quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Brasileira é atacada por skinheads na Suíça

Advogada brasileira é atacada por skinheads na Suíça

Grávida de gêmeos, Paula Oliveira perdeu os bebês e teve partes de seu corpo feridas com estilete

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Fotos: Divulgação

A advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi atacada em Zurique por um grupo de skinheads na noite de segunda-feira, 9. Funcionária do conglomerado econômico dinamarquês A P Moeller/Maersk, ela foi levada às pressas para um hospital suíço e nesta quarta recebeu a visita de seu pai. Segundo o Itamaraty, Paula estava no terceiro mês de gravidez de gêmeos, e acabou perdendo os bebês. 

 No ataque, a brasileira teve várias partes de seu corpo feridas com golpes de estilete. Em suas coxas, os agressores entalharam a sigla SVP (Scheiz Volks Partei), que em português significa Partido Popular da Suíça. Ela segue hospitalizada nesta quarta, mas passa bem. 

De acordo com a chancelaria, o governo brasileiro já entrou em contato com a polícia suíça e as investigações para determinar os autores do incidente estão em andamento. O Itamaraty disse não saber se Paula retornará ao Brasil nos próximos dias.

Texto de Gabriel Pinheiro no Estadão - estadao.com.br

http://www.estadao.com.br/internacional/not_int322281,0.htm 

Final infeliz para ela e para nós brasileiros

Brasileira ferida admite ter mentido à polícia da Suíça, diz promotoria

Ela assinou confissão na última sexta-feira, segundo comunicado.
Paula Oliveira teria recuado da versão da agressão seguida de aborto.

Do G1, com Jornal Hoje e agências internacionais

A procuradoria de Zurique confirmou nesta quinta-feira (19) que Paula Oliveira, a brasileira agredida na Suíça , admitiu ter forjado uma suposta agressão de skinheads e mentido sobre seu aborto de gêmeos.

Em comunicado, o Ministério Público disse que Paula, de 26 anos, revelou em um interrogatório na sexta-feira passada que mentiu e assinou uma confissão. Ela ainda estava internada no Hospital Universitário de Zurique. 

Paula teria confessado a fraude após ter sido informada de que os peritos sabiam da falsa gravidez, segundo a imprensa local.

Segundo policiais entrevistados pela revista "Weltwoche" , a brasileira poderia estar interessada em ganhar uma indenização do governo por ser vítima de ato violento. Caso ela tivesse realmente perdido os bebês em uma agressão, poderia receber entre 50 mil e 100 mil francos suíços (algo entre R$ 100 mil e R$ 200 mil). 

Mapa localiza a cidade em que ocorreu a agressão. (Foto: Arte G1)

Paula disse que foi atacada próximo a uma estação de trem na cidade de Dubendorf, a 6 km de Zurique, por três neonazistas -um deles com um simbolo nazista tatuado na nuca- e que os agressores cortaram-na na barriga e nas pernas, provocando seu aborto.

Confrontada com provas mostradas pela polícia, Oliveira teria admitido no último dia 13 que não houve ataque e que ela teria cortado sua própria pele, segundo a procuradoria. Ela também admitiu que não estava grávida.

O semanário suíço "Weltwoche" havia divulgado essas informações no dia anterior.

Na quarta-feira, o Ministério Público indiciou Paula e bloqueou seu passaporte e demais documentos. Agora, eles estão investigando as motivações de Paula, como ela premeditou seus atos e se ela tem cúmplices, segundo a procuradoria.

Do G1 http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1009647-5602,00-BRASILEIRA+FERIDA+ADMITE+TER+MENTIDO+A+POLICIA+DA+SUICA+DIZ+PROMOTORIA.html

Um caso para não esquecer

Paula Oliveira tem a sua identidade e a sua existência, mas o seu nome e o episódio em que se envolveu em Zurique poderão entrar para a história do preconceito contemporâneo. As razões que a levaram a inventar uma suposta agressão de neonazistas suíços são, por enquanto, irrelevantes. O “Affaire Paula Oliveira” é, em si, paradigmático porque contém a maioria dos ingredientes que marcam o nosso tempo e o tornam tão insensato e perturbador.

De alguma forma e por desígnios ainda ignorados, a jovem advogada pretendeu chamar a atenção do Brasil e do mundo para a exacerbação dos movimentos racistas que hoje empolgam a Europa. Empolgam e sempre empolgaram, diga-se. O fascismo e o nazismo europeus só deram trégua nas duas ou três décadas seguintes ao fim da 2ª Guerra Mundial.

A prosperidade europeia e a própria construção da União Européia foram viabilizadas pelas massas de imigrantes portugueses, espanhóis, gregos, turcos e norte-africanos - os chamados gastärbeiter, trabalhadores convidados - dos países meridionais que ofereceram a mão de obra barata de que careciam as economias destroçadas da Europa Ocidental. Na geração seguinte, quando estes imigrantes tornaram-se parte das sociedades que ajudaram a construir, surgiram os problemas. Eram agora competidores no mercado de trabalho mais qualificado, começaram a ocupar posições de relevo nas respectivas sociedades e, ainda por cima, eram diferentes. E estas diferenças foram em grande parte as responsáveis pelo reaparecimento da militância racista anteriormente abrigada dentro do fascismo e do nazismo. Aos antigos preconceitos étnicos e religiosos foram acrescentadas as paixões políticas, as ideologias.

