sábado, 19 de setembro de 2009

Toque de recolher para menores

O "toque de recolher" para menores de 18 anos é uma boa medida de combate à violência?



Menor protegido, menos violência

DALMO DE ABREU DALLARI

TEM SIDO muito frequente o noticiário de violências cometidas por menores ou contra eles em horários noturnos, período que é muito propício à reunião de adolescentes em locais que estimulam o consumo de álcool ou a circulação de drogas.
Daí a necessidade de uma proteção especial, que não seja opressiva e não cerceie os direitos fundamentais do adolescente, mas que lhe dê segurança, evitando que ele seja vítima dos que abusam de sua inexperiência ou, então, de suas ingênuas fantasias de independência ou coragem.
E tem sido frequente que, no noticiário de violências envolvendo menores, venha a informação de que os pais e as mães ficaram surpresos quando receberam a notícia de que seus filhos ou filhas estavam sujeitos a esse tipo de envolvimento.
Por uma série de razões, muitas vezes a proteção da família é insuficiente, mesmo que o menor viva em um ambiente familiar saudável, pois existe sempre a possibilidade de outras influências, sobretudo quando o menor começa a ter vida independente.
Foi pelo reconhecimento desses riscos e dessa insuficiência que se incluiu na atual Constituição brasileira, no artigo 227, um dispositivo segundo o qual é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente seus direitos fundamentais, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Assim, pois, é dever do Estado adotar as medidas necessárias para que os menores não sejam expostos a situações em que existe o risco de que venham a ser vítimas de alguma espécie de violência.
Para o cumprimento dessa obrigação constitucional, o Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal nº 8.069, de 1990, estabeleceu regras pormenorizadas sobre a garantia dos direitos da criança e do adolescente, incluindo a adoção de iniciativas visando possibilitar o efetivo gozo dos direitos, mas prevendo expressamente que tal gozo fique sujeito a condicionamentos legalmente impostos, admissíveis nos casos em que a experiência mostre que são recomendáveis ou mesmo necessários para que seja evitada a exposição dos menores a abusos e violências.
Com efeito, no capítulo segundo do ECA, que trata "Do direito à liberdade, ao respeito e à dignidade", encontra-se, no artigo 16, uma referência expressa ao direito à liberdade de locomoção, nos seguintes termos: "O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I- ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais".
Reafirma-se aí o direito à liberdade de locomoção, mas, tendo em vista a especial necessidade de proteção dos menores, existe a previsão de limitações legais.
Foi com fundamento nessas disposições constitucionais e legais que juízes da infância e juventude, em colaboração com os conselhos tutelares, tomaram a iniciativa de fixar condições para a circulação noturna de crianças e adolescentes.
As regras fixadas não impedem o exercício do direito de locomoção no período noturno, mas estabelecem condições razoáveis, tendo em conta o risco de violências a que ficam sujeitos os menores nesse período, como a experiência comprova amplamente.
Com tais medidas, continua garantido o direito à liberdade de locomoção e, ao mesmo tempo, os menores ficam a salvo de situações de violência, o que, por decorrência, contribui para reduzir a violência na sociedade.
Por tudo isso, a adoção de medidas especiais de proteção dos menores no período noturno, que a imprensa vem identificando, com evidente impropriedade, como "toque de recolher", tem claro fundamento na Constituição e na lei e, sem nenhuma dúvida, é uma contribuição valiosa para evitar que os menores sejam utilizados para a prática de violências contra eles próprios e contra toda a sociedade.


DALMO DE ABREU DALLARI , 77, é professor emérito da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios Jurídicos do município de São Paulo (gestão Erundina).
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Da Folha de São Paulo de 19/09/09

País melhora, mas não vence o analfabetismo

O Brasil teve vigoroso crescimento nos 12 meses anteriores à crise econômica mundial, mas não conseguiu reduzir o analfabetismo. O resultado está na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Por ter setembro como referência, a pesquisa não captou os efeitos do estouro da crise global. A taxa de analfabetismo recuou só 0,1 ponto percentual entre 2007 e 2008. Ocorreu inclusive um pequeno aumento no número absoluto de analfabetos adultos, de 14,136 milhões para 14,247 milhões.

Da Folha de São Paulo de 19/09/09

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Contracepção seria ação mais barata contra aquecimento global

Contracepção seria ação mais barata contra aquecimento global, afirma estudo

Pesquisa britânica diz que custo seria um quinto do estimado para transição rumo a energias verdes.

Da BBC

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O controle de natalidade seria a forma mais barata de se reduzir emissões de carbono no futuro - exigindo quase um quinto dos custos de uma transição para tecnologias "verdes" -, segundo o relatório Fewer Emitters, Lower Emissions, Less Cost ("Menos Emissores, emissões mais baixas, custo menor", em tradução livre), da London School of Economics.


O estudo foi encomendado pela organização não-governamental britânica Optimum Population Trust (OPT), que defende a estabilização e redução gradual da população mundial e deve ser distribuído às delegações que participarão da reunião das Nações Unidas (ONU) sobre o clima de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague.

'Há 10 mil novos emissores de carbono por hora, 1,5 milhão por dia, 80 milhões por ano'

O presidente da OPT, Roger Martin, disse à BBC Brasil que as conclusões do estudo justificam a inclusão do assunto controle de natalidade nas discussões da ONU sobre mudança climática. Atualmente, o assunto nem sequer entra na agenda de negociações.


"A questão da população está circulando há tempos. Todos (os negociadores) estão conscientes, na hora do café, nos bastidores, de que é impossível ter uma redução radical nas emissões de carbono acompanhada de um aumento radical no número de emissores", afirmou.


'Tabu irracional'

Para o ex-diplomata britânico, um dos fundadores da ONG que reúne ainda personalidades como o naturalista Richard Attenborough e o cientista James Lovelock, entre outros, o assunto só não é discutido oficialmente porque é "tabu".

Segundo a ONU, cerca de 40% dos casos de gravidez no mundo são indesejados

"Por motivos de um tabu totalmente irracional, isso nunca é mencionado, nunca é abordado e, por isso, há 10 mil novos emissores de carbono por hora, 1,5 milhão por dia, 80 milhões por ano."


Martin reconhece que os maiores emissores são os moradores de países ricos, que "têm de reduzir o seu consumo per capita", mas afirma que tanto ricos quanto pobres precisam atacar de frente o problema populacional.


O documento é uma análise da relação custo/benefício entre investimentos em métodos contraceptivos para incentivar o planejamento familiar. De acordo com a ONU, cerca de 40% dos casos de gravidez no mundo são indesejados.


Partindo dessa premissa, o estudo da OPT calcula que até 2050, 34 gigatoneladas (bilhões de toneladas) de emissões de dióxido de carbono (CO2) deixariam de ser emitidas no planeta, o equivalente a quase seis anos de emissões atuais dos Estados Unidos e 60 anos das emissões britânicas.


Preço por tonelada

Na análise de custos, chegou-se à conclusão de que cada US$ 7 investidos em controle de natalidade nos próximos 40 anos, reduziriam as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada.

Cada US$ 7 investidos em controle de natalidade nos próximos 40 anos reduziriam as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada

A pesquisa compara a esse valor o preço calculado por um estudo recente da consultoria McKinsey sobre o custo da transição para uma chamada economia de baixo carbono, ou seja, baseada em fontes de energia de baixas emissões, estimado em US$ 32 por tonelada (em 2020).


Neste cálculo entram todos custos de implantação de fontes sustentáveis como turbinas eólicas, painéis solares, energia geotérmica, carros elétricos e híbridos, instalação de equipamentos para sequestro e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) em usinas termoelétricas a carvão e biocombustíveis.


Já o cálculo do estudo da OPT considera apenas o investimento necessário para atender a demanda não atendida de cerca de 200 milhões de mulheres que engravidam indesejadamente todo o ano.


O relatório cita um levantamento da ONU, que afirma que se essas mulheres tivessem acesso a métodos de contracepção, o número de partos no mundo cairia 72%, o que reduziria as expectativas de população mundial em 2050 em meio bilhão de pessoas.


Com isso, destaca a OPT, seriam vividos 12 bilhões de "anos-pessoa" (consumo de uma pessoa durante um ano) a menos, reduzindo a estimativa das projeções atuais de 338 bilhões para 326 bilhões de anos-pessoa.

