quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Doce Veneno - Aspartame - Parte 2 - Ciência & Incertezas


Doce Veneno - Aspartame - Parte 2 - Ciência & Incertezas

Publicado na Quarta-feira, 05 Julho 2006, por Denise Arcoverde
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Eu juro que fiz um esforço enorme, no meu último post sobre o assunto, pra não parecer alarmista. Sei que o exagero é o maior inimigo de qualquer “ativista” e tenho consciência de que é por isso que as informações sobre o aspartame são tão desconsideradas e vistas como “lenda urbana”, ainda que estejam respaldadas por referências científicas. Mas não resisto à imagem acima.
É que sou passional e não conseguiria falar sobre um assunto que me choca tanto, com imparcialidade. Sendo assim, tentei, nesse post juntar minha paixão pelo assunto, com uma pesquisa feita apenas em artigos de instituições científicas e que tenham credibilidade. Existem dezenas de sites ativistas que contam os horrores do aspartame, basta escrever a palavra no Google. Mas, para evitar críticas, vou deixar esses sites de lado, por enquanto.
Lembrando que, no meu post anterior, deixei bem claro que estava falando apenas daminha experiência e nele eu já dizia que num post futuro falaria mais sobre as pesquisas existentes sobre o assunto, não tinha a pretensão de oferecer nenhuma informação científica. Se vocês lerem bem, não fazia nenhuma afirmação do tipo “o aspartame causa câncer” ou “aspartame causa fibromialgia”. Falei da experiência que eu tive e da opinião do meu médico, apenas.
Mas, e dá pra confiar, tão cegamente, na Ciência?
Desde que comecei a pesquisar sobre aspartame e fibromialgia, tenho todo cuidado em avaliar bem as minhas fontes. Mas isso também não significa que confio piamente em tudo que é publicado nos famosos jornais médicos.
Ano passado, o British Medical Journal, conceituadíssimo, publicou um editorialdefendendo a segurança do uso do aspartame. Interessante é que eu percebi que a sua primeira referência é do Aspartame Information Center, site do “The Calorie Control Council”, associação internacional que representa a indústria de bebidas e alimentos diet e de baixa caloria.
Não parece que existe aí um imenso “conflito de interesses”? desde quando a indústria tem credibilidade para ser citada num editorial que defende produtos produzidos por ela?
Em carta, também publicada no British Medical Journal com o título de Aspartame e seus efeitos na saúde - Estudos financiados independentemente encontraram potenciais efeitos adversos , o Dr. John Briffa critica o editorial do BMJ:
“Essa revisão é particularmente preocupante porque mostra que, enquanto 100% dos estudos financiados pelas indústrias (integral ou parcialmente) concluiram que o aspartame é seguro, 92% dos estudos financiados independentemente encontraram potenciais efeitos adversos”, afirma Dr. John Briffa. Antes que digam que esse médico não é respeitável, vale informar que ele tem artigos publicados pelo próprio BMJ, adorado pelos defensores da “Ciência acima de tudo”.
Eu não sou a única que questiona a “verdade definitiva” das pesquisas cientificas. Uma revisão feita pelo epidemiologista John Ioannidisa, em 49 estudos altamente citados (portanto considerados excelentes referências), resultou que 14 deles foram contraditos ou relativizados por pesquisas posteriores, como divulgado na revista Discover.
Como os pacientes podem lidar com essa confusão? “Nós deveriamos mudar nosso modo de pensar sobre resultados significantes estatisticamente, para o que eu chamaria de um resultado com credibilidade,” disse Ioannidis. “Não há nada demais em afirmar que as pesquisas publicadas nos jornais médicos não são 100% corretas. Não existe pesquisa perfeita.”
Ioannidis orienta seus pacientes a protegerem-se mantendo uma postura crítica em relação aos conselhos dados por seu/sua médico(a). “Pergunte não apenas ‘isso é bom pra mim?’ mas ‘qual a certeza disso’?”
Quase todo mundo sabe sobre o desastre que foi o uso da talidomida. Recentemente, oVioxx foi recolhido. O Ambien, um tranquilizante extremamente usado, por aqui, pode fazer as pessoas virarem sonâmbulas, ao ponto de entrar no carro e dirigir. Todos esses medicamentos, em certo ponto, tiveram pesquisas cientificas, garantindo sua segurança, por isso foram liberadas. Assim como o aspartame, atualmente.
Não estou dizendo que não se pode confiar na ciência, senão voltaríamos aos tempos de Galileu. Mas apenas lembrando que devemos sempre ser críticos em relação a qualquer afirmação que vá interferir tão gravemente em nossas vidas, mesmo quando vinda das fontes mais seguras.
É onde entra o bom senso em relação ao “custo benefício”. Eu não posso garantir que o aspartame foi o agente catalizador da minha fibromialgia. Mas, considerando que existe uma possibilidade e que, eu não acordo uma único dia sem sentir alguma dor em algum lugar do corpo… se pudesse voltar no tempo, eu jamais arriscaria. Por isso, me interesso tanto em divulgar esse tema e até criei mais um blog, apenas para divulgar artigos sobre aspartame.
Claro que, se você tem diabete e precisa de um adoçante, essa pode ser sua única opção. Não sei, e esse é outro universo enorme a ser pesquisado, não teria tempo para isso. Mas, mesmo sabendo que todos adoçantes têm contra-indicações, eu conversaria com meu/minha médico(a) sobre a possibilidade de usar outro produto.
Mas, o que é o aspartame?
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O aspartame é uma neurotoxina, ou seja, uma droga que ataca o sistema nervoso. Sua molécula é dividida em três componentes: ácido aspártico, fenilalanina e metanol.
Sabe-se que o ácido aspártico, em grande quantidade, pode causar lesões cerebrais, segundo experiências feitas com animais.
A fenilalanina, existente no aspartame, também é neurotóxica, quando isolada dos outros aminoácidos das proteínas. Bloqueia a produção de serotonina, que é uma das substâncias, no cérebro, responsáveis por regular o sono. Quando a gente tem baixos níveis de serotonina, pode ter insônia, depressão, angústia, mau humor e até sintomas de paranóia. Uma das características comuns aos pacientes com fibromialgia (que não é uma doença apenas psicossomática), são os baixos índices de serotonina, como afirma o site fibromialgia.com.br, apoiado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia. Pura coincidência?!
Finalmente, o metanol converte-se, depois de ingerido, em formaldeído e ácido fórmico(principal componente do veneno da picada das formigas) e é conhecida como uma substancia cancerígena.
Quem consome a quantidade certa?
Aparentemente, essas substâncias, nas quantidades máximas indicadas, não fazem mal. Acontece que, com o uso do aspartame em mais de 3.000 produtos, se a gente passa a usar tudo “diet”, é difícil saber a quantidade ingerida diariamente.
Isso se essa informação fosse disponível, né? há poucos dias, o IDEC divulgou umestudo que alerta para consumo excessivo produtos diet e light. Analisando amostras de 24 adoçantes, 25 bebidas dietéticas e quatro sucos em pó, o IDEC descobriu que nenhum deles informa o limite máximo de consumo por dia, chamado de Ingestão Diária Aceitável (IDA).
Outra questão a se considerar é a interação entre vários produtos. Alguns cientistasacreditam que o aspartame, sozinho, pode não ser tóxico, mas ele é sempre usado com uma grande quantidade de outros aditivos e aí, quem conhece os efeitos dessas interações?
Portanto, é fácil dizer que o aspartame isolado e nas quantidades ideais é seguro, ainda mais quando a indústria financia a maioria das pesquisas… dá pra arriscar?
Algumas pesquisas sobre aspartame
Não é por causa delas que eu parei de consumir esse produto, mas pela minha experiência própria. Por ter observado uma grande piora nos meus sintomas de fibromialgia, quando consumia esses produtos e por ter sido advertida pelo meu médico (que atua na área há 40 anos), que o aspartame pode desencadear crises de fibromialgia, sim.
Mas, não custa nada mostrar que, ao contrário do que se afirma, também existem pesquisas que mostram riscos do consumo desse produto.
  • Aspartame induces lymphomas and leukaemias in rats (Centro de Pesquisas sobre o Câncer, Fundação Européia de Oncologia e Ciências Ambientais, Bolonha, Itália)Esse estudo causou uma enorme reação por parte da indústria de adoçantes e por causa dele, foi escrito o editorial do BMJ (sobre o qual falei acima), defendendo o produto.
    Depois de estudar 1,8 mil ratos, durante oito anos, a equipe de pesquisadores italianos concluiu que o aspartame pode ter efeitos cancerígenos. O estudo foi anunciado em julho do ano passado e publicado em março de 2006, na revistaPerspectivas de Saúde Ambiental do Departamento de Saúde dos Estados Unidos.
    Veja a entrevista “O aspartame é cancerígeno, sim”, em português, com o cientista responsável por esse estudo, na revista Terramerica, apoiada peloPrograma das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
  • Aspartame ingestion and headaches: a randomized crossover trial (Estudo do Departmento de Epidemiologia da Escola de Saúde Pública e Medicina Comunitária da Universidade de Washington, Seattle e publicado pela Academia Americana de Neurologia)Esse experimento eferece evidências de que algumas pessoas são particularmente suscetíveis a dores de cabeça causadas por aspartame e deveriam limitar o seu consumo.
  • Aspartame as a dietary trigger of headache (Publicado no “Jornal de Dores de Cabeça e Face”)Numa avaliação de 171 pacientes, 49.7% creditam sua dor de cabeça a uso de álcool, 8.2% ao consumo de aspartame e 2.3% a carboidratos. Os pesquisadores concluiram que “o aspartame pode ser um importante ativador dietético de dor de cabeça em algumas pessoas”.
  • The Effect of Aspartame on Migraine Headache (Publicado no “Jornal de Dores de Cabeça e Face”)Esse estudo controlado, onde foi oferecido placebo e aspartame, encontrou um “significante aumento na frequência da enxaqueca”, naqueles que consumiram aspartame.
  • Synergistic interactions between commonly used food additives in a developmental neurotoxicity test (Departamento de Anatomia Humana & Biologia celular e Departamento da Terapia e Farmacologia da Universidade de Liverpool, Inglaterra)A exposição a aditivos em alimentos não nutritivos durante momentos críticos do desenvolvimento tem sido considerado como fator de indução e agravamento de desordens de comportamento como transtorno de atenção e hiperatividade. Ainda que se acredite que o uso de um único aditivo ailmentar nas concentrações regulamentadas seja relativamente seguro, em termos de desenvolvimento neurológico, o efeito das suas combinações continua desconhecido. Nesse estudo, percebeu-se que a interação de aditivos químicos, entre eles o aspartame, pode ter efeitos neurotóxicos.
  • The effect of aspartame metabolites on human erythrocyte membrane acetylcholinesterase activity (Departamento de Fisiologia Experimental, Escola Médica da Universidade de Atenas, Grécia.)Concluiu-se que o consumo de produtos com baixas concentrações de aspartame pode ser seguro, mas sintomas neurológicos, inclusive de aprendizagem e memória podem estar relacionados a concentrações altas ou tóxicas de adoçantes artificiais.
Atualização: Que liberdade a ignorância traz??
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Meu desejo de divulgar as informações a que tenho acesso sobre o aspartame não tem nada a ver com “paranóia” e nem sou nem um pouquinho menos “feliz” por me preocupar com as consequências do que estou ingerindo, pra minha saúde. Muito pelo contrário. Tomar um pouco mais de controle do meu corpo é empoderador.
Isso se chama consciência. Ainda que nem sempre consiga, estou tentando evitar enlatados, comer o máximo de orgânicos, cortar os adoçantes. Tudo sem estresse. Mas sem ignorância também. Descobri que não adianta brincar de “faz de conta que não faz mal”.
Do blog Síndrome de Estocolmo 
http://sindromedeestocolmo.com/archives/2006/07/doce_veneno_asp.html/

