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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lei Maria da Penha: Negativa de proteção é prenúncio de nova tragédia

A realidade do dia-a-dia dos Juizados de Violência Doméstica Contra a Mulher é assombrosa e lamentável

Durante estes quatro anos de vigência da Lei 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, juízes de direito, promotores de justiça e defensores públicos especializados oficiantes perante os Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher puderam constatar transparente fenômeno fático. Qual seja, de todas as Medidas Protetivas de Urgência previstas na Lei Maria da Penha — e não são poucas, além do rol não ser taxativo — aquela que mais auxilia e resigna a desditosa ofendida é a aquela cautelar que lhe confere a prestação de alimentos provisionais ou provisórios, prevista no artigo 22, Inciso V, desse Diploma.
A razão para tanto é natural e evidente. Como no célebre Julgamento de Salomão, contado no Livro dos Reis, uma mãe dá a própria vida pela de seu filho. E sob esta realidade singular e esplendorosa que deve ser empregada a medida protetiva que concede alimentos à ofendida, que possui a guarda da prole do casal.
A realidade do dia-a-dia dos Juizados de Violência Doméstica Contra a Mulher é assombrosa e lamentável. Todos os dias, a toda hora, a corajosa vítima vai pessoalmente até a presença de seu companheiro agressor, o pai de seus filhos, aonde quer que este se encontre, para cobrá-lo a pensão alimentícia inadimplida, ignorando a ofendida as medidas protetivas de proibição de contato e de aproximação deferidas em seu próprio favor, entre outras. Ora, para a manutenção digna dos filhos, e isto só acontece com a colaboração paterna através do pagamento da pensão alimentícia, mais alguns tapas e socos, além de outro olho roxo, é obstáculo que facilmente uma mãe supera. Mas que muitas vezes termina em uma tragédia, como o assassinato da mulher.
O agressor sabe muito bem disto. Sabe que sua colaboração para o sustento dos filhos e sua proposital cessação, o abandono material, pode ser usado como cruel e dolorosa estratégia para recapturar sua desertora escrava de volta para seu cativeiro doméstico, apelidado por aquele de “lar”.
A hipocrisia deprime o prático e o experiente. Resta claro e induvidoso que a maioria esmagadora das medidas protetivas de urgência que são extintas por falta de interesse sob o carimbo do insípido e inútil artigo 267 do Código de Processo Civil e, ainda, que as repetidas audiências do artigo 16 da Lei 11.340/2006 realizadas ao dia para retratação da ofendida, são levadas a efeito pela insidiosa e oculta coação do devedor de alimentos, que a tudo condiciona para resgate de seu débito voluntariamente inadimplido, inclusive a manutenção de conjunção carnal até mesmo o reatamento da funesta união conjugal.
Para agravar em muito, ainda mais, o pesadelo da mulher vítima de violência doméstica e familiar confesse-se aqui que a mais impraticável e inexeqüível medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher é aquela que concede pensão alimentícia à ofendida e a seus filhos. Por uma razão muito simples e facilmente detectável. É que os cartórios desses Juizados Especializados da Mulher trabalham à beira da exaustão, de seu completo engessamento. Abnegados Juízes de Direito, Promotores de Justiça, Defensores Públicos, Serventuários de Justiça, Psicólogos e Assistentes Sociais trabalham no seu limite, desafiando o seu próprio esgotamento físico e mental. Deveras, malgrado a competência criminal e cível destes Juizados da Mulher, inclusive para a execução extrapenal de seus processos, o deferimento de medida protetiva de urgência que concede pensão alimentícia à vítima e o aparelhamento de sua execução uma vez inadimplida esta verba pelo agressor, com a penhora de bens e prisão civil, resta como uma mera utopia legislativa.
Muitos cartórios dos Juizados da Mulher já contam com quase cinco mil processos (entre expedientes policiais, medidas protetivas e processos criminais). Enquanto o Poder Público não instituir quantitativo razoável de Juizados de Violência Doméstica, muitas vezes com a necessidade de mais de um na mesma Comarca ou Foro, e, ainda, enquanto não prestigiada a vitimologia, ou seja, o atendimento às reais e vitais necessidades da mulher vítima de violência familiar, em detrimento de uma ferocidade penal vã e infrutífera, certamente o ciclo da odiosa e lamentável violência contra a mulher persistirá.
Poder-se-ia argumentar que para o desiderato de cobrança de pensão alimentícia, paralelamente aos Juizados de Violência Doméstica, existem as Varas de Família comuns. Entretanto, feliz foi a Lei Maria da Penha quando propôs a competência absoluta cível e criminal dos Juizados da Mulher, ratione personae. Sabe-se, sim, que a ofendida é mulher esgotada, uma sobrevivente de seu holocausto familiar, muitas vezes desterrada do antigo conforto de seu lar, privada do contato de familiares e amigos comuns ao casal, agora uma errante sem lenço nem documento. Quer se dizer aqui que tudo para a mulher vítima da violência caseira é mais difícil e penoso, mesmo porque já se encontra fragilizada e neutralizada pelos anos de violência, sem qualquer auto-estima e capacidade de resistência. Exigir da ofendida, neste cenário pungente, o ajuizamento de outra ação, desta vez na Vara de Família, bifurcando a atividade jurisdicional, certamente configura uma iniqüidade não desejada pela Lei Maria da Penha.
Todos os dias, sem exceção, juízes de direito, promotores de justiça e defensores públicos ouvem a seguinte frase da pobre e infeliz vítima: “Eu pensei que fosse tudo aqui”. Fazendo esta remissão ao gozo das medidas protetivas e também e principalmente à cobrança da pensão dos filhos. Sabedores do volume de processos, do baixo quantitativo de funcionários e da deficiência do aparelhamento e estrutura dos Juizados de Violência, resta a estes Operadores Especializados do Direito fazer letra morta aos artigos 14 e 22, Inciso V, da Lei Maria da Penha, e sob um sorriso amarelo encaminhar a ofendida às fileiras da Defensoria Pública para futuro ajuizamento de ação de alimentos no juízo de família.
Destarte, a própria Lei Maria da Penha proclama que na interpretação de seus dispositivos deverão ser considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. A peculiaridade do atendimento à mulher vítima de violência doméstica revela prioritária e especialmente que o desejo desta é o de que seus filhos tenham o que comer, o que vestir e um teto onde morar dignamente. Não se pode visualizar a concessão das medidas protetivas sob outra perspectiva humana. A não concessão da medida protetiva de urgência de prestação de alimentos provisionais ou provisórios (artigo 22, Inciso V) neutraliza, torna se efeito, qualquer outra medida protetiva deferida. É prenúncio de uma nova tragédia familiar, em prestígio do agressor e descrédito da Justiça e de suas Funções Essenciais.
Em suma, o deferimento de medida protetiva de urgência de prestação de alimentos provisionais ou provisórios deve ser a tônica nos Juizados de Violência Doméstica Contra a Mulher, preponderando sobre todas as outras cautelares previstas, inclusive e notadamente sobre o baldado processo penal. E o inadimplemento desses alimentos protetivos deve importar na prisão preventiva do agressor para satisfação e efetividade dessa medida protetiva, como determina o artigo 313, Inciso IV, do Código de Processo Penal, até o momento de seu resgate pelo agressor.


Do Consultor Jurídico, por Carlos Eduardo Rios do Amaral

sábado, 29 de janeiro de 2011

A doença de amar o agressor!