Do G1 http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1303056-5603,00-CONTRACEPCAO+SERIA+ACAO+MAIS+BARATA+CONTRA+AQUECIMENTO+GLOBAL+AFIRMA+ESTUDO.html


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Meninas só valem uma pedra, prostituição por um real

PROSTITUIÇÃO POR UM REAL (7/9/2009)

Meninas só valem uma pedra


Galeria

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Garotas fazem ponto na Avenida Juscelino Kubitschek, no bairro Castelão, durante os dias e as noites. A maioria vende o corpo bem barato para comprar pedras de crack (Foto: Alex Costa)

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Drama comum: costureira faz programas desde os 17 anos para sustentar o vício, já perdeu as contas de quantos por dia

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Para sustentar o vício, jovens se prostituem por tão pouco que fazem vários programas para conseguir uma pedra

Apenas R$ 1,00. Por uma simples moeda, menores de idade estão vendendo o corpo em alguns locais de Fortaleza. O valor irrisório, por si só, seria suficiente para estarrecer, mas o motivo dessa prostituição "a preço de banana" torna o quadro ainda mais degradante: meninos e meninas usam esse dinheiro para comprar pedras de crack. O vício incontrolável anestesia o corpo para aguentar inúmeros programas ao longo da noite ou do dia. Ao mesmo tempo, condena o futuro de adolescentes e jovens que deveria ser construído na escola.

A informação de que menores de idade se prostituem por até R$ 1,00 é de uma das coordenadoras pedagógicas da Associação Barraca da Amizade, Iara Lima. Os educadores da entidade participam de abordagens de rua do Projeto Ponte de Encontro, da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH).

Em três bairros diferentes de Fortaleza, a reportagem do Diário do Nordeste encontrou garotas que se prostituem para comprar crack. Em um deles, na zona sul da Cidade, Samantha (nome fictício*), de 15 anos, mostra os seios assim que vê o carro da equipe de reportagem. Em plena tarde de um dia de semana, ela aparenta estar completamente drogada e pede esmola. Apesar do corpo extremamente magro indicar o uso da "pedra", a garota nega querer o dinheiro para se drogar. A colega Fabíola (*), 25, porém, confirma: "Todas aqui se prostituem para comprar crack".

A fissura pela droga é tão grande que as próprias garotas se oferecem para os clientes. Em um bairro vizinho, Ronald (*), porteiro, 36, conta que uma garota tentou seduzi-lo por R$ 2,00. O valor incluiria "tudo", ou seja, todas as modalidades de sexo possíveis. "Ela aparentava ter de 14 a 16 anos, no máximo", conta, afirmando que a adolescente parecia estar "lombrada"(drogada).

Inicialmente, a garota pediu-lhe carona. No meio do caminho, perguntou se ele queria fazer um programa com ela por R$ 5,00. Diante da negativa, o valor foi baixando até chegar aos R$ 2,00. Sem aceitar o convite, o porteiro a deixou próximo de onde ela disse morar, mas acredita que a moça foi direto para uma "bocada" comprar mais "pedras".

Trabalhadores do mesmo bairro contaram informalmente à reportagem que cerca de oito garotas - maiores e menores de idade - passam dia e noite fazendo programa. "Elas fazem toda hora. Saem do programa e vão fumar pedra", afirmam.

O local para a prática do sexo depende da condição do cliente. Pode ser no motel, no carro ou mesmo em terrenos escuros e abandonados, sem a menor condição de higiene. Algumas chegam a roubar os clientes, segundo afirmam os trabalhadores.

Além dos perigos inerentes à prostituição, as garotas têm de conviver com ameaças dos traficantes. Rosa(*), 19, diz que pode conseguir crack para usar no programa e aceita, inclusive, que o pagamento seja feito com duas "pedras". Ao desconfiar estar falando com um policial, clama, aflita: "Não me bota em enrascada não, porque se o traficante descobrir que eu tô pegando droga pra policial, ele não vai me bater não, ele vai me matar".

Camila (*), 20, diz que se prostitui desde os 15 anos. Consegue a "pedra" por R$ 5,00 e o mesclado, por R$ 7,00. Ao ser indagada sobre para que usa o dinheiro obtido com os programas, responde: "Pra tudo. Pra beber, pra cheirar, pra curtir o mesclado". Em outro bairro, agora na zona norte, Marcelle (*), de 19 anos, diz que consegue tanto o mesclado quanto a pedra "pura" por R$ 5,00.

Engana-se quem pensa que a prostituição associada ao crack está restrita às classes sociais mais baixas. A cabeleireira Lina (*), 40, diz já ter presenciado "uma menina linda", aparentemente de classe média, aceitar transar com um traficante por não ter mais dinheiro.

Pesquisa

Em dezembro de 2008, a Coordenadoria da Criança e do Adolescente (Funci) lançou o livro "Os Sete Sentimentos Capitais", pesquisa com 328 meninos e meninas envolvidos em redes de exploração sexual em Fortaleza. Todos tinham até 18 anos, sendo 224 mulheres e 124 homens. A droga foi o quarta motivo mais citado para a prostituição (3,3%), depois de dinheiro (58%), diversão (12%) e aventura (10%), e empatando com a resposta "prazer". As abordagens ocorreram na Barra do Ceará, Praia de Iracema, Beira Mar, Praia do Futuro, Centro, Castelão, Av. Expedicionários, Av. Osório de Paiva, BR-116 e terminais de ônibus.

ARREPENDIMENTO
Desde os 17 anos: "Não consigo parar"

A costureira Fabíola (nome fictício), 25, vira o rosto, baixa a cabeça, coloca a mão por baixo da blusa e puxa a roupa, como se quisesse manter o controle de alguma coisa. Não consegue. Basta ser perguntada sobre porquê está "nessa vida" que ela começa a chorar. Para manter o vício pelo crack, ela se prostitui desde os 17 anos.

"Não consigo parar", assume. As lágrimas descem com mais intensidade quando fala sobre os filhos. "Tenho dois. Minha filha foi tomada pelo meu marido, porque ele descobriu...", diz, referindo-se ao crack. "Meu filho, levei para morar com a minha mãe", continua. Vê os filhos poucas vezes. Passa o dia fazendo programas na zona norte da Cidade. Por até R$ 10,00. Dia e noite.

- Quantos programas você faz por dia?

- "Eu sei lá".

- Perde a conta?

(Sinaliza afirmativamente).

A costureira diz que provou o crack por conta da namorado, que a ofereceu um mesclado. Em seguida, passou para a "pedra" e, daí, perdeu o controle. "Entrei nessa para não roubar. Nunca roubei", garante. Enquanto algumas garotas passam a noite alternando "pauladas" na droga e programas, Fabíola diz que prefere juntar o dinheiro até o montante que deseja. Daí, compra várias pedras de crack para fumar. E, talvez, derramar mais lágrimas.

RISCO MAIOR
Droga passou a ser fonte de DSTs

Quando surgiu em São Paulo, o crack era uma droga predominantemente usada por homens. Nos anos 90, as mulheres passaram a usá-la e encontraram, na prostituição, a saída para manter o vício. Assim, a droga tornou-se fonte de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST´s).

Segundo a pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), Solange Nappo, isso acontece porque, geralmente, as mulheres que se prostituem para comprar crack não exigem que o cliente use preservativo.

Esse quadro também preocupa em Fortaleza. Entre os 36 adolescentes (de 13 a 17 anos) usuários de crack atendidos no Projeto Ponte de Encontro em julho passado, houve 21 casos de DST´s. Os dados são da SDH.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Queiroz, quando há diagnóstico de adolescentes com DST´s ou outras doenças, eles são encaminhados para tratamento nos postos de saúde. Além dessa ação, o projeto faz abordagens de rua com os menores em situação de exploração sexual de forma a tentar "reconstruir a visão de rua" deles, trabalhando a autoestima.

Conforme Iara Lima, da Associação Barraca da Amizade, que também participa das abordagens, o primeiro passo é identificar a história de vida de cada um e, em seguida, convencê-los a sair da rua, que pode ser para a família ou para um abrigo.

Outras doenças

Além das DSTs, o uso do crack provoca outras doenças. Nos dados de julho do Ponte de Encontro, há 48 atendimentos por problemas respiratórios, 41 por doenças de pele, 25 por perda de peso e 14 por tuberculose. Todas essas doenças, além da hepatite, são características dos usuários de crack.

PESQUISA
Mulher tem mais dificuldade de parar

A professora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Solange Nappo, foi a pesquisadora principal do livro "Comportamento de Risco de Mulheres Usuárias de Crack em Relação às DST/Aids", lançado pelo Cebrid em 2004. Segundo ela, é mais difícil para as mulheres largar o crack.