Doce Veneno - Aspartame - Parte 3

Porque a gente pode engordar consumindo produtos Diet


Publicado na Segunda-feira, 17 Julho 2006, por Denise Arcoverde

O caso dos refrigerantes diet e o chapeleiro maluco de Alice

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“- Tome mais um pouco de chá”, ofereceu a Lebre de Março para Alice, com um ar sério.
” - Mas eu ainda não tomei nada”, replicou Alice em um tom ofendido, “portanto eu não posso tomar mais”.
” - Você quer dizer que não pode tomar menos”, disse o chapeleiro, “é mais fácil tomar mais que nada”.

Alice no País das Maravilhas

Mês passado, oito anos de dados coletados foram apresentados pela Sharon P. Fowler, MPH, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas no encontro anual daAssociação Americana de Diabetes. Segundo o estudo, paradoxalmente, quanto mais refrigerante diet a pessoa consome, maior o seu risco de ter sobrepeso ou se tornar obesa.

A Dra. Sharon Fowler lembra que teve um “insight” quando viu essa cena da Alice no País das Maravilhas, porque o chapeleiro lhe oferece chá, mas não dá nenhum. Então, Alice acaba servindo-se sozinha.

Segundo a Dra. Fowler, Isso deve ser o que acontece em nossos corpos, quando nós “oferecemos” o gosto doce dos refrigerantes diet, mas não damos nenhuma caloria.

“Se você oferece, ao seu corpo, alguma coisa que tem um gosto como algo cheio de calorias, mas elas não estão ali, seu corpo será alertado para a possibilidade de que alguma coisa está ali e ele vai procurar pelas calorias prometidas, mas não entregues,”diz Fowler. “talvez nossos corpos sejam mais espertos do que nós pensamos”.

“As pessoas pensam que podem enganar o corpo. Mas, talvez, o corpo não esteja sendo enganado,” ela disse. “se você não está dando ao seu corpo essas calorias que prometeu, talvez seu corpo irá retaliar buscando mais calorias. Algums estudos feitos com refrigerantes diet sugerem que eles estimulam o apetite.”

Segundo ela, para cada lata de refrigerante diet consumido por dia, a pessoa teria um aumento de 41% no risco de obesidade.

Os professores Terry Davidson e Susan Swithers, ambos do Departamento de Ciências da Psicologia, da Purdue University descobriram que essa habilidade do corpo para contar calorias baseado na “doçura” dos alimentos pode estar sendo danificada pelo uso dos adoçantes e isso pode explicar o aumento enorme de pessoas obesas nos EUA.

O estudo, A Pavlovian approach to the problem of obesity, publicado no International Journal of Obesity, foi feito oferecendo açúcar e adoçantes artificiais aos ratos. Aqueles que receberam adoçantes, buscaram muito mais produtos calóricos que os que receberam açucar.

No fundo, a gente já sabia disso. Já é até piada @s gordinh@s, que se entopem de produto diet. Aqui nos EUA, a gente vê pessoas com mais de 200 quilos e o carrinho cheio de produtos diet (claro que nenhuma fruta, vegetal, legumes).

Como não poderia deixar de ser, cada vez mais está sendo feita essa relação, aqui nos EUA, entre o consumo de adoçante e o aumento de peso da população. Na revista dosVigilantes do Peso, dessa semana, saiu uma matéria sobre isso.

Mas essa dúvida é antiga, já em 86, foi feita uma pesquisa que avalia a mudança de peso, durante um ano, em 78.694 mulheres entre 50 e 69 anos que faziam parte de um estudo sobre mortalidade. Aquelas que usavam aspartame ganharam mais peso que as que não usavam o produto, independente do peso inicial. Segundo o pesquisador,“os dados não apóiam a hipótese de que o consumo de adoçantes artificiais a longo prazo ajudem a perder peso ou previnam o ganho de peso”.

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Aparentemente, em sua ação sobre o cérebro, o aspartame faz com que a pessoa sinta mais desejo de comer carboidratos — farinhas, açúcares, amido — e, assim, acaba engordando.

Forma-se um círculo vicioso: a pessoa toma aspartame para emagrecer; mas passa a ingerir mais carboidratos, e aí engorda; logo, adota ainda mais alimentos com aspartame e fica presa neste círculo vicioso, cada vez mais vulnerável aos efeitos da droga.

Segundo o psicólogo Daniel C. Stettner, existe uma outra forma de engordar por causa do consumo de produtos diet. “A indústria de alimentos joga com o açúcar, a gordura e o sal,” diz ele, “é como um jogo de esconde-esconde.”

Stettner diz que, quando os industriais diminuem a quantidade de açúcar nos alimentos, geralmente aumentam a gordura ou sal, para compensar a falta de gosto. Por exemplo, os sorvetes “sugar-free” são feitos com altos índices de gordura.

“Alimentos livres de açúcar podem ainda ser altamente calóricos, e isso pode causar o aumento de peso” diz o Dr. Daniel C. Stettner, especialista em questões de peso no Centro de Saúde Northpointe em Berkley, Michigan.

Outra forma, mais indireta, de sabotagem da dieta, com o uso do aspartame pode ser que se consome muito mais calorias, ao se considerar que o uso do aspartame está aliviando a “culpa”. Se usamos aspartame (ou outro adoçante), sempre achamos que estamos liberadas pra comer um pouco mais…

Eu mesma, cansei de comer uma torta de chocolate maravilhosa, com Diet Coke e vi muitas amigas fazendo o mesmo. Minha mãe tem sempre chocolate no quarto, mas coloca adoçante no café.

Enfim, o fato é que, com a quantidade astronômica de aspartame consumido nesse país, deveríamos ter menos obesidade, mas, como eu mostrei na semana passada, nos últimos 20 anos, esse índice só aumentou…

Dá o que pensar, não é não?

Eu parei de consumir produtos diet há mais de um mês. Agora como o que não comia antes, mas moderando um pouco em tudo. Não emagreci, mas também não aumentei nem uma grama. Desconfio que perdi boa parte dos prazeres da vida, nos últimos 20 anos, sem que isso tivesse ajudado em nada. Muito pelo contrário.

Do blog Sindrome de Estocolmo

http://sindromedeestocolmo.com/archives/2006/07/doce_veneno_asp.html/

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Aprovação automática é 'barbaridade', diz Lula

"Quando se decidiu que uma criança não precisaria fazer prova, que seria aprovado, estudasse ou não, cometemos uma barbaridade, com o aluno e o professor"

Lula classifica aprovação automática como 'barbaridade'

O presidente defendeu a qualificação dos professores.

Ele também criticou greves no setor de educação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira (21) o sistema de aprovação automática - pelo qual os estudantes não repetem o ano e são retidos somente ao final de ciclos - como uma "barbaridade".

"Quando nesse país se tomou a decisão de universalizar o ensino fundamental sem levar em conta a qualidade, demos um passo para frente e dois para trás. Quando se decidiu que uma criança na escola não precisaria fazer prova, que seria aprovado, estudasse ou não, cometemos a segunda barbaridade, com o aluno e com o professor", disse Lula, durante cerimônia de comemoração aos 60 anos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O presidente Lula defendeu também a qualificação dos professores: "Se o professor der uma aula e o aluno não entender, o aluno precisa estudar mais. Se der duas aulas, o aluno não entender... Na terceira, o professor tem de voltar para escola."

Lula estava acompanhado do ministro da Educação, Fernando Haddad. Em discurso, o ministro informou que o Sistema Nacional Público de Formação de Professores, que pretende garantir um padrão de qualidade para os cursos de formação de docentes, está em fase de consulta pública para se tornar um decreto presidencial.

"Esse decreto e o planejamento dele decorrente (...) vai dar conta da melhoria da educação básica", disse Haddad.

Greve

No evento na SBPC, Lula criticou ainda greves no setor de educação. "Eu sempre tive discordância com greve de professor no ensino fundamental. Acho que greve de 80 dias, 90 dias, era desastre. O desgaste maior para um governador não é parar [as aulas]. O desgaste é a aula ser melhor a cada dia e o aluno levar uma cartinha para o pai dizendo que o professor está trabalhando muito, mas o governador não paga o suficiente."

Do G1
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL830650-5604,00-LULA+CLASSIFICA+APROVACAO+AUTOMATICA+COMO+BARBARIDADE.html

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Caso Eloá e a síndrome Adriana Caringi

O caso Eloá Cristina Pimentel e a síndrome de Adriana Caringi

Este triste caso que vitimou a menina Eloá precisa servir para alguma coisa, nós sociedade brasileira, precisamos doar nossos orgãos para transplante, que nossos orgãos sejam transplantados para uma nova sociedade, onde a hipocrisia e o partidarismo sejam esquecidos em horas de aflição, que nosso cérebro funcione a favor do bem da coletividade, que nossa polícia e nossa justiça esteja a favor das vítimas e que os bandidos, com ou sem antecedentes criminais registrados, sejam punidos e que os inocentes sejam poupados.

