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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Biocombustíveis são 'crime contra a humanidade', diz relator da ONU

Biocombustivéis seriam responsáveis por redução da área destinada ao plantio de alimentos.
Comissão Européia deve propor supressão de subvenções a essa forma de energia.

A produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade por seu impacto nos preços mundiais dos alimentos, declarou nesta segunda-feira (14) o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, em entrevista a uma rádio alemã.

Os críticos dessa tecnologia, eu também, argumentamos que o uso de terras férteis para cultivos destinados a fabricar biocombustíveis reduz as superfícies destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos preços dos mantimentos.



Ziegler pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que mude suas políticas sobre os subsídios agrícolas e deixe de apoiar apenas programas destinados à redução da dívida. Segundo ele, a agricultura também deve ser subsidiada em regiões onde se garanta a sobrevivência das populações locais.



O ministro das Relações Exteriores alemão, Peer Steinbrueck, deu seu apoio ao apelo feito pelo FMI e o Banco Mundial neste fim de semana para responder à crise gerada pelo aumento de preços dos alimentos, que está gerando violência e instabilidade política em inúmeros países. "A Alemanha não fugirá de sua obrigação nesse tema", afirmou Steinbrueck.



Conflitos e problemas
Ziegler acusou a União Européia de dumping agrícola na África. "A UE financia as exportações de superávits agrícolas europeus para a África, onde são oferecidos pela metade ou a um terço de seu preço de produção", queixou-se Ziegler. "Isso arruina completamente a agricultura africana", acrescentou.

Em entrevista ao jornal francês Liberation, Ziegler também advertiu que o mundo se dirige para "um período muito longo de distúrbios e outros tipos de conflitos derivados da escassez de alimentos e aumentos de preços".

Nesse contexto, a Comissão Européia indicou nesta segunda-feira que vai propor a supressão das subvenções para os cultivos destinados à produção de biocombustíveis, em meio à crescente polêmica causada pelo desenvolvimento dessa fonte de energia para lutar contra a mudança climática.

Vários outros dirigentes europeus já manifestaram preocupação com a utilização da produção agrícola com fins energéticos em detrimento dos alimentos, num contexto de alta dos preços das matérias-primas. "A produção agrícola com fins alimentares deve ser claramente prioritária", afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier.

A França propôs nesta segunda-feira uma iniciativa européia frente ao aumento de preços das matérias-primas e a crise alimentar que isto provoca, impulsionando um apoio reforçado à agricultura comunitária e uma ajuda maior a este setor nos países pobres.

"Em um mundo em que vai ser necessário produzir mais e melhor para alimentar nove bilhões de habitantes, há necessidade dos esforços de todos e também da Europa", afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier, ao antecipar as grandes linhas da proposta que deve apresentar a seus colegas da União Européia em Luxemburgo.

Do G1


Em 24 de janeiro de 2007 este blog já alertava para o perigo iminente:
"Os tanques famintos dos automóveis seriam saciados com biocombústivel, mas de onde virá o biocombústivel?"
Em 07 de dezembro de 2007, voltei a alertar:
"No iníco de 2006 eu escrevi que encher o tanque dos automóveis com alimentos é loucura, alguns dias depois o Fidel Castro também alertou, mais tarde a ONU também alertou e agora que os preços dos alimentos subiram, podemos já sentir o início da crise nos alimentos que esta loucura ainda vai provocar"

Os recentes distúrbios no Haiti provam o que as pessoas de bom senso já haviam previsto, BOTAR COMIDA NOS TANQUES DE COMBUSTÍVEIS É LOUCURA, É PROVOCAR FOME NOS PAÍSES POBRES E AUMENTAR OS PREÇOS DOS ALIMENTOS NOS PAÍSES RICOS.


18/04/08
Diretor do FMI diz que pior de crise alimentícia ainda está por vir

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, teme que "o pior" ainda esteja por vir nos distúrbios causados pela crise alimentícia em países pobres.
Além disso, ele pediu que seja replantada a produção de biocombustíveis feita com produtos agrícolas que servem para a alimentação. "Nas revoltas da fome, o pior, infelizmente, talvez esteja à frente de nós", disse Strauss-Kahn na emissora "Europe 1", que acrescentou que "centenas de milhares de pessoas vão ser afetadas".

O responsável do FMI disse que além da fome e dos riscos de crise de fome, está "a desnutrição" e ressaltou que as crianças mal-alimentadas carregam as seqüelas durante "toda sua vida". "É extremamente grave. O planeta deve enfrentar isso", sentenciou Strauss-Kahn, que reiterou sua recente afirmação de que a crise atual pode levar a "guerras".

Ele afirmou que "não se trata de assustar, mas de ver a realidade" e explicou que, quando há situações "tão dramáticas", a população critica seus governos, embora tenham feito o que puderam, e podem fazer cair Executivos democraticamente eleitos.

"A história está cheia de guerras que começaram por causa de problemas deste tipo", concluiu.

O diretor do FMI considerou que os biocombustíveis produzidos com produtos agrícolas alimentares colocam "um verdadeiro problema moral".

Veja infográfico sobre a crise dos alimentos
http://images.ig.com.br/infograficos/EconomiaAlimentosPT1104/index1.html


Texto do Último Segundo
http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/04/18/diretor_do_fmi_diz_que_pior_de_crise_alimenticia_ainda_esta_por_vir_1277735.html

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