A fome do Haiti se tornou mais intensa nos últimos dias à medida que os preços mundiais dos alimentos disparam em uma alta sem controle, que já supera os 45% do final de 2006 para cá e fez dos alimentos básicos haitianos como o arroz, o feijão e o milho tesouros protegidos com o maior cuidado.
Há alguns dias, os filhos de Saint Louis Meriska receberam apenas duas colheres de arroz na única refeição que fizeram.
No dia seguinte, eles ficaram sem comida. O pai, desempregado, contemplava o chão ao dizer: "Eles me olhavam e diziam que estavam com fome. E eu nada podia fazer. Isso é humilhante e causa raiva".
Na Índia, as pessoas estão dando menos leite às suas crianças. As vasilhas servidas diariamente estão ficando mais ralas, já que um saco de lentilha precisa render cada vez mais refeições.
A crise dos alimentos não está sendo sentida apenas pelos pobres, mas vem erodindo os ganhos da classe trabalhadora e da classe média, semeando uma insatisfação crescente e colocando ainda mais pressão sobre governos frágeis.
No Egito, as Forças Armadas foram encarregadas de assar pão para a população. Lá, a alta dos alimentos ameaça se tornar a fagulha que deflagraria uma explosão de ira contra um governo repressivo.
Em Burkina Fasso e outros países africanos ao sul do Saara, distúrbios pela falta de alimentos também vêm surgindo. Na razoavelmente próspera Malásia, a coalizão governante foi quase derrubada pelos eleitores, que mencionam os aumentos nos preços dos alimentos como sua preocupação.
"Trata-se da maior crise desse tipo que vivemos em mais de 30 anos", disse Jeffrey Sachs, economista e assessor especial de Ban Ki-moon, secretário geral das Nações Unidas. "É uma questão grave e obviamente ameaça muitos governos. Diversos deles já estão sob forte assédio e acredito que conseqüências políticas ainda mais graves virão".
De fato, a alta nos preços das commodities, a maior desde a era Nixon (1969-1974), vem opondo o sul pobre do mundo ao norte relativamente próspero e reforçando a demanda por reformas nas políticas agrícolas dos países desenvolvidos.
Mas os especialistas dizem que não há soluções rápidas para uma crise vinculada a tantos fatores. Na Ásia, os governos estão colocando em vigor medidas que limitarão os estoques caseiros de arroz, depois que consumidores entraram em pânico diante da alta de preços e começaram a adquirir o produto em grande volume.
Mesmo na Tailândia, que tem excedente de 10 milhões de toneladas de produção de arroz com relação ao consumo e é o maior exportador mundial do produto, os supermercados estão exibindo cartazes que limitam a quantidade que cada comprador pode adquirir.