Eu não lamento morte de bandido, para quem não conhece minha opinião vou transcrever aqui o ínicio e o fim de um tópico que eu escrevi no Orkut em 01/08/08
Início - Garota é mantida refém por viciado no Guaruja
Fim - Vitima é libertada FELIZMENTE TUDO ACABOU BEM!

Leia abaixo os textos que transcrevi aqui no blog e ouça a sonora da Bandeirantes

- O fracasso da polícia é dos políticos
- Rodrigo Pimentel, especialista, elogia Gate no caso Eloá
- Síndrome de Adriana Caringi
- A barbárie nossa de cada dia
- Mídia exagerou e fez com que criminoso se visse como um herói

O fracasso da polícia é dos políticos

Texto de JOSÉ PADILHA e RODRIGO PIMENTEL

No fim, são os políticos os principais responsáveis pela repetição de tragédias como a do ônibus 174 e do seqüestro em Santo André

NÃO SÃO apenas as ocorrências mal administradas, cheias de erros primários e ilegalidades que demonstram a necessidade de uma reforma da segurança pública no Brasil. Os dados indicam essa necessidade faz tempo. E os nossos políticos, apesar de conhecerem os dados, têm se mostrado incapazes de realizar tal reforma. São eles, no final das contas, os principais responsáveis pela repetição cotidiana de tragédias como a ocorrida no evento do ônibus 174 e do seqüestro em Santo André.
Em conversa informal com agentes do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), descobrimos que eles estão desolados com o desfecho da ocorrência, que custou a vida de uma pessoa e feriu outra, e revoltados com os políticos, devido ao descaso que têm com a unidade, exposta ao ridículo com o fracasso da operação.
Afinal, se o Gate dispusesse do equipamento necessário para administrar uma ocorrência desse tipo, como uma microcâmera de fibra ótica, saberia que o seqüestrador tinha encostado um armário de TV e uma estante na porta de entrada do apartamento. Saberia que seqüestrador e reféns não estavam na sala, mas no quarto. Saberia que uma invasão pela porta da frente daria tempo para o seqüestrador atirar nas reféns. Mas o Gate não sabia de nada disso e perdeu preciosos segundos abrindo a porta.
Se o Gate dispusesse de escada com alcance para que um policial pudesse entrar no apartamento pela janela, poderia ter evitado a tragédia. Mas a escada do Gate, como atestam as filmagens, era curta demais.
Se os policiais do Gate fossem bem treinados, não teriam deixado que uma menina de 15 anos, libertada pelo seqüestrador, voltasse a ser prisioneira. Não teriam demonstrado tamanha incompetência e desconhecimento legal. Mas os policiais do Gate, como os do Bope e do resto do país, não recebem treinamento adequado.
Quando trabalhamos no documentário "Ônibus 174", sentimos a mesma revolta por parte dos policiais do Bope, que, em sua maioria, odeiam os políticos a quem servem.
André Batista, colaborador em "Tropa de Elite" e negociador do Bope na malfadada ocorrência, deu o seguinte depoimento para o documentário: "Naquele momento, a gente viu que faltava muita coisa. As coisas que a gente vivia pedindo, os equipamentos, os cursos, parece que, naquele momento, tudo desabou." Ouvimos, virtualmente, a mesma coisa do Gate.
Chegamos, assim, a uma conclusão absurda. Concluímos, parafraseando Nietzsche, que é preciso defender os nossos policiais dos nossos políticos! Afinal, quem são os nossos policiais? E o que o Estado, administrado pelos políticos eleitos, fornece a eles?
Tomemos como exemplo um policial carioca. É um sujeito mal remunerado, mal treinado, que trabalha em uma corporação corrompida por dentro. Isso é o que o Estado lhe dá. E o que pede em troca? Que mantenha a lei. Em outras palavras, que entre em conflito com os membros corrompidos da sua corporação e com os bandidos fortemente armados da cidade.
Ora, não é à toa que o capitão Nascimento, refletindo um sentimento comum entre os policiais do Bope, tenha dito que "quem quer ser policial no Rio de Janeiro têm que escolher. Ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra." Em São Paulo, não parece ser muito diferente.
Não esqueçamos, pois, o ano de 2003, quando o então secretário nacional de Segurança Pública, o sociólogo Luiz Eduardo Soares, estava prestes a conseguir a reforma que nossos policiais sérios tanto pedem.
Ele tinha participado da elaboração de um plano de segurança pública que previa um piso nacional decente para o salário dos policiais, a integração da formação e das plataformas de informação das polícias estaduais, o repasse de recursos federais para os Estados condicionado à reforma de gestão e ao controle externo e a desconstitucionalização da segurança pública, dando autonomia para que os Estados reformassem as polícias de acordo com as realidades locais.
Apresentou o plano ao governo federal com a assinatura de todos os governadores. E o que fez o governo? Desistiu. Nem sequer apresentou o plano ao Congresso. Não o reformulou, optou pela passividade. Segundo nos disse o sociólogo, por considerar que a reforma demoraria a dar resultado e que a opinião pública poderia responsabilizar o governo federal, e não os Estados, se eventuais tragédias ocorressem durante a implantação.
Evidentemente, não estamos culpando os atuais governos federal e estadual pelo desfecho do seqüestro em Santo André. Afinal, governos anteriores poderiam ter tentado reformar a segurança. O governo FHC, por exemplo, prometeu um plano nacional depois do ônibus 174.
Estamos culpando os verdadeiros responsáveis: os nossos políticos como um todo, que há muito tempo sabem que precisam reformar a segurança pública para salvar a vida de milhares de brasileiros e que há muito tempo fracassam ao não levar essa tarefa a cabo. Um fracasso ainda mais vergonhoso do que o dos policiais do Bope e do Gate.

JOSÉ PADILHA, cineasta, é diretor de "Ônibus 174", "Tropa de Elite" e "Garapa", entre outros filmes. RODRIGO PIMENTEL, sociólogo, é ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) do Rio de Janeiro, um dos roteiristas de "Tropa de Elite" e co-produtor de "Ônibus 174".
Da Folha de São Paulo de 20/08/08

Rodrigo Pimentel, especialista, elogia Gate no caso Eloá
Na avaliação é do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar e especialista em segurança Rodrigo Pimentel, o Gate fez o melhor trabalho que poderia com a tecnologia e o treinamento que tem disponível.

Ouça esta entrevista ao Milton Parron na rádio Bandeirantes
http://radiobandeirantes.terra.com.br/audios/pgm2010rpimentel.mp3



Pimentel: mídia "foi criminosa e irresponsável"

Texto de Diego Salmen

A cobertura feita pela Rede Record, RedeTV! e Rede Globo prejudicou as negociações com Lindemberg Alves, na avaliação do ex-comandante do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e sociólogo Rodrigo Pimentel. Para ele, a postura das emissoras foi "irreponsável e criminosa".
- O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tão grande que eles poderiam, através dessa conduta, deixar o tomador das reféns mais nervoso, como deixaram, poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam.

Lindemberg Alves, 22, manteve a ex-namorada Eloá e a amiga Nayara, ambas de 15 anos, como reféns por cinco dias em um apartamento na cidade de Santo André, em São Paulo. Na última sexta-feira, 17, o Gate (Grupo de Operações Taticas Especiais) invadiu o local. O incidente culminou na morte de Eloá.

Co-autor do livro "Elite da Tropa" e roteirista do filme "Tropa de Elite", Pimentel faz uma crítica ainda mais incisiva à inteferência da apresentadora Sonia Abrão, da RedeTV!, nas negociações. Ela entrevistou Lindemberg ao vivo na última quarta-feira, 15.

- Foi irresponsável, infantil e criminoso o que a Sonia Abrão fez. Essas emissoras, esses jornalistas criminosos e irresponsáveis, devem optar na próxima ocorrência entre ajudar a polícia ou aumentar a sua audiência.

Leia a seguir a entrevista com Rodrigo Pimentel:

Terra Magazine - Qual a responsabilidade objetiva dos governantes em incidentes como esse?
Rodrigo Pimentel - O chefe da polícia estadual é o governador do estado. Quem define as políticas de segurança pública e suas prioridades é o governador, através do secretário de segurança pública. É lógico que ele não pode ser responsabilizado de forma isolada pelo que aconteceu. Não é a primeira vez que uma ocorrência com reféns termina em tragédia no país. Nem será a última. Se você fizer uma análise histórica dos casos com reféns aqui, o normal é que eles tenham sido conduzidos com pouca qualidade técnica, muito amadorismo. Há precedentes emblemáticos, como o caso do arcebispo mantido refém num presídio em Fortaleza, quando o governador Ciro Gomes determinou que se dessem armas e coletes aos seqüestradores, tudo foi feito ao contrário do que determinam as normas.

Que normas são essas?
Veja bem: são normas rígidas? Não. São protocolos internacionais que podem ser adaptados de acordo com a necessidade, mas que se baseiam em dados históricos coletados ao longo dos anos. (...) Nós sabemos, por exemplo, que a presença de familiares em 80% dos casos deixa o seqüestrador mais nervoso e arredio, menos propenso à negociação. O jornalista, por exemplo, é bom ou ruim? Eu diria que na maioria das vezes é ruim. Porém, em algumas ocasiões, não muito raras, a presença do jornalista ajuda o tomador do refém a se entregar. Ele percebe que o jornalista no local garante a preservação da sua vida. Então tudo exige um conjunto de avaliações momentâneas.

Como o senhor escreveu em artigo na Folha de S.Paulo, a responsabilidade está na medida em que há falta de investimentos, como por exemplo a falta de câmeras...
Nenhuma unidade tática no Brasil dispõe desse equipamento. São equipamentos baratíssimos, custam menos que uma viatura policial. E são muito necessários. Se o Gate (Grupo de Operações Táticas Especiais) tivesse esse equipamento, não teria feito a opção pela invasão. Porque ia perceber que a porta tinha obstáculos. E aqueles 14 segundos que a equipe policial perdeu na porta foi o tempo para acontecer a tragédia, foi o tempo que o Lindemberg precisou para alvejar as meninas.