A dependência que faz tanto mal
Colaboração da Enfermeira Jaqueline

Embora o começo de todos os relacionamentos afetivos seja regado a muita sedução, sonhos e desejos, infelizmente com o tempo, o envolvimento emocional pode levar à dependência, rotina e desgaste. Uma pessoa pode se tornar dependente de comida, drogas, álcool, jogos, trabalho, filhos ou amigos. Mas é na relação a dois que com mais freqüência a dependência se torna destrutiva, podendo sem dúvida, tornar-se doentia e simbiótica, impedindo o crescimento e a troca entre o casal. A dependência geralmente acontece quando um ou os dois já tiveram experiências durante a vida de abandono, rejeição, levando-os a temerem passar novamente por isso. Cria-se a dependência, como uma forma desesperadora e fantasiosa de impedir que aconteça de novo.
Mesmo quando a realidade mostra uma relação transformando a vida em um pesadelo, muitos acreditam ainda que estão sonhando, pois é difícil acordar. A pessoa ao sentir-se incapaz de mudar sua vida, se acomoda. Geralmente a dependência psicológica acontece por necessidades inconscientes nem sempre identificadas. Além disso, ela propicia gratificações secundárias, como a sensação de segurança. É como se a pessoa respirasse através do outro, como se o outro fosse o responsável pela manutenção da sua vida e do ar que respira. Talvez por causa dessas gratificações, muitos sentem dificuldade para se libertarem, ainda que a relação esteja totalmente destrutiva.
Os dependentes deixam que desvalorizem tudo que lhes é mais caro: seus sentimentos. Perdem completamente o valor ao se permitirem que o outro jogue no "lixo" seu eu mais verdadeiro, desprezando tudo que dizem, sentem, fazem, pois nada que é seu é valorizado, ao contrário, tudo é motivo de crítica, fazendo-os acreditarem serem incapazes. O que não é verdade!
Em geral, essas pessoas tornam-se tristes, depressivas, enclausuradas em seus quartos escuros, podendo ficar assim durante anos, até o momento em que não suportam mais e explodem.
Algumas também implodem, ou seja, somatizam e adoecem gravemente. Depois de externalizarem toda raiva contida, e conseguem retomar de alguma forma sua saúde mental, podem perceber as contradições no outro e em si mesmo, tomando consciência de quanto eram sufocadas sob os valores e interesses de terceiros. Retomando essa consciência, que pode ser adquirida através do processo de psicoterapia ou mesmo da profundidade da dor, começam a perceber seus próprios valores, seus desejos, vontades e sentimentos, resgatando assim com sua saúde mental, a auto-estima e o amor-próprio.
Neste momento percebem que são capazes de ouvirem suas próprias vozes e não mais os gritos que as ensurdeciam e as palavras que as dilaceravam, percebem que suas vozes podem voltar a se tornarem novamente doces, suaves, como uma melodia gostosa de se ouvir. Conseguem assumir a responsabilidade pela própria vida, não mais colocando a sua vida na mão de quem quer que seja, mas na única pessoa em quem pode confiar: em si mesma. Claro que tudo isso exige muitas lutas internas, rever um passado que machucou muito, mas que se não for identificado e elaborado, continuará machucando através das repetições de padrões antigos e na manutenção de relações destrutivas.
Para romper esse círculo vicioso é preciso identificar as necessidades que não foram supridas durante a vida, principalmente na infância, entender que por mais que tenha machucado, já passou e desprender-se da ânsia, inconsciente é claro, de compensar perdas e rejeições passadas por meio de um relacionamento dependente como garantia de não mais ser abandonada. E ao conseguir se libertar de um relacionamento doente, cure cada uma das feridas existentes e não se entregue imediatamente a um novo relacionamento, pois será grande o risco de transferir os comportamentos viciados se ainda não forem identificados, podendo comprometer mais um relacionamento.
Algumas também implodem, ou seja, somatizam e adoecem gravemente. Depois de externalizarem toda raiva contida, e conseguem retomar de alguma forma sua saúde mental, podem perceber as contradições no outro e em si mesmo, tomando consciência de quanto eram sufocadas sob os valores e interesses de terceiros. Retomando essa consciência, que pode ser adquirida através do processo de psicoterapia ou mesmo da profundidade da dor, começam a perceber seus próprios valores, seus desejos, vontades e sentimentos, resgatando assim com sua saúde mental, a auto-estima e o amor-próprio.
Neste momento percebem que são capazes de ouvirem suas próprias vozes e não mais os gritos que as ensurdeciam e as palavras que as dilaceravam, percebem que suas vozes podem voltar a se tornarem novamente doces, suaves, como uma melodia gostosa de se ouvir. Conseguem assumir a responsabilidade pela própria vida, não mais colocando a sua vida na mão de quem quer que seja, mas na única pessoa em quem pode confiar: em si mesma. Claro que tudo isso exige muitas lutas internas, rever um passado que machucou muito, mas que se não for identificado e elaborado, continuará machucando através das repetições de padrões antigos e na manutenção de relações destrutivas.
Para romper esse círculo vicioso é preciso identificar as necessidades que não foram supridas durante a vida, principalmente na infância, entender que por mais que tenha machucado, já passou e desprender-se da ânsia, inconsciente é claro, de compensar perdas e rejeições passadas por meio de um relacionamento dependente como garantia de não mais ser abandonada. E ao conseguir se libertar de um relacionamento doente, cure cada uma das feridas existentes e não se entregue imediatamente a um novo relacionamento, pois será grande o risco de transferir os comportamentos viciados se ainda não forem identificados, podendo comprometer mais um relacionamento.
Texto de Rosemeire Zago, Psicóloga clínica com abordagemjungiana. 
Desenvolve o auto conhecimento e ministra palestras motivacionais.
Contato: (011) 3815.9172

A doença de amar o agressor
Ana Paula Ferraz

Olá pessoal! Meu nome é Ana Paula, e atendendo ao pedido de meu amigo José, como colaboradora deste blog, elaborei esse texto sobre a doença de amar o agressor. Discutimos sobre o assunto na comunidade no orkut "Contra a violência à mulher", e recebi esse honorável convite.

