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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Genética liga sedução à agressividade em moscas

Genética liga sedução à agressividade em moscas Substância que induz macho a brigar também aumenta receptividade de fêmea 

Biólogos identificaram pela primeira vez em um animal o circuito neural que regula a atuação dos feromônios de comportamento violento


Kravitz Lab/HMS

Moscas-das-frutas lutam em arena montada em laboratório 

O mecanismo genético que regula o comportamento sexual de moscas-das-frutas é o mesmo que controla a agressividade desses animais. A descoberta saiu de um estudo que analisou insetos sob influência de feromônios, substâncias exaladas para comunicação química. Foi a primeira vez que biólogos identificaram neurônios específicos de feromônios de comportamento violento.
O estudo, assinado por Liming Wang e David Anderson, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, saiu na revista "Nature". O trabalho pode ajudar, no futuro, a entender a influência da genética na agressividade de animais mais complexos.
Drosófilas podem parecer pacíficas quando sobrevoam a banana na sua cozinha. Mas, coloque-as em um ringue de luta, e elas dão socos, cabeçadas, empurrões, e safanões. Esse comportamento foi identificado em 1915, e só agora começou a ser estudado em detalhe, sobretudo por Edward Kravitz, da Universidade Harvard.
Wang e Anderson mostraram que o feromônio cVA, exclusivo de moscas macho, induz conduta agressiva nelas -e isso parece parece estar ligado ao controle de população.
Quando um número grande de machos se junta em uma fonte de comida, o excesso de cVA no ar faz com que comecem a se estapear, e parte deles foge, "reduzindo assim a densidade de população para um nível que representa um equilíbrio ótimo entre alimentação, reprodução e competição", escreveram os pesquisadores.
"Agressão requer regulações de níveis diferentes do sistema nervoso dos animais. Para iniciar uma agressão, um animal precisa "sentir" a presença de oponentes. Nossos estudos mostraram que dados olfativos têm um papel crítico na regulação de agressão em drosófilas", disseram à
Folha Wang e Anderson, em e-mail conjunto.

Vale-tudo artrópode
No ano passado, a equipe de Richard Axel, da Universidade Columbia, de Nova York, havia demonstrado como o cVA produz comportamentos diferentes nos dois sexos, revelando diferenças sutis nos circuitos cerebrais de macho e fêmea.
"Agressão é um comportamento complexo em moscas-das-frutas, e certamente mais do que um feromônio e um receptor estarão envolvidos", disse Kravitz à Folha. Para ele, o estudo de Wang e Anderson ainda não encerra a questão.
"Esse novo artigo confirma o trabalho anterior e possivelmente sugere novas respostas despertadas por estes receptores nas moscas macho", continua Kravitz, que construiu em seu laboratório uma "arena de luta" para duelos de moscas, nas quais elas podem competir por comida, ou, no caso de machos, pelo corpo de uma fêmea.
Dois comportamentos opostos, a luta e o acasalamento, estão ligados nesses animais pela ação de um mesmo gene, o fruitless, abreviado fru. Segundo Kravitz, isso ocorre porque quando um animal se depara com outro, há duas decisões básicas para escolher: partir para a briga ou tentar seduzir.
Nos machos, a ativação neuronal provocada pelo cVA inibe a tentativa de acasalamento de machos com outros machos; já nas fêmeas, ela cria maior receptividade sexual para as investidas dos machos.
O gene fru tem versões diferentes em machos e fêmeas. Um estudo de 2005 na revista "Cell" mostrou que fêmeas alteradas geneticamente para ter a versão masculina passavam a ter comportamento de acasalamento semelhante ao dos machos, e começavam a tentar seduzir outras fêmeas. Já os machos com a versão feminina perdiam o interesse pela coisa.
Kravitz descobriu que o mesmo gene influencia o estilo de luta das moscas. Machos com o gene fru feminino tendiam a querer mais lutar do que fazer sexo com fêmeas, e lutavam feito menininhas, dando mais empurrões do que socos. E fêmeas com o fru masculino passavam a lutar como machos.

Do inseto ao homem
Em humanos, claro a agressão é um comportamento bem mais complexo; como os estudos com mosquinhas poderiam ajudar na sua compreensão?
"Em algum momento nós compreenderemos as raízes da agressão nos modelos biológicos no nível dos neurônios e dos circuitos envolvidos", diz Kravitz. "Nossa esperança é que entender como comportamentos complexos acontecem em qualquer sistema animal -sim, mesmo nas mosquinhas-, deverá nos dar informação de pelo menos onde procurar as respostas em formas de vida superiores, incluindo seres humanos."


De Ricardo Bonalume Neto na Folha de São Paulo de 28/12/09 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O caso Abdelmassih

Vamos começar fazendo três perguntas:
- 1. Quantas pessoas estão encarceradas hoje no país, em regime de prisão preventiva, sem que ainda tenham sido julgadas? 
- 2. Quantas, entre as pessoas que se encontram nessa condição, chegam a ter seus pedidos de soltura apreciados pelo Supremo Tribunal Federal? 
- 3. E quantas conseguem ver seu caso atendido em apenas quatro meses pelo presidente da mais alta corte do país?
A resposta talvez conduza à conclusão de que o doutor Roger Abdelmassih é um homem de sorte. Ou que pagou os advogados certos. O jornal "Le Monde" tinha razão, mas pegou leve ao dizer que nosso Judiciário é "preguiçoso". Às vezes, só às vezes, é ágil até demais.
O habeas corpus de Gilmar Mendes, que, no recesso da Justiça, libertou o médico acusado de molestar sexualmente pelo menos 39 mulheres, causa óbvio mal-estar. As vítimas (supostas?) depositavam na expertise do doutor a esperança de engravidar -e a situação de vulnerabilidade física e emocional em que foram atacadas, conforme os relatos, confere ao escândalo feição especialmente repugnante.
Os leigos estão cobertos de razão ao manifestar indignação diante da decisão judicial, não obstante suas "razões técnicas". Mendes sustenta que a prisão preventiva não pode representar a "antecipação da pena". Tem sido uma das suas brigas.
Mas podemos inverter o raciocínio e indagar se o Judiciário, refém e cúmplice das chicanas de advogados "influentes", não patrocina, com suas peças intermináveis, um patético teatro da impunidade?
Não há como fugir à evidência revoltante de que, tendo dinheiro e/ ou fama -e advogados a preço de ouro-, o sujeito, não importa o que tenha feito de terrível, cedo ou tarde se dá bem. Sim, sabemos que cabe à Justiça zelar pelos direitos dos indivíduos contra o clamor às vezes cego da maioria. Mas nossa prática jurídica não raro invoca esse princípio para dar guarida aos aspectos mais abomináveis do privilégio.

De Fernando de Barros e Silva na Folha de São Paulo de 28/12/09

domingo, 27 de dezembro de 2009

ONU denuncia a violência contra mulher

Transcrevo dois textos, onde Kofi Anan denuncia a violência à mulher


ONU denuncia violência contra mulher em todo o mundo



MENSAGEM DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU
KOFI ANNAN,
POR OCASIÃO DO
DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DA
VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

