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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Alunos brasileiros ficam entre os últimos em ciências

Brasil ficou em 52º lugar entre 57 países em ranking que compara qualidade de ensino

País ficou à frente apenas de Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão; Finlândia teve o melhor desempenho

Uma comparação da qualidade da educação em 57 países mostrou que o desempenho médio dos estudantes brasileiros de 15 anos é suficiente apenas para colocar o país na 52ª posição do ranking que mede o aprendizado em ciências.
O resultado foi divulgado ontem pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que, de três em três anos, aplica o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos) com o objetivo de comparar a qualidade da educação em diversos países. No ano passado, a ênfase da prova -que já focalizou as áreas de leitura e matemática em anos anteriores- foi em ciências.
O relatório completo do Pisa só será conhecido na terça-feira, mas ontem a OCDE divulgou os primeiros rankings, que mostram a Finlândia com o melhor desempenho, seguida de Hong Kong e Canadá. O Brasil ficou à frente apenas de Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão, o pior.
No entanto, como há um coeficiente de variação das médias em cada país, a posição brasileira pode variar entre a 50ª, no cenário mais positivo, e a 54ª, no mais negativo. Por causa disso, o Brasil está tecnicamente empatado com Indonésia, Argentina, Colômbia e Tunísia.
Apenas seis países da América Latina fazem parte do Pisa. O mais bem colocado na lista foi o Chile (40ª posição), seguido de Uruguai (43ª) e México (49º). Todos, no entanto, ficaram abaixo da média dos membros da OCDE (que congrega 30 países, em sua maioria europeus e da América do Norte).
Como o programa é de livre adesão, Índia, China e quase todos os países africanos, por exemplo, não participam.
Para o presidente do Inep (instituto de avaliação do Ministério da Educação), Reynaldo Fernandes, a posição do Brasil "não é boa", mas era esperada, já que os outros países, na maioria, são desenvolvidos e porque outras avaliações já haviam apontado baixo desempenho dos estudantes brasileiros em outras áreas. "Não é um caso específico de ciência."
Jorge Werthein, diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana e ex-representante da Unesco no Brasil, diz que os resultados expõem a necessidade de investir no ensino de ciências desde cedo nas escolas públicas.
"A imensa maioria das escolas públicas de ensino fundamental no Brasil não tem ensino de ciências, nem professor capacitado para isso. É por isso que poucos alunos chegam ao ensino médio interessados e com bom desempenho nas disciplinas dessa área", afirma.
Para ele, o resultado não pode ser considerado aceitável. "Lamentavelmente, mais uma vez aparecemos atrás de países da América Latina e muito defasados em relação aos países desenvolvidos. Ontem, ao ler [o jornal espanhol] "El País", vi que eles consideram inaceitável a 31ª posição da Espanha. Se é inaceitável para eles, tem de ser para nós também."
O presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Marco Antonio Raupp, afirma que há uma disparidade entre o desempenho dos estudantes jovens e os rankings mundiais de produção científica.
No último, produzido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o Brasil ficou na 15ª posição -a lista, porém, tem apenas 30 países. "Foi feito um grande esforço [do governo federal], com agências voltadas à pós-graduação, mas nada comparável foi realizado em relação ao ensino fundamental."
Ele apontou como um dos problemas a falta de professores qualificados para o ensino de ciência -relatório recente do Conselho Nacional de Educação apontou que apenas 9% dos docentes de física da rede pública têm formação específica; em química, apenas 13%.


Reportagem de ANTÔNIO GOIS e ANGELA PINHO na Folha de São Paulo de 30/11/2007

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