Tempestade escandalosa
"Estamos vivendo a tempestade perfeita", disse o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, no Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina, em Cancún, México, na última quarta-feira. "Por quanto tempo mais poderemos suportar essa situação? Temos de alimentar nossos povos e as commodities se tornaram escassas.
Essa tempestade escandalosa pode se tornar um furacão que varreria não só as nossas economias, mas também a estabilidade de nossos países."
Na Ásia, caso o primeiro-ministro malaio Abdullah Ahmad Badawi renuncie, o que parece cada vez mais provável em meio ao tumulto que vem abalando seu partido desde a eleição, ele pode se tornar o primeiro líder político da região a cair vítima da inflação dos alimentos e dos combustíveis.
Na Indonésia, por medo de protestos, o governo revisou seu orçamento para 2008 e elevou o montante que dedicará ao subsídio de alimentos em cerca de US$ 280 milhões.
"A maior preocupação são conflitos causados pela falta de alimentos", disse H. S. Dillon, ex-assessor do Ministério da Agricultura da Indonésia.
No mês passado, no Senegal, policiais portando equipamento de choque espancaram e atacaram com gás lacrimogêneo manifestantes que estavam protestando contra os preços altos. Muitos senegaleses expressaram raiva do presidente Abdoulaye Wade, que investiu pesadamente na construção de estradas e hotéis cinco estrelas para uma conferência realizada no mês passado, enquanto muitos dos cidadãos do país são incapazes de arcar com os preços do arroz ou do peixe.
O presidente René Préval, do Haiti, parece ter desafiado e insultado a população, enquanto o coro contra "a vida cara" ganhava volume nas ruas. Préval disse que, se os haitianos tinham dinheiro para comprar telefones celulares, deviam ter dinheiro para alimentar suas famílias. "Caso haja protesto contra a alta dos preços, venham ao meu palácio me procurar e sairei às ruas com vocês", disse Préval.
Quando os haitianos atenderam ao seu convite, enraivecidos e aos milhares, o presidente preferiu ficar protegido no palácio, enquanto sua guarda e as forças de paz das Nações Unidas resistiam à população. Após poucos dias, a oposição votou pela demissão do primeiro-ministro de Préval, Jacques-Édouard Alexis, levando o presidente a implementar reformas de governo.
"Por que fomos apanhados de surpresa?", perguntou Patrick Élie, ativista haitiano que acompanhou os tumultos na África, no começo deste ano, e temia que eles chegassem ao Haiti. "Quando algo está chegando de tão longe quanto Burkina Fasso, deveríamos estar preparados. O que tínhamos era como uma lata de gasolina deixada para que alguém a acendesse com um fósforo."
Em Níger, protestos em massa na capital, Niamey, levaram o governo a enfim voltar a sua atenção à crise alimentar há três anos, causada por uma complexa combinação de chuvas insuficientes, pragas de gafanhotos e manipulação do mercado por operadores.
"Como resultado dessa experiência, o governo criou um posto em nível de gabinete para enfrentar o problema do custo de vida elevado", disse Moustapha Kadi, ativista que ajudou a organizar os protestos de 2005.
"Quando os preços voltaram a subir neste ano, o governo agiu rapidamente para remover as tarifas sobre o arroz, que todo mundo come. A rapidez evitou que as pessoas saíssem às ruas."
No Haiti, onde 75% da população ganha menos de US$ 2 ao dia e 20% das crianças sofrem de subnutrição crônica, o único negócio que floresce nessa era sombria é a venda de bolinhos feitos de barro, óleo e açúcar, tipicamente consumidos apenas pelos mais miseráveis."Eles acalmam o estômago", disse Olwich Louis Jeune, 24, que nos últimos meses passou a comer mais desses bolinhos. Mas as queixas no Haiti hoje não se limitam ao estômago.
Elas estão sendo pichadas nos muros da capital e gritadas pelos manifestantes. Nos últimos dias, o presidente Préval deu uma resposta, usando verbas de assistência internacional e reduções de preços para os importadores a fim de cortar em cerca de 15% o preço de um saco de arroz. Ele também cortou os salários de alguns funcionários importantes do governo.
Mas essas medidas são consideradas temporárias. Soluções reais demorarão anos. Enquanto isso, a maioria dos haitianos mais pobres sofre em silêncio, fracos demais para protestar ou ocupados demais cuidando da próxima geração de famintos.
Em Cité Soleil, uma imensa favela haitiana, Placide Simone ofereceu um de seus cinco filhos a um desconhecido: "Pode levar", ela disse, segurando um bebê imóvel nos braços e apontando em direção a quatro crianças magérrimas, nenhuma das quais havia comido naquele dia. "Pode escolher. Basta alimentá-los."

De MARC LACEY DO "NEW YORK TIMES", EM PORTO PRÍNCIPE, HAITI
Tradução de PAULO MIGLIACCI

Na Folha de São Paulo de 21/04/08

domingo, 20 de abril de 2008

Biocombustíveis causam escassez de alimentos

Os biocombustíveis vão produzir escassez de alimentos?

Especialistas avaliam que o Brasil tem responsabidade na anunciada crise mundial de alimentos

Para o economista Sérgio Schlesinger, o Brasil tem responsabilidade direta na crise, e, se o atual cenário dos biocombustíveis se mantiver pela próxima década, o futuro estará comprometido. "O pior cenário é justamente continuar no caminho pelo qual as coisas estão indo."
Brasil tem participação direta na crise mundial dos alimentos, com pouca terra e água escassa, de acordo com o economista Sérgio Schlesinger, autor do livro "O Grão que Cresceu Demais: a soja e seus impactos sobre a sociedade e o meio ambiente" e pesquisador do Projeto Brasil Sustentável e Democrático e da ONG Fase. Segundo ele, a tendência é que os biocombustíveis acabem disputando o mesmo território dos alimentos. Confira:

G1 - Ao incentivar a produção de biocombustíveis, o Brasil contribui para a inflação mundial do preço dos alimentos?
Sergio Schlesinger - A minha opinião é que o Brasil contribui sim. O aumento do cultivo de produtos para os biocombustíveis é um dos fatores que contribuiu para essa alta dos alimentos. O Lula, por exemplo, disse que o preço dos alimentos está aumentando porque tem mais gente comendo. Isso é só parte da verdade.

G1 - Quais são as outras partes?
Schlesinger – A terra está escassa, a água também, os biocombustíveis concorrem com os alimentos na disputa de território e de água.

Há outra questão, que é a produção de carne. Para produzir carne, você tem que utilizar um território enorme para produzir a ração animal. A questão do modelo de produção de carne é um problema que a humanidade vai ter que encarar. Tanto isso quanto o padrão de consumo dos alimentos. Tanto que você vê que os chineses, na época de Mao Tse Tung, que tinham seus padrões culturais, não passavam fome. Mas agora estão comendo cada vez mais carne. Isso está acontecendo também na Índia, na América latina. Nós mesmos estamos comendo mais frango.

G1 - Uma recente reportagem da revista "Time" fala em uma reação em cadeia gerada pela produção de biocombustíveis, com consequências para países como o Brasil. Ela começaria com a invasão do plantio de soja, que deixa de ser produzida dos EUA, por ter perdido espaço para o milho. A soja passa a ser plantada no espaço usado para criação de rebanho. E, sem lugar para criar o gado, os pecuaristas devastam a Amazônia para criar bois. O sr. concorda com essa tese?
Schlesinger - Esse é só um dos lados. Aqui no caso do Brasil, esse deslocamento também está acontecendo muito por conta da cana-de-açúcar. São Paulo é o estado que mais produz cana no Brasil. Nesse estado, cresce a plantação de cana e diminui todo o resto. E diminui muito a área de pastagem, porque a terra está muito valorizada e não fica mais apropriada para criar gado.

São Paulo teve uma redução enorme do rebanho bovino e da produção de leite. Muitas dessas regiões não tem nem mais leite para consumo próprio. Com isso, o preço do leite para essas regiões cresce ainda mais.

Com relação aos EUA, o problema do etanol americano é o que mais impacta na questão do preço dos alimentos no mundo inteiro. Aumenta a área plantada com o milho - Brasil e Argentina são os que mais expandem a produção de soja para compensar e para ajudar no consumo da carne de outros países.

Com a produção do etanol, aumentou o preço do milho, um alimento humano forte. Aumentando o preço do milho e da soja, aumenta o preço da carne e dos laticínios. E começa uma reação em cadeia.

Isso liga a uma outra questão, que é a questão do clima. No Brasil, já há problemas no Rio Grande do Sul. Ou pela seca, ou pela geada. E isso também contribui para aumentar os preços dos alimentos.

G1 - Então, mais do que alimentar, o sr. diria que a crise é ambiental? Ou as perdas são da mesma dimensão?
Schlesinger - A crise é econômica, social e ambiental. Fortemente social e ambiental à medida que aumenta o preço dos alimentos. Lula diz que tem mais gente comendo, mas, ao mesmo tempo, tem gente comendo menos. Ele mesmo diz também que o mundo produz alimentos para alimentar todo mundo.

O problema é o acesso aos alimentos por conta da renda. Quando aumenta o preço do alimento, a renda relativa cai. Quando pensamos nas classes mais pobres da população mundial, tem muita gente reduzindo a quantidade de alimento que consome ou mesmo deixando de comer.

G1 - Qual o melhor e o pior cenário para a próxima década?
Schlesinger - No melhor cenário, o necessário seria a redução das emissões de gás carbônico, para reduzir os problemas de clima. Também seria preciso uma mudança desse modelo agropecuário, baseado nas grandes monoculturas, um novo modelo de produção de carnes e de padrões de consumo de alimentos e de combustíveis. Neste cenário, seria preciso pensar em soluções para que a humanidade precise menos de energia. O grande problema é que está se pensando que é possível, sem nenhum problema, substituir toda a gasolina pelo etanol e todo o óleo diesel pelo biodiesel.