25 de Novembro de 2006

Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Bruxelas - RUNIC
A violência contra as mulheres causa enorme sofrimento, deixa marcas nas famílias, afetando as várias gerações, e empobrece as comunidades. Impede que as mulheres realizem as suas potencialidades, limita o crescimento econômico e compromete o desenvolvimento. No que se refere à violência contra as mulheres, não há sociedades civilizadas.
No mês passado, apresentei um estudo minucioso que demonstra que metade da humanidade vive sob esta ameaça – em todos os continentes, em todos os países e em todas as culturas, independentemente do rendimento, da classe, da raça ou do grupo étnico. Isto apesar de vivermos num mundo em que os direitos humanos foram reconhecidos pela lei e garantidos em instrumentos internacionais; apesar de termos aprendido que o gozo dos direitos humanos é essencial para o bem-estar dos indivíduos, das comunidades e do mundo; apesar de, na Cúpula Mundial de 2005, os dirigentes se terem comprometido a redobrar os esforços para eliminar todas as formas de violência contra as mulheres.
A luta contra este flagelo exige que abandonemos uma maneira de pensar que é ainda demasiado comum e está demasiado enraizada e adotemos outra atitude. Que demonstremos, de uma vez por todas que, no que toca à violência contra as mulheres, não há razões para ser tolerante nem justificações toleráveis.
Durante anos, as organizações e movimentos de mulheres de todo o mundo trabalharam incansavelmente para retirar a violência contra as mulheres do âmbito privado e a colocar na esfera pública, para que o Estado assuma as suas responsabilidades. Muitos Estados promulgaram e aplicaram leis eficazes e prestaram serviços integrados e sensíveis às necessidades das vítimas. E também se registaram progressos na elaboração de normas internacionais.
É altura de elevar estes esforços a um nível superior. Nós, nas Nações Unidas, devemos desempenhar um papel de liderança mais forte, coordenado e visível. Os Estados-membros devem esforçar-se mais por aplicar o quadro jurídico e político internacional que se comprometeram a respeitar. E todos nós devemos estabelecer parcerias fortes e eficazes com a sociedade civil que tem um papel tão decisivo a desempenhar em relação a esta questão, em todos os níveis.
Devemos trabalhar juntos para criar um ambiente em que a violência contra as mulheres não seja tolerada. Ao encarregarem-me de realizar esse estudo minucioso, os Estados-membros das Nações Unidas mostraram que estavam dispostos a fazê-lo. Agora que dispomos do estudo e das suas recomendações, devemos mobilizar a vontade política e os recursos necessários. Neste Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres, unamos - todos nós, homens e mulheres -- as nossas forças para cumprir essa missão.

25 de Novembro de 2005
Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Bruxelas - RUNIC
A violência contra as mulheres continua a ser extremamente comum no mundo. Trata-se da manifestação mais atroz de discriminação sistemática e de desigualdade que as mulheres enfrentam, na lei e na sua vida quotidiana, em todo o mundo. Esta violência ocorre em todas as regiões, todos os países e todas as culturas, independentemente do nível de vida, da classe social, da raça ou da etnia.
A violência de gênero tem igualmente efeitos nefastos para o conjunto da sociedade: pode impedir as mulheres de exercerem uma atividade produtiva e as moças de freqüentarem a escola. Torna as mulheres mais vulneráveis às relações sexuais forçadas ou não protegidas, o que contribui consideravelmente para a propagação do HIV/AIDS (VIH/SIDA). Desestabiliza profundamente e de um modo duradouro toda a família, em particular a geração futura. É por isso que, este ano, os governos, os organismos das Nações Unidas e os ativistas da sociedade civil aproveitarão os Dezesseis Dias de Ação contra a Violência de Gênero, que se iniciam hoje, para refletir sobre as conseqüências negativas da violência contra as mulheres em todos os lugares do mundo.
Os dirigentes, reunidos na Cúpula Mundial que teve lugar em Setembro, comprometeram-se a redobrar os seus esforços a favor da eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres. Sabemos que isso implica lutar contra a idéia, ainda muito generalizada e demasiado enraizada, de que a violência contra as mulheres e as moças é aceitável. Devemos, por isso, dar o o exemplo, esclarecendo, notadamente, que no que se refere à violência contra as mulheres, a tolerância não tem qualquer justificativa e nenhuma desculpa é aceitável. Neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, reafirmemos a nossa vontade de levar a cabo esta missão.

(Fonte: Comunicado de imprensa SG/SM/10225; OBV/527; WOM/1524 de 22 de Novembro de 2005)

25 de Novembro de 2004
Fonte: Rádio das Nações Unidas

A violência contra as mulheres é um problema mundial que atinge todas as sociedades e culturas e afeta as mulheres, independentemente da sua raça, etnia, origem social, fortuna, nascimento ou qualquer outra condição
violência baseada no sexo está particularmente presente em situações de conflito armado, em que as mulheres e moças são alvo de violação e outras formas de abuso sexual e são também vulneráveis ao tráfico. No passado mês de Maio, num ato de extrema importância para acabar com a impunidade de tais crimes, o Tribunal de 1ª. Instância do Tribunal Especial de Serra Leoa aprovou uma moção para que fosse acrescentado o crime de «casamento forçado» às acusações contra seis réus. Isto significa que o casamento forçado será, pela primeira vez, julgado como um crime contra a humanidade.
A violência contra as mulheres constitui por si só um problema grave, mas hoje tem uma nova e mortal dimensão: o risco de infecção pelo HIV/AIDS (VIH/SIDA). A violência sexual aumenta a vulnerabilidade das mulheres ao vírus. A ameaça de violência obriga, com demasiada frequência, as mulheres a terem relações sexuais não protegidas. A violência pode também impedir que as mulheres tentem obter informação, recorram a tratamento médico ou até que falem no assunto.
O Comitê para a Eliminação da Discriminação Contra as Mulheres, órgão que vigia a aplicação da Convenção para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, continua a ter um papel dinâmico no que se refere a garantir que este assunto seja uma prioridade para a comunidade internacional. O Protocolo Facultativo relativo à Convenção confere às mulheres, quer individualmente, quer em grupo, o direito de petição, e pode tornar-se um instrumento eficaz contra a violência com base no sexo e outras violações dos direitos das mulheres.
Neste quinto Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, mostremo-nos animados pelo fato de haver um maior conhecimento acerca do problema. Mas comprometamo-nos também a fazer tudo o que pudermos para proteger as mulheres, para proibir essa violência e para construir um mundo onde as mulheres gozem os seus direitos e liberdades, em pé de igualdade com os homens.

25 de Novembro de 2003
Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal

O Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres é um apelo à ação a favor das inúmeras mulheres de todo o mundo, cuja vida quotidiana é abalada pela violência e os maus tratos. A violência com base no sexo é, talvez, a mais escandalosa violação dos direitos humanos. Enquanto continuar a existir, não podemos pretender estar realmente a avançar em direção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz.
Este velho flagelo está a assumir novas dimensões, no século XXI. Uma das mais alarmantes é o tráfico de mulheres e raparigas, um dos tipos de crime organizado que cresce a um ritmo muito rápido. Calcula-se que mais de 700 000 pessoas sejam traficadas todos os anos, a fim de serem objeto de exploração sexual. Muitas delas são sujeitas a violência; todas são sujeitas a violações dos direitos humanos.
Um desafio não menos importante é a crescente violência contra as mulheres e raparigas, em situações de conflito armado. Nos conflitos atuais, as mulheres e as raparigas não são apenas vítimas de privações, da deslocação e da guerra. Cada vez mais, elas são alvos diretos, escolhidos deliberadamente, e a violação e a violência sexual são utilizadas como armas de guerra.
Estas velhas e novas formas de violência contra as mulheres não são apenas problemas urgentes em si mesmos; está-lhes associada outra dimensão mortífera - o risco da infecção pelo HIV/AIDS (VIH/SIDA). A violência, os maus tratos, e a intimidação impedem freqüentemente que as mulheres se protejam do vírus; que procurem obter informação e aconselhamento e façam as análises necessárias; que exijam que o seu parceiro as informe sobre se é soropositivo ou não ou lhe comuniquem que elas próprias o são; e que sigam até ao fim o tratamento prescrito por um médico. Este risco acrescido de transmissão do HIV torna ainda mais premente a nossa missão de lutar contra todas as formas de violência contra as mulheres.
No ano passado, houve sinais animadores de uma maior consciência e compreensão do problema. Assistimos também ao aparecimento de novas ferramentas e mecanismos que nos ajudam a tornar mais eficaz a ação contra a violência O Protocolo relativo à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, que visa eliminar o tráfico de pessoas, em especial de mulheres e crianças, entra em vigor em Dezembro de 2003. Em Julho, a União Africana aprovou um Protocolo referente à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, sobre os Direitos das Mulheres na África. O Protocolo exorta os Estados Partes a tomarem medidas que garantam a prevenção, punição e erradicação de todas as formas de violência e aborda concretamente a questão das práticas nocivas. O número de Estados Partes na Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres aumentou para 174, enquanto o número de Estados Partes no seu Protocolo Facultativo se eleva, atualmente, a 57. E, numa eleição histórica, sete mulheres, foram eleitas juízes do Tribunal Penal Internacional, o que representa um terço do total.
Exorto todos os Estados que ainda o não fizeram, a aprovar o Protocolo Facultativo e a adotarem medidas mais enérgicas para fazer cumprir as leis contra o tráfico e a violência. E peço a todos os setores da sociedade que redobrem os esforços destinados a pôr termo a todas as formas de violência contra as mulheres. Isto exigirá uma direção firme a todos os níveis, em todas as culturas, países e continentes. Exigirá uma mudança corajosa das atitudes e comportamentos dos homens, para que as mulheres possam tornar-se suas parceiras em pé de igualdade. Exigirá mudanças de leis, práticas e instituições opressivas. Exigirá que ergamos a nossa voz para denunciar a violência contra as mulheres e afirmemos claramente que, nesse domínio, não há razões para se ser tolerante nem desculpas toleráveis. Neste quarto Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, asseguremos que a nossa mensagem se faça ouvir bem alto e chegue nomeadamente aos ouvidos de quem mais precisa de a escutar.