Na pesquisa feita pela professora em São Paulo, de 80 mulheres entrevistadas, apenas duas buscaram tratamento. "É mais difícil porque ela é mulher, porque transgrediu, está usando a pior droga da lista e se prostitui. Ela tem poucas chances de se inserir na sociedade porque tem todos os estigmas que uma mulher pode ter. Por isso, ela não busca tratamento", explica.

No aspecto hormonal, Solange Nappo explica que a mulher tem propensão a ser mais compulsiva que o homem se usar o crack na fase do ciclo menstrual em que há maior quantidade de estrógenos, pois o hormônio estimula o sistema nervoso central, assim como a droga.

Quanto à contaminação por DSTs, a pesquisadora explica que a maioria das mulheres que se prostitui pelo crack não usa preservativo, ao contrário da profissional do sexo. O principal motivo para isso, além da desinformação que ainda existe sobre os riscos do sexo, está no fato de que a compulsão é tão grande, que proteger o corpo fica em segundo plano.

Pelo sexo inseguro e sem condições adequadas de higiene depois dos programas, a "prostituta do crack" pode acumular sêmen contaminado e transmitir doenças para outros parceiros. Conforme Nappo, a maioria das mulheres entra no crack porque o parceiro é usuário e é iniciada na prostituição pelo traficante, que a considera melhor pagadora que o homem.

REPÓRTER ÍCARO JOHATAN no Diario do Nordeste de 07
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=668827

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Tomei conhecimento desta matéria no blog do Luis Nassif através de comentário do Ubaldo, o Paranóico, que trascrevo a seguir.

11/09/2009 - 16:11

Depois do italiano, a volta à normalidade

Por Ubaldo, o Paranóico

Caro Nassif,

Veja a que nível chega a histeria hipócrita de nossa sociedade. Enquanto o tal italiano vai preso (acusado de estupro!) pelo fato de dar um “selinho” na filha, à luz das Praias do Ceará, essas outras meninas ficaram restritas a uma página de jornal, sem a mínima repercussão, e sem nehum “moralista” para mandar prender algum político…

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=668827

O link está com data de 11.09. mas a data certa é 7.09 (dia da Independência!).

Observe, no final do artigo (logo abaixo do nome do jornalista, encimando o quadro “comente essa matéria), há um anúncio (à esquerda do quadro) com os seguintes dizeres: “Ache a mulher ideal – Milhares de perfil (sic) de mulheres para todas as idades”. É de doer, não é não?

Comentário

Como é anúncio Google, é possível que já não esteja quando acessarem a página.

Fonte do comentário do Ubaldo http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/09/11/depois-do-italiano-a-volta-a-normalidade/





segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Autoestima


Enxergue seu valor e construa a autoestima
Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada. Com dedicação, dizem os especialistas, todos podem chegar lá

Suzane G. Frutuoso

20% foi o crescimento da procura por cursos e terapias para melhorar a autoimagem em 15 anos

59% dos brasileiros têm pouca confiança em si, segundo estudo da International Stress Management Association no Brasil

Antes de ler esta reportagem pare diante do espelho e faça um exercício sincero com você mesmo. Diga dez qualidades suas. Aponte também pelo menos cinco partes do corpo que lhe agradam. Observe ainda se é capaz de contabilizar mais pontos positivos do que negativos durante seu dia. Lembre o nome de cinco amigos que não são colegas de trabalho. E, com honestidade, assuma seus erros mais recentes. Não conseguiu? Sinal de que a autoestima vai mal - e isso pode prejudicar muito a vida de alguém.

A falta de amor-próprio é um problema histórico do brasileiro, dono de uma autoimagem derrotista. Estudo da International Stress Management Association no Brasil (Isma- BR) aponta que 59% das pessoas no País têm pouca confiança em si. Quem tem baixa autoestima acaba atropelado pelo dinamismo do mundo, ou reage com violência às frustrações, ou mascara a insegurança com símbolos de status. O resultado vai de um simples incômodo a distúrbios mentais graves. Por isso, estimar-se é uma necessidade vital, que não tem nada a ver com arrogância, como se acreditava até 15 anos atrás.

Olhar-se no espelho disposto a fazer uma autoanálise é o primeiro passo para resgatar a autoestima. "Observar-se e perguntar 'o que há de melhor em mim' é um caminho para mudar o ponto de vista sobre quem você é, iniciando o processo de conhecimento interior", diz o consultor Sergio Savian, diretor da Escola de Relacionamento Mudança de Hábito, em São Paulo. Hoje, aprender a dizer "eu me amo" é compreendido como uma atitude saudável e indispensável para se sentir pleno.

Por causa desta crença, estima-se que tenha aumentado em até 20% a procura por cursos e terapias com a finalidade de trabalhar a autoestima desde meados da década passada. Enaltecer em excesso a humildade e tachar pessoas seguras de metidas está em desuso. Uma série de pesquisas indicando as evidências positivas da autoconfiança reforça essa tese. A mais recente é da Universidade da Califórnia, publicada no mês passado no "Journal of Personality and Social Psychology", na qual os pesquisadores comprovam que pessoas com baixa autoestima estão mais sujeitas à depressão.

RISCO Pessoas com baixa autoestima estão mais sujeitas a ter depressão, segundo pesquisas

Há empresas que já entenderam a importância de reforçar a confiança dos funcionários. Perceberam que o assédio moral - quando há ameaças e humilhações - só resulta em queda de rendimento e pessoas infelizes. Uma equipe em equilíbrio gera melhores resultados, é comprometida e responsável. "As novas gerações não querem o stress que consumiu seus pais. Ou as empresas mudam, ou não conseguirão recrutar os bons profissionais", afirma o headhunter Ivan Witt, sócio-diretor da Steer Recursos Humanos. Um ambiente sadio, motivador e flexível, que permita ao funcionário se sentir especial, provocará uma revolução no mundo corporativo.

Antenada com a tendência, a siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo, desenvolveu programas pensando na saúde global dos empregados, com foco na autoestima deles e de suas famílias. Em encontros periódicos orientados por psicólogos, questões ligadas ao bemestar são tratadas de maneira integral. Saúde física, emocional, relações afetivas e até sugestões de como lidar com dinheiro estão na pauta das reuniões.

VOLTA POR CIMA Daniela Assunção refez a vida após uma relação difícil

"Incluímos os familiares ao percebermos que os problemas do funcionário não são isolados", diz a assistente social Sandra Sabadini, coordenadora dos programas. Mais de 80% da equipe já participou. A pressão e a cobrança do mercado existem. Porém, eles reagem melhor a esses desafios por estarem serenos. Nas avaliações internas, dão média 9 aos projetos. Segundo um estudo da Case Western Reserve University, quando são demitidos, indivíduos com boa autoestima culpam menos a crise e não sentem tanta raiva e pânico.

A confiança em si não excluirá tristezas e erros. Ajuda, porém, a lidar melhor com as adversidades, analisar os problemas, aprender com eles e seguir em frente. Sem drama, sabendo ouvir e sem culpar os demais - atitudes inerentes a quem tem baixa autoestima. A arquiteta Daniela Assunção, 34 anos, aprendeu isso, duramente, na prática. Ela viu um furacão passar em sua vida com o fim de um relacionamento de 11 anos. "Não sabia dizer não, me mesclei demais ao outro", conta. No final, nem identificava mais quais eram os seus reais desejos.

PASSADO Gabriel Rosa: infeliz quando deu ouvidos aos outros

A situação-limite aconteceu há cinco anos, quando descobriu que o ex tinha outra há meses. Além do amor, Daniela perdia o emprego na loja dele. Ainda assim, chegou a pedir para reatar. Comentários como "você é linda, nem precisa ficar triste" a deixavam pior. "Como se ser bonita me impedisse de sofrer", diz. Por três meses, não saiu de casa. Quando tomou coragem, viu que não sabia nem mais conversar. Foi o alerta de que uma mudança era urgente.

Daniela passou a escrever sobre seus sentimentos e a conversar na internet com pessoas na mesma situação. Deu início à sua autocura. Fez terapia, viajou pela Europa, aprendeu a meditar. "Me dei conta de que não preciso temer o erro", diz. Agora, se dedica à consultoria em feng shui (técnica oriental de harmonização dos ambientes). Está solteira e feliz. "Pretendente não falta", brinca. Não ter medo de errar, como percebeu Daniela, é uma das principais características daqueles que têm autoestima. "Todos nós fracassamos em algum momento", disse à ISTOÉ o psiquiatra francês Christophe André, autor do livro "Imperfeitos, Livres e Felizes". "É preciso aprender a se perdoar e seguir em frente." Saber estimar-se verdadeiramente inclui não ter vergonha de desistir, de dizer "não sei", admitir que está com medo, que precisa de ajuda, tirar lições dos erros e deixar para trás as feridas.