O pior cenário é justamente continuar no caminho pelo qual as coisas estão indo. Assim, vamos ter sérias mudanças climáticas, aumento contínuo dos preços dos alimentos. No pior dos cenários há a destruição dos biomas, o aquecimento global e tudo isso.

G1 - Como o sr. avalia a declaração de que os biocombustíveis são um crime contra a humanidade?
Schlesinger - Ela é forte e acho que precisa de uma voz forte. De acordo com alguns critérios de linhas de pobreza, temos cerca de 1,2 bilhões de pessoas pobres. Tem gente que vive com menos de US$ 2 por dia e é uma catástrofe porque realmente estamos vendo o preço do trigo dobrar. Em vez de pensar em alimentar essa grande parcela da humanidade, o mundo pensa em alimentar automóveis e caminhões.

G1 - As críticas vêm, principalmente, de países desenvolvidos - apesar de as opiniões serem divididas, uma vez que os EUA também incentivam a produção do biocombustíveis e de a União Européia ter incentivado a mistura de biocombustíveis nos combustíveis comuns. Mas o sr. acha que isso pode ser uma maneira de inibir a competição de países em desenvolvimento como o Brasil?
Schlesinger - Essa é a visão do governo brasileiro, o seu discurso. Realmente é preocupante ver a União Européia ter uma meta dessas e não ter território nem água suficientes para produzir.

O que me preocupa é o Brasil querer se aproveitar desse cenário para querer aumentar as suas exportações. Essas exportações de produtos primários beneficiam gente, em primeiro lugar. Se não fosse isso o Brasil estaria muito bem, porque o Brasil não faz outra coisa se não exportar.

O que me preocupa é que estamos destruindo a nossa biodiversidade. Com a atual política estamos comprometendo o futuro.


Um outro cientista, convidado a dar opiniões a favor dos biocombustíveis, concorda com que o biocombustível fará milhões padecerem de fome, ao alimentarmos os tanques dos carros com alimentos.
Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) diz:

É muito importante a questão dos biocombustíveis. Eles, hoje, são elemento de pressão sobre os preços.
A opção de dedicar parte importante da produção de grãos, nos EUA, e, no caso europeu, de beterraba, para o etanol, exerce uma pressão sobre os preços internacionais.
E o patamar passa a ser o preço de petróleo.

Do G1
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL418110-9356,00-OS+BIOCOMBUSTIVEIS+VAO+PRODUZIR+ESCASSEZ+DE+ALIMENTOS.html

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Elevação de juros deve aumentar dívida pública

Elevação de juros deve aumentar dívida pública em pelo menos R$ 2,9 bilhões milhões nos próximos 12 meses

A alta dos juros anunciada anteontem pelo Banco Central deve ter impacto inicial de cerca de R$ 295 milhões na dívida pública, podendo ser ainda maior caso a escalada da taxa Selic continue ao longo dos próximos meses, como espera o mercado financeiro.
O valor corresponde ao maior custo que irá incidir sobre o endividamento do governo nas próximas seis semanas, período em que irá vigorar a taxa de juros de 11,75% ao ano fixada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC). No dia 4 de junho, o comitê volta a se reunir para decidir se eleva novamente a Selic -a expectativa do mercado é de mais uma alta de 0,5 ponto percentual.
Cerca de um terço da dívida do governo federal é atrelada à Selic. Caso esse novo patamar seja mantido pelos próximos 12 meses, o custo fiscal da medida será de cerca de R$ 2,9 bilhões, segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin.
Augustin diz, porém, que os efeitos da alta dos juros podem ser minimizados caso o governo consiga reduzir o peso dos papéis corrigidos pela Selic na sua dívida. "Há uma tendência de melhorar o perfil com maior volume de [títulos] prefixados e ligados a índice de preços."
O economista Francisco Lopreato, da Unicamp, critica a alta dos juros e cita o impacto fiscal como uma das desvantagens. "Fazer isso [elevar os juros] é jogar fora trabalho importante dos últimos anos."
"Não vai ser nenhum estrago astronômico, mas havia uma tendência de queda [da dívida pública] que, embora muito lenta, estava ocorrendo. A expectativa agora é que essa queda pare de acontecer, podendo até haver uma alta", diz.
Roberto Padovani, estrategista-sênior para América Latina do banco WestLB, defendendo o ganha-pão dele, diz que o BC não pode se preocupar com questões fiscais enquanto trabalha contra a inflação, que deve ser o único objetivo da política monetária. "Se as pessoas estão preocupadas com a questão fiscal, deveriam pressionar o governo para buscar um superávit primário mais elevado."
Para Padovani, os juros no país poderiam ser mais baixos se a dívida pública fosse menor, meta que poderia ser alcançada com aperto fiscal mais intenso. "Os juros são altos porque a política fiscal é frouxa", diz.
Em fevereiro, dado oficial mais recente, a dívida do setor público como um todo (incluindo Estados, municípios e estatais, além de governo federal) estava em R$ 1,16 trilhão, 42,2% do PIB (Produto Interno Bruto). O superávit primário (economia feita para pagar juros da dívida) acumulado nos 12 meses encerrados em fevereiro somou R$ 109 bilhões.
Baseado em texto da Folha de São Paulo de 18/04/08