Foram as ideologias as responsáveis pela dimensão e repercussão do caso Paula Oliveira. A imprudência da mídia brasileira em abrigar as acusações foi uma patriotada descabida. O horror não foi provocado pela solidariedade humana com uma jovem supostamente atacada pela bandidagem política. O estouro da manada foi provocado por uma explosão ideológica. A emoção politizada forneceu as doses de irreflexão necessárias à conversão de uma reação antixenófoba num acesso xenófobo.

A prova está no fato de que dias depois, quando já se pressentia a reviravolta do caso, colunistas de nomeada ainda diziam que eventuais erros cometidos por Paula Oliveira eram insignificantes se comparados com as brutalidades cometidas pelos skinheads neonazistas. E logo se apontavam as medidas discricionárias adotadas em aeroportos europeus, principalmente Barajas, em Madri. A Espanha é um país socialista, os supostos agressores de Paula Oliveira seriam da extrema direita suíça, mas numa hora destas os brios feridos equalizam, cimentam e confundem todos os ressentimentos.

Quando um diplomata experiente e competente como o nosso chanceler Celso Amorim (mesmo depois de saber que Paula Oliveira já teria confessado o erro), afirma que o episódio era verossímil está negando não apenas os procedimentos jurídicos e a função da diplomacia, mas estabelecendo o primado do preconceito, do pré-juízo, da implicância e da prevenção.

O inimigo da razão chama-se apriorismo. Em defesa de uma conterrânea supostamente agredida foram utilizados os mesmos estereótipos que teriam motivado o ataque. Esta não é a melhor forma de combater a violência política.  Reações coletivas extremadas só podem produzir sociedades totalitárias, incapazes de admitir o contraditório e o pluralismo.

A Argentina vai expulsar o bispo Richard Williamson, recentemente reabilitado pelo papa Bento XVI por insistir publicamente em negar o Holocausto perpetrado pelos nazistas contra os judeus. O sacerdote  inglês é também um neonazista mas nem a Inglaterra, muito menos o Vaticano vão considerar o gesto argentino como afronta nacional.

O caso Paula Oliveira trouxe de volta o irracionalismo e o perigo dos linchamentos. E o pior, ficamos do lado errado junto aos irracionais e linchadores.  Convém não esquecer este desconforto. Pode evitar vexames futuros.

Texto de Alberto Dines no Último Segundo de 20/02/2009 -15:30 http://ultimosegundo.ig.com.br/opiniao/alberto_dines/2009/02/20/um+caso+para+nao+esquecer+4204901.html


Festa da tainha em Brasília

Tem gente que pensa que o povo é marionete

Acontece nesta semana em Brasília a festa da tainha, onde cerca de 4.000 prefeitos se reuniram num festival de gastos pagos com o dinheiro do contribuinte.
Como vocês se lembram festa da tainha é o nome do escândalo ocorrido no Guarujá, aprazível cidade praiana paulista, onde os vereadores recebiam propinas pagas pelas empreiteiras que deveriam prestar serviços à comunidade, acredito que se chama festa da tainha, pois os tubarões se banqueteiam e as ratazanas também.
Pois ontem em Brasília o presidente Lula anunciou que vai abrir as torneiras dos financiamentos federais para todas as prefeituras brasileiras, inclusive aquelas que estão em débito com seus os compromissos, inclusive uma medida provisória que possibilita o parcelamento de débitos com o INSS em 20 anos, solução adotada quatro vezes nos últimos 12 anos e que ainda não resolveu o problema -a dívida só cresce.
Cerca de 40% dos prefeitos foram reeleitos em 2008, donde se conclui que existem vários caloteiros na platéia e entre os novatos certamente estavam novos prefeitos eleitos que esquecerão os casos de má administração da gestão anterior, deste jeito fica fácil: "eu não mexo nos seus podres e você não mexe comigo".
Discursando Lula afirmou que: “Tem gente que pensa que o povo é marionete, é vaca de presépio. Disseram que este ato eu ia fazer o pacote da bondade e que o presidente vai dar dinheiro para prefeito bandido.”
Realmente presidente, tem gente que pensa que o povo é marionete!