Terapia em grupo é uma saída para quem precisa dar o primeiro passo da reconstrução pessoal. Foi o caminho que a escritora Gisela Rao, 44 anos, escolheu, para ajudar uma amiga. Em 2000 ela fundou um grupo no prédio onde morava para trabalhar a autoestima de mulheres em relações que ela chama de tóxicas. "Eu mesma venho de uma família com baixa autoestima", diz. "Por isso, repeti um padrão, me interessando por homens rejeitadores e que me faziam mal." Auxiliar o próximo eleva a crença na própria capacidade - como fez Gisela. "O egoísta nunca está feliz", diz o consultor Savian. A escritora gostou tanto da experiência que a desengavetou este ano, criando o divertido blog Vigilantes da Autoestima.

SINTONIA Reforçar a confiança dos funcionários gera melhores
resultados para as empresas

O desafio de Gisela é vigiar a segurança dela mesma durante 365 dias e servir de exemplo para as seguidoras do seu blog. "Minha autoestima triplicou", diz. Ela retomou os encontros com outras mulheres para discutir segurança, otimismo, autoaceitação. Em clima descontraído e com o respaldo de psicólogas, as reuniões acontecem uma vez por mês em São Paulo. Ao final dos 365 dias, lançará o livro com o nome do blog.

Enxergue seu valor e construa a autoestima
Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada. Com dedicação, dizem os especialistas, todos podem chegar lá

Suzane G. Frutuoso


Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada. Com dedicação, dizem os especialistas, todos podem chegar lá

Suzane G. Frutuoso

VOZ Eduardo Assunção perdeu o medo de falar em público

Vulnerabilidade à opinião de terceiros é outro traço marcante de quem não se sente seguro o suficiente. Foi a pressão externa que atrapalhou a carreira do produtor de eventos Gabriel de la Rosa, 25 anos. Durante a faculdade de hotelaria, conseguiu estágio na área de eventos e gostou da experiência. Mas era questionado, pois esse é um setor no qual se ganha menos e se trabalha muito. "Diziam que eu era bem preparado e estava me apaixonando por um trabalho menor", conta. As críticas geraram dúvida. Ele largou o trabalho por outro mais convencional e com um bom salário. Em nove meses estava arrependido. Saiu de lá com gastrite. Culpado por dar ouvidos aos outros, Gabriel passou dois meses em casa, com barba por fazer, até uma amiga o chamar de volta para o mercado. Com um salário menor, mas acreditando no novo emprego que lhe agradava, o produtor começou o resgate da autoestima. Hoje, cursa pós-graduação, há três meses faz terapia e está prestes a abrir a própria empresa.

Não gostar de si pode virar algo insuportável, e é característico da baixa autoestima. Um sinal de que o problema existe na nossa sociedade é o fato de boa parte das pessoas se sentir impedida de dizer apenas "obrigado" quando recebe um elogio ou um presente. Agradecer acompanhado de um "não precisava" ou "ah, essa blusa é velhinha" também é sinal de autoestima em desequilíbrio. Atitude comum da fonoaudióloga Vanessa Ma cedo, 29 anos. Bonita, simpática, formada em uma das melhores universidades do País, bem colocada em um acirrado concurso público, Vanessa não consegue acreditar quando a família e os amigos dizem que ela é capaz. "Admiro gente confiante, mas me falta estímulo para ser assim", diz. Ela ainda não tem certeza se deve fazer terapia, mas percebe que a falta de confiança prejudica suas relações.

PERFIL Quem tem autoestima sabe pedir ajuda, tirar lições dos erros e deixar para trás as feridas

Aqueles que conseguem construir a autoestima tão almejada não devem ter medo de expor essa conquista, dizem os especialistas. O empresário Eduardo Assunção, 40 anos, chegou lá. O processo foi sofrido. Dono de restaurante durante 15 anos, entrava em pânico quando precisava falar com mais de dois subordinados em uma reunião ou com clientes. Não sentia que era capaz de passar uma mensagem. Com taquicardia, nervoso, achava-se incompetente. Percebeu que não estava prosperando e precisava mudar.

Depois de um curso de PNL, ele trocou de área (trabalha com soluções em web) e hoje dá palestra para auditórios lotados. Diz gostar de passar conhecimento e que aprendeu a ver em todo problema uma oportunidade. Não gosta quando as pessoas acomodadas chamam os bem-sucedidos de arrogantes. "Ninguém vê o que você fez para traçar um caminho de sucesso", diz Eduardo. Ele compreendeu que, querer o melhor para si mesmo, sem receio de vibrar pelas próprias alegrias, não tem nada a ver com prepotência. É direito de cada um.

OPINIÃO Vanessa Macedo precisa de estímulo para ser confiante
GRUPO Gisela Rao (centro): reuniões para cultivar o amor-próprio

Fotos: Samir Baptista, Murillo Constantino, Julia Moraes, Lilo Clareto - Ag. istoé

Maluf declara apoio a Palocci

Ex-inimigo do PT, Maluf declara apoio a Palocci

AE - Agencia Estado

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O PT ainda não bateu o martelo sobre o candidato ao governo de São Paulo, mas tem apoio garantido fora de casa se o escolhido for o ex-ministro Antonio Palocci. "Hoje me sinto comunista", ironiza o deputado Paulo Maluf (PP-SP), ex-inimigo dos petistas. "Estou à esquerda do PT e apoio Palocci, injustiçado pela mídia", diz ele, alvo de processos e denúncias de corrupção.

Para Maluf, a imprensa precisa "aprender" que Justiça não é só para condenar. "Palocci foi inocentado. Não interessa se por 5 a 4, 6 a 3 ou 9 a 0. O que interessa é que foi absolvido."

Ele quer fechar coligação com PT: "Não há mais problema ideológico". E explica por que se sente ?comunista?: "O PT defendeu com tal voracidade os bancos e juros altos que, perto dos petistas, todo mundo afirma que estou à esquerda."

Em feijoada que ofereceu na quarta-feira para comemorar seus 78 anos, Maluf disse que Palocci precisa ser elogiado porque conseguiu "mudar" o presidente Lula. "Lula ia ser o Fidel Castro do Brasil, mas ele mudou, graças a Deus", insistiu o "anarquista" Maluf. Entre os comensais, políticos do PT.
As informações são do Jornal da Tarde.
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ex-inimigo-do-pt--maluf-declara-apoio-a-palocci,430728,0.htm

Nossa reciclagem é um lixo

Nossa reciclagem é um lixo, mas há soluções

A coleta seletiva de São Paulo está estagnada: representa apenas 1% das 15 000 toneladas de resíduos que
a prefeitura recolhe diariamente. Especialistas indicam
como mudar esse cenário

Por Daniel Nunes Gonçalves

| 05.08.2009

Fernando Moraes
Unidade de triagem da Coopere, no centro: renda menor com a crise econômica
Unidade de triagem da Coopere, no centro: renda menor com a crise econômica

Reduzir, reutilizar e reciclar. É raro quem nunca tenha ouvido a recomendação para usar o princípio dos "três erres" na hora de consumir e dar um destino ao lixo que produz. A popularização da palavra sustentabilidade fez crescer a consciência ambiental e tem estimulado os paulistanos a fazer sua parte. Donas de casa vão aos mercados carregando sacolas de pano para não precisar gastar sacos plásticos, profissionais pensam duas vezes antes de imprimir seus e-mails, e nas escolas as crianças aprendem a separar papéis, latas e plásticos naqueles simpáticos cestinhos coloridos. A boa vontade da população, porém, não é suficiente para resolver um dos maiores problemas de metrópoles como São Paulo: o destino de seus resíduos. Apenas 1% das 15 000 toneladas de lixo produzidas diariamente na cidade passa pela coleta seletiva da prefeitura. Se levássemos em conta somente os detritos domiciliares que podem ser reaproveitados, esse número subiria para 7%. Muito pouco.

Os setenta caminhões de coleta seletiva da administração municipal atendem cerca de 20% dos moradores da capital. Muitos paulistanos tomam o cuidado de separar metais, vidros, plásticos e papéis naqueles cestos coloridos. Perda de tempo, já que esses materiais são jogados no mesmo caminhão e divididos só depois, em centros de triagem. Portanto, basta separar o lixo em dois sacos: um para rejeitos comuns, que vão parar em algum dos três aterros sanitários usados pelo município; e outro para recicláveis. Vale, claro, dar ao menos uma enxaguada para que restos de alimento não atraiam insetos.