20/04/08
Serra teme crise econômica pós-Lula, e eu, José o pagador de impostos, também

O governador de São Paulo, o tucano José Serra, tem mantido uma boa interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, não se viu crítica de Serra a Lula. Quando faz reparos, Serra ataca decisões do governo petista, mas nunca a pessoa do presidente.
Serra está certo. Como Aécio Neves, governador de Minas e seu rival pela candidatura tucana à Presidência, ele enxergou que não adianta dar murro em ponta de faca. Lula é um presidente popular e tende a sair do cargo, na virada de 2010 para 2011, com força política talvez maior do que possui hoje.
Em conversas reservadas, o governador paulista tem uma grande crítica a Lula. Avalia que o presidente não conduz bem a economia. Para Serra, o Banco Central de Lula criará uma crise econômica futura ao manter uma política monetária rigorosa.
O tucano considera que essa crise poderá explodir ainda no mandato de Lula, mas pensa que o mais provável é que ela aconteça no governo do sucessor do petista. Ou seja, vire uma herança negativa de Lula.
Como o tucano lidera hoje todas as pesquisas sobre a sucessão presidencial, é humano ele temer que a eventual bomba venha a explodir no seu colo.
Esse temor explica a dura crítica que Serra fez na quinta-feira (17/04) à recente decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,25% para 11,75% ao ano. Serra acha que a subida de 0,5 ponto percentual, que surpreendeu o mercado, tende a valorizar o real ainda mais em relação ao dólar.
O efeito dessa rigorosa política monetária, acredita o tucano, será fragilizar setores exportadores e gerar um buraco nas contas de nosso comércio exterior.
Mais: a decisão vai encarecer o custo de rolagem da dívida pública brasileira. Com juros mais altos, o tesouro terá de desembolsar ainda mais para pagar seus credores.
Na avaliação do tucano, a política do Banco Central poderá matar ou desidratar o atual ciclo de crescimento da economia na casa dos 5% ao ano.
Algumas frases de Serra sobre a decisão do BC:
"O aumento dos juros tende a agravar a situação da conta corrente, no balanço de pagamentos, porque valoriza ainda mais o real em relação ao dólar, o que encarece as exportações e barateia as importações."
"Haverá uma marcha negativa para a nossa economia no futuro."
"Quando estamos na administração pública, devemos ter uma espécie de estrabismo no seguinte sentido: um olho no presente e outro no futuro. Não dá só para olhar o presente."
"[Os juros mais altos] vão encarecer ainda mais o serviço da dívida pública."

De Kennedy Alencar na Folha Online de 20/04/08
http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/brasiliaonline/ult2307u393898.shtml

O esdrúxulo real forte

País vive situação em tese esquisita de valorização da moeda e déficit externo em alta.
"Agora é diferente"?