25 de Novembro de 2002
Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal

As mulheres continuam ser vítimas de todas as formas de violência em todas as regiões, países e culturas, independentemente do seu rendimento, classe, raça ou origem étnica. Mas, no ano passado, a questão mereceu da parte da comunidade internacional uma atenção que já há muito tempo era necessária. A violência contra as mulheres figurou na agenda da Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, que reconheceu que as mulheres idosas enfrentam um maior risco de exposição à violência física e psicológica, e na da Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que reconheceu a importância da eliminação de todas as formas de violência e de discriminação contra as mulheres. A Sessão Extraordinária da Assembleia Geral sobre as Crianças revelou também a determinação de todas as nações em promoverem todos os direitos das raparigas, nomeadamente o direito de não serem objecto de coacção, de práticas prejudiciais e de exploração sexual.
Este ano assistiu também à entrada em vigor do Estatuto do Tribunal Penal de Internacional,
que define a competência para julgar crimes de violência sexual como crimes contra a humanidade,
desde que sejam cometidos no contexto de um ataque generalizado ou sistemático contra uma
população civil. No âmbito dos preparativos para a análise sobre os direitos humanos das mulheres e a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres a que a Comissão da Condição da
Mulher procederá no próximo ano, foi convocada uma reunião de um grupo de peritos sobre a questão do tráfico de mulheres e raparigas -- o crime transnacional organizado que regista um crescimento mais rápido. E, no mês passado, eu próprio apresentei ao Conselho de Segurança um relatório sobre mulheres, paz e segurança, no dia em que se assinalava o segundo aniversário da aprovação da resolução 1325 pelo Conselho.

O mundo começa, claramente, a ter maior consciência da violência com base no sexo e a
compreender melhor o que significa e estão a ser tomadas medidas mais eficazes para a enfrentar. Mas há ainda muito mais a fazer para criar e manter um ambiente em que as mulheres possam viver o seu dia-a-dia sem estarem expostas a esse flagelo. Neste Dia Internacional para a Eliminação
da Violência contra as 
Mulheres, reiteremos a nossa dedicação a essa missão.
Gentileza do Centro de Informação da ONU em Portugal .







ONU denuncia aumento da violência contra mulher em todo o mundo

da Efe, em Nova York

A violência contra a mulher não apenas persiste, como também se propaga pelo mundo todo, segundo relatório apresentado nesta terça-feira pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

"A persistência e o aumento da violência contra as mulheres, e a impunidade com que se permite que esta continue são claros claro indicadores do fracasso dos Estados no cumprimento de suas obrigações de protegê-las", diz o texto.

Apesar dos avanços na criação de um marco legal e de políticas para abordar a questão como uma violação dos direitos humanos, Annan alerta no estudo que existe uma "enorme distância" entre os padrões internacionais e as legislações e políticas nacionais.

"Acabar com a impunidade na violência contra a mulher é crucial. É necessária uma ação coordenada e imediata por parte dos governos. Além disso, estes devem demonstrar vontade política e traçar estratégias sistemáticas e sustentáveis respaldada pelos recursos adequados", disse o secretário-geral da ONU.

O dossiê, pela primeira vez, destaca que a violência contra a mulher, venha de onde vier, é uma violação de seus direitos, além de causa e, ao mesmo tempo, conseqüência da desigualdade entre os gêneros.

Além disso, sustenta que a violência contra a mulher empobrece famílias e comunidades, reduz os recursos governamentais e restringe o desenvolvimento econômico.

Leis

Segundo o relatório, apenas 89 Estados contam com algumas disposições legislativas contra a violência doméstica, e existem 102 países que ainda não adotaram dispositivos legais sobre a questão.

A violação por parte do marido ou do companheiro é outro delito previsto na maioria de legislações nacionais. Mesmo assim, existem pelo menos 53 Estados em que esse crime ainda não está proscrito.

Apenas 93 Estados têm alguma determinação legal que proíba o tráfico de pessoas, e mesmo nos que as têm, sua implementação é ineficaz.

O relatório aborda várias formas de violência contra a mulher, da física e sexual à psicológica-emocional e econômica.

A mais comum é a exercida dentro da própria casa. Este tipo de violência responde por 5% do total dos problemas de saúde das mulheres de entre 15 e 44 anos em países em desenvolvimento, e 19% nos desenvolvidos.

Violência doméstica

Os índices de violência contra a mulher por parte do marido ou companheiro representam entre 13% e 61%, enquanto a violência sexual varia entre 6% e 59%, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A violência psicológica ou emocional exercida por marido ou companheiro oscila entre 10% e 51%, de acordo com o país.

A violência contra a mulher às vezes acaba em assassinato. Entre 40% e 70% das mulheres mortas são assassinadas por seus maridos ou namorados em países como Austrália, Canadá, EUA, Israel e África do Sul.

Na Colômbia, segundo o relatório, a cada seis dias uma mulher é assassinada por seu marido ou companheiro, enquanto centenas de mulheres foram seqüestradas, estupradas e mortas nos últimos dez anos em Ciudad Juárez, no México.

Exploração sexual

O relatório da ONU também apresenta outros tipos de violência contra a mulher, como o tráfico para a exploração sexual e a mutilação dos órgãos genitais, prática já sofrida por cerca de 130 milhões de mulheres e meninas, especialmente na África e no Oriente Médio.

Outro fenômeno é o assassinato ou o abandono de meninas pelo simples fato de serem do sexo feminino. Trata-se de uma prática generalizada no sul e no leste da Ásia, no norte da África e no Oriente Médio.

O relatório também aponta para o assédio sexual, sofrido por entre 40% e 50% das mulheres da União Européia (UE) nos locais de trabalho.

O relatório denuncia que a persistência das tradições discriminatórias, dos costumes e dos estereótipos contra a mulher faz com que a população feminina esteja mais exposta à violência.

"A violência contra a mulher requer uma atenção prioritária e recursos para que possa ser abordada com seriedade e visibilidade. Não podemos dizer que fizemos um progresso real em direção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz enquanto esta violência continuar", afirmou Annan.

O relatório foi preparado em colaboração com o Fundo da ONU para a População (UNFPA), cuja diretora-executiva, Thoraya Obaid, afirmou que a violência contra a mulher não será detida sem que "tanto homens quanto mulheres cresçam em uma cultura de respeito, responsabilidade mútua e igualdade de oportunidades". 




Da Folha de São Paulo de 10/10/2006 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Idade 13 mil anos, árvore teimosa

Estudo descreve árvore mais antiga e ‘teimosa’ do mundo, na Califórnia

Carvalho da espécie 'Quercus palmeri' tem 13 mil anos.
Vegetação sobrevive por clonagem e regeneração desde a Era do Gelo.

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Foto: PLoS One

O carvalho mais persistente do mundo: desde a Era do Gelo, espécie sobrevive por clonagem e regeneração (Foto: PLoS One)

Pesquisadores americanos identificaram uma árvore com mais de 13 mil anos que tem sobrevivido “clonando a si mesma”. Os cientistas, da Universidade da Califórnia (câmpus de Davis e de Riverside), analisaram uma espécie de carvalho das Montanhas Jurupa, no condado de Riverside. A descrição da árvore está publicada no site de ciência PLoS One .