Os caminhões de lixo reciclável da prefeitura, que carregam 140 toneladas diárias, passam em dias diferentes dos veículos de coleta comum. Duas concessionárias, Loga e Ecourbis, são responsáveis por 60% do serviço. O restante fica por conta de caminhões-gaiola de quinze cooperativas de catadores cadastradas pela administração municipal. Com 964 associados, elas são responsáveis também pela triagem de tudo o que é recolhido. Os 8,8 milhões de paulistanos que moram fora da rota desses veículos têm, caso queiram reciclar, de contatar cooperativas independentes ou se dar ao trabalho de levar, no porta-malas do carro, seus dejetos a pontos de entrega voluntária espalhados por empresas privadas, como os sessenta supermercados da rede Pão de Açúcar e os treze da Wal-Mart.

Quando comparado com os sistemas de coleta seletiva de capitais como Curitiba e Porto Alegre, que existem há duas décadas e atendem 100% da população, o atual programa paulistano, vigente desde 2003, é vergonhoso. "Acho lastimável que a metrópole que mais produz lixo na América do Sul não tenha políticas públicas de administração de resíduos sólidos compatíveis com o século XXI", afirma Elisabeth Grimberg, coordenadora de ambiente urbano do Instituto Pólis, ONG que atua na área. "É inadmissível que apenas 1,5% dos 760 milhões de reais do orçamento anual da Secretaria de Serviços para o lixo seja destinado à coleta seletiva." Segundo Elisabeth, 30% de tudo o que é rejeitado poderia ser reciclado, o que representaria uma economia anual de mais de 9 milhões de reais. "Sabemos que os números atuais estão aquém do ideal, mas estamos trabalhando para melhorá-los", diz o secretário de Transportes e de Serviços, Alexandre de Moraes. Ele lembra que o orçamento previsto para a coleta seletiva neste ano, 11,8 milhões de reais, é o dobro do destinado em 2008.

O que fazer com o lixo não é uma questão que aflige apenas os paulistanos. Trata-se de uma preocupação mundial. Para se adequarem a leis ambientais cada vez mais rígidas, várias cidades ricas do mundo mandam seus rejeitos para fora. Mais de 80% do lixo de São Paulo já tem como destino os municípios de Caieiras e Guarulhos. Com o objetivo de evitar a proliferação de lixões antiecológicos, os aterros sanitários contam com tratamento para o refugo tóxico. Mas a capacidade desses espaços é limitada, e só uma reciclagem eficiente diminuiria a quantidade de detritos a ser enviados a eles. Para piorar, a recente crise econômica afetou as cooperativas de coleta e triagem. "O preço do papelão, das garrafas PET e das caixas longa-vida que vendemos para os recicladores caiu pela metade", diz a ex-vendedora ambulante Olinda da Silva, coordenada da Coopere, no centro. O quilo de latas de alumínio caiu de 3,80 para 2 reais, enquanto o quilo de jornais e revistas passou de 20 para 10 centavos. Como os catadores não têm salário fixo, muitos abandonaram o trabalho para viver de bicos. O número de cooperados cadastrados na prefeitura diminuiu 15% de julho de 2008 para cá. "Há um ano, eu ganhava 1 000 reais por mês. Agora, está difícil tirar 600 reais", queixa-se Olinda.

A queda no número de catadores teria refletido diretamente na qualidade da coleta. Muitas pessoas voltaram a jogar o que poderia ser reaproveitado no lixo comum. "Com isso, os aterros receberam 10% a mais de recicláveis", afirma Cícero Yagi, integrante do Movimento Nossa São Paulo. Para evitar que isso acontecesse, a Coopamare, de Pinheiros, ficou com seu galpão lotado de materiais. "Alguns cooperados desistiram de trabalhar e os recicladores passaram a comprar menos, mas não queremos parar de atender nossos quarenta clientes", conta a ex-doméstica Maria Dulcinéia Santos. Sem equipamentos nem contas pagas pela prefeitura, o grupo é uma das cooperativas independentes da cidade. Estima-se que existam aqui mais de 100 delas e 20 000 catadores. A prefeitura pretende incorporar, até o fim do ano, dez dessas cooperativas às suas centrais de triagem oficiais. "Vamos usar para isso uma verba federal de 6 milhões de reais", promete o secretário Alexandre de Moraes. Com mais estrutura, acredita ele, as cooperativas poderão trabalhar melhor e garantir para si parte do lucro que hoje fica nas mãos de intermediários.

Os sinais de recuperação econômica dos últimos dois meses apontam para dias melhores. "Embora o primeiro semestre tenha sido difícil, a indústria voltou a comprar e os estoques das cooperativas começam a diminuir", afirma André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). "Felizmente, o Brasil tem capacidade para reciclar tudo o que produz, algo que não ocorre em vários países europeus", diz. "Lá, apesar de haver uma grande coleta seletiva, a indústria recicladora não é desenvolvida." São Paulo sente ainda o impacto do atraso na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, um projeto parado em Brasília há dezoito anos e que deve criar regras e diretrizes para que os próprios fabricantes sejam responsáveis pelo destino de seus produtos. "Leis municipais, estaduais e federais dificultam às indústrias e à população a compreensão do destino a ser dado a seus resíduos tóxicos, a exemplo de celulares e lâmpadas fluorescentes", conta André Vilhena.

Em meio a tanta morosidade das políticas públicas, a sociedade civil faz sua parte. ONGs como o Cempre, o Pólis e o Instituto Gea atualizam sites com orientações sobre o que pode ser reciclado e como implantar a reciclagem em um condomínio, uma escola ou uma empresa. Além de receber 5 000 toneladas de recicláveis em 2008, o grupo Pão de Açúcar criou ainda os caixas verdes, para descarte de embalagens, em nove de suas lojas paulistanas. No primeiro semestre deste ano, nada menos que 83 000 caixas de creme dental e de sabonetes foram recolhidas logo depois de ser pagas. Os paulistanos mais engajados aderiram até a composteiras caseiras. "Transformo meus restos de comida em adubo para as plantas do jardim", diz Nina Orlow, especialista em sustentabilidade, que fez toda a família se acostumar às minhocas necessárias para a decomposição do seu lixo orgânico. "É um pouco estranho, mas vale a pena saber que estou dando um destino ecologicamente correto aos meus resíduos."

Fernando Moraes
Coletores de recicláveis esvaziam contêineres em Perdizes: prefeitura atende só 20% da população
Coletores de recicláveis esvaziam contêineres em Perdizes: prefeitura atende só 20% da população

Conheça a seguir algumas ideias de especialistas para que nossos materiais recicláveis deixem de ser tratados como lixo:

Investir na coleta e na triagem em larga escala
Presidente do Instituto Brasil Ambiente, o economista Sabetai Calderoni, autor do livro Os Bilhões Perdidos no Lixo, acredita que o método atual de cooperativas de pequena escala não funciona. "Temos de pensar na coleta seletiva como um negócio, permitindo ganhos maiores", diz. A inspiração seriam cidades como Londrina e Curitiba, com 100% de coleta seletiva. "Com uma grande central de reciclagem, conseguiríamos reverter a lógica atual que destina dois terços do lucro para os atravessadores e a indústria, e que deixa apenas um terço do pagamento para os catadores."

Profissionalizar as centrais de triagem
Como não tem salário nem direitos trabalhistas, quem trabalha para as cooperativas costuma abandonar o ganha-pão em momentos de crise ou diante de melhores remunerações, ainda que sejam bicos no comércio informal. "A reciclagem no Brasil precisa parar de ser subsidiada pela pobreza", afirma Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). Um caminho poderia ser o pagamento de salários fixos, como ocorre com os 103 empregados da única central de triagem de Curitiba, a Usina de Valorização de Rejeitos. Esteiras, balanças, prensas e toda a estrutura física são de propriedade do município, como nas cooperativas oficiais de São Paulo, mas a administração é centralizada por uma ONG, o Instituto Pró-Cidadania.

Educação ambiental com foco na periferia
Além de morar em áreas onde os caminhões de coleta seletiva não costumam chegar, a população de baixa renda é a que mais carece de educação ambiental. Para reverter esse quadro e acabar com os pontos viciados de desova de lixo, os chamados morcegões, a prefeitura de Curitiba criou 88 pontos de Câmbio Verde. Neles, 4 quilos de material reciclável podem ser trocados por 1 quilo de alimento – normalmente plantados por pequenos produtores da região metropolitana, que também têm seu trabalho estimulado pelo poder público. Com isso, a coleta seletiva da cidade atinge o total de habitantes: 1,8 milhão.