POR QUANTO tempo a economia brasileira deve permanecer numa situação, em teoria um tanto esdrúxula, na qual a moeda nacional se valoriza enquanto o déficit em conta corrente cresce, em regime de câmbio flutuante?
É óbvio que, na prática, situações em tese e em teoria esdrúxulas perduram. É também claro que a variação da taxa de câmbio depende de um monte de outros fatores, entre eles o sobrenatural de almeida e o especulador da silva. A gente no Brasil e no resto do mundo, porém, está curtida de saber que déficit em conta corrente em alta jamais foi uma história que acabou bem no país, dando de costume em inflações e em colapsos de pagamentos externos.
Mas agora, inédito na história, temos um câmbio relativamente livre e um Banco Central quase completamente solto. Que bicho vai dar?
Depois de quase meia década, faz poucos meses o país voltou a ter déficit em conta corrente, enquanto o real se fortalece. A experiência é recentíssima, e o déficit ainda é bem pequeno. Mas, quanto mais o real se valoriza, menor em tese é a expectativa de que ele possa se valorizar mais, ainda mais com déficit em alta, embora não em desabalada carreira.
Turquia e África do Sul, embora com déficits grandes e situações mais confusas, acabam de passar por essa experiência de ter a moeda queridinha e depois entrarem em desvalorização forte, como agora.
Por enquanto, o dinheiro flui para o Brasil devido ao preço de suas exportações (commodities caras), devido ao crescimento mais forte, devido à diferença grande entre os juros do país e os do resto do mundo, devido à estabilidade financeira e à relativa falta de opções globais de investimento, dadas as baixas rentabilidades e o caos nas finanças do mundo rico. Sem maiores solavancos nesses fatores, diz-se que pode haver um caminho suave para a desvalorização do real, mesmo que o déficit externo continue a crescer.
O que pode ocorrer é o "represamento" de uma inflação derivada do câmbio: quando o real vier a se desvalorizar, caindo de um patamar muito alto, preços de bens cotados em moeda forte ("comercializáveis" no mercado externo) tendem a subir, "tudo o mais constante".
A taxa de câmbio real efetiva (descontada a inflação e ponderada pela variação das moedas dos países com os quais o Brasil comercia), porém, voltou a piorar com força depois da acalmada de meados do ano passado. Não é o caso ainda da alta do real de 2006, por exemplo, mas estamos nesse caminho. A rentabilidade dos exportadores piorou na mesma toada. Em tese, de resto, o preço das exportações brasileiras deve cair com o desaquecimento mundial, o qual deve durar até 2009. E estamos consumindo muito da nossa produção exportável, além de importarmos ainda mais. Enfim, algumas pressões essenciais no sentido da desvalorização do real em tese estão aumentando, e o nível de incertezas e de reviravoltas externas é alto.
Será um fato positivamente inédito se o país conseguir sair dessa sem choques no câmbio. Mas que a situação está ficando perigosamente esdrúxula, está. Ainda mais com a descoordenação explícita na política macroeconômica (fiscal e monetária) e dada a inexistência de projetos de melhorias microeconômicas.

Texto de VINICIUS TORRES FREIRE, na Folha de São Paulo de 18/04/08

O pesadelo chamado MST

Do sonho ao pesadelo

Não é uma ONG nem uma associação profissional, um partido ou sindicato, não é empresa estatal ou privada, não tem CPF nem CNPJ ou identidade, mas não paga impostos e vive dos impostos pagos pela população trabalhadora, sem prestar contas de nada a ninguém. Será um sonho? Não, são privilégios que só o MST tem.
O maior e mais incontestável sucesso do governo Lula é a política econômica, que nos proporcionou estabilidade e crescimento, além de bancar os programas sociais, inclusive os de assentamentos rurais. O MST é contra, faz protestos furiosos em frente ao Banco Central. Justo quando a ONU e o Banco Mundial advertem para a crise de alimentos, o MST demoniza e combate o agronegócio, que produz alimentos fartos e, pelo volume de produção, mais baratos. O MST sonha acabar com ele e substituí-lo pela agricultura familiar. Em que século e planeta eles vivem ?
O MST combate tudo o que está dando certo no país. Porque o comandante Stédile é contra o capitalismo, a livre-iniciativa e o mercado, seu objetivo declarado é substituí-los por um sistema comunista, socialista, bolivariano ou alguma outra ditadura econômica, política e social. Mas financia a sua guerra santa com os impostos da democracia que despreza, usando os direitos e o dinheiro do Estado democrático. Sua arrogância, ignorância e intolerância beiram a caricatura, mas o homem segue falando grosso: não respeita as leis que julga injustas, em nome da auto-atribuída justiça de sua causa intocável.
No século 21, num país livre e democrático, se cada um se dá o direito de atropelar a lei e o Estado de Direito, em nome de sua crença, a civilização se barbariza e o que impera é a força bruta.
O sonho do MST virou o pesadelo da democracia.