Foto: reprodução MailOne

Descrição da espécie saiu nesta quarta-feira (23) no site de ciência PLoS One (Foto: reprodução MailOne)


O carvalho (Quercus palmeri) é formado por uma “comunidade” de arbustos clonados. Os cientistas afirmam que a árvore conseguiu superar condições climáticas extremas por regeneração, desde a Era do Gelo. Clique aqui para baixar o estudo (formato .pdf, em inglês)

Foto: Dan May in Los Angeles Times

Michael May, um dos pesquisadores, ao lado de arbustos do carvalho de Jurupa (Foto: Dan May via Los Angeles Times) 

Do G1 http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1424824-5603,00.html

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Dez dicas para perder peso sem passar fome.

Fantástico ensina como emagrecer dormindo

Veja dez dicas comprovadas cientificamente que ajudam quem quer perder peso sem passar fome.


Fantástico
Foto: Reprodução / TV Globo


Emagrecer, ficar em forma, não é apenas uma questão de vaidade, é também uma questão de saúde.

Os dados divulgados quinta-feira passada (19) pelo Ministério da Saúde são alarmantes: 43% dos brasileiros que moram nas capitais estão com sobrepeso. Ou seja, gordos.

Consequentemente, o número de mortes por diabetes, doença relacionada à obesidade, aumentou.

Agora vem a boa notícia: pesquisadores na Inglaterra montaram um manual prático e muito simples para emagrecer sem passar fome. São dez dicas e todas comprovadas cientificamente.

Lápis e papel na mão? Então vamos lá!

Todo mundo sabe que tipo de comida engorda e mesmo assim, 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de obesidade. Deixou de ser uma questão de vaidade. Virou epidemia.

Pesquisadores britânicos vão mostrar agora o que realmente funciona na hora de perder peso.


Dica 1: nunca pule uma refeição
Ao contrário do que se pensa, pular refeições engorda! E você vai saber por quê.

Michael é jornalista e aceitou participar de uma experiência para mostrar o que acontece no cérebro quando pulamos uma refeição.

No primeiro dia, ele tomou um bom café da manhã e depois fez um exame de ressonância magnética funcional. Dentro do aparelho, mostraram a Michael imagens de legumes e saladas e de comidas bem calóricas, como doces e batatas fritas. Como Michael estava satisfeito, o cérebro dele não deu a menor bola pro que viu.

Na manhã seguinte, o jornalista fez o mesmo exame, só que em jejum. Na hora da salada, uma área do cérebro dele esboçou uma leve reação, mas quando viu doces cheios de açúcar, aqueles que destroem qualquer dieta, a mesma região do cérebro foi à loucura.

Tudo isso é culpa de um hormônio: a grelina. Quando pulamos uma refeição e nosso estomâgo fica vazio, a grelina manda para o cérebro mensagens urgentes do tipo: ’emergência, estamos a zero! Consiga toda a comida que puder‘!

Nosso cérebro então, muito obediente, manda a gente atacar tentações bem calóricas para recompensar nosso "pobre" estômago vazio. Pronto, a dieta foi por água abaixo!

Então, já sabe. Nunca, jamais, em hipótese alguma, pule uma refeição.

E por falar em refeições, vamos para a dica número 2. Tão simples que parece provocação, mas funciona muito bem. Palavra da ciência.

Dica 2: coma em um prato menor.
Se você trocar um prato com 30 centímetros de diâmetro por um de 25 centímetros, você provavelmente vai comer 22% menos. Duvida? Pois um estudo comprova a teoria. Em um cinema dos Estados Unidos, metade da plateia recebeu um pacote normal de pipoca. A outra metade, um pacote gigante. As duas porções eram generosas, tanto é que a maioria das pessoas não deu conta de tudo.

Mesmo assim, quem ficou com os pacotes maiores comeu 45% a mais do que os outros. Eles simplesmente não conseguiram parar de comer mesmo quando ficaram satisfeitos.
Dica 3: conte as calorias
Para tudo o que você gosta de comer ou beber, existe uma versão light. Prefira um cafezinho, que tem só 10 calorias em vez daquele cappuccino, que tem 100. Uma salada com frango grelhado tem 250 calorias. Uma com mussarela de búfala, torradinhas e molho cremoso, sobe pra 450 calorias.

Quer comer pizza? Peça uma fininha, de queijo com tomate e já serão 850 calorias. Agora, se você for chutar o balde com uma pizza de calabresa, serão mais de 1400 calorias. Sem falar na culpa!

Mas o que dizer daqueles gordinhos que estão sempre comendo coisas saudáveis e mesmo assim não emagrecem? Pois é, alguns gordinhos só comem coisas saudáveis e mesmo assim não emagrecem de jeito nenhum.

Debbie, por exemplo, nunca come frituras, massas ou doces e, mesmo assim, está muito acima do peso. Para ela, só tem uma explicação: o metabolismo dela é lento.

Será? Médicos avaliaram o índice metabólico de Debbie, ou seja, quantas calorias o organismo dela queima para se manter vivo. Quarenta minutos depois de fazer um teste permanecendo deitada, veio a surpresa. O metabolismo de Debbie é absolutamente normal. Então por que ela não emagrece? Cientistas decidiram investigar o caso da atriz.

Durante cinco dias, Debbie se dispôs a fazer um diário de tudo o que come e vai ter que tomar todo os dias um líquido que permite medir quantas calorias Debbie comeu e quantas queimou. Sai tudo no xixi.

A atriz prometeu contar tudo o que comia, tim-tim por tim-tim. Com uma câmera de video, Debbie relatou comer pouco mais de mil calorias por dia. Só que os exames de urina deram um resultado bem diferente: três mil calorias diárias! Debbie simplesmente esqueceu de contar dois terços do que comeu.

E isso não é coisa de gordinho, não! Estudos mostram que todo mundo esquece metade do que de fato come.

Então, vamos à próxima dica:

Dica 4: pare de culpar seu metabolismo e preste muita atenção no que você está comendo!
Uma salada de frutas grande, por exemplo, é supersaudável, mas tem caloria à beça.

Agora, vamos aprender a usar o metabolismo a nosso favor!

Dica 5: capriche na proteína
Carnes magras, feijão, ovos e peixes dão uma sensação maior de saciedade. Bastam 10% a mais proteína no seu café da manhã e você vai comer menos no almoço.

Especialistas em nutrição fizeram um teste com três operários de tipos físicos e metabolismos semelhantes. Antes do trabalho, cada um tomou um café da manhã com o mesmo número de calorias, mas muito diferentes.

Mick comeu mais carboidratos, nutrientes que estão nos pães, massas e batatas. Já o café da manhã de Willy tinha mais gordura. E o de Charlie, mais proteína, como ovos e presunto magro.

Quatro horas depois, eles almoçaram. Chalie, que comeu mais proteínas, quase não sentiu fome. Comeu muito menos do que os colegas.

Isso acontece porque, de todos os nutrientes, a proteína é a que mais libera um hormônio precioso para quem quer emagrecer. O hormônio da saciedade.

Dica 6: aposte nas sopas
A dica número seis prova que existe um outro jeito bem simples de seguir com sua dieta sem morrer de fome: sopa!

Pesquisadores fizeram um teste revelador com duas equipes de recrutas do Exército inglês. A equipe amarela comeu no almoço uma boa porção de frango, legumes e arroz, com um copo de água para acompanhar. A equipe vermelha comeu exatamente a mesma coisa, mas tudo batido no liquidificador. Uma sopa bem consistente.

Depois do almoço, o volume de comida no estômago dos recrutas foi medido com um aparelho de ultrassom. Duas horas depois, os recrutas que almoçaram o frango sólido tinham bem menos comida no estômago e começavam a sentir fome. Já a equipe vermelha, que tomou sopa, ainda estava de barriga cheia.

Isso acontece porque, quando comemos alimentos sólidos acompanhados de líquidos, como água ou sucos, esses líquidos logo seguem pelo sistema digestivo, e o volume no estômago fica menor. Por isso, a comida é processada mais rapidamente pelo organismo. Já uma sopa bem grossa, batida, demora mais para ser digerida. Você fica satisfeito por muito mais tempo. Então, aposte nas sopas!

Dica 7: evite comer de tudo um pouco, faça escolhas
Pastilhas de chocolate coloridas, por exemplo, fazem muito mais sucesso do que as de uma cor só. Quando estamos em um restaurante a quilo, o excesso de opções é uma tentação, e acabamos exagerando um pouquinho.

Estudos mostram que, quando a oferta é grande, chegamos a comer 30% a mais. Então, já sabe: variedade exagerada é inimiga da dieta.