Foi o erro crucial?
É, exatamente. Mas o erro mais fácil de ser sinalizado foi a reintrodução da menina Nayara. Você não tem precedente disso na história moderna da negociação. Tem um caso em que o refém voltou ao cativeiro em Nova Iorque, no ano de 1972, que até gerou o filme Um dia de cão, com o Al Pacino. Mas veja bem: foi há quase 40 anos, não havia uma técnica desenvolvida (para lidar com esse tipo de situação). E esse fato foi transformador da doutrina da polícia de Nova Iorque. O filme é maravilhoso: retrata marginais mentalmente perturbados e economicamente motivados; eles queriam assaltar um banco. Foi uma ocorrência dramática em que aconteceu algo igual ao que resultou na morte da Eloá. Jornalistas ligavam para os seqüestradores o tempo todo...

Como o senhor avalia a cobertura da mídia?
A Sonia Abrão, da RedeTV!, a Record e a Globo foram irresponsáveis e criminosas. O que eles fizeram foi de uma irresponsabilidade tão grande que eles poderiam, através dessa conduta, deixar o tomador das reféns mais nervoso, como deixaram; poderiam atrapalhar a negociação, como atrapalharam... O telefone do Lindemberg estava sempre ocupado, e o capitão Adriano Giovaninni (NR: negociador da Polícia Militar) não conseguia falar com ele porque a Sonia Abrão queria entrevistá-lo. Então essas emissoras, esses jornalistas criminosos e irresponsáveis, devem optar na próxima ocorrência entre ajudar a polícia ou aumentar a sua audiência.
O Ministério Público de São Paulo deveria, inclusive, chamar à responsabilidade, essas emissoras de TV. A Record se orgulha de ter ligado 5 vezes para o Lindemberg. Ele ficou visivelmente nervoso quando a Sonia Abrão ligou, e ela colocou isso no ar. Impressionante! O Lindemberg ficou: "quem são vocês, quem colocou isso no ar, como conseguiram meu telefone?". Olha que loucura! Isso jamais aconteceria nos Estados Unidos hoje, jamais. Aconteceu há quase 40 anos, mas jamais aconteceria nos dias de hoje. Foi irresponsável, infantil e criminoso o que a Sonia Abrão fez. Eu lamento não ter falado isso na frente dela. Eu gostaria de ter falado isso para ela e para os telespectadores da Record e da RedeTV!.
O que ela fez foi sem a menor avaliação. Tanto que, num primeiro momento, ele (o repórter Luiz Guerra) tentou enganar o Lindemberg, dizendo-se amigo da família. E depois ele tentou ser negociador, convencer ele a se entregar sem conhecer os argumentos técnicos usados para isso. O que o capitão Giovaninni falava para o Lindemberg a todo momento é que, até aquele momento, o crime que ele havia praticado era muito pequeno. Esse é o argumento técnico, funciona quase sempre. "Olha meu amigo, até agora você não matou ninguém, até agora só colocou essas pessoas sobre constrangimento, sua pena vai ser muito pequena...". Isso funciona mesmo. E a Sonia Abrão não tem esse argumento, a Record também não.

Podemos esperar mais casos com esse tipo de desfecho?
Outras virão, não vai ser a primeira nem a última vez. O que aconteceu ali, apesar de ser uma ocorrência com refém, é algo comum no Brasil. Ex-noivos, ex-maridos e ex-namorados matando suas ex-companheiras ou suas companheiras atuais. Nós temos Estados no Brasil, como Pernambuco, onde cerca de 20% dos homicídios são dessa natureza, praticados por companheiros. Uma mulher morre por dia em Pernambuco vítima do seu companheiro. Essa é outra questão para a gente refletir. Apesar de ser uma ocorrência com refém, o que chama a atenção é a morte de uma ex-namorada, o que é absurdamente comum no Brasil. Homens no Brasil matam suas companheiras com uma freqüência muito grande.
Do Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3270057-EI6578,00-Pimentel+midia+foi+criminosa+e+irresponsavel.html


Síndrome de Adriana Caringi

Texto de Afanázio Jazadji

Adriana, de 23 anos, morava com a família numa casa da Rua Tucuna, na zona oeste da cidade, invadida pelo assaltante Gilberto Palhares e sua cúmplice Regiane Maria dos Santos. Avisada por um amigo da família, a polícia cercou o local. Armado com um revólver, Palhares levou Adriana para a janela do andar de cima da casa. O ladrão quebrou o vidro da janela e passou a fazer exigências, como a de receber um carro blindado para a fuga.
Agachado junto a um poste, com um fuzil Belga nas mãos, Furlan estudou a cena por 20 minutos antes de atirar. A bala percorreu 30 metros em diagonal e explodiu a cabeça de Palhares. Adriana, porém, também caiu, morrendo nos braços da mãe, Anna. A terceira vítima da operação foi Regiane, executada por PMs.
Condenado em 1994 a 2 anos de prisão, Furlan teve a pena atenuada para 1 ano e 2 meses pela Justiça Militar, que mais tarde permitiu ao policial permanecer em liberdade. A família de Adriana ganhou na justiça a indenização de US$ 60 mil do governo do Estado.

Oportunidade perdida

Afinal, para que servem os atiradores de elite da Polícia? Não só as pessoas comuns, como eu próprio, atuando há 40 anos em coberturas de ocorrências policiais, estou perplexo com certas omissões, verdadeiros descalabros, em que o chamado “procedimento padrão policial” exige, porém nossos atiradores de elite nunca aparecem.
Seria, ainda, a triste síndrome de Adriana Caringi, aquela bela estudante que, há mais de 10 anos, foi também atingida por um “snipper” do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar), no bairro paulistano das Perdizes? Pode ser...
O caso Caringi desenrolou-se numa tarde-noite, quando um assaltante foi surpreendido no sobradinho da família e, no andar de cima, agarrou a jovem como refém, transformando-a em escudo humano. O quarteirão todo foi cercado, coalhado de policiais, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e curiosos.
Em dado momento, a 150 metros de distância, posicionado atrás de uma árvore, um cabo PM do Gate, atirador de elite, fez a visada, acertou a pontaria e, devidamente autorizado pelo comandante da operação, acionou o fuzil 7,62 mm. O projétil, de tão potente, atingiu o bandido, transfixou seu corpo e, infelizmente, vitimou também a jovem estudante, que morreu a caminho do pronto-socorro.
A partir de então, todo o procedimento policial para casos com reféns mudou. Ao invés da triste ocorrência com Adriana Caringi servir para aprimorar as técnicas das nossas polícias Civil e Militar, constata-se que ela simplesmente inibiu a ação dos pretensos defensores da segurança pública. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu terça-feira passada, em Limeira, onde um frio latrocida executou um pai de família na rua, homiziou-se na casa de um casal de 79 anos, esfacelou a cabeça do homem com coronhadas e, tudo isso, assistido por policiais civis e militares, tentando “negociar” sua rendição. Foi vexatório para a Polícia, desesperador para a população e sumamente preocupante daqui para a frente. Cadê o “atirador de elite”, em que momento deve agir, afinal, o especialista em tirar a vida de um matador comprovado ou em potencial? Em Limeira, frise-se, dois bandidos resolveram atacar a agência do Banco Itaú, antes do início do expediente. Logo às 8h30 dominaram o vigilante Juarez Rafael dos Santos (39 anos) e esperaram a chegada do gerente Nivaldo Peres (28), que foi rendido perto da agência. A caminho do banco, porém, Nivaldo começou a passar mal a ponto de desmaiar na rua.
Foi o suficiente para que um dos ladrões, Adriano Leonino Bispo dos Santos (22 anos), encostassem o revólver em seu peito, já no chão, e atirasse várias vezes. Correria na rua, os bandidos fugiram tomando rumos diferentes e Adriano, procurado por homicídio cometido em Pindamonhangaba, acabou invadindo a residência dos aposentados Libertino e Beatriz Pizani, ambos de 79 anos.
A caminho da Santa Casa de Limeira, o gerente do banco Nivaldo Peres morreu. Acionada, a polícia cercou a casa dos aposentados tentando a captura do latrocida Adriano. Ao se ver encurralado na residência do casal de idosos, o bandido passou a machucar Libertino com coronhadas na cabeça. E a polícia a tudo assistia, temendo que ele repetisse o gesto tresloucado quando atirou no bancário indefeso.
A situação foi se agravando e mais policiais chegavam. Grupos especiais, com roupas esquisitas camufladas, armas potentes, capuzes ninja, enfim, um desfile de siglas, uniformes e poderio bélico... para a imprensa documentar. Adriano comandou a operação, exigindo e obtendo o que queria, desde advogado a parentes, para garantir seu bem-estar.
Assassino procurado, matador frio do gerente de banco, agressor impiedoso do quase octogenário em sua casa, policiais estrategicamente postados e ... nada. Se atirador de elite não funciona, para que existir?
Texto de
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061112190219AAPkIE8

PS: eu não conhecia este texto do Afanázio Jazadji e a expressão síndrome de Adriana Caringi, mas sempre tive compaixão pelo cabo que cometeu este erro, infelizmente por causa deste erro, nossa sociedade fica inerte, paralizada diante de facínoras.