Texto de NELSON MOTTA na Folha de São Paulo de 18/04/08

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Fronteiras Sangrentas: ausência do estado é ameaça para Amazônia















O general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, classificou a transformação da faixa da fronteira norte do país em terras indígenas como ameaça à soberania nacional.

O militar não se mostrou preocupado em contrariar posição do governo, que defende a homologação de terras indígenas mesmo em regiões de fronteira, e disse que o Exército "serve ao Estado brasileiro e não ao governo".

Em palestra sobre a defesa da Amazônia no seminário "Brasil, ameaças a sua soberania", nesta quarta-feira, no Clube Militar, no Rio de Janeiro, o general falou de sua preocupação com os territórios indígenas na faixa de fronteira.

O general lembrou o compromisso brasileiro com declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o direito dos povos indígenas, que destaca a desmilitarização das terras indígenas como contribuição para a paz e o desenvolvimento econômico e social.

"Quer dizer que o problema somos nós?", perguntou o general sob aplausos entusiasmados da platéia de militares.

Para o general Heleno, a política indigenista está dissociada do processo histórico do país e precisa ser revista com urgência.

"É um caos, não funciona. Os problemas são enormes, o alcoolismo é crescente", disse o general referindo-se à situação de tribos amazônicas.

"Sou totalmente a favor do índio", frisou o general. "Não sou da esquerda escocesa que atrás de um copo de uísque resolve os problemas brasileiros. Eu estou lá na Amazônia vendo o que acontece com o índio brasileiro."

O general reiterou sua posição contrária à demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, que quase levou a um conflito violento entre a Polícia Federal e arrozeiros que serão obrigados a deixar a área.

Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a operação da Polícia Federal que desalojaria os fazendeiros de arroz que se recusam a deixar terras da reserva. Cinco grandes plantadores de arroz possuem oito fazendas na área indígena. O governo se propõe a pagar indenização pelas benfeitorias

Segundo o general, o índio também é brasileiro e não deve ser excluído da convivência com outros brasileiros.

"Quer dizer que na Liberdade vai ter japonês e não japonês", comentou o general utilizando como exemplo o bairro paulista de forte presença japonesa. "Como um brasileiro não pode entrar numa terra só porque não é indígena", questionou.

Além da questão indígena, o general Heleno apresentou como ameaças à Amazônia os conflitos fundiários, as organizações não-governamentais e os diversos ilícitos.

Em sua opinião, o desenvolvimento da Amazônia vai acontecer independentemente da nossa vontade. "É impossível preservar a Amazônia como lenda, floresta verde. O que depende de nós é fazer com que (o desenvolvimento) aconteça de forma sustentável", defendeu.

Texto de Mair Pena Neto da Agencia Reuters no G1
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL404097-5601,00.html


Leia também no G1
Ausência do estado é ameaça para Amazônia, diz general
Durante palestra, comandante critica política indígena e divisão de índios e não-índios.
Para ele, existe a hipótese de o Exército atuar num conflito armado na região
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL404215-5598,00-AUSENCIA+DO+ESTADO+E+AMEACA+PARA+AMAZONIA+DIZ+GENERAL.html


“As terras indígenas nas faixas de fronteira, se não forem convenientemente tratadas, poderão representar um risco para a soberania nacional”, disse o general, após o seminário “Brasil, ameaças a sua soberania”, no Clube Militar, no Centro do Rio.

“Estamos cada vez mais aumentando a extensão de terras indígenas na faixa de fronteira e cada vez mais estamos caminhando numa direção que para mim, como comandante militar da Amazônia, me preocupa. Pode não ser uma ameaça iminente, mas merece, pelas circunstâncias, ser discutida.”

