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sábado, 25 de abril de 2009

Mãe que matou filho drogado quer apoiar famílias de usuários

Quero dizer para as mães que não desistam. Que se, entre mil, um se salvar, talvez seja o filho delas.

Consultora aposentada diz que não conseguiu salvar o filho do vício e que disparo contra o rapaz de 24 anos foi acidental

Respondendo ao processo em liberdade, Flávia Hahn conta detalhes dos momentos que antecederam a briga que acabou em tragédia na Páscoa


Após matar o único filho, um rapaz de 24 anos dependente de crack, durante uma briga na Páscoa, a consultora aposentada Flávia Costa Hahn, 60, diz que pretende atuar em organizações de apoio a famílias de usuários de drogas. Flávia conta que o filho, Tobias Lee Manfred Hahn, a submetia a constantes ameaças e chantagens. O disparo aconteceu durante uma briga por mais dinheiro, na casa da família, em um bairro de classe média alta de Porto Alegre (RS). Após ser empurrada pelo filho sobre vidros quebrados e sofrer agressões, Flávia diz que pegou a arma, mas que o disparo ocorreu acidentalmente, enquanto o marido, que é colecionador, tentava tomar o revólver dela. Ela não quis dar detalhes sobre o momento do tiro. Flávia responde ao processo em liberdade. Ela diz que não consegue mais dormir.

 

FOLHA - Como foi que a sra. percebeu que ele era usuário de drogas?
FLÁVIA HAHN
- Eu trabalhava, meu marido trabalhava, mas sempre acompanhei o desempenho dele. As notas caíram e ele começou a perder o ano. Ele começou a fumar maconha com 14 anos, dormia muito, não queria levantar de manhã. Fui dando conselho, fui xingando, mas não adiantou. Com 17 anos, junto com uma namorada, começou com a cocaína.

FOLHA - E o crack?
FLÁVIA
- Em 2002, quando voltei de uma viagem, coisas de casa tinham desaparecido. Depois, para não pegar as coisas de casa, ele fazia pequenos assaltos. Acho que ele já estava no crack, mas nunca tinha ouvido falar disso. Entre 2002 e 2006, morei em Brasília e no Rio. Não tive problema com ele, fora a maconha. Fui transferida de volta para cá. Fiquei feliz, mas foi aí que o inferno começou.

FOLHA - O que aconteceu?
FLÁVIA
- Aqui tem boca de tráfico em todo lugar. Como eu dava dinheiro, ele não precisava assaltar. Daí começou a me obrigar a dar dinheiro todo dia.

FOLHA - Obrigava como?
FLÁVIA
- Ele ameaçava pôr fogo na casa, quebrar os vidros. Quando eu não dava dinheiro, ele atirava pedras. Desde outubro ele estava fumando todo dia. Ele foi internado seis vezes, ficava pouco tempo, 30 dias.

FOLHA - As internações não funcionaram?
FLÁVIA
- Ele tinha que ficar um período mais longo internado, talvez um ano. Estava tentando levá-lo a uma fazenda.

FOLHA - O que houve naquele dia?
FLÁVIA
- Entre o sábado e a madrugada ele já tinha pego quase R$ 100. Às 2h, dei mais R$ 20. Às 3h, ele voltou e pediu para ir com ele até um posto para comprar cigarro, cerveja. Aí ele me pediu para ir ao caixa eletrônico para sacar mais R$ 20.

FOLHA - E por que a sra. foi?
FLÁVIA
- Tinha tão pouco dele e ele pelo menos estava conversando comigo. Ele não tinha comido nada, me pediu uma pizza. Voltamos conversando. Dei mais R$ 20. Perto de casa, ele tomou outro caminho, foi comprar mais droga, já estava havia três dias sem dormir. Só apareceu em casa à tarde.

FOLHA - E o tiro?
FLÁVIA
- Ele ficou me ameaçando. Só posso dizer que foi um acidente. Eu não apontei a arma para o meu filho. Foi só um tiro que saiu da arma. Ele estava correndo, foi um acidente quando meu marido estava me tirando a arma da mão.

FOLHA - Já tinha usado uma arma antes?
FLÁVIA
- Meu marido é colecionador. Já toquei numa arma, mas eu não manuseava, tenho medo de tudo.

FOLHA - O que aconteceu depois?
FLÁVIA
- Sento aqui e penso que ele está ali [aponta para o jardim]. É uma ausência, um vazio infinito. Não vou ficar nesta casa. Vou alugar ou vender.

FOLHA - O que a sra. vai fazer?
FLÁVIA
- Queria ajudar outras pessoas. Quem está envolvido têm entre 14 e 25 anos, e os pais não têm informação adequada. Considero-me uma pessoa instruída, mas até saber o que deveria fazer demorou muito. O crack aumentou repentinamente. Os governos prometem, mas não se faz nada. Quero dizer para as mães que não desistam. Que se, entre mil, um se salvar, talvez seja o filho delas. Eu não consegui salvar o meu.