Muito se indaga porque muitas vitimas de violência doméstica "se sujeitam" a tal humilhação. Coloquei entre parenteses "se sujeitam", porque creio que nenhum ser humano na face desse planeta goste de sofrer, querendo se colocar socialmente como novo Cristo.
O que vemos diariamente desse circo dos horrores: mulheres que sofrem anos, décadas de violência doméstica e nunca procuram ajuda. E quando alguém lhe indaga sobre o olho roxo, afirmam que tropeçaram e bateram com o rosto no armário, apesar daquele enorme óculos escuros dizer o contrário. Aí surge a indagação "Por que ela mente? Todo mundo sabe que foi o marido quem desceu o sarrafo nela! Mais uma maria-sem-vergonha".
NÃO! NÃO É MARIA-SEM-VERGONHA! É uma vítima acometida pelo mal de amar o agressor. A vítima se cega de tal forma, que acredita que o agressor vai mudar, que aquilo foi momento de raiva, que o agressor "é pavio curto, fazer o que né?", criando uma macabra dependencia psicologica e financeira. A vitima não se vê vivendo longe do agressor que ama tanto!
Basta frequentar a delegacia da mulher por UM dia, que podemos constatar isso: aparece a vítima lá, incentivada pela vizinha, pela amiga, pela mãe, pela irmã, a prestar queixa contra o agressor. A vítima se constrange ao fazer isso porque ela pode colocar o pai dos filhos dela, o homem que ela ama na cadeia. Ela não quer isso! Dias depois ou na hora mesmo, ela desiste de prosseguir, afirmando que foi acidente, que foi momento de raiva e que aquilo não irá mais acontecer. Ela afirma pra ela mesma que aquilo foi rompante, que não vai mais acontecer, porque o agressor "arrependido" chorou, implorou para ser perdoado... Mas dá um dia, e tudo volta como era antes: tapas ultrajantes no rosto porque falou algo que o "macho" não gostou, é porque anda "saidinha" porque conversa animadamente com o vizinho... A vítima considera o comportamento normal, de homem ciumento latino.
Essa doença de amar o agressor pode ter consequências ainda mais desastrosas: abusos contra os filhos do casal, enteados, sobrinhos! SIM! SIM! Com medo de perder o homem que ama, a mulher muitas vezes silencia sobre o abuso sexual sofrido pela filha, pelo filho... Passam-se anos de silêncio e infância perdida.
O filme "Precious", que entrou em cartaz no Brasil durante o carnaval, retrata essa situação macabra que comentei no parágrafo anterior. A menina é abusada sexualmente pelo proprio pai desde os 3 anos de idade, e a mãe silencia para não perder o homem que ela ama. Ela é contra aquilo, mas silencia porque pensa que sem aquele homem ela não consegue viver.
O pai de Precious é um viciado em drogas e vendedor de drogas. E quando ele vai embora, a mãe de Precious a culpa implacávelmente. A garota está grávida do segundo filho gerado pelos estupros praticados pelo pai dela, sendo a primeira filha portadora da Sindrome de Down, a qual é criada pela a vó de Precious. A mãe cria muita raiva da menina pelo fato do macho dela te-la deixado, e agride a garota constantemente, a assedia moralmente chamando-a de burra e que nunca vencerá na vida, quem ela pensa que é, que ela se acha muito mulher porque engravidou duas vezes... Esse filme me arrancou lágrimas, me deu aperto no peito, porque isso é tão corriqueiro, ocorre embaixo dos nossos narizes, e a omissão se perpetua. Baseado em um livro, que conta a volta por cima da vitima de violência sexual e violência doméstica. A mocinha tinha 16 anos na época.
Como se pode ver, o problema é bem complexo. Assim como qualquer doente, a vitima de violencia domestica que reluta em denunciar o agressor precisa de ajuda para isso, entretanto, ela tem que reconhecer que é uma pessoa que precisa de ajuda em primeiro lugar para superar a maldita dependencia com o agressor. Porque afinal não há como ajudar alguem que não se ajuda.
A dependência da vitima em relação ao agressor é como a dependência do álcool, cigarro e drogas ilicitas: a pessoa pode até se dar conta ou não se aquilo lhe faz mal, mas para se livrar do vício, ela precisa se ajudar, mas esse empurrão tem que vir de fora também, porque a vítima de violência doméstica, assim como o viciado, o que menos eles têm é o amor próprio, consumido pelo vicio.
No caso da violência doméstica, o agressor cria um ambiente que faz com que a vitima acredite que ela sem ele é um nada, uma ninguém, o cocô do cavalo do bandido. E caso o agressor não consiga seu intento com isso, ele pratica agressões maiores porque ele não consegue segurar "o brinquedinho dele", para compensar as fustrações pessoais dele por ser um fracassado, um invejoso (muito agressor tem inveja de sua vitima), um zero a esquerda.
O agressor impede que a vitima procure ajuda, a isola da familia e amigos, para que ele continue com o seu intento: DESTRUIR A SUA VITIMA!
O prazer em destruir alguém mais fraco emocionalmente que ele é a meta, para que se sinta melhor em seu complexo de inferioridade, já que a sua vitima é mais bem sucedida que ele, ganha mais que ele, ou até o agressor é pobre, mas inveja a sua vitima que tem mais capacidade de dar a volta por cima do que ele, vai a luta, trabalha, e não fica como o agressor que bota a culpa no mundo por ele ser daquele jeito, de ser um fracassado. Aí para enfraquecer a sua vitima, o agressor usa métodos que a aniquilem, que a humilhem a tal ponto, que faça a vitima acreditar que ela sem ele não é nada e que o amor por ele é a unica coisa que a mantém viva e a faz ser alguém.
E agora parto para outro ponto que se liga ao tema: a sociedade cria a mulher para amar (ser amada não e tão importante), ser boa mãe, boa esposa, aguentar os trancos do casamento, porque a boa esposa tolera tudo... E quando o marido não é bom marido? Fica a icógnita.
Aí quando essa vitima resolve abandonar o marido, prestar queixa, pô-lo na cadeia, aí a mulher é a vilã, a malvada, e por romper esses valores impostos a ela, é culpabilizada pelo que aconteceu, com o famoso "apanhou? É porque tava merecendo!". A vitima se constrange por isso também, portanto o problema da não denúncia não parte somente de amar o agressor, mas do medo de ter o nome jogado na lama e expor a sua intimidade, expor mais ainda os filhos, a familia...
Portanto as vitimas de violência doméstica antes de mais nada, sofrem também com o abandono da familia e amigos se ela sai do roteiro imposto a ela: boa mãe, esposa e saco de pancada. E muitas vezes elas "acham que amam o agressor" por conta disso, vivendo uma fantasia de dependencia que a própria familia e o agressor a fazem acreditar: que ela é um nada sem o marido, e casal que se ama briga, mesmo que role porrada, e depois vem o sexo de reconciliação.
Com todo esse emaranhado, fica difícil vc convencer a vitima a denunciar o agressor. E a sociedade a condena por ser "Maria-sem-vergonha". Um pré-julgamento muito cruel para quem já sofre tanto com o agressor e falta de apoio da familia.
O que precisamos fazer, o que as autoridades precisam fazer? PRECISAMOS PARAR DE TRATAR VIOLÊNCIA DOMÉSTICA COMO ASSUNTO PRIVADO!
Por quê? Muito simples! Essas pessoas que sofrem abusos se tornam os futuros agressores, futuras vítimas de homicídio ou lesáo corporal gravíssima (como um aleijão) e futuros delinquentes, o que gera um enorme prejuizo social.
Esmiuçando melhor: os agressores, em sua grande maioria, são criados em lares desestruturados, com pais violentos, mães submissas, irmãs sendo estupradas a olhos vistos e eles consideram isso normal. A vitima também pode ser criada em lar assim e achar isso natural, corriqueiro como respirar. A vítima, a qual é condicionada a aceitar a situação, cria-se para ela o circulo vicioso dos sem esperança, dos que sempre tem que depender de alguém para se sentirem pessoas, seres humanos.
Os delinquentes? Vem desses lares desestruturados, dado a revolta que eles sentem contra todos e contra o mundo. Tudo é culpa do mundo pra eles, se sentem sós porque ninguém os ajuda quando pedem socorro, e o pior: quando a criança conta algo que acontece com a mãe dentro de casa, ainda tem gente que diz que criança fantasia. Fantasia? E onde eles acham tanta riqueza de detalhe sórdido, os palavrões? Em filme americano?
A justiça brasileira bota a chance de reconciliação em casos de violência doméstica, como se fosse um simples caso de separação, na qual o casal não se tolera mais e não quer mais viver sob o mesmo teto.
Sincermaente, a lei no Brasil já começa agindo errado! O Brasil e a historinha do "tapinha de amor não dói". Até a víitma aparecer morta em mais um crime bárbaro que choque o país, para todos ficarem com cara de empada vencida do "ó que tragédia". TRAGÉDIA EVITÁVEL NÁO É?
E quando a vitima cria coragem, leva tudo adiante? Socialmente, basta por na cadeia o agressor que tudo se resolve. NÃO! NÃO RESOLVE!
Por que? Assim que o agressor sair de lá, vai caçar a sua vítima que virou a sua algoz colocando-o na cadeia, podendo até elimina-la. O que se deveria fazer? Acompanhamento psiquiátrico para todos: agressor, vítima e família.
Sim! A violência doméstica afeta a todos do circulo da vitima, principalmente se ela tem filhos com o agressor. E o agressor sendo punido simplesmente, sem ajuda psiquiátrica, ele vai criar um odio mortal contra a sua vítima. Não precisamos de formação de médico psiquiatra para nos darmos conta de como o psicopata age com o ódio extremo. Aqueles psicopatas que aparecem nos filmes e novelas são uma amostra do que alguém com ódio pode fazer. Mas fazemos de conta que na vida real não seria assim, porque a dramaturgia exagera um pouco. sim, pode até ser, MAS O PSICOPATAS EXISTEM E SÃO PERIGOSOS!
Como advogada vi absurdos proferidos em Varas de Família, em justiça criminal, tratando o caso como briga passageira. Muitos juizes e Promotores não saem da torre de marfim e ficam proferindo decisões baseadas em doutrinas que leram e não na vida prática.
Esquecem os operadores do direito que a lei também deve se moldar à realidade, mais conhecido entre os juristas como equidade, que é uma forma de se aplicar o Direito, sendo o mais próximo possível do justo para as duas partes. A equidade completa o que a justiça não alcança somente com a lei. Por mais taxativa que a lei seja, o juiz tem a liberdade de julgar conforme seus principios e conforme o clamor de justiça da sociedade. O que juiz não pode fazer é legislar em cima do legislado. E a equidade passa longe de legislar.
Colocando todos esses pontos, podemos notar como amar o agressor, a criação das mulheres e a omissão de quem poderia ajuda-la somente aumentam o quadro trágico da violência doméstica no Brasil.
Preciso colocar que violência contra a mulher, contra as crianças e contra os idosos é praga mundial, e até na "avançada europa" temos casos absurdos. Náo é exclusividade "terceiro mundista". O diferencial é que paises europeus como Noruega, Suécia, Reino Unido, Dinamarca entre outros, tratam a violência doméstica como problema social.
Nesses paises há orgãos do governo que ajudam vítimas e auxiliam agressores tambem com psiquiatras e psicologos. Há também política de educacão com os jovens de que violência nao é normal. Professores e, educadores são treinados para notarem qualquer comportamento que indique violência dentro da casa de crianças e adolescentes, porque isso afeta a vida social de quem presencia também, incluindo o baixo rendimento escolar.
Uma lição de casa que o Brasil precisa aprender, porque não basta a Lei Maria da Penha. Aliás, dou vivas à Maria da Penha pela sua coragem em processar o Brasil por violação aos direitos humanos na OEA, pelo fato da justiça brasileira se omitir em punir um monstro assassino!
Depois de toda essa exposição sobre o assunto, peço a reflexão dos leitores para que se mude a idéia de que mulher que não denuncia é sem-vergonha e gosta de apanhar, ou que a menina de 13 anos não denuncia o estupro dentro de casa foi porque gostou... Temos o temor reverencial, a dependência e o amor ao agressor, incutido na cabeça das vitimas pela propria sociedade que as julga implacavelmente, em jogo de gato e rato. Não é somente o agressor que consegue acabar com a vitima. Nós mesmos conseguimos acabar com as vitimas de violência doméstica pela omissão, e a lei e a justiça aniquilam a vitima por tratar o assunto como privado.
Esse assunto é muito extenso e tive uma enorme dificuldade para resumir meu pensamento. Pessoalmente eu passaria no minimo 3 horas explicando o meu raciocinio, porque o assunto "a doença de amar o agressor" é extenso para resumir. Eu poderia citar psicologos e psiquiatras que falam sobre o assunto de forma bem exemplificativa, porém isso tornaria o meu texto menos dinâmico e maçante para o leitor.
E meus agradecimentos à José, que me deu essa oportunidade de vir até aqui e esclarecer o que é "a doença de amar o agressor.
Saudações a todos os leitores e leitoras do blog.
Ana Paula Ferraz.

