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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Reforço escolar

A partir de 2008, todos os estudantes das quatro primeiras séries da rede municipal de ensino fundamental terão reforço escolar em português e matemática. Além do aumento da carga horária dessas disciplinas, as salas de aula contarão com mais um professor, que atuará como assistente ou monitor ajudando os alunos com maior dificuldade de aprendizagem. Essas medidas estão previstas pelo programa Ler e Escrever, criado há dois anos pela Prefeitura de São Paulo.

No início, apenas o ciclo de alfabetização contava com reforço escolar e com a presença de um segundo professor em sala nas escolas municipais. Mas os resultados foram tão positivos que a Secretaria da Educação decidiu ampliar a experiência para as quatro primeiras séries do ensino fundamental. A decisão foi anunciada três semanas após a OCDE ter divulgado os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), no qual o Brasil ficou em 52º lugar entre 57 países. Realizado a cada três anos, o Pisa avalia a capacidade de leitura e conhecimento de matemática e ciências e mostrou que a maioria dos estudantes brasileiros tem dificuldade para ler textos simples, fazer as quatro operações aritméticas e apresentar idéias de forma clara, objetiva e lógica e somente consegue resolver questões que façam parte de sua rotina ou cuja solução esteja evidenciada no próprio enunciado da pergunta.

Com o programa Ler e Escrever pretende-se habilitar os alunos que ainda estão em fase de alfabetização a associar as palavras com as grafias corretas, a responder positivamente a um ditado e a ampliar o conhecimento de matemática. O programa funciona com alunos recrutados nas faculdades de pedagogia e letras, que trabalham com material didático preparado por especialistas, recebem um salário de R$ 400 por uma jornada de 20 horas e podem contar esse tempo como estágio. Todas essas medidas são necessárias para que crianças na faixa etária entre 7 e 10 anos se interessem em buscar novos conhecimentos e aumentem sua capacidade de redigir, de associação lógica de idéias e de reflexão sobre questões mais abstratas.

Como os indicadores do Ministério da Educação e dos organismos multilaterais apontam há muito tempo, é justamente nessa fase do ensino básico que se encontra um dos maiores pontos de estrangulamento do sistema educacional. Como é sabido, a escolaridade básica é o principal alicerce para uma boa formação profissional. É, também, um fator decisivo para a redução das desigualdades sociais, já que a mobilidade de jovens e adultos no mercado de trabalho depende da qualidade da educação básica. Depois que se aprende a ler, escrever, calcular, pensar e refletir, tudo o mais se aprende com rapidez e facilidade.

Por isso, a decisão da Prefeitura de ampliar o programa Ler e Escrever para os alunos até a quarta série do ensino fundamental merece aplauso. Essa experiência vem sendo desenvolvida há quase dois anos, com enorme sucesso, pelo governo estadual. A idéia deu tão certo que agora está sendo estendida para as demais séries do ensino básico. A partir de 2008, os estudantes de 5ª a 8ª série do ensino fundamental e das três séries do ensino médio das escolas estaduais também passarão por uma espécie de reforço concentrado no início do ano letivo. Eles terão pelo menos 45 dias de aula nas disciplinas de português e matemática, antes de iniciarem o ensino rotineiro de suas respectivas séries. Com isso, as aulas começam no dia 18 de fevereiro e a rotina curricular será retomada em abril.

Outra novidade anunciada pelo governo estadual é a distribuição, aos seus 236 mil docentes, de um guia com currículo mínimo elaborado com base nos Parâmetros Nacionais Curriculares. Embora seja prevista pela Lei de Diretrizes e Bases, editada em 1996, até hoje essa medida não havia sido implementada. Graças ao bom entendimento político entre o prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra, finalmente as autoridades municipais e estaduais do setor educacional passaram a trocar experiências e a adotar programas comuns. Há muito tempo isso não acontecia. Quem ganha com isso são os alunos da rede pública.

Fonte: jornal O Estado de São Paulo de 25/12/07

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