Para general, terras indígenas na fronteira podem ser risco à soberania
Comandante diz que ameaça pode não ser iminente, mas deve ser discutida.
Índio Jonas Marcolino se disse preocupado com atuação de estrangeiros na Amazônia
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL404064-5598,00.html


Abaixo transcrevo trecho do artigo de José Sarney na Folha de São Paulo de 18/04/08

Só o Supremo pode resolver esse assunto da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.
Até onde pode um Estado ter o seu território dividido e ocupado, ou, como acontece em Roraima, não ter terra nenhuma porque todas são da União e estão repartidas?
Outro assunto sensível, que diz respeito à soberania, é a existência de reservas indígenas em faixas de fronteira. Quando eu era presidente, não permiti demarcar reservas na fronteira, mas fizemos reservas isoladas e descontínuas, que resguardavam a soberania nacional e conjuravam as cassandras do Pentágono, que diziam ser um conflito do futuro da humanidade as "nações indígenas" da Amazônia. O governo que me sucedeu revogou minha decisão.
O artigo primeiro de nossa Constituição coloca entre os fundamentos do Estado democrático de direito, em primeiro lugar, a soberania. O STF tem o dever irrecusável de defendê-la. Ela é a pátria.
Nossas fronteiras são de todos os brasileiros, pardos, brancos, negros e índios. Temos fronteiras de paz com dez países. Não podemos imaginar que por nosso erro elas se tornem fronteiras sangrentas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1804200806.htm

Tensão na fronteira

Leiam o alerta de Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil da Rede Globo em 10/04/08

Alexandre Garcia fala sobre o conflito para retirar produtores de arroz em uma reserva indígena em Roraima, que mobiliza a Justiça. É uma discussão antiga sobre a fronteira no norte do Brasil.

No Brasil, o conflito para retirar produtores de arroz em uma reserva indígena em Roraima mobiliza a Justiça. O Supremo Tribunal Federal suspendeu a operação da Polícia Federal para desocupar a área, mas a Advocagia-Geral da União entrou com recurso.

O Supremo vai julgar se houve ilegalidade no processo de demarcação das terras. É uma discussão antiga sobre a fronteira no norte do Brasil, que estaria ameaçada por causa desses acontecimentos.

A liminar do Supremo pode ter evitado um banho de sangue entre brasileiros. Talvez não seja exagero comparar com o de Canudos e chama a atenção para a gravidade do que acontece na fronteira norte.

Os arrozeiros defendem seus interesses apoiados por aliados indígenas, com os quais convivem em parceria que gera alimento para os índios. Mas também se tornaram agentes de defesa da integridade territorial e da soberania nacional.

Acontece que essa e outras reservas estão na fronteira do Brasil com Guiana, Venezuela e Colômbia e podem se tornar territórios autônomos, sob a proteção da ONU. Em setembro, o Brasil assinou, nas Nações Unidas, a declaração da ONU sobre direitos dos povos indígenas, ainda não-referendada pelo Senado.

A declaração, garantindo direitos justos, dá autonomia que cerceia a presença do próprio Estado em seus territórios. Estando na fronteira, territórios assim podem ser risco à soberania e à integridade territorial.

O governo federal já sentiu que não pode chamar o Exército para intervir no conflito. Os militares consideram que só renunciando ao juramento pétreo de defesa à soberania nacional e à integridade territorial, poderiam intervir no caso.

A situação é grave. Cerca de mil resistentes – metade agricultores, metade indígenas – estão preparados com táticas de guerrilha para receber a polícia. Quatro pontes e uma balsa foram interditadas. Pistas de pouso foram bloqueadas com tambores. E a disposição expressa por arrozeiros e seus aliados índios é defender a terra ou morrer.

De 1.747 milhão de hectares da reserva, os arrozeiros usam 100 mil, Menos de 6% é o pomo dessa discórdia. O governador de Roraima, ao recorrer ao Supremo, buscou a solução mais sensata: vai permitir que se pare para pensar na gravidade da questão e no interesse nacional em jogo.

Veja o vídeo
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM813866-7823-ALEXANDRE+GARCIA+COMENTA+DISPUTA+POR+RESERVA+RAPOSA+SERRA+DO+SOL,00.html