Nota do editor
Republiquei acima o texto da Ana Paula Ferraz juntamente com o texto da Rosemeire Zago, que foi uma colaboração da Enfermeira Jaqueline.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cadê a esquerda brasileira

Salário máximo

Falta uma oposição de esquerda no país. A última eleição demonstrou que todos aqueles que procuraram fazer oposição à esquerda do governo acabaram se transformando em partidos nanicos. Uma das razões para tanto talvez esteja na incapacidade que tais setores demonstraram em pautar o debate político.
Contentando-se, muitas vezes, com diatribes genéricas contra o capitalismo, eles ganhariam mais se seguissem o exemplo do Die Linke, partido alemão de esquerda não social-democrata e único dentre os partidos europeus de seu gênero a conseguir mais que 10% dos votos.
Comandado, entre outros, por Oskar Lafontaine, um ex-ministro da economia que saiu do governo Schroeder por não concordar com sua guinada liberal, o partido demonstrou grande capacidade de especificação de suas propostas e de seus processos de aplicação. Eles convenceram parcelas expressivas do eleitorado de que suas propostas eram factíveis e eficazes.
Por outro lado, foram capazes de abraçar propostas que outros partidos recusaram, trazendo novas questões para o debate político, como a bandeira da retirada das tropas alemãs do Afeganistão.
Por fim, não temeram entrar em coalizões programáticas como aquela que governa Berlim. Isso demonstra que eles são capazes de administrar e que sua concepção de governo não é uma abstração espontaneísta. Esses três pontos deveriam guiar aqueles que gostariam de fazer oposição à esquerda no Brasil.
Um exemplo de novas pautas que poderiam animar o debate político brasileiro foi sugerida pelo provável candidato de uma coligação francesa de partidos de esquerda, Jean-Luc Mélenchon. Ela consiste na proposição de um "salário máximo". Trata-se de um teto salarial máximo que impediria que a diferença entre o maior e o menor salário fosse acima de 20 vezes. Uma lei específica também limitaria o pagamento de bonificações e stock-options.
Em uma realidade social de generalização mundial das situações de desigualdade extrema -outra face daquilo que certos sociólogos chamam de "brasialinização"-, propostas como essa têm a força de trazer, para o debate político, a necessidade de institucionalização de políticas contra a desigualdade.
Em um país como o Brasil, onde a diferença entre o maior e o menor salário em um grande banco chega facilmente a mais de 80 vezes, discussões dessa natureza são absolutamente necessárias. Elas permitem a revalorização de atividades desqualificadas economicamente e a criação da consciência de que a desigualdade impõe "balcanização social", com consequências profundas e caras. Discussões como essas, só uma esquerda que não tem medo de dizer seu nome pode apresentar.
O Texto acima é de VLADIMIR SAFATLE na Folha de São Paulo de 25/01/11

No Brasil, os vencimentos de militares não resistem a comparação aos demais salários no serviço público. Para dirigir carros oficiais, por exemplo, um motorista do Senado ganha até R$ 19 mil, enquanto o comandante de fragata da Marinha recebe R$ 8 mil. Na Câmara, há ascensorista recebendo R$ 10 mil para pilotar elevador; na FAB, um piloto de jato de combate Mirage percebe R$ 7.428 por mês. Brutos.
Fonte: http://www.claudiohumberto.com.br

Enquanto, isto boa parte da população brasileira vive com apenas R$ 540,00 mensais.






segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Alerta que vem da lama

Biogeógrafo americano Jared Diamond afirma que estamos sob risco de suicídio ecológico, mas há saída

Ivan Marsiglia e Carolina Rossetti - O Estado de S.Paulo

Dilúvio. Capela de Santo Antônio, em Nova Friburgo, dia 21: 'Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias relacionadas a mudanças climáticas'

Rubbish! É a resposta - em bom inglês - do biogeógrafo americano Jared Diamond para a pergunta sacada com frequência pelos "céticos do clima" no afã de congelar o debate ambiental: o aumento da temperatura do planeta, ao qual se atribui a intensificação dos ciclos de calor e frio testemunhada hoje por toda a parte, pode ser o resultado de um ciclo natural da Terra? Rubbish - lixo, besteira. "A ideia de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje são naturais é tão ridícula quanto a que nega a evolução das espécies", fustiga o autor de Colapso (Record, 2005), um tratado multidisciplinar de 685 páginas na edição brasileira que analisa as razões pelas quais grandes civilizações do passado entraram em crise e virtualmente desapareceram. E a questão assustadora que emerge de seu olhar sobre as ruínas maias, as estátuas desoladoras da Ilha de Páscoa ou os templos abandonados de Angkor Wat, no Camboja, é: será que o mesmo pode acontecer conosco?
A resposta de Diamond, infelizmente, é sim. Ganhador do Prêmio Pulitzer por sua obra anterior, Armas, Germes e Aço (Record, 1997), em que focaliza as guerras, epidemias e conflitos que dizimaram sociedades nativas das Américas, Austrália e África, o cientista americano há anos nos adverte sobre os cinco pontos que determinaram a extinção de civilizações inteiras. O primeiro, é a destruição de recursos naturais. O segundo, mudanças bruscas no clima. O terceiro, a relação com civilizações vizinhas amigas. O quarto, contatos com civilizações vizinhas hostis. E, o quinto, fatores políticos, econômicos e culturais que impedem as sociedades de resolver seus problemas ambientais. Salta aos olhos em sua obra, portanto, a centralidade que tem a ecologia na sobrevivência dos povos.
Foi na semana subsequente à pior catástrofe natural da história do País, na região serrana do Rio de Janeiro - a mesma em que um arrepiante tornado surgiu nos céus de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense -, que Jared Diamond falou por telefone ao Aliás. Às vésperas do lançamento no Brasil de um de seus primeiros livros, O Terceiro Chimpanzé (1992), o professor de fisiologia e geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fala das providências cruciais que o ser humano deverá tomar nos próximos anos para garantir sua existência futura. Diz que as elites políticas, seja nos EUA, na Europa, nos países pobres e nos emergentes, tendem a tomar decisões pautadas pelo retorno em curto prazo - até um ponto em que pode não haver mais retorno. Avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido "uma inspiração para o mundo", mas também um "mau exemplo" na preservação de suas florestas tropicais. E fala da corrida travada hoje, cabeça a cabeça, entre "o cavalo das boas políticas e aquele das más", que vai determinar o colapso ou a redenção das nossas próximas gerações.

O Brasil enfrentou tempestades de verão que mataram mais de 700 pessoas. Debarati Guha-Sapir, do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres da ONU, disse que o tamanho da tragédia é indesculpável, pois o País tem apenas um desastre natural para gerenciar. Como evitá-lo no futuro?


Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias humanas relacionadas a mudanças climáticas. O clima se tornará mais variável. O úmido será mais úmido e o seco, mais seco. A Austrália, por exemplo, acaba de sair da maior seca de sua história recente e agora enfrenta o período mais úmido já registrado no país. Em Los Angeles, onde moro, recentemente tivemos o dia mais quente da história e, há algum tempo, o ano mais chuvoso e também o mais seco que a cidade já viu.

Em seus escritos, o sr. aponta a Austrália como um país com estilo de vida antagônico às suas condições naturais. Mas, em comparação com o Brasil, os australianos se saíram melhor: enfrentaram a pior enchente em 35 anos, mas contabilizaram apenas 30 mortos. Como explicar isso?

É verdade que o modo de vida dos australianos não está em harmonia com suas condições naturais. Mas o estilo de vida dos americanos e dos brasileiros tampouco. O modo de vida do mundo não está em harmonia com as condições naturais deste próprio mundo. No caso da Austrália, o país fica no continente que tem o meio ambiente mais frágil, o clima mais variável e o solo menos produtivo. Mas a Austrália é um país rico e dispõe de mais dinheiro que o Brasil para criar uma infraestrutura que gerencie tais problemas. Em Los Angeles, onde as enchentes são recorrentes, não resta um rio em seu leito natural: todos receberam canais de concreto para reduzir o risco de enchentes. A minha casa fica literalmente em cima de um córrego coberto por uma estrutura de concreto. Nos 34 anos em que vivi nessa casa, apenas duas vezes a água invadiu o porão.


Em Colapso, o sr. lista cinco razões que explicam o declínio das sociedades. Elas continuam as mesmas?

Sim. Os cinco fatores que levo em consideração ao tentar entender por que uma sociedade é mais ou menos propícia a entrar em colapso são, em primeiro lugar, o impacto do homem sobre o meio ambiente. Ou seja, pessoas precisam de recursos naturais para sobreviver, como peixe, madeira, água, e podem, mesmo que não intencionalmente, manejá-los erradamente. O resultado pode ser um suicídio ecológico. O segundo fator que levo em conta é a mudança no clima local. Atualmente, essa mudança é global, e resultado principalmente da queima de combustíveis fósseis. O terceiro fator são os inimigos que podem enfraquecer ou conquistar um país. O quarto são as aliados. A maioria dos países hoje depende de parceiros comerciais para a importação de recursos essenciais. Quando nossos aliados enfrentam problemas e não são mais capazes de fornecer recursos, isso nos enfraquece. Em 1973, a crise do petróleo afetou a economia americana, que dependia da importação do Oriente Médio de metade dos combustíveis que consumia. O último fator recai sobre a capacidade das instituições políticas e econômicas de perceber quando o país está passando por problemas, entender suas causas e criar meios para resolvê-los.

O colapso da sociedade como hoje a conhecemos é evitável ou apenas prorrogável?

É completamente evitável. Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política.

O Brasil tem feito sua parte?

Nunca estive no Brasil, portanto não posso falar a partir de uma experiência de primeira mão. Mas pelo que entendo, vocês adotaram uma solução imaginativa para a questão energética, com a produção de etanol. O Brasil é uma inspiração para o resto do mundo em relação aos carros flex. Por outro lado, mesmo que o País esteja consciente dos riscos de se desmatar a maior floresta tropical do mundo, muito ainda precisa ser feito. A Amazônia é muito importante para os brasileiros, pois ela regula o clima do país. Se a destruírem, o Brasil inteiro sofrerá com as secas.

De que maneira as elites tomadoras de decisão podem encabeçar a solução dos problemas ou ser responsáveis por conduzir sociedades à autodestruição?