A barbárie nossa de cada dia

Texto de Clóvis Rossi

Francho Barón, repórter do jornal espanhol "El País", acompanhou, na semana passada, uma incursão de um grupo especial da polícia carioca pela favela do Rebu.
Voltou horrorizado. Mas, por mim, o horror maior é que o horror "faz tempo que deixou de ser notícia", como escreveu Barón.
Posto de outra forma: os brasileiros nos acostumamos à barbárie cotidiana. Só nos agitamos quando a barbárie sai da rotina diária, como nos casos do conflito entre as polícias de São Paulo e do assassinato da menina em Santo André pelo seu seqüestrador.
Sobre este segundo episódio, recebo e-mail desesperado de um policial de Santo André, 50 anos, que não identifico porque não pedi a devida autorização. "Estou abalado.
Não durmo há três dias. Não consigo tirar o evento da cabeça. Tenho duas filhas da mesma idade da Eloá e da Nayara. Lido com a violência, mas não posso admitir hipocrisia, fraqueza e o despreparo", diz.
A carta chegou domingo, antes, portanto, do artigo do cineasta José Padilha ("Tropa de Elite") e do sociólogo Rodrigo Pimentel na Folha de ontem, em que culpam "os nossos políticos como um todo, que há muito tempo sabem que precisam reformar a segurança pública para salvar a vida de milhares de brasileiros e que há muito tempo fracassam ao não levar essa tarefa a cabo".
O policial de Santo André escreveu a mesma coisa ao atacar "governos fracos, hipócritas, medíocres, que desdenham da questão da segurança pública".
Fecha o e-mail com um apelo: "Estão destruindo as polícias. Ajudem-nos a salvá-las!".
Posso estar muito enganado, mas tanto o diagnóstico de Padilha/Pimentel como o grito de socorro do policial cairão no vazio, como tantos outros, assim que a barbárie voltar a ser a usual, sem um pico como os da semana passada.
Da Folha de São Paulo de 21/10/08


Mídia exagerou e fez com que criminoso se visse como um herói, afirma professor

Texto de VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

Passado o cárcere privado, uma pergunta se volta aos próprios meios de comunicação: até que ponto a veiculação de entrevistas ao vivo com o criminoso contribuiu para o desfecho trágico do caso? Para o professor da pós-graduação da PUC-SP Norval Baitello Jr, doutor em distúrbios da imagem e estudioso do assunto há 20 anos, a mídia "exacerbou a psicopatia que estava em jogo" e fez com que o captor se visse como herói. Leia abaixo trechos da entrevista.

FOLHA - Como o senhor analisa o papel desempenhado pela mídia no cárcere privado de Santo André?
NORVAL BAITELLO JR - Acho que foi bastante equivocado, desde o começo. Mas isso talvez se deva a um equívoco básico, que é o de que a mídia tem de informar a qualquer custo. E esse fetiche da informação coloca qualquer notícia no mesmo patamar.

FOLHA - Até que ponto a veiculação de entrevistas ao vivo e declarações do seqüestrador contribuíram para o desfecho trágico do caso?
BAITELLO JR- Acredito que esse fetiche da informação a qualquer custo não passa de espetacularização. Se confunde espetacularização com informação porque a espetacularização vende mais do que a notícia.

FOLHA - A mídia realçou os traços emocionais da tragédia?
BAITELLO JR - A mídia exacerbou a megalomania, a psicopatia e a loucura que estava ali em jogo.

FOLHA - Os repórteres e apresentadores não saíram do seu papel, que é informar, ao negociar e falar diretamente com o criminoso?
BAITELLO JR - Todo mundo colocou os pés pelas mãos.

FOLHA - Qual o limite para a cobertura dos meios de comunicação?
BAITELLO JR - Não existe um limite. Os meios de comunicação têm de cuidar também da sua própria imagem. Esse caso foi péssimo para a sustentabilidade dos próprios veículos.

FOLHA - As TVs e os jornais não fizeram uma glamourização da atividade criminosa?
BAITELLO JR - Uma vez que ele aparece na televisão, passa a se ver como um herói.

FOLHA - A mídia não aprende com seus próprios erros?
BAITELLO JR- Falta um acordo tácito da própria mídia. À medida em que há uma escalada, em que o concorrente mostra cenas fortes, o jornal é coagido. É preciso estabelecer limites.

FOLHA - Isso parece ser o modelo americano de cobertura.
BAITELLO JR - O modelo europeu tem sido muito mais cuidadoso. Isso é totalmente americano. Por isso se vê lá uma escalada da violência.
Da Folha de São Paulo de 21/10/08

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Marta, o que é isso, companheira?

O que a psicóloga e sexóloga Marta Suplicy pensa da propaganda eleitoral da candidata Marta Suplicy?
Esta é a pergunta que não quer calar, depois que a sua campanha na TV recomeçou no domingo com uma provocação venenosa, carregada de insinuações e de preconceito: Gilberto Kassab, do DEM, é casado? Tem filhos? O que mais ele esconde?
Marta é uma mulher de vanguarda, tem uma história conectada às boas causas: à defesa das mulheres, dos homossexuais, das minorias.
Pode, muito bem, sofrer uma derrota e continuar em frente, de cabeça erguida, na vida e na política. O que não pode é, em razão do desespero eleitoral, jogar fora sua imagem e seu passado para permitir e avalizar uma agressão absurda, inacreditável, muito mais própria de Maluf do que de Marta.
Em tese, campanhas se fazem com propostas, contrapontos, convencimento. Na prática, são duras, às vezes agressivas. Mas não devem chegar a extremos que remetem a um outro de péssima lembrança: Collor usando Lurian contra Lula em 1989. Nem os próprios aliados podem aceitar esse tipo de coisa.
Lembrar a participação de Kassab no governo Maluf? Correto. Bater na tecla de que ele continuou com Pitta? Perfeito. Mas descambar para a baixaria de questionar subliminarmente a sexualidade do adversário? Faça-me o favor! E logo Marta Suplicy?! O risco é sair da campanha menor do que entrou.
Há derrotas e derrotas. Os 17 pontos de diferença de Kassab para Marta indicam que ela vai perder nas urnas. Mas perde mais com a propaganda do "é casado, tem filhos?". Muito mais, inclusive, do que com o "relaxa e goza", que foi um escorregão, um desses excessos a que qualquer um está sujeito.
O "é casado, tem filhos?" não foi escorregão, é estratégia. Preconceituosa e burra. Não ganha eleitores à direita e perde apoios, votos e simpatia à esquerda. Além de desagregar a militância e transformar o adversário em vítima.

Texto de Eliane Cantanhêde na Folha de São Paulo de 14/10/08



Surpresa? Não. Asco? Sim

Não dá para dizer que me surpreende a campanha que Marta Suplicy lançou contra Gilberto Kassab.
Afinal, quando ela recomendou às vítimas do apagão aéreo no ano passado que relaxassem e gozassem, escrevi aqui mesmo que sua frase era parente muito próxima do "estupra, mas não mata", de Paulo Maluf. Uma e outra revelam uma cultura de profundo desprezo pelas vítimas, quaisquer que sejam os eventos que as causam.
Quem mostra dessa maneira asquerosa a sua pior face reincide fatalmente. Marta reincidiu agora. Ajuda-memória: quando Eduardo Suplicy suspendeu uma de suas campanhas para procurar o eixo, Paulo Maluf insinuou para quem quisesse ouvir que a culpa era do comportamento conjugal de Marta, então casada com Suplicy.
A candidata do PT repete agora o mesmo tipo de insinuação.
Surpreende, sim, que não haja a mesma veemência no repúdio, principalmente no próprio PT e na intelectualidade que se acha progressista e é ligada ao partido.
O presidente da República, por exemplo, preferiu dizer que não vira os ataques e que, portanto, não poderia comentá-los, durante entrevista coletiva em Toledo, Espanha. Duvido que não tivesse sido informado, mas sou forçado a lhe dar o benefício da dúvida.
Aqui, mais um ajuda-memória: na campanha presidencial de 1989, Fernando Collor usou o mesmo asqueroso método de Marta ao puxar o tema de Lurian, filha de seu adversário Lula. Derrubou animicamente Lula para o debate seguinte entre eles, e há gente muito próxima do hoje presidente que atribui a derrota a esse golpe vil.
Em qualquer circunstância, pessoas honestas têm a obrigação de repudiar vilezas. Lula, vítima de uma delas, não tem o direito de escudar-se na lealdade partidária para calar. Lealdade, nesse caso, é só com a ética.
Texto de Clóvis Rossi na Folha de São Paulo de 15/10/2008



segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Como socorrer alguém que está infartando?

É importante ficar atento às queixas de dor e mal-estar das pessoas próximas a nós. Elas podem dar indícios importantes do começo de um infarto e, se a ajuda vier em tempo, pode prevenir uma parada cardiorrespiratória.

A maioria das vítimas de infarto agudo do miocárdio apresenta dor torácica. Esta dor é descrita classicamente com as seguintes características:
a) Dor angustiante e insuportável na região precordial (terço inferior e atrás do osso esterno) e em toda a face anterior do tórax;
b) Compressão no peito e angústia, sensação de constrição;
c) Duração maior que 30 minutos;
d) Dor não diminui com repouso;
e) Irradiação no sentido da mandíbula e membros superiores, particularmente do membro superior esquerdo e eventualmente para o estômago (epigástrio – região superior e medial do abdome).

Outros sinais e sintomas
• A grande maioria das vítimas apresenta alguma forma de arritmia cardíaca, palpitação, vertigem e desmaio. Deve-se atender às vítimas com quadro de desmaio como prováveis portadoras de infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor ou desconforto torácico antes ou depois do evento.
• Sudorese profusa (suor intenso), palidez e náusea, além de vômitos e diarréia.
• A vítima apresenta-se muitas vezes, estressada com "sensação demorte iminente".
• Quando há complicação pulmonar, a vítima apresenta edema pulmonar caracterizado por dispnéia (alteração nos movimentos respiratórios) e expectoração rosada.
• Choque cardiogênico.
• Muitas vezes, a dor que procede a um ataque cardíaco pode ser confundida, por exemplo, com a dor epigástrica (de uma indigestão, ou de uma hérnia de hiato esofágico).

Primeiros Socorros
• Procurar socorro médico ou um hospital com urgência.
• Não movimentar muito a vítima, pois o movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado.
• Observar com precisão os sinais vitais.
• Manter a pessoa deitada, em repouso absoluto na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado.
• Obter um breve relato da vítima ou de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos.
• Tranqüilizar a vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança.
• Afrouxar as roupas.
• Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos.
• No caso de parada cardíaca, se houver alguém próximo com treinamento em primeiros socorros, aplicar as técnicas de ressuscitação cardiorrespiratória.
• Verificar se a vítima traz nos bolsos remédios de urgência. Aplicar os medicamentos segundo as bulas, desde que esteja consciente.Fonte: Núcleo de Biossegurança- Fiocruz / Ministério da Saúde.
Postagem original da Enfermeira Jaqueline  
...Em 01/06/2016 incluí este link de vídeo do YouTube que é muito bom 




O chutômetro sobre a enconomia

A entropia da pesquisa Focus


Saiu a pesquisa Focus desta semana. É uma comprovação clara de como uma boa ferramenta – a pesquisa – pode se transformar em desastre quando manipulada por mãos inábeis, como as do Banco Central.
As projeções do câmbio finalmente saíram dos R$ 1,60 em que ficaram tanto tempo e passaram para R$ 1,85. Há meses os grandes operadores de mercado já previam essa estilingada. Não sabiam apenas o momento e a intensidade.