Mario Rodrigues
Caixas verdes do Pão de Açúcar do Butantã: as embalagens são recolhidas antes do consumo
Caixas verdes do Pão de Açúcar do Butantã: as embalagens são recolhidas antes do consumo

Incentivar a compostagem de orgânicos
Nada menos que 57% do lixo de São Paulo é formado por restos de comida. Se o chamado rejeito úmido tivesse um destino exclusivo, o volume de material descartado seria reduzido drasticamente. Para Elisabeth Grimberg, do Instituto Pólis, um bom caminho é o estímulo à criação de composteiras em restaurantes, parques e jardins públicos. "O adubo produzido poderia ser utilizado em hortas comunitárias."

Mario Rodrigues
Nina Orlow (à dir.) com as filhas Mariana e Larissa: dois cestos e uma composteira de resíduos orgânicos
Nina Orlow (à dir.) com as filhas Mariana e Larissa: dois cestos e uma composteira de resíduos orgânicos


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Papéis sujos e amassados, plásticos laminados e fraldas não são recicláveis. Copos descartáveis, frascos de remédio e escovas de dentes usadas podem, sim, ser reaproveitados. Confira a seguir o que fazer com seu lixo

Hermann Studio
Restos de comida

Restos de comida
O lixo orgânico representa 57% dos rejeitos paulistanos. Quem quiser transformar cascas de frutas e legumes em adubo para plantas pode montar ou comprar uma composteira. Também chamados de minhocários caseiros, esses sistemas têm minhocas vivas que transformam os restos de alimento em compostos orgânicos. Estão à venda nos sites moradadafloresta.org, lixeiraviva.blogspot.com, composteira.com.br e minhocasa.com.

Divulgação
Óleo de cozinha
Óleo de cozinha
Jogado no ralo, 1 litro de óleo de cozinha usado contamina até 20 000 litros de água. Para transformá-lo em sabão, coloque-o em garrafas plásticas e leve para os supermercados Pão de Açúcar. Condomínios podem fazer o mesmo com os galões de 50 litros vendidos, por 30 reais, pela ONG Trevo (trevo.org.br).

Móveis e entulho
Resíduos de reformas, móveis velhos e restos de poda de árvores com volume de até 1 metro cúbico, que não são grandes a ponto de justificar o aluguel de uma caçamba, devem ser levados a um dos 37 Ecopontos da cidade. A lista completa está no site www.limpurb.sp.gov.br.

Fernando Moraes
Móveis e entulhos

Celulares, baterias e carregadores
Com a sanção da lei estadual que institui normas para reciclagem e destinação final do lixo eletrônico em São Paulo, as lojas de celulares passaram a ser obrigadas a receber aparelhos usados. Baterias, por exemplo, contêm metais pesados perigosos que não devem ir para aterros. Só as lojas da Vivo reciclaram, no primeiro semestre de 2009, mais de 74 000 itens. As 376 agências dos bancos Real e Santander na cidade, que recolhem celulares, pilhas e baterias, reciclaram 17,8 toneladas no mesmo período.

Marcelo Kura
Celulares, baterias e carregadores

Remédios e seringas
Os vidrinhos vazios e bem lavados podem ir para o cesto comum, mas remédios vencidos e seringas usadas devem ser encaminhados para incineração em hospitais e postos de saúde. Para evitar acidentes com os coletores, guarde as seringas em caixas ou embalagens rígidas.

Pilhas e baterias
Pilhas e baterias
A coleta de pilhas e baterias começou a ser feita nas lojas da Drogaria São Paulo em 2004. Tudo é reciclado pela empresa Suzaquim, de Suzano. Dois anos depois, surgiu o Programa Papa-Pilhas, dos bancos Real e Santander, que já coletou 56,7 toneladas de pilhas, baterias e celulares.

Lâmpadas usadas
Como contêm mercúrio, um veneno perigoso, em sua composição química, as lâmpadas fluorescentes exigem cuidados especiais ao ser descartadas. Poucas empresas fazem a reciclagem – uma delas é a Apliquim (apliquim.com.br). Tratado, seu vidro pode ser usado em pastilhas e materiais de construção. Caso a lâmpada se quebre, é preciso evitar inalar a substância de seu interior ou tocar nela. Já as lâmpadas incandescentes convencionais podem ir para o fundo dos aterros comuns.

Marcos Lima

Eletroeletrônicos
Com destino ainda indefinido, computadores, televisores e outros equipamentos quebrados não têm um caminho seguro fora dos aterros sanitários. O site lixoeletronico.org lista empresas que aceitam doações
dos que funcionam e outras que cobram para reciclar os quebrados.

Pneus velhos
Todos os meses, 12 000 toneladas de pneus sem possibilidade de recauchutagem são coletados para reciclagem na cidade. O Programa de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis da Reciclanip, uma entidade formada pelos fabricantes, transforma-os em materiais como solado de sapato e borracha de vedação. Há uma lista de pontos de coleta no site reciclanip.com.br.

Pneu

Isopores
Embora ainda tenham baixo valor de mercado e sejam desprezados em algumas cooperativas, os isopores podem ser reutilizados. Inclua-os junto com os plásticos. O tipo EPS (poliestireno expandido), comum em embalagens de eletrônicos, é mais aceito que o XPS (poliestireno extrudado), usado em bandejinhas de alimentos.

Fotos Divulgação
Isopores


Teste da coleta

Tentamos incluir uma rua na rota dos caminhões da prefeitura

Passar a fazer parte do roteiro dos caminhões de coleta seletiva da prefeitura não é nada simples. Depois de perceber, pelo site www.limpurb.sp.gov.br, que a concessionária Loga passava uma vez por semana em três ruas vizinhas do bairro de Pinheiros, uma repórter de VEJA SÃO PAULO ligou para o 156 e solicitou que seu condomínio também tivesse os detritos recolhidos. Na mesma semana, recebeu o retorno: os sacos deveriam ser deixados na rua às terças-feiras, durante o dia. Por três semanas o lixo ficou ali em vão, sendo recolhido pelos caminhões da coleta comum. Depois de mais um telefonema de reclamação, a Loga prometeu que o buscaria na semana seguinte. Deu certo. Na última terça (28), porém, a empresa furou de novo. Mais uma vez os sacos com recicláveis foram parar no aterro sanitário. Ao receber nova queixa, a Loga garantiu que a coleta será normalizada nesta semana. É esperar para ver.


Capitais exemplares

Como funciona a reciclagem onde a coleta seletiva existe há duas décadas e já atinge 100% da população

Curitiba (PR)
Uma concessionária leva os recicláveis colhidos em toda a cidade para um só centro de triagem. Administrada por uma ONG, a central emprega 103 pessoas. Outros 5 000 catadores fazem coleta paralela e triagem em parques.

Porto Alegre (RS)
Duas vezes por semana, os caminhões da prefeitura percorrem toda a cidade, recolhem os resíduos e os levam para dezesseis unidades de triagem com gestão autônoma e subsídio de 2 500 reais mensais da prefeitura.

MAIS ESTUDO, MENOS VIOLÊNCIA

MAIS ESTUDO, MENOS VIOLÊNCIA

Ao ampliar o turno de escolas encravadas em favelas cariocas,
programa da prefeitura dá nova perspectiva a crianças que
ficavam ociosas e expostas à criminalidade


Monica Weinberg

Fotos Oscar Cabral
Ocupados a tarde inteira
Leitura para os alunos do Complexo do Alemão (à esq.) e experimentos científicos em escola
da Cidade de Deus (acima): bom uso do tempo

Há tempos tornou-se um lugar-comum dizer que, na ausência do estado, o tráfico de drogas se transformou num poder paralelo nas favelas cariocas. Entre os muitos males dessa situação, talvez o mais terrível seja o contínuo aliciamento de crianças para o crime. Pois acaba de ser lançado pela prefeitura do Rio de Janeiro um programa que promete oferecer a essas mesmas crianças novas perspectivas de vida, afastando-as de um cotidiano violento. Nesse programa, a educação é o "poder paralelo". O Escolas do Amanhã abrange 73 favelas, 150 escolas, 108 000 alunos. Um de seus pilares é a adoção do turno integral, que mantém as crianças no colégio por sete horas e meia - quase o dobro do turno normal. Não se trata da primeira iniciativa que amplia a jornada de estudos em escolas brasileiras. Tampouco é a primeira vez que isso ocorre numa favela. Mas o Escolas do Amanhã também se destaca por sua ênfase na qualidade de ensino. Em outras palavras, sua filosofia é a de que não basta manter os alunos dentro dos muros do colégio - é preciso ensiná-los de maneira efetiva. Assim, cursos adicionais como xadrez, música, dança e mecânica serão ministrados nas horas extras - sempre que possível, estabelecendo ligações com o currículo regular. Mais importante, contudo, é o fato de que, no novo turno, os estudantes passarão a receber reforço escolar, emergencial num contexto em que muitos não sabem sequer ler. E ainda serão supervisionados, sempre que necessário, na lição de casa. "Num ambiente tão adverso, todo o esforço é para fazer com que as crianças gostem da escola e não abandonem os estudos - uma tentação permanente", diz a secretária de Educação, Claudia Costin.