Texto de GRACILIANO ROCHA na Folha de São Paulo de 25/04/09

Mãe que matou o filho, viciado em crack, fala à Jovem Pan
26/abril/2009 por Izilda Alves
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Aos 60 anos, a gaúcha Flávia Hahn recebe a solidariedade de mães em todo o país. Flávia Hahn foi indiciada por homicídio sem intenção. No domingo de Páscoa, matou o filho, viciado em crack. Pegou a arma para intimidar o filho que a agrediu e feriu no braço, exigindo dinheiro para comprar a droga. Uma tragédia, causada pela drogas, numa mansão de Porto Alegre. Acompanhe a entrevista de Flávia Han à Jovem Pan

Clique no link e ouça a entrevista 



8 comentários:

  1. Sei como é isto.....Não matei meu filho fisicamente.,mas tenho que mata-lo todo dia nos meus pensamentos,vivo escondida dele.,e por mais que a saudades me consuma,fico escondida.,e faço de conta que não tenho filho.

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  2. Pessoal ,a coisa e seria de mais, estamos perdendo nossas familias, a nossa paz, a nossa personalidade, eu entendo essa mae, o desespero dela foi tao grande, que ela chegou ao ponto de dar dinheiro ao filho pra comprar drogas, vamos nos colocar no lugar dessa pobre mae,pois hoje e ela , amanha pode ser um de nos, nao temos que impor limites aos nossos filhos, quando ainda sao criancas, o que esta acontecendo hoje no mundo, e que os filhos estao sendo criados sem limites, hoje sao os filhos que mandam em casa, mandam nos pais,nos temos que fazer alguma coisa,nao podemos cruzar os bracos porque aconteceu com o filho do vizinho e nao com os nossos, mas, nossos filhos, um dia se casaram , teram filhos, entao temos que mudar hoje , para que possamos ter um amanha feliz, ajude o seu vizinho que se encontra nessa situacao, ajude uma mae desesperada a conseguir uma saida..Tenho muito mais pra falar sobre isso, pois , ja perdi dois sobrinhos nas drogas, hoje tenho 3 membros da minha familia, preso por drogas, ate quando vamos fazer de conta que nao esta acontecendo nada??vamos mostrar aos pais jovens a criar seus filhos com amor, carinho, mas tbm com limites..abracos..

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  3. A palavra certa e colocar limites, se a mae falar nao quando o filho ainda e crianca, por mais que doa,nao ceda, se disser sim, cumpra o que prometeu,hoje basta uma crianca bater o pezinho pra mae ceder e fazer o que ele quer, entao a crianca ja cresce achando que pode tudo, e filho criado sem limites, nao adianta querer impor limites em filhos de 20 ou 30 anos..abracos.

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  4. OI FLAVIA TUDO BEM?SOU O LEANDRO QUE MORAVA NA RUA BASILIO PELLIM FILHO A ALGUNS ANOS ATRÁS,TIVE UM PEQUENO PROBLEMA COM O TOBIAS,NOS ENCONTRAMOS PESSOALMENTE E JUNTOS RESOLVEMOS O PROBLEMA,LEMBRA???A SENHORA ME PAGOU PELOS PREJUÍZOS FEITOS POR ELE.
    ESTOU AQUI PARA DIZER A TODO MUNDO QUE SEI O TAMANHO DO AMOR E CARINHO QUE VOCÊ TINHA POR SEU FILHO,POIS CONHECI ELE A MUITOS ANOS ATRÁS,QUANDO AINDA FREQUENTAVA O CLUBE DO JANGADEIROS.ERA UM MENINO MUITO BONITO E COM TODO UM FUTURO PELA FRENTE,TINHA OPORTUNIDADES E TODA UMA VIDA PELA FRENTE,TINHA UMA ÓTIMA MÃE,AMIGA E COMPANHEIRA A SEU LADO.PORÉM TUDO ISSO ACABOU POR CAUSA DAS MALDITAS DROGAS.SEI QUE A SITUAÇÃO FOI INSUSTENTÁVEL,INSUPORTÁVEL E DE MUITO SOFRIMENTO,E QUE CHEGARAM AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS,E SE NÃO TIVESSE TIDO ESSE FIM,LAMENTAVELMENTE A SENHORA É QUE HOJE PODERIA NÃO ESTAR MAIS VIVA.
    ENTÃO QUERO PARABENIZA-LA POR TER SIDO ESSA MÃE MARAVILHOSA,A MÃE QUE EU GOSTARIA DE TER TIDO,UMA PESSOA QUE REALMENTE É DE DEUS.
    UM BEIJÃO,SE CUIDA E SEJA FELIZ,SEJA FELIZ,PORQUE ISSO É A ÚNICA COISA QUE LEVAMOS DA VIDA.
    QUALQUER COISA ME ESCREVA leandrocribeiro2009@hotmail.com BEIJÃO

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  5. VOCÊ DESCONFIA QUE SEU FILHO ESTA SE ENVOLVENDO COM DROGAS:MAS COMPANHIAS???NÓS TEMOS A SOLUÇÃO.
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