Uma elite que foi competente em solucionar problemas é a composta por políticos dos Países Baixos, que têm grandes dificuldades com o manejo de água, já que um terço da área desses países está abaixo do nível do mar. A Holanda investiu uma quantidade enorme de dinheiro no controle de enchentes. Uma coisa que motivou os políticos holandeses é que muitos deles vivem em casas que estão sob o nível do mar. Eles sabem que se não resolverem a coisa vão se afogar com os demais. Outra elite razoavelmente bem-sucedida é a realeza do Butão, nos Himalaias. O rei butanês disse ao seu povo que o país precisa se tornar uma democracia quer queira, quer não. Ele também anunciou que a meta do país não é aumentar o PIB, mas elevar o índice que mede a felicidade nacional. Isso é verdadeiramente uma meta maravilhosa. Nos EUA, temos políticos poderosos com uma visão curta e destrutiva. Acho que contamos com um bom presidente, mas temos uma oposição cujos objetivos no presente momento se resumem a ganhar a próxima eleição presidencial e, repetidamente, tem negado a existência da mudança climática e do aquecimento global.

De que forma o declínio de sociedades antigas pode nos servir de lição?

Algumas sociedades do passado cometeram erros decisivos, outras agiram com sabedoria e tiveram longos períodos de estabilidade. Um vizinho de vocês, o Paraguai, é um exemplo de país que cometeu um erro crucial, há 120 anos: lutar simultaneamente contra Brasil, Argentina e Uruguai. Isso resultou na morte de 80% dos homens e um terço da população. Tomando como exemplo o Paraguai, precisamos aprender a adotar metas realistas. Podemos aprender também com os países que manejam bem seus recursos, como a Suécia e a Noruega, ou tomar como mau exemplo a Somália - que desmatou suas florestas e hoje sofre com a seca. Em defesa da Somália, podemos argumentar que o país não conta com um grande número de ecologistas capacitados, ao contrário de Brasil e EUA

O sr. estudou a ascensão e queda de sociedades no passado, mas o que se discute agora é o futuro da própria humanidade. Sua teoria é capaz de explicar os desafios do mundo globalizado?

Sim. É verdade que esta é a primeira vez na história que enfrentamos o risco de o mundo inteiro entrar em colapso. No passado, o colapso do Paraguai, por exemplo, não teve nenhum efeito na economia da Índia ou da Indonésia. Hoje, até mesmo quando um país remoto, como a Somália ou o Afeganistão, entra em colapso isso repercute ao redor do mundo. Mas, por analogia, é possível tirar conclusões semelhantes.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926-2001) enfatizou aspectos socioculturais para explicar os dilemas da sociedade, enquanto seu trabalho é considerado por alguns como geodeterminista. Aspectos culturais não teriam mais influência sobre o futuro das sociedades que os naturais?

Com frequência as pessoas me perguntam se isso ou aquilo é mais importante para explicar o declínio das sociedades. Questões como essas são ruins. É o mesmo, por exemplo, que perguntar sobre as causas que levaram ao fracasso de um casamento. O que é mais importante para manter um casamento feliz? Concordar sobre sexo ou dinheiro, ou crianças, ou religião, ou sogros? Para se ter um casamento feliz é preciso estar de acordo a respeito de sexo e crianças e dinheiro e religião e sogros. O mesmo se dá no entendimento do colapso de sociedades. Fatores culturais são importantes, mas diferenças ambientais não podem ser ignoradas. Por exemplo, as regiões Sul e o Sudeste do Brasil são mais ricas que a Norte. Isso é por causa do meio ambiente, não porque as pessoas no norte sejam burras e as do sul mais inteligentes ou cultas. A explicação é que o norte do país é mais tropical e áreas tropicais tendem a ser mais pobres porque têm menos solos férteis e mais doenças. O mesmo é verdade nos EUA, onde até 50 anos atrás o sul foi sempre mais pobre que o norte. Ao redor do mundo, esse padrão é repetido: países tropicais tendem a ser mais pobres que os de zonas temperadas.

Que sociedades estão em colapso hoje?

Todas as sociedades do mundo estão em risco de colapso. Se a economia mundial colapsar isso afetará todos os países. Nós vimos o que houve dois anos atrás, quando o mercado financeiro americano quebrou, afetando todas as bolsas do mundo. Então, embora todos os países estejam em risco de colapso, alguns estão mais próximos dele do que outros - por uma maior fragilidade ambiental, porque são menos maduros política ou ecologicamente ou por qualquer outro motivo. Por exemplo, o Haiti, que retornou agora às manchetes com a volta do ditador Baby Doc, viu seu governo virtualmente colapsar e continua em grande dificuldade. O México enfrenta dificuldades gravíssimas relacionadas a problemas ecológicos, com a aridez de suas terras, e políticos, com a onda de assassinatos ligada ao tráfico de drogas. Paquistão é um exemplo óbvio, Argélia, Tunísia, que também estão no noticiário... Do outro lado, dos países com menos risco de colapso estão a Nova Zelândia, o Butão e, na América Latina, a Costa Rica. Chile também vai bem. E o Brasil tem melhores perspectivas que vizinhos como a Bolívia, claro.

Países podem se recuperar do colapso?

O colapso normalmente não é definitivo. Houve colapsos no passado que foram sucedidos por retomadas. O Império Romano caiu e, apesar disso, a Itália é hoje um país de Primeiro Mundo.

A Europa, onde o debate a as leis de proteção ambiental mais avançaram, também entrou em crise. Quando isso ocorre, há risco de retrocesso nas políticas ambientais?

É possível. Muita gente sustenta que, quando a economia está fraca, não se consegue investir como se deve no meio ambiente. O colapso econômico de fato põe em risco os avanços em sustentabilidade. Só que os problemas ambientais só são fáceis de resolver nos estágios iniciais. Nesse ponto custam menos, mas se aguardamos 20 ou 30 anos, eles se tornarão muito caros ou impossíveis de solucionar.

Nos EUA, quando o presidente Obama condicionou empréstimos às montadoras americanas ao investimento em carros mais baratos e menos poluentes, a crise não ajudou?

Tanto as crises econômicas podem ter bons efeitos para a política ambiental como fazê-la retroceder. Nos EUA, antes do crash financeiro, estava muito em moda o Hummer, um jipe de 3 toneladas, versão civil de um veículo militar utilizado no Iraque. Era caríssimo e gastava horrores em combustível. Aparentemente, suas vendas despencaram e isso é um efeito positivo da crise econômica. Ainda assim, há americanos ignorantes que ainda insistem em dizer que, uma vez que estamos em crise, podemos deixar a agenda ecológica de lado.

Há modelos econômicos melhores e piores no que diz respeito aos danos ecológicos?

No momento em que falamos, tenho que dizer que o modelo econômico americano não parece ser o mais adequado. Por outro lado, somos uma democracia, com maus políticos, mas também bons - que denunciam os problemas que põem em risco o futuro. Numa ditadura comunista, por exemplo, isso seria impossível. Gosto do sistema capitalista porque ele pressupõe competição, inclusive de ideias. Mas aprecio também o papel do Estado em interferir no capitalismo, evitando os monopólios e enfrentando grupos cujos interesses vão de encontro aos da maioria da população. Em comparação, eu diria que o modelo europeu de capitalismo, mais socializado e comprometido com o bem comum, é atualmente a alternativa menos ruim.

Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra.

Sabe a palavra inglesa rubbish? Significa lixo, mas é usada em linguagem coloquial em referência a ideias ridículas. O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana. É por isso que eu digo: rubbish.

Seis anos depois do lançamento de Colapso, o sr. está mais otimista ou pessimista em relação ao futuro de nossa civilização?