Dica 8: laticínios podem ajudar você a eliminar gordura
Agora, os amigos da dieta! A gordura e o cálcio são, então, eliminados nas fezes. Novas pesquisas mostram que o cálcio que está nos queijos, iogurtes e leite cola nas moléculas de gordura presentes no que acabamos de comer. A combinação vira uma espécie de sabão, que o intestino delgado não consegue absorver. Essa gordura segue, então, seu caminho e vai parar no vaso sanitário.

Mas se você quer mesmo emagrecer, esqueça os queijos gordurosos. Estamos falando de leite, coalhada e iogurte desnatados e queijos magros, como a ricota e o queijo minas.

Dica 9: você pode queimar gordura dormindo.
Essa dica é animadora. Mas antes de ir correndo pra cama, saiba que isso só vai acontecer se você fizer algum tipo de exercício. O jornalista inglês Michael Mosley duvida que isso seja verdade, mas aceitou fazer um teste. Encarou a esteira em ritmo moderado. Andou nove quilômetros em uma hora e meia.

Quase morreu de cansaço. E de decepção, quando soube do resultado. Analisando o ar exalado por Michael, o pesquisador descobriu que ele tinha queimado menos de 20 gramas de gordura.

No dia seguinte, Michael voltou ao laboratório para uma segunda bateria de testes, desta vez, em repouso. E então veio a grande surpresa. Depois dos exercícios, durante o sono, o organismo de Michael eliminou outros 49 gramas de gordura, mais do que o dobro da gordura perdida na esteira.

Isso acontece porque o corpo usa diferentes combustíveis para obter energia: carboidratos e gordura. Durante os exercícios, nossos músculos geralmente preferem usar os carboidratos, porque são mais fáceis de queimar.

Então, quando terminamos de malhar, nosso estoque de carboidratos está quase zerado. Isso força o organismo a buscar outra fonte de energia dentro do corpo: gordura. Mas isso, só se você praticar exercícios regularmente e suar bastante com eles.

Se você é daqueles que jamais vai entrar em uma academia, a dica numero dez é para você.

Dica 10: faça ginástica do instante
Amy é locutora de rádio. A maior ginástica que ela faz é levantamento de agulha de crochê. Amy fica quase o dia inteiro sentada. Faz alguma coisa na cozinha e vai para o trabalho de metrô. Exercício? Segunda que vem, sem falta! Sempre segunda que vem.

Amy aceitou fazer um novo tipo de exercício: a "ginástica do instante". Funciona assim: no instante em que atende o celular, em vez de ficar sentada, Amy levanta e anda para lá e para cá. Quando está arrumando a casa, a todo instante Amy sobe e desce as escadas. No instante em que acaba de almoçar, em vez de bater papo sentada, ela vai tagarelando com o amigo num passeio pelo bairro. E no momento de pegar o ônibus ou o metrô, Amy desce uma estação antes ou depois, só para andar um pouquinho mais. Não fica parada na escada rolante e nem mesmo na hora de falar com seus ouvintes.

Resultado: com essas pequenas mudanças, Amy passou a queimar 240 calorias a mais por dia. Se fizesse assim durante um ano todo, perderia até 12 quilos.

Aproveite as dicas! Sua saúde agradece! 



Do Fantástico - http://bit.ly/5ykshg 

domingo, 20 de dezembro de 2009

Inundação: a várzea pertence ao rio

A várzea pertence ao rio

Em momentos críticos, como temporais, Tietê e Pinheiros irão sempre buscar o que lhes foi tirado


ÁGUAS PASSADAS - A enchente de 1929, na Ponte de Pinheiros, perto da Rua Butantã:
usada pela Light para demarcar seu território de poder



Pé d'água, mesmo, não foi. Mas uma chuva compacta e homogênea, a mais volumosa em dois anos, caindo sobre quase toda a cidade durante 24 horas. E a terça-feira da maior metrópole brasileira amanheceu parada e submersa. Foram registrados 105 pontos de alagamento, entre eles as marginais dos Rios Pinheiros e Tietê. E seis pessoas morreram em deslizamentos de terra - no caso mais grave, em Santana de Parnaíba, quatro irmãos de uma mesma família, três deles, crianças.




A tragédia deixou "constrangida e indignada, mas não surpresa" a geógrafa paulistana Odette Carvalho de Lima Seabra. Autora de Os Meandros dos Rios nos Meandros do Poder: O Processo de Valorização dos Rios e das Várzeas do Tietê e do Pinheiros, apresentado como tese de doutorado na USP em 1987, a professora considera corretas as medidas tomadas nos últimos anos para mitigar as enchentes. Mas o sistema já está próximo de seu limite.

Colega do célebre geógrafo baiano Milton Santos, morto em 2001, Odette diz que as políticas públicas destinadas às várzeas dos Rios Pinheiros e Tietê tiveram um protagonista privado: a São Paulo Tramway, Light and Power Company - empresa de capital canadense que energizou o processo de urbanização brasileiro nas décadas de 30, 40 e 50. Afirma que as várzeas onde o governo do Estado assenta obras de ampliação das marginais são parte integrante dos rios - que as requisitam de volta, nas enchentes. E aponta que a solução definitiva passa por mudanças profundas no modo de vida na cidade.




ODETTE -
'Os automóveis foram uma opção imposta goela abaixo'








































As cenas de inundação na terça-feira surpreenderam a senhora?
Fiquei, como todo o mundo, constrangida e indignada. É insuportável saber que somos obrigados a viver essas tragédias ano após ano. Mas não posso dizer que as imagens me surpreenderam. As medidas que vêm sendo tomadas desde 1999 são corretas. Mas ocorre que a capacidade do Tietê está no limite. A interligação de bacias necessária ao abastecimento de São Paulo faz com que, por exemplo, 33 metros cúbicos por segundo da bacia hidrográfica do Rio Piracicaba caiam aqui.

O solo impermeável da cidade é uma das causas das enchentes?
Também. As chuvas, a cada ano, são mais torrenciais. Há dados mostrando isso. Temos um volume aumentado de água na rede, impermeabilização crescente do solo e ocupação desordenada do rebordo externo da bacia. Eu me refiro à zona leste de São Paulo, à vertente sul da Cantareira, essa porção de colinas, onde têm ocorrido desastres. O solo, lá, é de rigolito, fixo apenas pela vegetação. Com o desmatamento, ainda que seja uma simples abertura entre as casas, tudo fica sujeito a deslizamentos. Além disso, por gravidade, os detritos chegam à calha do rio. Por isso o Tietê tem um trabalho de desassoreamento que não pode parar.

É difícil imaginar Paris sem o Sena, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio. Que falta faz um rio a uma grande cidade?
O rio é uma referência de lugar e de espaço, integra a identidade de um povo. Quando ele está perdido, como no nosso caso, é uma ausência importante. Vi um documentário que mostrava como os brasileiros voltaram as costas para os rios. Há quem cruze o Tietê quatro vezes ao dia sem se dar conta.

Seu doutorado mostra como as estratégias de ocupação das margens do Tietê e do Pinheiros foram definidas a partir dos interesses da Light. Como isso se deu?
Esse é o rescaldo negativo do imperialismo das grandes empresas nos países subdesenvolvidos. A Light, da qual hoje pouco se fala, provocou uma grande mobilização no Brasil das décadas de 30, 40 e 50. A companhia era uma espécie de polvo, atuando em diferentes esferas. Foi tão importante na história de São Paulo que passou a integrar o imaginário. Aparecia na música, na poesia, na retórica popular. Havia até uma expressão: "E eu com a Light?"

Como ela atuava?

No final do século 19, a Light tinha o monopólio da geração e difusão de hidreletricidade no mundo. E entrou no Brasil da mesma forma que na Guatemala, no México e mesmo em Barcelona, na Espanha. Um grupo econômico se mobilizava para levantar fundos, sob a bandeira da rainha da Inglaterra, e obtinha exclusividade no mercado. Em São Paulo, primeiro atuou no transporte urbano. Em 1899, ganhou uma concessão interessante, para a construção de bondes elétricos, embora não houvesse eletricidade na cidade! Em 1901, já tinha construído uma hidrelétrica, em Santana de Parnaíba: mandava energia para movimentar os bondes, iluminar vitrines, ruas, etc. A Light tinha uma racionalidade que a administração pública e a sociedade local não acompanhavam. E um ideário muito forte de progresso. Sempre digo aos meus alunos: isso foi importante, a energia elétrica é uma revolução, muda a vida cotidiana e a noção de tempo na cidade. Só que aqui a Light montou um Estado dentro do Estado.

