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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Tragédia foi prevista em 1982

TRAGÉDIA DE 1983 EM SANTA CATARINA REPETE-SE EM 2008 APESAR DAS ADVERTÊNCIAS DOS NOSSOS CIENTISTAS A ABEPPOLAR ALERTA SANTA CATARINA E OS ESTADOS DO SUL - DESDE 1982 - SOBRE INUNDAÇÕES, ESCORREGAMENTOS DE ENCOSTAS E PROPÔS OBRAS TÉCNICAS E AMPLIAÇÃO DA DEFESA CIVIL.

A ABEPPOLAR completou 42 anos de lutas em 30 de maio de 2008 pelo que é a mais antiga do setor na América Latina.
Atua intensamente na Defesa Civil desde 1982 quando idealizou e realizou em agosto do mesmo ano em Blumenau, capital do Vale do Itajaí, o Encontro Nacional sobre Inundações, Escorregamentos de Encostas e Defesa Civil.
O evento que contou com mais de uma centena de professores, pesquisadores, servidores públicos e empresários concluiu que, em breve, poderia ocorrer fenômeno climático (El Nino) com precipitações acima da média o que causaria enormes prejuízos não apenas a Santa Catarina mas aos Estados do Sul. Diante disso, o presidente da ABEPPOLAR, Randolpho Marques Lobato, concedeu entrevistas á imprensa, ao rádio e a uma rede de televisão alertando a população especialmente de Blumenau e dos Municípios do Vale do rio Itajaí-Açu. Chamava atenção para o desmatamento ciliar, a devastação florestal do entorno, a necessidade de retificação do Itajai-Açu, a intensa ocupação das encostas por moradias e até por indústrias de porte ao longo da bacia do rio, e terminou instando as autoridades a preparar e a ampliar a Defesa Civil local e dos municípios da Região. Tendo em vista a abrangência do que se confirmaria em meses o ambientalista redigiu documento juntamente com os renomados mestres da engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo professores doutores José Martiniano de Azevedo Neto e Kokei Uehara advertindo as autoridades sobre o que viria ocorrer e as providências técnicas que deveriam ser adotadas além das medidas preventivas de Defesa Civil. Tal documento que se baseara nas conclusões científicas e tecnológicas dos participantes do Encontro Nacional - foi encaminhado ao presidente da República, aos governadores dos Estados de São Paulo (que seria atingido em seu extremo Sul), Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e a dezenas de prefeitos.
Contribuiram também para a redação do documento o respeitado professor doutor João José Bigarella, engenheiro, géologo e geógrafo de qualificação internacional, da Universidade Federal do Paraná e o ambientalista e biólogo Lauro Bacca, de Blumenau.
Passados alguns meses, as chuvas se abateram sobre a área delimitada pelos pesquisadores, inundaram regiões inteiras e centenas de Cidades nos Estados citados provocando ainda mortes,a maioria devido a escorregamentos de encostas e tudo o mais que está agora se repetindo especialmente em Santa Catarina. "A NOTÍCIA" o principal jornal de Joinville - SC um dos poucos do Estado cujas instalações à época (novembro de 1983) estavam livres das águas e que reportara o pioneiro Encontro Nacional de 1982 e suas advertências, previsões e orientação técnica - procurou então o representante local da ABEPPOLAR, o respeitado ambientalista Gert Roland Fischer, que também participara do Encontro de Blumenau. Gert cedeu a cópia que tinha do documento e o jornal divulgou em sua primeira página uma impressionante foto aérea da inundação de Blumenau com a manchete: "Quando os ambientalistas não são ouvidos sobra para Defesa Civil". E divulgou o documento na íntegra em sua terceira página bem como um editorial perguntando por que razão os Governos não haviam seguido a orientação dada pelos pesquisadores que participaram do evento da ABEPPOLAR.
Agora,neste novembro/dezembro de 2008, a história se repete com chuvas intensas e suas consequências catastróficas, no Vale do Itajai, de forma ainda mais dramática do que em 1983. Os números oficiais da Defesa Civil de SC revelam o que está ocorrendo no Estado neste dois de dezembro, à 01 hora: 116 mortos, 31 desaparecidos, 78.707 desalojados e desabrigados, mais 1.500.000 cidadãos afetados. Nas localidades atingidas fortemente pelas chuvas, inundações e deslizamentos de encostas - oito delas chegaram a ficar isoladas por quatro dias.
Sofreram muito os Municípios São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo com população de 97.680 pessoas residentes nas zonas urbana e rural. Em Blumenau 20 pessoas morreram, em Ilhota, 29; em Gaspar,15 mortos; em Jaraguá do Sul, 13. O município Luiz Alves contabilizou sete vítimas; Rodeio, quatro; Rancho Queimados, Benedito Novo e Itajai, duas vítimas fatais; Brusque, Pomerode, Bom Jardim da Serra, São Pedro de Alcântara e Florianópolis, uma vítima cada.