No entanto, os economistas consultados pela Focus se mantiveram firmes em R$ 1,60. E essa projeção mambembe enganou ou serviu de álibi para as operações de alto risco montadas por bancos e por grandes empresas.

Por que esse erro monumental? Porque o papel da Focus não é ascultar o que o mercado pensa sobre a economia, mas o que o mercado pensa que o BC pensa sobre a economia. É um processo entrópico, que induz o mercado inteiro a embarcar nos erros de avaliação do BC.

Para o próximo ano, por exemplo, o mercado continua trabalhando com a mesma projeção de investimento externo, de US$ 30 bilhões. A maior crise bancária da história e os dados continuam os mesmos.

Do blog do Luis Nassif publicado em 13/10/08 09:43
http://www.projetobr.com.br/web/blog/5

sábado, 11 de outubro de 2008

Lula aprende como lidar com política internacional

Equador 'deplora' reação do Brasil na crise com Odebrecht

Em um comunicado divulgado neste sábado, o governo do Equador disse que "deplora" a reação do governo brasileiro de adiar a visita de uma missão especial a Quito, em resposta à expulsão da construtora Odebrecht do país andino.

A mensagem diz que o governo "deplora que esta decisão tenha sido adotada em relação à situação entre o Estado equatoriano e uma empresa construtora privada deste país (Brasil)".

Na quinta-feira o governo de Rafael Correa rejeitou um acordo proposto pela Odebrecht, confirmando a expulsão da empreiteira do país.

A empresa foi acusada pelo governo de cometer irregularidades na construção da usina hidrelétrica San Francisco, que teve de ser fechada depois de um ano de uso.

A medida também cancela a construção de quatro projetos que estavam sob responsabilidade da construtora, cujos contratos totalizavam US$ 650 milhões.

A resposta do governo brasileiro veio de imediato, com o adiamento da visita do ministro de Transportes, Alfredo Nascimento, prevista para o dia 15, na qual seriam discutidos temas ligados a obras de infra-estrutura viária.

Corredor

Na nota, o governo equatoriano afirma que, durante a reunião realizada entre os presidentes do Brasil, Bolívia, Equador e Venezuela no final de setembro, em Manaus, eles concordaram em realizar um encontro de ministros de Transporte desses países.

Neste encontro, os ministros teriam como missão "avançar no propósito comum (...) de promover ativamente a integração regional (...), especialmente a infra-estrutura relativa ao 'Eixo Multimodal Interoceânico Manta-Manaus'", diz o comunicado.

Ainda em fase de negociações, o Eixo Multimodal prevê a criação de um corredor rodofluvial entre Manaus e o porto de equatoriano de Manta, no Oceano Pacífico, podendo passar também pela Bolívia, Peru e Venezuela.

Trata-se de um projeto que daria ao Brasil uma saída comercial no Pacífico, mas que pode estar ameaçado devido à tensão entre os governos equatoriano e brasileiro.

Petrobras

No comunicado, o governo do Equador amenizou o tom com em relação à Petrobras, que havia sido ameaçada há uma semana de ser expulsa do país caso a empresa não assinasse "o mais rápido possível" a renegociação dos contratos de exploração petrolífera.

As novas regras prevêem que o país arrecade todo o lucro obtido com a extração, em troca do pagamento dos custos de produção e uma margem de lucro às companhias estrangeiras.

Atualmente, o Equador fica com 18% do lucro obtido com o petróleo.

O governo Correa afirma na mensagem que "ratifica sua complacência pela disposição da empresa Petrobras de renegociar seu contrato com o Estado equatoriano e de se alinhar à política governamental de elevar a produção do (petróleo) cru".

O governo também diz "desejar" que a empresa continue operando no país.
De Claudia Jardim de Caracas para a BBC Brasil

Ontem a ELIANE CANTANHÊDE escreveu o artigo abaixo sobre o mesmo assunto

Brincando com fogo

Mesmo quem tentava defender o presidente do Equador, Rafael Correa, agora concorda: ele ultrapassou todos os limites e está brincando com fogo. Com a retração do crédito mundial, quem vai investir no Equador e na Bolívia?
Os EUA, que estão feito barata tonta? A Alemanha, a França ou o Reino Unido, que mal sabem o que fazer com eles próprios? Ou a Islândia, que fechou Bolsas e bancos? Se há um país com alguma capacidade ainda de investir nos vizinhos, por ser mais rico, por estratégica ou até por uma questão ideológica, esse país é o Brasil. Pelo menos por enquanto... Correa, pois, comete o maior erro que pessoas, partidos e países podem cometer: escolher o inimigo errado. Ele tanto tensionou que Lula ontem parou de dizer que era tudo "problema de política interna" e partiu para a briga. Numa briga Brasil-Equador, quem ganha?
Correa assumiu o compromisso com Lula, no dia 30/9, em Manaus, de que recuaria na expulsão da Odebrecht e permitiria que seus dois funcionários deixassem o país. Lula, então, enviaria missão técnica com o anteprojeto dos sonhos de Correa, unindo Manaus à equatoriana Manta. Mas Correa rompeu o compromisso e, em vez de recuar, avançou na expulsão da Odebrecht e nas ameaças contra a Petrobras e contra o BNDES. Lula enfim deixou de ser bonzinho e deu o troco: fim da reunião, adiamento sine die do Manta-Manaus.
Quando Evo Morales decidiu abrir a temporada de enfrentamento ao Brasil, ele tinha lá seus trunfos: Lula não queria caso com país pobre e com presidente indígena, vindo da esquerda. E, "last but not least", o Brasil efetivamente precisava do gás boliviano. Correa não notou a diferença. O Brasil, a Odebrecht e a Petrobras não morrem sem um projeto a mais ou a menos. Mas, sem a boa vontade, as empresas e as verbas brasileiras, o Equador fica a ver navios. E pode afundar nesta hora de crise.

Mães participam de 'maratona' de amamentação pelo mundo

Objetivo é esclarecer sobre os benefícios de dar de mamar.

Evento ocorre em meio a suspeitas causadas por leite chinês contaminado.















Mães amamentam em subúrbio de Manila, capital filipina. O objetivo da 'maratona' era esclarecer as mães sobre os benefícios da amamentação, em meio ao medo provocado pela suspeita de que leite chinês contaminado com melamina tenha provocado pedras nos rins e até morte de crianças. (Foto: AFP)
















Mães amamentam seus filhos em estádio em Paris neste sábado (11). O evento fez parte de uma 'maratona' sincronizada de amamentação em diversas cidades do mundo. (Foto: AFP)




Aleitamento materno previne obesidade em crianças
Pediatra recomenda que mãe amamente até os seis meses do filho.
Alimentação exclusiva com leite regula o organismo da criança.

A alimentação exclusiva com leite materno durante os seis primeiros meses de vida da criança é recomendada por pediatras e pela Organização Mundial de Saúde como forma de garantir a proteção do bebê contra doenças. Mas há outro fator importante ligado a essa prática. Filhos amamentados por esse tempo têm menor risco de virarem crianças, e depois adultos, obesos.

“O aleitamento materno é uma maneira importante de evitar a obesidade em crianças”, lembra o pediatra Fábio Ancona, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por ocasião do Dia Mundial de Combate à Obesidade, celebrado neste sábado (11).

“Quando a criança é amamentada, ela recebe a quantidade de calorias que o organismo dela precisa – não a que a mãe ‘acha’ que ela precisa”, explicou Ancona ao G1. “Isso é essencial para a regulação do metabolismo do bebê. O corpo aprende o quanto de energia ele precisa absorver para dar conta dos seus gastos de energia”, diz o médico.

Quando qualquer pessoa consome mais calorias do que o seu corpo gasta de energia, elas são armazenadas em forma de gordura. “É uma equação simples”, afirma Ancona. “E na primeira vez que o corpo começa a armazenar gordura, sempre que ela se perder, as células vão mandar um aviso para o cérebro que diz: você precisa comer mais”, explica. É por isso que o combate à obesidade é algo que dura uma vida inteira.

Do G1
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL794652-5602,00-MAES+PARTICIPAM+DE+MARATONA+DE+AMAMENTACAO+PELO+MUNDO.html

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL794427-5603,00-ALEITAMENTO+MATERNO+PREVINE+OBESIDADE+EM+CRIANCAS.html

Crise global e preços mínimos agrícolas

Crise global e preços mínimos

Se o governo não garantir a renda dos produtores na colheita, poderá haver brutal inadimplência no campo