E inverteu o curso do Rio Pinheiros.
Isso foi em novembro de 1928. A inversão era para canalizar a água para uma represa que já funcionava no sopé da serra, em Cubatão. Pelos decretos, para compensar seus investimentos, a Light ganhava o direito de desapropriar imóveis de toda a várzea do Rio Pinheiros, "para fins de utilidade pública". O que sempre foi prerrogativa do governo central. Essa área seria delimitada por uma tal "linha da máxima enchente", que encontrei em mapas confeccionados no Canadá, ainda feitos de pano. Tomaram como referência a famosa enchente de 1929, a maior que houve em São Paulo. E tudo passou a ser da Light, de onde a água chegou até o leito do rio. Entendi nisso a demarcação de um território. E nós, que estudamos geografia, sabemos o que o território é: uma jurisdição de poder. Daí para a frente, um fiscal de terras passou a proibir as pessoas de usarem a várzea, fosse para jogar bola ou levar cabras para beber água.

E como a companhia conseguiu o direito de revender essas terras de "utilidade pública" depois?
Eles fizeram acordos com os expropriados, sempre estipulando critérios e preços. Houve movimentos de resistência de moradores, que foram ao presidente Getúlio Vargas, até que ele se manifestasse contra. Mas a essa altura tudo estava sob litígio e começou o movimento dos advogados, ganhando cobres às custas dos expropriados.

A proximidade das pistas do leito dos rios nas marginais é muito criticada por urbanistas. Por que elas foram parar lá?
Nos anos 60, com o Plano de Metas, foi preciso abrir espaço para circularem os automóveis. Tem início outro padrão e modo de vida. O Estado planejou as marginais e pressionou a Light: "Agora, vamos intervir, porque é preciso modernizar a estrutura de transporte do País". Veja que, até então, em São Paulo andava-se de carroça, bonde ou barco - cerca de 500 deles transitavam no Tietê. Com a entrada da indústria automobilística, o transporte por rio desaparece e o ferroviário entra em declínio. Os bondes saíram de circulação não porque as pessoas não mais os quisessem, mas porque outra opção de transporte foi imposta goela abaixo.

É por isso que senhora diz que "os enigmas do funcionamento da Bacia do Alto Tietê traduzem o modus operandi da modernização geral da sociedade"?
Se a gente tem noção da história, fica ingênuo discutir quem fez as marginais e foi responsável por esses equívocos. Mas, com o partido rodoviário sendo adotado como modalidade de transporte nacional, a sequência só poderia ter sido essa. No caso da Light, é preciso levar em conta também que éramos uma República nova, sem conhecimento de estruturas jurídicas, com uma sociedade pouco aparelhada para negociar com o trust. Não que, por princípio, as pessoas fossem boas ou más. É um processo.

Os moradores mais antigos da cidade têm a memória de um Tietê onde se nadava, praticava remo. Como se transformou em uma "cloaca a céu aberto", como a senhora diz?
Em minha tese, entrevistei um ex-barqueiro, de 96 anos, que passou a vida recolhendo areia do fundo do Tietê para vender. Ele me contou que, em 1935, já não podia mais beber a água do rio, e a levava de casa. Perguntei por quê. "Desde que a Nitroquímica se estabeleceu em São Miguel os peixes começaram a morrer e a gente não podia mais beber a água." Ainda na década de 20, quando a Light obteve o monopólio do Rio Pinheiros, as autoridades decidiram deslocar os barqueiros para o Tietê. Houve processos na Justiça e, num deles, um barqueiro questiona: "Já não dá para tirar areia entre a Ponte Pequena e a foz do Rio Pinheiros, porque o fundo do rio é lodo e esgoto". A contaminação é um processo que vem com a urbanização. Seus efeitos deveriam ter sido domesticados ao longo do tempo, mas ela foi avassaladora e não pudemos raciocinar sobre os problemas que a industrialização trazia.

Dezenas de projetos de ampliação do leito e embelezamento das margens foram realizados em São Paulo, sem que os rios fossem de fato recuperados - como ocorreu com o Tâmisa, em Londres. Por quê?
Primeiro, a gente continua poluindo o Tietê. A poluição industrial foi controlada, mas a doméstica, não. Há um problema de infraestrutura difícil de enfrentar. É muito caro fazer interligação de esgotos. Às vezes, os espíritos românticos maquiam as margens, produzem discursos... Mas a solução ainda está distante.

Não será porque obras sanitárias têm pouca visibilidade política?
Também. E porque a necessidade cresce em ritmo geométrico. Um grande problema hoje, por exemplo, é a capacidade de escoamento. Já temos 43 piscinões que, juntos, comportam o volume de um Tietê. Mas eles não bastam. É igualmente simplório atribuir o problema à sujeira dos bueiros. Lidamos com o fardo pesado dessa longa história de urbanização.

A recente ampliação das pistas nas marginais é uma boa ideia? O especialista em drenagem urbana da Poli-USP Mario Thadeu Leme de Barros disse que será preciso "renaturalizar as bacias" e, em 20 ou 30 anos, acabar com as marginais.
Não fiz coro às críticas sobre a ampliação das marginais porque enfrento engarrafamentos todo dia e sei que alguma coisa tinha que ser feita. No plano de macrodrenagem existe uma proposta séria de recuperação das várzeas, mas que exige investimentos extraordinários. No Canadá isso foi feito: restituíram a várzea ao rio, pois ela é parte dele, pertence a ele. Por isso, nas enchentes, o rio a requisita de volta. Lá construíram jardins que, quando têm de encher de água, enchem. A solução definitiva é pensar em um novo desenho urbano.

A senhora acredita que algum dia possa haver um pacto político, social, ambiental e econômico para recuperar de fato esses rios?
Se um dia alguém levantar essa bandeira e conseguir o mínimo que seja, estará fazendo muito. Devolvendo as várzeas ao rio teríamos uma outra cidade - e isso só acontece com uma mudança no modo de vida. Para começar, exigiria menos automóveis, que regem hoje as formas de ocupação de espaço e regulação do tempo na cidade.

Ambientalistas dizem que "o carro é o novo cigarro", um símbolo anacrônico de status, a ser banido.

Seria bom mesmo. Mas como agir numa sociedade desse tamanho, com milhões de pessoas circulando para cima e para baixo? Uma pesquisa que fizemos em Parelheiros, no extremo sul da cidade, mostrou que existe gente nascida lá, que já é adulta e nunca saiu da região. Não conhece nem o centro. Chamo isso de confinamento dos pobres. Com tantas carências, como arcar com o custo social de liberar as várzeas? 


Texto de Ivan Marsiglia - O Estado de S.Paulo de 20/12/2009

Maria Fuzil e a dinâmica do tráfico

O fuzil usado para atrair beldades do morro e do asfalto – as chamadas Maria Fuzil

E a Maria Fuzil ganha o que com isso? Mais alguns depoimentos:
“Dinheiro. Também ela tem um contato, ninguém rouba ela na rua. Elas tá na rua foi roubada, vem aqui dentro. O cara ainda toma uns tapa”
“As donas do pedaço cruzam o salão de ponta a ponta, ninguém pode esbarrar nelas”
“Muitas vezes os traficantes aparecem com umas menininhas da comunidade que todo mundo achava muito sem graça, magrinha, sem corpo, mas depois que começam a desfilar com os traficantes, as meninas parece que ganham corpo e o pessoal começa a pensar: ‘pô, olha o que eu perdi”