Logo de saída, o programa promoveu avanços consideráveis na rotina de crianças como Lorrayne Pereira, 11 anos, e Jennifer Peixoto, 13, ambas moradoras da favela Cidade de Deus. O que elas costumavam fazer no tempo livre? "Via muita televisão", conta Lorrayne. "Ficava perambulando por aí. Quando ouvia barulho de tiro, voltava correndo para casa", completa Jennifer, que passou a preencher seu tempo de forma bem mais produtiva. Sem um adulto por perto, nenhum estímulo para os estudos e sob pressão para ganhar dinheiro, muitas dessas crianças ingressam precocemente no mercado de trabalho, quando não no tráfico de drogas da favela onde moram. Não dá para esperar que um programa desse tipo se encarregue de eliminar problemas tão enraizados na própria pobreza. A experiência mostra, porém, que sempre que se dão a essas crianças alternativas para que façam bom uso do tempo ocioso os índices de evasão escolar despencam. Avalia o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação: "Projetos como esse, implantados em áreas de violência, ajudam a manter as crianças na sala de aula, o que já é um grande mérito".

Mais difícil é fazê-las aprender. Em muitas das escolas brasileiras que adotaram o período integral, o resultado foi pífio. Ocorreu, por exemplo, com os Cieps, espalhados no estado do Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90, e com outras escolas de princípio idêntico, só com nome diferente. Caso dos Ciacs, da era Collor, e dos Ceus, estes plantados mais recentemente em São Paulo pela ex-prefeita Marta Suplicy. Apesar do turno integral, nenhum deles brilhou no campo acadêmico. "Faltou um projeto pedagógico", diz a especialista Maria Helena Guimarães. "Só um bom colégio, afinal, consegue potencializar os efeitos do período integral." Ultraequipadas para absorver os alunos o dia inteiro, tais escolas são ainda difíceis de manter, já que seus custos fixos chegam a dez vezes os de um colégio comum. Por isso, a grande maioria dos Cieps retrocedeu ao velho modelo do ensino de um turno só, de modo a conseguir, pelo menos, receber mais estudantes. Nesse ponto, o atual programa do Rio leva vantagem. Ele não prevê prédios novos nem grandes instalações. Já está provado que nada disso tem impacto relevante no ensino.

A preocupação em estender o período de aulas, no entanto, deve ser mantida. No mundo inteiro, os brasileiros estão entre os que permanecem menos tempo na escola. Segundo dados da OCDE (organização que reúne os países mais ricos), eles têm cerca de metade das aulas de matemática de um aluno nos Estados Unidos ou na Coreia do Sul. Uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas chama atenção para os benefícios que um eventual turno de cinco horas (no lugar do de quatro, como é mais comum no Brasil) traria para o ensino. Um exercício matemático com base na própria experiência brasileira mostra que isso, por si só, faria a média das escolas no Ideb - o indicador do Ministério da Educação - subir algo como 16%. É relevante. Qualquer pequeno acréscimo na nota (hoje em 4,2 numa escala de zero a 10) é dificílimo de ser alcançado. Parte-se do pressuposto de que, ao elevar o tempo na sala de aula, também estarão sendo proporcionadas aos estudantes novas oportunidades para que avancem. É o que já está acontecendo em escolas como a Professor Affonso Várzea, encravada no Complexo do Alemão, lugar dos mais violentos no Rio de Janeiro. Ali, numa aula de culinária, crianças de seus 10 anos aprendem a fazer conta multiplicando e reduzindo os ingredientes de uma receita de pizza. Diz Stefany Barreto, aluna da 3ª série do ensino fundamental: "Nunca tive tanta vontade de ir à escola". É um excelente começo.

Lula vetará o plantio da cana em 50% do país

Efeito Marina Silva

Lula vetará o plantio da cana em 50% do país

Área em que serão vetadas plantações novas inclui a Amazônia e o Pantanal

Projeto, que será anunciado no dia 17, busca derrubar barreiras à venda do álcool no exterior; proibição terá que passar pelo Congresso

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Caminhão atravessa uma plantão de cana no Acre; avanço da cultura na Amazônia será proibido

MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Com um ano e dois meses de atraso, o presidente Lula vai anunciar o veto à expansão das plantações numa área de 4,6 milhões de quilômetros quadrados -mais da metade do território nacional- e em regiões que mantenham a vegetação nativa no restante do país. Essas serão as principais medidas do "selo verde" que quer imprimir ao projeto do álcool combustível, escanteado devido à prioridade ao pré-sal.
Em discurso na sede da União Europeia, em Bruxelas, em julho de 2007, Lula afirmou que o biocombustível brasileiro não aumentaria o desmatamento nem avançaria sobre a produção de alimentos. Desde então, esse compromisso ficou limitado às palavras.
Com exceção das nove usinas que operam na Amazônia e na área do entorno do Pantanal mato-grossense, novos empreendimento serão proibidos nessas regiões, segundo a proposta. O projeto estimulará novas plantações de cana em áreas de pastagens degradadas.
A expectativa de governo e produtores é duplicar a área de cerca de 7 milhões de hectares (ou 70 mil quilômetros quadrados) de cultivo até 2017. Objeto de longa e acirrada disputa no governo, as regras do zoneamento da cana correm o risco de serem alteradas no Congresso antes de entrarem em vigor.
Aos ministros, Lula anunciou que não podia comprometer a estratégia do álcool "verde" para atender aos interesses de produtores rurais do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, aliados do ministro Reinhold Stephanes (Agricultura).
Mas, ao optar por um projeto de lei -e não por medida provisória-, Lula abriu caminho para novo "round" entre o agronegócio e os ambientalistas.
O anúncio do zoneamento da cana está confirmado para o dia 17. O evento terá 300 convidados. Integrantes do governo reconhecem no ato comandado por Lula uma resposta à movimentação da pré-candidata ao Planalto Marina Silva (PV).
O compromisso com o biocombustível verde extrapola, porém, o debate político interno. Tem a ver com a imagem internacional e com a possibilidade de barreiras não-tarifárias à venda do álcool no exterior.
Essa preocupação foi exposta em carta a Lula pelo presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank. A carta registra que "percepções errôneas sobre a correlação entre biocombustíveis e desmatamento ainda persistem" e pede a definição breve das regras.

Lobby
O lobby mais forte e principal entrave ao zoneamento da cana até aqui tem como pivô uma área de 110 mil quilômetros quadrados no entorno do Pantanal. Ambientalistas alegam que o cultivo de cana na área, onde já operam cinco usinas, pode contaminar o Pantanal. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) ameaçou deixar o governo caso a área fosse liberada para a cana.
Os produtores locais, que esperavam fazer da borda do Pantanal um novo polo de produção de açúcar e de álcool, prometem reagir. "70% da produção do Mato Grosso se concentra nessa região e três novos projetos estavam aguardando a liberação. A decisão é um retrocesso", disse Jorge Santos, diretor do Sindálcool (Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado do Mato Grosso).
A mobilização para tentar mudar a proposta do governo no Congresso é confirmada pelo presidente do BioSul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda. "Há cerca de um milhão de hectares que poderiam receber novos projetos", defende.
A presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), avalia que o zoneamento da cana deveria se limitar a medidas de incentivo à produção em áreas que o governo considerasse mais aptas, sobretudo por meio de financiamento público. "Proibir é uma coisa de que não gosto; ferir o direito de propriedade e a livre iniciativa incomoda", disse.
A proposta do governo prevê o veto à expansão da cana na Amazônia e no entorno do Pantanal não só via licenciamento, mas por meio de autorização do Ministério da Agricultura às novas usinas. Outra medida é proibir o corte da vegetação nativa para o cultivo de cana. A desobediência poderá levar ao embargo da produção.