Como as buscas continuam é possível que seja ultrapassada a trágica estatística de 100 vitimas fatais. A falta de mantimentos e de água potável assim como de remédios ainda é grave apesar das doações provenientes especialmente dos Estados do Sul e do Sudeste que chegam à Região flagelada em caminhões e em aviões. Tais materiais são distribuidos por helicopteros da Força Aérea Brasileira, do Exército e os que operam a serviço da Defesa Civil prioritariamente para as milhares de pessoas que ficaram isoladas na zona rural, em distritos ou em bairros periféricos das Cidades. O problema de distribuição de tudo o que chega ainda é muitos sério e, para piorar, ocorreram saques em mercados e supermercados o que provocou a decretação de "toque de recolher" a partir das 22 horas até o amanhecer nas mais sofridas Cidades do Vale.
O abastecimento de água aos poucos vai sendo normalizado mas é necessário que toda ela seja fervida já que os mananciais e as redes públicas sofreram a infiltração de esgotos. A energia elétrica também fopi regularizada em zonas críticas.
O presidente da República que apenas na última quarta-feira sobrevoou a área de calamidade pública, baixou medida provisória para a liberação de verbas federais para as áreas da saúde e para obras de infraestrutura inclusive para recuperação do Porto de Itajai que está inoperante por destruição de equipamentos. Estradas federais, muitas estaduais e elevado número de vicinais terão que ser recuperadas em trechos importantes assim como o gasoduto Bolívia-Brasil que foi avariado em território catarinense. A interrupção de bombeamento provocou o racionamento de uso do combustível para veículos assim como das 92 grandes indústrias consumidoras no Rio Grande do Sul.
Para interligar dezenas de vicinais a engenharia do Exército prossegue montando pontes, substituindo as que foram destruidas.
As chuvas também estão provocando grandes estragos nos Estados do Rio de Janeiro,(Campos em particular), Bahia (Vitória da Coquista), Minas Gerais, Espírito Santo (Vila Velha) e São Paulo (Vale do Paraiba). A Defesa Civil desses Estados está em alerta total e em missão de apoio às vítimas.
A ajuda humanitária e de apoio imediato à Defesa Civil de SC está caracterizou-se pelo envio de barracas, agasalhos, roupas em geral, cestas básicas, remédios e muita água engarrafada, transportadas e entregues por caminhões, aviões e helicópteros da Defesa Civil dos Estados vizinhos. Efetivos das Forças Armadas e das Policias Militares estaduais da mesma forma atuam na área decretada em estado de calamidade pública usando inicialmente 29 helicópteros e aviões, centenas de caminhões e até veículos blindados e anfíbios do Exército. A FAB montou um hospital militar de campanha. Enfim há grande mobilização e o auxílio aos flagelados chega de todo o País e deve continuar solidariamente por meses.
Todo cidadão deve concientizar-se que a recuperação das Cidades e dos campos catarinenses precisa ser realizada por etapas, tais como: providências para atendimento da população vitimada e estatísticas dos prejuizos sofridos; recuperação dos setores básicos para fornecimento de água potável e de alimentos, conserto das redes de abastecimento de água e de esgotos; reorganização dos setores de saúde pública e escolar; cadastramentos dos prejuizos sofridos pelas populações isoladas assim como das propriedades agrícolas e dos rebanhos de gado e de outros animais, dizimados; obras de emergência para evitar novos deslizamentos assim como para desinterdição de caminhos e de estradas; cuidado especial e vacinação para evitar surtos epidêmicos de doenças; reconstrução de edificos públicos (escolas, postos de saúde e hospitais) e de moradias em áreas seguras devidamente estudadas pelos técnicos da área de geologia de engenharia. Tais medidas são imprescindéis e demandarão anos.
Por tudo isso quem puder deve apoiar - além de enviar produtos de higiene e outros necessários`a sobrevivencia e seguranças das v[itimas - depositando qualquer ajuda possível em dinheiro nas contas correntes abaixo em nome do Fundo Estadual da Defesa Civil de Santa Catarina, CNPJ - 04.426.883/0001-57.
As contas corrente oficiais são: Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7 / Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0. O / BRADESCO S/A - 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1.

ATUALIZE-SE SOBRE A TRAGÉDIA acessando
http://www.adjorisc.com.br/
http://www.defesacivil.sc.gov.br/ e http://www.defesacivil.gov.br/

Texto original publicado sem parágrafos.

Do site da Abepolar
http://www.abepolar.org.br/

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