Afinal, por que tanto menino entra para o tráfico? E como alguns conseguem sair? Essas são algumas da questões enfrentadas no estudo “Meninos do Rio: jovens, violência armada e polícia nas favelas cariocas” (PDF, 365 kb), do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. Para respondê-las, a pesquisadora Silvia Ramos e equipe colheram 104 depoimentos de estudantes, traficantes, ex-traficantes, milicianos, mães, líderes comunitários, assistentes sociais. O resultado joga luz sobre um fenômeno bastante complexo – o ingresso na vida do crime -, que à luz das análises socioeconômicas costuma ser simplificado e resumido à questão financeira.
A questão financeira existe, evidente. Mas o estudo indica que isso nem sempre é determinante. Para começar, diversas pesquisas – esta, inclusive – apontam certa “crise do tráfico”. A ponto de algumas “bocas” fecharem, por falta de clientela. Razões para tanto podem ser procuradas na expansão do consumo do ecstasy, traficado no asfalto, e na própria violência de criminosos e policiais, que teriam afastado o consumidor. Leia alguns trechos de depoimentos a propósito da baixa nos negócios da droga:
“Tem favela tão pobre que nem a milícia quer!”
“Tá tão ruim que os fogueteiros vivem pedindo comida. Vão lá em casa, mexem nas panelas: ‘pô, tia, não tem um rango, não? Tô cheio de fome’”
“Eu trabalhando no sinal ganho mais dinheiro do que vagabundo que trabalha no morro”
Se a questão financeira não explica sozinha o ingresso no crime, então o quê? “É claro que em muitos casos adolescentes vão para o tráfico (ou as milícias) em busca de dinheiro, alternativa profissional, para fugir de famílias violentas, para escapar de pais ou mães alcoolizados e degradados, ou por outros motivos socioeconômicos ‘clássicos’”, escreve a autora. “Mas é importante perceber que em muitos casos as trajetórias de vida não correspondem a essas razões mais óbvias ou frequentes.” Vamos a mais alguns depoimentos:
De um ex-traficante: “Ah, sei lá porque entrei. Poder, eu acho. Ninguém ia tirar contigo (…) nem era admiração pelos caras, era pelas armas”
De um traficante: “Eu acredito que eu entrei por safadeza. Nem sei explicar… minha mãe, pô, criou sete filhos sozinha mas nunca deixou faltar nada em casa… Amizade, todas eram envolvidas também”
De uma mãe, cujo filho foi morto em operação policial: “É a idade, é empolgação, é adrenalina, é um querer de um poder”
De uma assistente social: “Eu sei de meninos que praticamente quase nem ganham, entendeu? Mas está ali, o negócio deles é estar ali na esquina, estar ali com o fuzil”
De outra assistente social: “É como o cara que entra no mar prá pegar aquela onda que vem grandona, ele quer estar lá naquela onda. Uma porção de gente está aqui fora dizendo ‘Deus me livre, entrar naquele mar’. Mas ele tem aquela coragem, aquele desejo e vai. Eu acho que é a mesma coisa ir pro tráfico”
Uma grande surpresa da pesquisa foram os muitos depoimentos que relacionam “virar bandido” e “usar armas” com “conseguir meninas” e “ser olhado, reconhecido, desejado”. É o fuzil usado para atrair beldades do morro e do asfalto – as chamadas Maria Fuzil. O fenômeno é tal que a pesquisa colheu o relato de gente que pede emprestado o fuzil de um amigo traficante só para dar uma circulada pelo baile funk. Tudo para impressionar. E Maria Fuzil ganha o que com isso? Mais alguns depoimentos:
“Dinheiro. Também ela tem um contato, ninguém rouba ela na rua. Elas tá na rua foi roubada, vem aqui dentro. O cara ainda toma uns tapa”
“As donas do pedaço cruzam o salão de ponta a ponta, ninguém pode esbarrar nelas”
“Muitas vezes os traficantes aparecem com umas menininhas da comunidade que todo mundo achava muito sem graça, magrinha, sem corpo, mas depois que começam a desfilar com os traficantes, as meninas parece que ganham corpo e o pessoal começa a pensar: ‘pô, olha o que eu perdi”
O relatório (que pode ser baixado aqui, em PDF, 365 kb) segue analisando possíves efeitos e causas da dinâmica do tráfico, passando pela questão do território, da violência policial, das milícias, da chegada do crack, e encerra com uma série de conclusões e recomendações, entre as quais:
>> “Uma parte de defensores históricos do Estatuto da Criança e do Adolescente tende a pensar nos adolescentes exclusivamente como ‘vítimas’ e ‘portadores de direitos’, e os agentes de segurança e justiça criminal tendem a pensar nos adolescentes apenas como ‘problemas’, numa construção que os criminaliza, especialmente se forem pobres e viverem nas favelas. É necessário encontrar um ponto de articulação de olhares, metas, programas e compromissos que seja capaz de dialogar com os diversos campos, o que tem sido raro no Brasil.”
>> “Temos que nos preparar para produzir opções e alternativas para jovens com baixa escolaridade e que tiveram experiências em grupos criminais, mas que desejam sair do ambiente do crime e ingressar no mundo do empregoNão são apenas “os traficantes” de um lado e os “jovens inocentes” de outro. Há complexas relações entre uns e outros e muitas vezes bastante instáveis e mutantes. Temos de nos preparar para interferir nesses contextos, conhecendo melhor essas dinâmicas e ouvindo os jovens, estejam eles em que ponto estiverem da cadeia que engendra mortes diariamente.”
>> “Território é a chave, às vezes paradoxal, que tem que ser afirmada, valorizada (ter orgulho de ser de tal favela; querer representar
a comunidade tal, sentir alegria por pertencer e ’ser’ de tal lugar) e ao mesmo tempo superada, olhada pela distância que apenas a saída e a circulação por outros territórios conseguem produzir.”

>> “É necessário mudar esse quadro e chamar as polícias para o diálogo, estabelecer metas conjuntas e estimular iniciativas do tipo ‘Juventude e Polícia’ (como a desenvolvida pelo Grupo Cultural AfroReggae com a Polícia Militar de Minas Gerais e mais recentemente no Rio, através do projeto ‘Papo de Responsa’).”


De Daniel Jelin em Crimes no Brasil - http://bit.ly/5ppJno 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Cerveja podre

Rogério Cezar de Cerqueira Leite escreve sobre as cervejas podres.

A cerveja: bebendo gato por lebre

É inexplicável que sejam tão omissas as autoridades brasileiras quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo


O BRASIL é o quarto maior produtor de cerveja, com pouco mais de 10 bilhões de litros por ano. A China é o maior de todos, com 35 bilhões, e os EUA são o segundo, com 24 bilhões. A Alemanha vem em terceiro, com uma produção apenas 5% maior que a brasileira.


Segundo norma autorregulatória da indústria cervejeira alemã, a cerveja é composta única e exclusivamente por apenas três elementos, cevada, lúpulo e água, tendo como interveniente um fermento. Tradicionalmente, o termo malte designa única e precisamente a cevada germinada.


O malte pode substituir a cevada total ou parcialmente. A malandragem começa aqui. Com frequência, lê-se em rótulos de cervejas a expressão "cereais maltados" ou simplesmente "malte", dissimulando assim a natureza do ingrediente principal na composição da bebida.


Com a aplicação desse termo a qualquer cereal germinado, a indústria cervejeira pode optar por cereais mais baratos, ocultando essa opção.


O poder da indústria cervejeira no Brasil (lobby, tráfico de influência etc.) deve ser imenso. Basta lembrar que convenceram as autoridades (in)competentes nacionais de que não estavam violentando normas que regulam a formação de monopólios ao agregar Brahma e Antártica -o que constituiria então cerca de 70% do consumo nacional- com o argumento de que só assim poderiam concorrer no mercado globalizado. Mas depois foram gostosamente absorvidas por uma multinacional do ramo, certamente uma forma sutil de realizar a concorrência prometida. E não foi tomada nenhuma providência.


Aliás, sempre que aparecia no cenário uma empresa nascente que, pela qualidade, pudesse despertar no brasileiro uma eventual discriminação quanto ao sabor, era ela acuada por todos os meios possíveis e finalmente absorvida, e sua produção, reduzida ao mesmo nível da mediocridade dos produtos das duas gigantes.


Aparentemente, o receio era o de que a população cervejeira, ao ser exposta a diferentes e mais sofisticados exemplos, desenvolvesse algum bom gosto e, consequentemente, passasse a demandar cerveja de qualidade.


A cerveja brasileira (com pequenas e honrosas exceções) é como pão de forma: mata a sede, mas não satisfaz o paladar exigente.


Para esclarecer a questão da má qualidade da cerveja brasileira, vamos fazer alguns cálculos.