Diria que me mantenho mais ou menos no mesmo nível. Tenho visto coisas ruins piorarem e boas tornarem-se melhores. O que mais me preocupa é que continuamos vendo um aumento vertiginoso do consumo no mundo, seja nos EUA, na China, na Índia ou no Brasil. O que me anima é que cada vez mais pessoas reconhecem a gravidade da situação e estão tomando iniciativas. Uma metáfora que gosto de usar é a da corrida de cavalos. Há dois deles correndo agora, o cavalo da destruição e o cavalo das boas políticas. Nestes últimos seis anos, eu diria que os dois têm corrido cada vez mais rápido, disputando cabeça a cabeça. Não sei qual vencerá a corrida, mas diria que as chances do cavalo do bem vencer são de 51%, enquanto o das más políticas tem 49%. E, se nossa destruição não é certa, nem um destino inescapável, é preciso saber que se não tomarmos medidas urgentes vamos ter grandes problemas.

A indústria do entretenimento mostra, cada vez mais, imagens do fim do mundo, prédios em ruínas, cidades abandonadas. Por que somos tão fascinados por nossa destruição?

Parte disso se deve à força romântica das imagens de civilizações passadas que entraram em colapso, como as ruínas dos maias, incas e astecas. Ou os escombros das guerras no Iraque e no Irã. E pensamos: quem construiu aqueles templos e monumentos, tinha uma cultura e arte admiráveis, podia imaginar que isso aconteceria? Por que essas civilizações entraram em colapso, sem poder evitar? E nos angustiamos: será que isso também vai acontecer conosco? 


D'O Estado de São Paulo 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Aviões de caça: a história de um negócio perdido


O Rafale francês, que era o favorito do governo brasileiro para equipar a FAB, foi colocado agora no último lugar da fila. Sarkozy sabe a razão
Dilma Rousseff anunciou que o Brasil não comprará neste ano os caças, tirando as últimas esperanças dos franceses. A França chegou a estar com a mão na taça — ou mais precisamente em uma encomenda de 36 bilhões de dólares.
No ano passado estava tudo certo para a assinatura da compra dos 36 caças franceses Rafale, mas entrou areia iraniana no negócio. O líder francês Nicolas Sarkozy incentivou a diplomacia brasileira a prosseguir em sua tentativa de negociação de um acordo sobre o programa nuclear do Irã.
Na hora da verdade, Sarkozy renegou publicamente seu apoio à iniciativa brasileira e a França ainda votou a favor de sanções ao Irã na ONU, deixando o Brasil com a brocha na mão.
O governo brasileiro se sentiu traído e, em retaliação, mandou rever todo o processo de compra dos aviões, colocando o modelo francês no fim da fila.
Por Lauro Jardim da Revista Veja

domingo, 16 de janeiro de 2011

Desleixo assassino

Como mostrou ontem o repórter Evandro Spinelli na Folha, o risco de um desastre de grandes proporções na belíssima região de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo foi detectado há dois anos por um estudo técnico encomendado pelo próprio governo do Rio.
E o que o governo fez com o resultado? Largou às traças, deixou pegando poeira na burocracia, empurrou para a gaveta ou simplesmente jogou no lixo -junto com o dinheiro público que o pagou.
Horas antes, as autoridades tiveram nova chance de não dar asas ao azar: o novo radar da Prefeitura do Rio e o Instituto Nacional de Meteorologia identificaram previamente a formação da tempestade.
E o que foi feito? Nada. Os órgãos atuaram isoladamente, não como um sistema integrado, em que o alerta se reproduz entre as várias instâncias, tem consequências e salva vidas. Mas não. É como se o radar fosse de enfeite, e o Inmet, só para inglês ver.
Num ótimo artigo, o colega Marcos Sá Correa defendeu que o remédio é responsabilizar homens públicos -e não abstratamente o Estado- pelos crimes que cometem contra a vida. É crime dar levianamente alvará de construção e "habite-se" para imóveis em encostas, fechar os olhos para casas em áreas de risco, desprezar alertas de tempestades e de outras intempéries.
Para complementar a sugestão do Marcos, a Polícia Federal deveria investigar também esse tipo de crime que pode resultar em 500, 600 mortes, famílias inteiras destruídas, casas despedaçadas, bilhões de prejuízos aos bolsos particulares e aos cofres públicos.
Se não vai por bem, vai por mal -na base da ameaça. Mais ou menos como no caso do cinto de segurança: todo mundo só passou a usar depois de criada a multa.
No rastro da Satiagraha, da Sanguessuga, da Castelo de Areia, fica aí a sugestão para o novo diretor-geral da PF, Leandro Coimbra: a operação "Desleixo Assassino".

Eliane Cantanhêde na Folha de São Paulo de 16/01/11

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tragédias: Gastos com prevenção são minimizados


Governos federal e do Estado do Rio empenham mais recursos para consertar tragédias do que para preveni-las

União gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção em 2010.Apesar de liberação rápida, verba para obras de reconstrução pode levar mais de três meses para chegar às cidades
Tanto o governo federal quanto o Estado do Rio gastam muito mais para consertar estragos de desastres naturais do que com prevenção.

O governo fluminense gastou dez vezes mais em consertos do que em prevenção. Reservou R$ 8 milhões para contenção de encostas e repasses às prefeituras para combate a enchentes e deslizamentos. Diante das mortes e da destruição em Angra dos Reis, Niterói e outras localidades, desembolsou R$ 80 milhões para reconstrução.
Segundo a Secretaria de Obras, as prefeituras têm dificuldades para formatar projetos e mapear áreas de risco, o que pode garantir a liberação de verbas de prevenção.
Já a União gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção em 2010.
Conforme a ONG Contas Abertas, que monitora gastos públicos, foram R$ 167,5 milhões para prevenir e R$ 2,3 bilhões para remediar.
O padrão deve se repetir. Já são R$ 700 milhões para o atendimento emergencial das vítimas da região serrana do Rio, verba cinco vezes superior ao que se está previsto para prevenção neste ano.

DEMORA

Conforme a ONG Contas Abertas, que monitora gastos públicos, foram R$ 167,5 milhões para prevenir e R$ 2,3 bilhões para remediar.
Quando liberada, porém, verba de reconstrução costuma levar mais de três meses para chegar aos municípios.
A culpa pela demora na liberação dos recursos, afirma o TCU (Tribunal de Contas da União), é dos governos federal, estaduais e municipais, que precisam apresentar um plano de trabalho com dados sobre danos provocados e estimativa financeira para as ações de reconstrução.
Estados e os municípios costumam apresentar planos genéricos e incompletos. A União também falha por ter um quadro técnico restrito para analisar as demandas.
Procurada, a Secretaria Nacional de Defesa Civil não quis comentar os números. Sobre a demora na liberação dos gastos, afirmou que houve "sinais de melhora".
Ainda ontem, o governo anunciou também o envio de 210 homens da Força Nacional para auxiliar nas operações de resgate e identificação dos corpos no Rio.

Da Folha de São Paulo de 14/01/11

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Bacharelado, licenciatura, tecnologia e seqüenciais, qual a diferença?

Conheça os diferentes tipos de ensino superior

Existem cursos de bacharelado, licenciatura, tecnologia e seqüenciais.

A matéria que trata deste assunto recebeu 9 comentários, veja abaixo.
Leia o texto completo em 

Erivan Felix disse...

