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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Geraldo e José, o saco de gatos chamado PSDB



Alckmin anuncia revisões e ajustes semelhantes aos propostos por Serra quatro anos atrás; embora técnicas, medidas revelam rixa política

É natural que novos governantes anunciem medidas de contenção de gastos, revisão de contratos e redução de cargos. Querem com isso impor autoridade, assegurar mais recursos e, ao mesmo tempo, projetar uma imagem de eficiência e moralidade administrativa em comparação com os governos a que vieram suceder.
Mas quem -José Serra ou Geraldo Alckmin- levaria a palma de mais sério, de mais correto, de mais técnico em sua gestão? A pergunta aparentemente ocupa, em partes iguais, os corações e as mentes do PSDB paulista.
"Medidas de Serra abalam relação com Alckmin", dizia reportagem da Folha no dia 4 de janeiro de 2007, quando José veio depois de Geraldo. "Alckmin vai auditar contratos do governo Serra", publicou o jornal nesta semana, quando a situação se inverteu.
Vai nessa toada a disputa interna do PSDB, que não dá sinais de arrefecer. A formação do secretariado de Alckmin já esgarçara aquilo que, surpreendentemente, se tecera em 2010: uma rede firme de apoio entre as duas lideranças no momento das eleições. Agora, as primeiras medidas do novo governador deixam claro que a maré política de fato mudou.
Abandonado por boa parte do tucanato na sua campanha presidencial de 2006, Alckmin foi submetido a diversas desfeitas nos anos seguintes. Como definir de outra forma a situação de ver seu sucessor, José Serra, anunciando uma "faxina" nas contas do governo? E como explicar a desconfortável terceira colocação na disputa pela prefeitura no ano seguinte? Depois de todos esses constrangimentos, surge agora a oportunidade de uma desforra.
Evidentemente, há um lado técnico nas medidas anunciadas pelo novo governo, como auditorias e um corte de R$ 1,5 bilhão do Orçamento.
Diga-se que corretas haviam sido também as decisões equivalentes de Serra, quatro anos antes, uma vez que em certas áreas os custos haviam disparado na gestão de Alckmin.
Um monótono acerto de contas -nos dois sentidos do termo- mobiliza há anos, de qualquer modo, os dois principais líderes do PSDB paulista, diminuindo-os, ao que parece, sempre mais.
Se pretendem ampliar seus domínios para além dos bolsões onde fincaram suas bases contra o petismo, os tucanos precisam chegar a uma unidade interna de fato; esta não se faz simplesmente pelo jogo das personalidades e paixões, nem com palavras de elogios públicos e aplausos em discursos de posse.
É na mensagem, no programa político mais amplo e na sua capacidade de organizar-se democraticamente que um partido, qualquer que seja, encontra forças para superar o paroquialismo e a mesquinhez de seus conflitos.

Do editorial da Folha de São Paulo de 06/06/11

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