Da Folha de São Paulo de 07/09/09


Independência ou morte?

Independência ou morte?

CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS


Em vez de um risonho verde-amarelo, os que têm olhos para ver deveriam pôr-se de luto neste mês de setembro


EM VEZ de um risonho verde-amarelo, os que têm olhos para ver deveriam pôr-se de luto neste mês de setembro. É bem verdade que existem os que já sonham com a fartura do pré-sal.
Pois dele abusam, de forma eleitoreira, os publicistas do governo que só faltam profetizar, como fez o Conselheiro, que o sertão vai virar mar. É bem verdade que boa parte da classe média se regozija com os carrinhos "zero" e com as viagens a Miami que agora são possíveis pelo valor baixo do dólar -esse mesmo que corrói as nossas exportações.
É bem verdade que os humildes comemoram a sua ascensão -da classe Z à X- graças ao Bolsa Família, que apenas perpetua o triste clientelismo que nos legou, entre outros, o pai dos pobres Getúlio Vargas (que alguns tentam imitar).
Poucos, porém, se recordam dos tributos que nos escorcham a quase todos, uma vez que os poderosos, esses fazem o que querem, como ficou muito claro no "affair" Lina/Dilma e no caso Palocci. Para uns, resta a quebra desavergonhada dos sigilos bancários. Para outros, sorriem os fóruns privilegiados.
Esquece-se amiúde que a democracia brasileira é capenguíssima, que os que votam, na maioria, são eleitores de curral, ainda que de um curral novíssimo -eletrônico e televisivo. Por meio dele, os marqueteiros, essa excrescência da sociedade pós-moderna, fabricam os novos eleitos, manipulando a opinião de quase cidadãos, os quais sucumbem, sem resistência. Os cinco séculos de abandono e deseducação, patrocinados, sobretudo, pelos "coronéis de m..." e pelos "cangaceiros de terceira categoria" -para nos servirmos de termos em voga no Senado-, é que os deixaram assim: omissos, submissos, meras vaquinhas de presépio.
Raríssimas são as vozes que se erguem para dizer que há um Brasil legal (e perfumado) e um Brasil real (e fedorento); que a Justiça tarda e falha indecorosamente; que avançamos, a galope, para um caudilhismo plebiscitário tipo Chávez; que o governo tenta, a todo custo, atar as mãos do Ministério Público, uma das poucas instituições das quais (ainda) podemos nos orgulhar; que a representatividade dos eleitos é uma lorota; que a coerência ideológica dos partidos é nenhuma, sobretudo a do finado PT, que tantas saudades deixou do tempo em que abraçava as causas populares.
À nossa volta, o que sentimos é uma gosma asquerosa que extravasa (aos borbotões) precisamente das bocas em que apenas a verdade deveria ressoar, que contamina quase tudo o que se vê, o que se ouve e o que se pensa. Num tal estado lastimável, só nos resta, talvez, sonhar.
Que maravilha se ouvíssemos de certos advogados que eles não mais contribuiriam, com sua astúcia, para que os endinheirados permanecessem impunes. Que maravilha se as faculdades de direito só parissem tribunos vibrantes -combativos como os Gracos e éticos como Sócrates-, em vez de nos entupir com bacharéis ignorantes, vários deles arrivistas e venais.
Que maravilha se os senadores, em vez de suprimir o Conselho de Ética, tivessem um insight moralizante e assumissem inteiramente os seus crimes. Como seria belo ver a tribuna do Senado, tantas vezes enxovalhada, refulgir com as confissões dos pecadores contritos.
Que maravilha se os nossos caras-pintadas tomassem de novo as ruas, exigindo nada menos que as cabeças dos canalhas que envergonham a nação, em vez de se perderem em bebedeiras ridículas, em competições de aprendizes ou em grevezinhas uspianas, anódinas e burocráticas. Que maravilha se os intelectuais dos anos 70, antes tão progressistas, novamente se arriscassem para lutar contra a ditadura que célere se aproxima, em vez de se agarrarem às tetas estatais ou de ficarem em casa gozando indenizações. (E como seria coerente se as tivessem doado, tão logo recebidas, ao "lumpenproletariat".) Que maravilha se os imortais da academia, num gesto vivo e nobre, repudiassem, veementes, os que denigrem o país, mesmo que um seu semelhante estivesse entre eles. (Que não exista na ABL nenhum genial defunto-autor, como Brás Cubas, com isso ninguém se espanta. Mas que lá haja tantos autores-defuntos, isso dá o que pensar. Pois somente os mortos conseguem ficar calados ante a tragédia imensa que se abate sobre nós.) Apenas sonhar, porém, não nos levará muito longe. Vemo-nos, assim, ainda que muitos não o queiram, condenados a agir e a nos insurgir contra esse silêncio incompreensível dos bons.
Cabe-nos, portanto, a difícil decisão: o que queremos, afinal, para o Brasil? Independência ou morte?


CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 49, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, artista plástico, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em linguística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).
perplexidadesereflexoes.blogspot.com

Da Folha de São Paulo de 07/09/09

sábado, 5 de setembro de 2009

Querem matar Ana Maria Bruni

Querem minha morte é evidente! Ana Maria C. Bruni Itacaré- Bahia

A Corja não desiste.Não conseguiram me exterminar. Não conseguiram que eu deixasse a cidade de Itacaré. Não conseguiram me calar.
Mas não desistem como descarados e criminosos que são.Querem minha morte é evidente!
Soube no final da tarde, nesta cidade sem jornal ,que uma matéria postada num dos meus Blogs Territorio Itacare sobre a prisão de um traficante está sendo distribuída pela cidade como se fosse de jornal.
Para complementar o " orelha seca" como denominam o difamador criminoso divulga que eu é que entreguei o tal traficante para a policia!
Então vamos esclarecer:
A matéria não é minha, é de outro blog e tem o link . Acrescentei elogio a nova delegada de Itacaré.
Estou há 3 anos denunciando policiais da civil, da militar e a corja que se infiltrou em minha vida e não querem me escutar, nem investigar.
Não conheço os traficantes de Itacaré, muito menos este que foi preso.
Itacaré é uma cidade muito pequena, se quiserem prender realmente estes traficantes prenderão como assim fizeram com este da matéria.
Itacaré não merece ser considerada o paraíso das drogas.
Combato as drogas em minhas postagens pois vejo o mal que elas trouxeram para esta cidade.
Então vamos deixar bem claro! Os criminosos que eu tinha de denunciar já foram denunciados.
Para A Corja que pretende com mais esta armação que eu sofra retaliações agora por parte de traficantes ,certamente denunciados ou envolvidos com eles ,desejo que continuem para sempre nestas terras infernais e jamais alcancem o paraíso.E um lembrete, estes caras reconhecem seus iguais!
Então a armadilha está feita, quando acabarem comigo será mais um daqueles casos baianos sem solução. Quem será o culpado? A corja, os antigos policiais desta cidade ou os traficantes?
Vamos a luta Imundos
Ana Maria C. Bruni
Itacaré- Bahia

Polícia Civil de Itacaré prende traficante de Itacaré

A Polícia Civil de Itacaré conseguiu prender o acusado de ser um dos maiores traficantes daquela região. A prisão de Antonio Alves da Silva, conhecido como "Panta" (foto), ocorreu no último dia 23, por força de um mandado de prisão preventiva. O acusado já cumpriu sentença por tráfico de drogas, segundo a delegada Lisdeili Nobre.

A policial informou ao Diário Bahia que ele vinha sendo monitorado pela Policia Civil há mais de seis meses, período em que foi verificada intensa e frequente venda de drogas na casa dele. "O movimento de usuários na casa de Panta é mais freqüente no período noturno. A droga era comercializada pela esposa dele Esilene, através da janela da sua residência", informa.

Na operação executada foi encontrada na residência do acusado cerca de 34 pedras de crack, dinheiro e anotações que indicam ser proveniente do tráfico de drogas. "A polícia civil sabe que a maior parte da droga comercializada e distribuída por Panta não fica escondida em casa", revela a delegada.

Ainda no momento da operação, não parava de chegar usuários na casa do acusado, sendo estes detidos, encaminhados para a Delegacia de Policia e depois liberados. Os policiais apreenderam três menores que se encontravam no local.
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Delegada Lisdeili Nobre atuando bravamente no combate aos traficantes de Itacaré, apesar das dificuldades que enfrenta a Policia Civil em Itacaré em termos de estrutura, viaturas, equipamentos, acomodações e alimentação para policiais