ESTAMOS plantando uma safra bem mais cara do que as dos anos anteriores por causa do aumento dos custos de produção, sobretudo dos fertilizantes e dos combustíveis.
Com isso, precisamos de mais reais por hectare no crédito rural. E, com a queda dos depósitos à vista por causa do fim da CPMF (o antigo tributo do cheque) em 1º de janeiro deste ano, a fonte principal do crédito rural diminuiu.
Alem disso, os financiamentos das tradings e das multinacionais, sobretudo para a soja, caíram em razão da crise global, bem como sumiram os créditos para exportação.
Sendo assim, nossos produtores vão plantar uma safra mais cara com menos recursos. E no olho do furacão da crise global.
E ainda há uma enorme incerteza quanto ao resultado da safra daqui a quatro ou cinco meses, porque ninguém pode afirmar quais serão os preços praticados na colheita.
Embora não seja provável, é possível que, se a crise se aprofundar muito mais, os preços caiam, em dólares, lá fora. Se o dólar se mantivesse valorizado, poderia haver uma compensação em reais! Mas também não há a menor garantia dessa valorização.
Tudo somado, pode ser que tenhamos um problema sério: plantio caro e com pouco crédito, preços baixos na colheita. Nesse cenário eventual, embora pouco provável, dois atores precisam se organizar: os agricultores e o governo.
Os agricultores, botando as barbas de molho, cortando despesas, plantando só o que puderem com o crédito rural conseguido, com a melhor tecnologia disponível, para não darem o passo maior do que a perna.
E o governo tem um grande papel a jogar. Já saiu na frente, com agilidade, na questão do crédito rural e também no crédito às exportações.
Agora é preciso que os bancos cuidem da parte deles, fazendo o crédito chegar de fato aos seus tomadores. O Banco do Brasil, do seu lado, aumentou a oferta de crédito.
Mas o maior papel do governo será o de garantir a renda dos produtores na colheita. Se não fizer isso, o possível desastre poderia levar a uma brutal inadimplência no campo, com reflexos muito fortes no futuro, quanto à redução da capacidade de plantio e conseqüentes problemas no abastecimento, na balança comercial e na inflação. Temos um mecanismo para resolver isso, hoje meio desmoralizado: trata-se da Política de Garantia de Preços Mínimos. É hora de ressuscitar esse poderoso instrumento legal, que faz muito sentido em tempos de crise.
Para isso, o governo precisa ter coragem e tomar as atitudes necessárias: em primeiro lugar, rever os atuais preços mínimos, que estão completamente defasados em relação aos novos custos de produção. É fundamental que isso seja anunciado com urgência, para que os agricultores tomem decisões acertadas. E, ainda mais importante, o governo tem de colocar recursos orçamentários à disposição do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para ele exercer na plenitude esse instrumento essencial.
O ideal, naturalmente, é que o mercado funcione, com todos os seus mecanismos, onde o hedge ganha papel cada vez mais relevante.
Quando o seguro rural -criado por lei em 2003 e regulamentado em 2004- estiver funcionando para valer, isso tudo estará resolvido.
Mas, em um momento como este, em que o mercado é uma absoluta incerteza, o governo precisa agir com firmeza. E não se trata de salvar agricultores. Trata-se de garantir a estabilidade do país no médio prazo.

Texto de ROBERTO RODRIGUES, 66, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula), na Folha de São Paulo de 11/10/08.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Os direitos e a realidade

Os direitos das crianças e das mães e a realidade dos menos favorecidos 

Dois pontos polêmicos, mas que comprovam a dificuldade de se separar princípios conceitualmente corretos da vã realidade (algo que ocorre muito com os economistas).

O primeiro, a proibição do trabalho infantil. No Fórum de Debates Mercado Popular, um alto executivo de uma multinacional me dizia, ao final, que se, na sia infância, essa lei que proíbe o trabalho do menor estivesse em vigor, ele teria se transformado em um marginal.

Aos 12 anos ele era ambulante. Batalhou o tempo todo, chegou onde chegou. Outros ficaram pelo caminho. Mas crianças com 12 anos, em lares sem condição financeira, tem dois caminhos: ou pedem esmola em farol; ou são cooptadas pelo crime.

Portanto não adiante defender a lei se não houver uma alternativa no mundo real. Como a Bolsa Família, por exemplo – que mereceu uma excelente apresentação no Fórum.

Outro ponto polêmico á considerar como conquista o fato das mulheres de classe D e E terem que sair para trabalhar fora.

Há uns dois anos tive uma polêmica pesada com um desses economistas “focalistas” (aqueles que julgam que os gastos sociais devem ser “focados” nos mais necessitados). Nada contra o “focalismo”, mas contra sua afirmação de que houve melhoria de renda nas classes D e E nos anos 90. Até então, o pai de família dava conta do recado e a mulher cuidava da casa e da educação dos filhos. Quando a renda caiu, ambos foram obrigados a trabalhar fora. A renda monetária da família subiu. Mas o levantamento do economista não considerava as perdas: o que a mulher deixou de trabalhar em casa e a assistência dada aos filhos, ao marido. E sua avaliação foi aceita por causa desse modismo de colocar no mesmo balaio as mães de classe média e as de classe pobre.

Uma boa pesquisa, tenho quase certeza que mostrará uma correlação grande entre mães que foram trabalhar fora e aumento da criminalidade na família. E, provavelmente, a piora na formação dos alunos, apesar do aumento da escolaridade.

Comentário

Creio que parte dos comentaristas caiu na armadilha de "a mulher pobre tem o direito de fazer o que acho melhor para ela". Perceberam o autoritarismo? É quase a mesma coisa que o Ali Kamel condenando o Bolsa Família por permitir ao pobre escolher onde gastar seu dinheiro.

Essas armadilhas são interessantes. No post, defendo o direito da mulher pobre escolher o que é melhor para ela ou para a família: trabalhar fora ou cuidar da casa e dos filhos. Para ter esse direito, obviamente o marido necessitaria ter uma renda que garantisse a família.

Os nobres amigos comentaristas, defensores dos direitos da mulher, suprimem da mulher pobre o direito de ficar em casa cuidando dos filhos. E lhes dá a "liberdade" de fazer apenas o que eles consideram melhor para a mulher: trabalhar fora.

Ontem, antes de escrever o post, conversei com uma senhora em pânico. Dois filhos caíram no crime, abandonaram a escola. Tudo isso depois que ela decidiu trabalhar fora, como doméstica. Em sua casa, ela era a barreira diária contra os métodos de cooptação do crime. E ela dizia: "Se estivesse em casa vigiando e cuidando, isso não teria acontecido".

Por Leonardo

Prezado Nassif

Este foi o melhor tema que você poderia ter colocado.

Minha esposa é psicóloga e trabalhou com adolescentes carentes dos 7 aos 16 anos.
Quando a mãe necessita trabalhar fora, por necessidade ou gosto, não importa, os filhos ficam sozinhos, muitas vezes sem almoço, com um período escolar e outro vago.

Escola em tempo integral é balela.

Qual criança quer permanecer o dia inteiro na escola?

O período vago, na periferia , será adotada por traficante ou cafetão.

Qual a solução?

Projetos de capacitação de adolescentes.

Que preencham o tempo com atividades de reforço escolar, economia doméstica, trabalhos manuais(bordados, artesanatos) , jogos, higiene, trato social, em um ambiente sadio e divertido, valorizando a auto estima desses adolescentes,diferente de uma "escola", com um ingrediente mais importante : o afeto.

Tirando esses jovens da rua, para que se ocupem de atividades produtivas.

Em uma visão liberal, não faltará pessoal capacitado para tal empreitada, remunerados pra formar nossos homens de amanhã.

Cabe à sociedade esta tarefa, com apoio e fiscalização do governo.

É fácil, basta querer e ter vontade.

Por estela

Leio sempre e gosto do espaço de discussão que encontro aqui.Trago um breve relato para contribuir ...

Sou professora de jovens e adultos , e se não tenho estatísticas, testemunho o cotidiano de mães de família pobres, na luta por mais escolaridade para aumentar sua renda. Muitas delas se definem como “mãe-pai” por serem as únicas provedoras de suas famílias, outras contam com a solidariedade do companheiro ou estão na escola, contra a sua vontade. Não é incomum, uma ou outra cochilar nas aulas pelo cansaço do dia extenuante, geralmente em empregos que não lhes trazem nenhuma satisfação. Preocupadas porque deixaram seus filhos sozinhos.

Não foram poucas as que pararam porque seus filhos crianças e adolescentes, precisavam de mais atenção, pois passavam muito tempo sozinhos e estavam fazendo bobagens, ou indo mal na escola ou mesmo com dificuldades emocionais.E elas, sempre mais as mães que os pais ( simples constatação) aflitas, procuram saídas e na dúvida, optam por seus filhos, seus sonhos podem esperar.E o trabalho continua pesado e sem perspectivas.

Há também aquelas que, donas de casa, querem ajudar seus filhos nas tarefas de casa, ou se permitem voltar a estudar depois que eles, crescidos, foram embora cuidar das suas vidas. Se ensino, muito aprendo também . O feminino se constrói de muitas maneiras e elas mais que nunca estão na luta.

Sou mãe e provedora, mas é inegável que disponho de mais recursos e alternativas que minhas alunas.

Do blog do Luis Nassif  de 08/10/08 07:00  

domingo, 5 de outubro de 2008

Ofensas e violência pela internet

Jovens enfrentam ofensas e violência no mundo virtual

Tipo de agressão via internet, o "cyberbullying" atinge 46% dos 510 jovens que responderam à enquete da ONG Safernet

Vítima de ofensas na escola, Taiguara Chagas, 20, atua em peça como jovem que é encorajado por outros na internet a cometer suicídio