A produção nacional de cevada tem ficado nos últimos anos entre 200 mil e 250 mil toneladas, das quais entre 60% e 80% são aproveitados pela indústria cervejeira. Essa produção agrícola tem sido suplementada por importação de quantidade equivalente. Em média, portanto, cerca de 400 mil toneladas de cevada são consumidas na indústria da cerveja no Brasil, presumindo-se que quase toda a importação tenha essa finalidade.


O índice de conversão entre a cevada e o álcool é, em média, de 220 litros por tonelada. Como as cervejas brasileiras têm um teor de álcool de 5%, podemos concluir que seria necessário que houvesse pelo menos seis vezes a quantidade de cevada hoje disponível para a indústria nacional da cerveja. Portanto, a menos que um fenômeno semelhante àquele do "milagre da multiplicação dos pães" esteja ocorrendo, o álcool proveniente da cevada na cerveja brasileira representa cerca de 15% do total.


Há pouco mais de duas décadas foi publicado um relatório de uma tradicional instituição científica do Estado de São Paulo segundo o qual análises de cervejas brasileiras mostravam que um pouco menos que 50% do conteúdo da bebida era proveniente de milho (obviamente sem considerar a água contida).


Como o índice de conversão de grão em álcool para o milho é 80% maior que para a cevada, podemos considerar que a conclusão do relatório em questão atua como álibi, pois satisfaria normas vigentes. Isso também explica a preferência dos produtores de cerveja pelo milho, pois os preços da tonelada dos dois cereais são aproximadamente os mesmos, apesar de consideráveis oscilações.


Esses números permitem, todavia, concluir que o milho (e outros eventuais cereais que não a cevada) constitui, em peso, quase três quartos da matéria-prima da cerveja brasileira, revelando sua vocação para homogeneização e crescente vulgaridade.


Outro determinante da baixa qualidade da cerveja brasileira é a adição de aditivos químicos para a conservação. O mal não está só nessa condição, mas na sua necessidade. O lúpulo em cervejas de qualidade, sejam "lagers", sejam "ales", é o componente responsável pela conservação -além, obviamente, de suas qualidades de paladar.


Depreende-se daí que os concentrados de lúpulo usados na cerveja brasileira são de baixa qualidade. O que é inexplicável e de lamentar, entretanto, é que as autoridades brasileiras, tão zelosas para com alimentos corriqueiros, sejam tão omissas quando se trata da bebida nacional mais popular e de maior consumo e permitam que o cidadão brasileiro beba gato por lebre.



ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 78, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha .

Seguidores de Rasputin

Pense em sobreviventes ilustres, como José Roberto Arruda, José Dirceu, Delúbio Soares, Fernando Collor ou José Sarney.  Junto deles, Rasputin era amador.


Ruy Castro escreve sobre os Seguidores de Rasputin


Pode-se não saber quem foi Gogol ou Tchecov, dois escritores russos pré-1917, mas não há quem não tenha ouvido falar de Rasputin. Grigori Rasputin. Era um homem fascinante, meio monge, meio charlatão, cujo poder sobre o czar Nicolau 2º e família o levou a ser assassinado em dezembro de 1916, aos 47 anos, pouco antes da queda do próprio czarismo.


Na Rússia daquele tempo, não faltava quem quisesse apagar Rasputin. Em 1914, à saída de uma igreja, ele foi atacado por uma prostituta contratada por um inimigo. Ela lhe cravou uma faca no abdômen e girou. Rasputin caiu, olhos esbugalhados e tripas para fora. A mulher se deu por satisfeita e largou a arma. Mas Rasputin foi levado, submetido a uma cirurgia e sobreviveu.


Dois anos depois, um conde, um grão-duque e um extremista de direita o atraíram para uma adega, onde lhe serviram bolos e vinho tinto enriquecidos com cianureto. O veneno - "capaz de matar cinco homens", dir-se-ia depois- pareceu não afetá-lo. O conde, para se garantir, disparou contra Rasputin, que caiu. Quando o homem se abaixou para examiná-lo, Rasputin, assustadoramente vivo, agarrou-o e tentou estrangulá-lo.


Os outros dois lhe deram mais três tiros, um deles na cabeça, e Rasputin caiu de novo. Ao ver que ainda se debatia, bateram-lhe de porrete até desmaiá-lo e, por sadismo, castraram-no ali mesmo, a golpe de sabre. Depois o amarraram, enrolaram-no num tapete e o jogaram no gelado rio Neva. Foram embora e não viram quando Rasputin se livrou das amarras e do tapete, mas não conseguiu romper a camada de gelo. Segundo a autópsia, morreu afogado.


Isso é que é apego à matéria. Mas pense em outros sobreviventes ilustres, como José Roberto Arruda, José Dirceu, Delúbio Soares, Fernando Collor ou José Sarney. Junto deles, Rasputin era amador.

sábado, 12 de dezembro de 2009

No mensalão dos outros....farinha do mesmo saco!!


Falou m****


Cerceamento à liberdade de imprensa

Alencar critica cerceamento à liberdade de imprensa no País

Entidades nacionais e internacionais também condenaram decisão do STF que manteve censura ao ''Estado''
Alfredo Junqueira, Clarissa Oliveira, Moacir Assunção e Ricardo Brandt


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O vice-presidente José Alencar afirmou ontem estar preocupado com o que considerou cerceamento à liberdade de imprensa, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de arquivar recurso do Estado que pedia o fim da censura a que está submetido. Há 134 dias o jornal está proibido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A mordaça foi imposta pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DF) no dia 31 de julho.                       



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Cerceamento à liberdade de imprensa preocupa, diz José Alencar


especialESPECIAL: Estado sob censura 
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blog STF decide se censura prévia é legal
lista Confira os votos dos ministros
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linkSTF começa a debater tutela judicial sobre imprensa
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linkPara jurista, Corte não deve adotar postura burocrática
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"Eu não quero entrar no mérito do caso em si. Agora, tenho preocupação quando há decisão que cerceia a liberdade de imprensa", disse Alencar. "Tem uma frase antiga que agora não me está ocorrendo quem é o autor. Ela diz assim: "o preço da liberdade é a eterna vigilância". Um dos instrumentos mais importantes para liberdade é a liberdade de imprensa. É isso que fortalece a democracia."

Entidades nacionais e internacionais ligadas ao jornalismo e à defesa da liberdade de expressão repudiaram ontem a sentença do Supremo. A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, com sede em Paris, divulgou nota em que classifica a decisão do STF de "incompreensível e perigosa". A entidade afirma que o arquivamento é "um grave revés para a liberdade constitucional fundamental".

"Incompreensível porque foi essa mesma jurisdição a que revogou integralmente, no passado mês de abril, a Lei de imprensa de 1967, herdada do regime militar. Perigosa, pois esta validação de uma medida de censura preventiva estabelece um precedente arriscado que poderá ser utilizado por personalidades importantes contra o direito dos cidadãos brasileiros a serem informados", informa.

Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o STF "deu aval à censura no Estadão". "Além de sacramentar a mordaça à liberdade de informação típica da ditadura militar, o Supremo Tribunal deu mostra de seu inadequado entendimento acerca da Constituição, persistindo em incompreensões constantes em votos de vários dos seus membros, como o ministro Gilmar Mendes, que se tornou, como demonstram recentes julgamentos, um defensor de restrições ao exercício da liberdade de imprensa que a Carta Magna não admite", afirmou o presidente da instituição, Maurício Azêdo.

"O ministro Gilmar Mendes, no seu discurso, banalizou e justificou algo absurdo como a censura prévia, comparando a situação do Estado ao caso da Escola Base, que não tem relação alguma", criticou o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo.

As entidades Comitê de Proteção aos Jornalistas, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e a ONG Artigo 19 também se manifestaram contra a decisão.

Para diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, apesar da derrota, a entidade crê que os argumentos de defesa do Estado serão vitoriosos na análise do mérito.


Frases

José Alencar Vice-presidente da República

"Eu não quero entrar no mérito do caso em si. Agora, tenho preocupação quando há decisão que cerceia a liberdade de imprensa"

"Um dos instrumentos mais importantes para liberdade é a liberdade de imprensa. É isso
que fortalece a democracia"



Fonte: O Estado de São Paulo http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091212/not_imp480851,0.php