Vlw pelo esclarecimento, tirou minhas dúvidas esse ano passei no vestibular do CEFET, nível tecnológico, Gestão Ambiental, e é lamentável o preconceito das pessoas, mas esperamos que com o passar dos tempos isso acabe. Abração a todos e vlw , ótimo texto...
Anônimo disse...
viva aos tecnologos !!!!!!!!!....
Anônimo disse...
Eu espero que esse preconceito acabe com o passar dos anos...
Anônimo disse...
Eu cursei 2 semestres no tecnólogo e pedi a transferencia para o bacharel com medo de não ser aceito futuramente em concursos públicos. Eu entendo a preocupação do governo federal em garantir a qualidade do serviço público pelo fato do tecnólogo ser uma graduação que passou a ser reconhecida pelo mercado a pouco tempo, mas colocando essa graduação no mesmo nível de uma licenciatura ou de um bacharel vc está desmerecendo tais diplomas, os quais tem grande peso vindos das universidades federais que em sua maioria tem um ensino superior de melhor qualidade. E convenhamos, tecnólogo é uma formação específica...tem duração entre 2 e 3 anos e eu concordo plenamente em dizer que certos cargos dentro da petrobras por exemplo são apenas para engenheiros que cursaram os seus 5 anos e meio sofridos dentro de uma boa universidade. Não digo isso da boca pra fora, trabalho em uma empresa que fornece serviços para a petrobras e eu sei o nível que eles exigem. Não é preconceito meu, eu concordo que existem cargos em que tanto um tecnólogo quanto um bacharel podem exercer, afinal se passou pela prova ele provou o conhecimento que tem, mas existem limites, você não pode simplesmente permitir que um tecnólogo em análise e desenv. de sistemas ocupe um cargo de gestão de sistemas de informação pelo simples fato de que ele também possui um diploma de ensino superior. Um tecnólogo desse tipo é voltado ao desenvolvimento de software e possui somente algumas disciplinas voltadas para a gestão, portanto muito cuidado!
Anônimo disse...
Mas afinal, o que é que importa? O conhecimento do indivíduo ou SOMENTE a sua formação acadêmica? Os exames também servem para "filtar", não?
Ângelo-RJ disse...
A bem da verdade concursos como Agente da PF, PRF e outros que pedem qualquer nível superior, em nada vai importar se o candidato é tecnólogo ou bacharel pois não vai utilizar o que aprendeu com seu curso na faculdade em algumas das profissões. RH, Marketing, Adm, Pedadogia, Letras, História... nada disso será usado. Exceto se for curso de Direito. Então eu acho que o melhor filtro pra saber se o candidato serve ou não pra tarefa, é o próprio concurso.
Anônimo disse...
O preconceito contra tev]cnologos é coisa de pessoa burra que nem conhece a capacidade desse profissional...
Anônimo disse...
Parece que vc está bem esclarecido a respeito desse assunto. tenho uma dúvida. Recentemente começou a aparecer nos concursos da petrobras o cargo de PROFISSIONAL DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS JÚNIOR - PEDAGOGIA cuja exigência de titulção é graduação em Pedagogia ou Licenciatura em Pedagogia. Eu gostaria de saber se sendo licenciada em Letras e pós-graduada em Supervisão escolar e Orientação Educacional eu estaria habilitada para o cargo e portanto poderia pretar o concurso. obrigada
Anônimo disse...
estou cursando graduação tecnologica em marketing e gostaria de saber se com esse diploma de nivel superior seria valido para prestar o concurso de agente da policia federal? obrigado,aguardo resposta...

A história do padre James Crowe

Muito mais que um padre 

A matéria sobre o padre James Crowe, publicada em 07 de Junho de 2008, recebeu 8 COMENTÁRIOS

Leia o texto completo em
http://amorordemeprogresso.blogspot.com/2008/06/casa-sofia-e-histria-do-padre-james.html


Laszlo Karpati disse...
O sacramento mais importante nao esta na lista dos sete. Este sacramento e a vida. A vida humana e tao valorosa que Deus mesmo ficou apaixonado por ela e se tornou humano em Jesus. A Igreja nao pode ser igreja dos sacramentos mas deve ser involvida no servico e a promocao da vida. I Igreja deve ser comprometida pela vida mas nao pela vida teoretical o da vida da filosofia o da teologia. O seu compromisso e pelo povo de Deus que fois chamado para ter vida em plenitude. E muito bom conhecer e ter como amigo o Padre Jaime (e tambem o Padre Eduardo). O seu(s) compromisso pela vida e pela Igreja Viva e uma vida exemplar. Deus abencoe todos na Angela. Pe. Laszlo
Anônimo disse...
Conheci os Padres James e Edward,quando eles comandavam a Paróquia do Jardim Santa Emília, na cidade do Embu`.Portanto esse despreendimento do Padre James para mim não é novidade,ele sempre lutou por justiça e não tinha receio de demonstrar que estava do lado do povo.Tanto ele quanto o Edward,gostavam de conversar com os jovens da paróquia, e vários conselhos que recebí naquelas conversas,procurei manter no meu caminho.Tenho um carinho muito grande por eles,embora esteja longe de SP,agora resido em Curitiba,casei-me tenho dois filhos moços já.Mas quando me recordo deles,me sinto com vinte anos,articipando do grupo de jovens da igreja.Que bom que o trabalho que está sendo realizado no Jardim Ângela seja tão reconhecido,é um trabalho de formiguinha,mas que está dando certo,caso contrário não teria repercussão. Parabéns aos Padres Jaime e Eduardo. Meu nome é Roseli,e fui professora do Pré da Igreja no Jardim Dom José e do Mobral no Jardim Santa Emília.
Anônimo disse...
O MEU NOME E SÔNIA ,E FUI PROF DA IGREJA NO JARDIM SANTA EMILIA EM 1992 SOCIEDADE TODOS OS SANTOS ERA MARAVILHOSO NA QUELA EPOCA AS CRIANÇAS TINHA ALIMENTAÇÃO DE PRIMEIRO MUNDO TUDO ERA NATURAL TUDO DE PRIMEIRA E A QUALIDADE DO APRENDER ERA MUITO OTIMO GOSTEI MUITO DE TER TRABALHADO NESTA CRECHE PARABÉNS PELA SUAS CONQUISTA PADRE JAIME UM GRANDE ABRAÇO FIQUE COM DEUS
luiz carlos lucena disse...
ola gente, sou jornalista, devo acompanhar uma equipe de filmagem da irlanda que vem cobrir a marcha pela paz no jardim angela, como posso contatar o padre jaime crowe, voces sabejm? agradeço a ajuda lucena25@gmail.com 325900809
Mu disse...
Oi, gente! Estou muito emocionada. Gosto muito e muito e muito do Padre James (sempre chamei de James, desculpem). Eu o conheci há muitos anos. Ele já almoçou na minha casa !!!! rsrs em mil novecentos e bolinhas. Ele é minha ligação maior com a Igreja, porque seu desprendimento e alegria, "feito gente", me aproximou... Faz tanto tempo! Nossa! Primeiro, ele revolucionava as missas na Igreja da Matriz, no Embu. Nessa época, eu apenas namorava o Marcos. Depois, ele andava de bicicleta por todo canto e levantava a outra igreja, onde eu fui madrinha do casamento de Carlinhos e Beth. Daí, eu já era casada com o Marcos rsrs Hoje... eu moro em Fortaleza e quero muito, mas muito mesmo, um contato com ele. Quem sabe vou poder ajudar e estar me ajudando?!
Mu disse...
ah esqueci... Meu nome é Elza e meu email é elzinhafortal@rapix.com.br
José disse...
O padre Jaime é uma desta pessoas que fazem diferença, seu trabalho tem ajudado as comunidades em volta de sua paróquia e se espalha pelo bom exemplo.
Cesar Vitorino disse...
Meu nome e cesar trabalho sociedade Stos martires masi faz uns 15 anos q eu conheco padre jaime nao conheco um homem tam correto como e gracas a deus ele e corinthiano. Estamos na luta com ele contra a violencia e paz Cesar