Alice (nome fictício) tinha 17 anos e cursava o ensino médio no colégio Faap, em Higienópolis (zona oeste de SP). Estava havia dois anos na escola quando descobriu que haviam sido criadas anonimamente duas comunidades no Orkut contra ela: "Eu odeio a tosca da Alice" e outra com referências preconceituosas ao Estado de origem de sua mãe.
Diante dos ataques, a estudante e sua família acharam melhor mudá-la de colégio. Lá, descobriram que a história tinha se espalhado. A solução foi mandar Alice para fora do país, enquanto eram tomadas providências legais para a retirada das páginas do ar e o rastreamento do autor ou dos autores.
Alice estava no centro de um caso de "cyberbullying", fenômeno que transfere para a internet as agressões típicas que estudantes mais frágeis sofrem dentro da escola. Enquanto o clássico "bullying" acontece na sala de aula, no playground e nos arredores do colégio, a versão virtual transcende os limites da instituição de ensino. As hostilidades se potencializam na rede mundial de computadores, diante da facilidade atual de criar páginas e comunidades na internet. E-mails anônimos, mensagens de celular injuriosas, blogs ofensivos e vídeos humilhantes -todos fazem parte da violência virtual.
"No mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na internet, ela não acaba, fica aquele "fantasma'", compara Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor de prevenção da SaferNet Brasil.
O resultado preliminar de uma enquete sobre segurança na internet realizada no site da ONG assusta: 46% dos 510 adolescentes e crianças que responderam ao questionário afirmam que foram vítimas de agressões na internet ao menos uma vez; 34,8% dizem que foram agredidos mais de duas vezes. Dos participantes, 31% são do Estado de São Paulo, onde há o maior número de relatos segundo a SaferNet.
Os ataques a Alice começaram em 2005, mesmo ano em que a mãe da jovem acionou a Justiça. "A adolescente estava completamente abalada quando chegou ao escritório", recorda o advogado que a defendeu, José Luis de Oliveira Lima, 42.
A polícia conseguiu chegar ao computador que originou as comunidades, de uma colega de classe de Alice. Só havia uma relação entre as duas: Alice era a melhor amiga do então namorado da autora do "cyberbullying". Procurada pela Folha, a direção do colégio Faap não quis se manifestar.
Também vítima de agressões via web, a policial militar Nair Caliguere, 54, teve dificuldade para tomar providências diante das humilhações a que ela e a filha foram submetidas. Só conseguiu fazer um boletim de ocorrência contra o "Blog das Porcas", mantido por alunas do colégio Renovação (zona sul), em 2003, na terceira tentativa.
Na página, seis estudantes atacavam professores e outras alunas. O blog era especialmente virulento contra Mariana Caliguere, que na época era modelo e hoje tem 22 anos e é cadete da PM. "O mais pesado foi elas falarem da minha mãe", lembra a jovem.
O blog era popular pelo tom de diário com que as integrantes falavam de bebedeiras e até de detalhes da vida sexual.
Quando começaram os abusos em relação a terceiros, o que era engraçado ficou sério. Os pais das "porcas" foram chamados ao colégio.
Três das seis jovens foram "convidadas" a deixar a escola, e o blog foi apagado. "Os filhos copiam os valores dos pais", diz Cláudia Baratella, 39, vice-diretora do colégio Renovação. "O jovem não pára para pensar que a internet está no mundo. A conseqüência dos crimes contra a honra, de calúnia e injúria na internet é desproporcional ao dano", afirma Patricia Peck Pinheiro, 33, advogada especializada em direito digital.
Patricia foi uma das responsáveis em formular uma cartilha para o colégio Bandeirantes com orientações sobre a utilização da internet. O colégio São Luís também possui um projeto que visa coibir a prática do "bullying". Quem encabeça a iniciativa é a professora de português Roberta Ramos, 38.
Depois de aplicar um questionário com os estudantes para ver quem se sentia vítima de "bullying", começou um trabalho de conscientização.

Fórum "antibullying"
O blog da gaúcha Daniele Vuoto, 22, é outra fonte de consulta (http://nomorebullying.blig.ig.com.br). A estudante de pedagogia, que foi vítima de "bullying" tradicional em três das quatro escolas pelas quais passou no RS, hoje ajuda pessoas nas mesmas condições.
"O que mais me machucava era me sentir sozinha em escolas enormes, onde todos viam o que acontecia e ninguém fazia nada", diz Daniele, que passou a ser o alvo por defender alunos que eram ridicularizados. "Logo começaram a apontar defeitos em mim: muito branca, magra, notas altas." No auge de uma depressão por não ser aceita, a jovem tentou acabar com a própria vida.
A crueldade por parte da turma pode gerar diferentes reações. "As conseqüências são problemas de aprendizagem, reprovação escolar, isolamento, depressão e até mesmo suicídio", diz Cleo Fante, pedagoga pioneira nos estudos sobre o "bullying" escolar no Brasil.
Ela alerta para o surgimentos dos "bullycidas", pessoas que incentivam os jovens que sofrem "bullying" a praticar suicídio. "É algo muito recente e difícil de descobrir."
O incentivo ao suicídio virou tema de peça de teatro. "Bate Papo", do irlandês Enda Walsh, ficou em cartaz na capital paulista durante um ano e deve voltar aos palcos paulistanos no começo de 2009.
Na obra, seis adolescentes teclam na internet sobre Harry Potter, Britney Spears e suicídio. Um deles, deprimido, interpretado por Taiguara Chagas, 20, é virtualmente encorajado por outros da mesma idade, 16 anos, a se matar.
Vítima na escola, o ator se inspirou na própria história para encarnar o personagem. Ruivo, ele era alvo de chacota por causa da cor do cabelo. "Fui bastante zoado e me sentia excluído", recorda Taiguara.

Superação
É também como se sentia V., da escola Projeto Vida, na zona norte de SP. No ano passado, a aluna começou a receber bilhetinhos com insultos de C., sua colega de classe. Depois, vieram as ameaças de agressão física.
As advertências da orientadora educacional não intimidaram a agressora. Em maio, veio a descoberta de que os xingamentos e chacotas haviam migrado para o ambiente virtual.
Em seu blog, C. passou a agir com deboche. "Quando vi a página, fiquei com muita vontade de chorar. Depois, [fiquei] com muita raiva", recorda V., que era representada por uma bonequinha que explodia. "Era muita crueldade", revolta-se a mãe da adolescente.
O mesmo blog que atacava V. foi usado como arma pelos pais da menina para reagir. Com o auxílio de um advogado, fizeram chegar até a escola uma notificação extrajudicial pedindo providências. A diretora pedagógica, Mônica Padroni, 45, assumiu o caso. Chamou C. novamente para conversar. "O que a deixou mais abalada foi a possibilidade de seus pais serem processados", diz. Foi só nessa hora que a garota entendeu a proporção do seus atos. Quis se desculpar.
A diretora sugeriu que C. escrevesse uma carta. "Nunca pensei que ela pediria desculpas", afirma V., hoje com 13 anos. A vítima até tentou mandar uma reposta por escrito para a ex-amiga. Não conseguiu. O que sente em relação a tudo que passou ainda não pode ser expresso em palavras. A agressora hoje sabe que destratar alguém pela internet tem conseqüência. A vítima aprendeu que é muito difícil esquecer.

"Ficava chateada", diz namorada de ídolo adolescente

Ana Carolina Favano, 20, começou a namorar o então desconhecido Leandro Rocha, 22, em janeiro de 2006. Um ano depois, a banda de Leandro, a NX Zero, estourou e ele virou Gee. Ká, como Ana Carolina é conhecida, percebeu que a sua vida dali para frente nunca mais seria a mesma.
Começou a ser atacada na internet, em uma comunidade no Orkut que afirmava que ela estava atrás do dinheiro de Leandro. "Levei um susto. Nunca fiz nada para provocar ninguém", diz ela. Estudante de medicina em Santos, Ká ligava para a mãe, que mora em São Paulo, chorando. "Ela queria ir à delegacia", disse a mãe.
Com a ajuda de um amigo, Ana Cláudia Favano descobriu em que computador havia sido criada a comunidade contra a filha. Entrou em contato com a menina, residente em Goiânia, e conseguiu tirar a página do ar.
Mas a história de Ká no mundo virtual não parou ali. Logo começaram a surgir centenas de perfis "fakes" (falsos) dela, construídos por adolescentes fãs da banda NX Zero, que se passavam por ela. "No começo, ficava bem chateada", lembra.
Hoje, Ká tem comunidades a favor e contra ela no Orkut. "Agora, levo essa história numa boa." Já desistiu de tentar acabar com perfis falsos. Um deles chega a ter 521 participantes. "Para tirar um "fake" no Orkut, tem que juntar uma série de documentos", lamenta a verdadeira Ká, diante de um inimigo oculto: "Eles nunca mostram a cara".


COMBATE AO "CYBERBULLYING"

Reações que escolas, pais e vítimas da agressão devem ter

PAIS
Acompanhar a vítima na delegacia
Encaminhá-la para atendimento psicológico
Não deve incentivar a vingança nem ignorar a situação
Não tratar o "cyberbullying" como bobagem
Acompanhar a vida dos filhos na internet

ESCOLA
Reconhecer a existência do fenômeno
Capacitar professores para lidar com os casos
Orientar a família e os alunos sobre o "cyberbullying"
Chamar os pais da vítima e do agressor e informá-los dos casos

VÍTIMAS
Procurar a ajuda de um adulto da família
Relatar o ocorrido para um responsável na escola
Salvar e imprimir as páginas com ofensas
Procurar uma delegacia e registrar boletim de ocorrência
Pedir ao provedor que tire do ar as páginas com agressões


Texto de RAFAEL BALSEMÃO e RICARDO SANGIOVANNI
Da Folha de São Paulo de 05/10/08

sábado, 4 de outubro de 2008

Tristeza

Hoje acordei com um vazio dentro de mim
Uma falta indefinida
Um vácuo gritante 
Uma sensação de perda 
Do tipo da falta do calo extraido
Da pedra no sapato
Da coceira do bicho de pé
Da coceira do carrapato retirado
Da coceira da pereba

Como se eu estivesse sem as roupas
Como se seu estivesse sem meu pelos
Conferi se me corpo ainda estava intacto
Olhei para os braços, pernas, pés e mãos
Tudo intacto, fui ao espelho conferir
E a sensação de perda continuava

Comecei a me desesperar
O que me falta?
Que sensação de perda é esta?
Depois de muita reflexão 
Depois de muita inflexão
Enfim a resposta salvadora;
Acabou o horário eleitoral gratuito 


José Geraldo da Silva

Ostra nasce do lodo gerando pérolas finas

Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérolas finas

Não queria ser o mar
me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
porém o atalho
Muito menos ser a chuva
apenas o orvalho

Não queria ser o dia
só a alvorada
Muito menos ser o campo
me bastava o grão
Não queria ser a vida
porém o momento
Muito menos ser concerto
apenas a canção

http://br.youtube.com/watch?v=gjoxTJ2BaHo


Música: O ouro e a madeira
Divulgada por Os Originais do Samba
Composição: Ederal Gentil / Edil Pacheco

Meu comentário:

Espero que nesse lamaçal de corrupção, neste lodo
a ostra possa sobreviver e gerar PÉROLA
Que este ouro que tanto atrai os corruptos
Se afunde no mar 
E aflore a tábua da salvação
Para nossa sofrida população

E não permita!

E não permita
com seu VOTO

Que a miséria continue
Que o lixo envenene
Que a terra não seja respeitada
Que a água se torne escassa

E não permita
Que crianças sejam abusadas
Que não tenham merenda escola
Que recebam uma educação sem qualidade

E não permita
Que o tráfico de drogas se fortaleça
Que mulheres sofram de violência
Que adolescentes se prostituam

E não permita
Que a promiscuidade vença
Que a família não seja respeitada
Que seu credo não seja aceito
Que autoridades prevariquem
Que a injustiça tome o lugar da justiça

E não permita
Com seu VOTO
Que a corrupção corrompa
Que nossa voz se cale
Que nossos direitos não sejam respeitados

Não permita!
Não permita!

Ana Maria C. Bruni