Texto de José Geraldo da Silva

Governo não sabe valor de ato com prefeitos

Despesas do encontro, que inicialmente eram de R$ 253 mil, já ultrapassam R$ 2 milhões; oposição diz que evento promoveu Dilma

DEM exige que ministérios detalhem os gastos com o evento; órgãos terão 30 dias para fornecer os dados depois de serem notificados

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Depois de convocar três entrevistas e divulgar dois valores diferentes, o governo federal ainda não sabe qual o custo real que teve para organizar o encontro nacional de prefeitos, que ocorreu em Brasília, nos dias 10 e 11 deste mês.
Em um primeiro momento, as despesas informadas pelo governo foram de R$ 253 mil com a organização, valor que subiu para R$ 1,8 milhão e agora já ultrapassa R$ 2 milhões.
O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) fechou a conta de R$ 1,8 milhão com base em informações repassadas pela Controladoria Geral da União e pelos ministérios de Cidades, Agricultura, Desenvolvimento Social, Educação, Cultura, Justiça, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Meio Ambiente.
O próprio ministro já admitia na entrevista concedida anteontem que o valor de R$ 1,8 milhão poderia ser maior já que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES também tiveram gastos. Como o BB confirmou despesas de R$ 400 mil em ações promocionais, o valor já passa dos R$ 2 milhões. O Ministério das Cidades foi o recordista em gastos: reservou R$ 1.349.832 para o evento. O governo agora vai esperar resposta de todos os órgãos federais para divulgar o total investido no encontro.

Oposição
DEM e PSDB ingressaram anteontem no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) alegando que o evento serviu para o governo divulgar a pré-candidatura de Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Palácio do Planalto.
O DEM também apresentou requerimentos de informações na Câmara para que os ministérios detalhem os gastos. Os órgãos terão 30 dias para fazer isso depois de serem notificados.
Um dia antes do encontro com os prefeitos, questionado sobre o valor total que o evento custaria ao governo, Múcio disse que seriam R$ 253 mil.
Na sexta-feira da semana passada, na ausência do ministro, coube a Olavo Noleto, subchefe-adjunto de assuntos federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, conceder uma entrevista para reafirmar os gastos de R$ 253 mil. Na ocasião, Noleto chegou a comentar as despesas: "Comprar papel higiênico para 15 mil pessoas não é qualquer coisa", afirmou.
Anteontem, ao descobrir que os ministérios também haviam reservado dinheiro para o evento, Múcio chegou ao número de R$ 1,8 milhão.

Da Folha de São Paulo de 20/02/2009

Meu comentário: se somarmos os gastos patrocinados pelas prefeituras esse valor é muito maior.

Denúncias de crimes virtuais crescem 300%

Número de investigações saltou des 620 para 1.975
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O NÚMERO de investigações sobre crimes na internet abertas pelo MPF (Ministério
Público Federal) cresceu 318% no ano passado.
Em 2007, foram abertos 620 procedimentos. Em 2008, o número subiu para 1.975.

Segundo o procurador Sergio Suiama, integrante do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, a maioria dos crimes cibernéticos envolve pornografia infantil,
que responde por 75% do total de denúncias.

Os dados foram apresentados em São Paulo ontem, Dia Mundial da Internet Segura
no Brasil, pelo MPF e pela ONG SaferNet.

O procurador Suiama disse que o crescimento no número de investigações é fruto de acordo celebrado com o Google em julho do ano passado.

A partir do acordo, a empresa de serviços de internet passou a encaminhar ao
MPF regularmente casos de páginas do Orkut que contivessem pornografia infantil,
denunciadas pelos próprios usuários.

Também ontem, foi assinado um protocolo de cooperação entre o MPF, a Fundação
Padre Anchieta (TV Cultura) e o Comitê Gestor de Internet.

Pelo protocolo, as três instituições se comprometem a cooperar no desenvolvimento
de ações de educação e informação dirigidas ao uso ético, seguro e responsável
da internet. Entre outras ações, o acordo prevê a inserção do tema internet segura
na programação regular da TV Cultura.

Texto de Ariel Kostman Jornal Metro de 11/02/2009

Obesidade infantil: MP quer comerciais fora do ar

MP quer comerciais fora do ar
Promotoria pede que empresas acabem com marketing infantil
.
O MINISTÉRIO PÚBLICO intimou as fabricantes do Nescau, Sucrilhos e de outros sete cereais para que se comprometam a banir os comerciais direcionados diretamente às crianças. As empresas têm 20 dias para responder à promotoria.
.
A decisão foi baseada em representações da Pro Teste e Alana, que acusam as empresas de estimular a obesidade infantil ao utilizar brindes, promoções e apelos
imperativos nos comerciais.
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Na intimação, o MP propõe que as fabricantes assinem um termo de ajuste de conduta para acabar com o marketing voltado às crianças e corrigir informações
erradas nos rótulos.
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Do Jornal METRO de 11/02/2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A súmula Dantas: o faz-de-conta no país da impunidade

A impunidade está consagrada, de hoje em diante só vai para a cadeia quem não tiver advogado competente, pois, caso esta decisão do Supremo não seja revista , os criminosos estarão livres da cadeia e poderão morrer de velhice aos 120 anos sem que a sentença definitiva de quarto grau seja proferida.

Assassinos confessos e provado como Pimenta Neves continuarão impunes

Trancrevo abaixo alguns textos da imprensa nacional a respeito do assunto.

A súmula Dantas e os promotores, do blog do Luis Nassif

Por Gersier: Transcrevo a nota de repudio de um promotor

Titulo da notícia: Juízes e promotores protestam contra decisão do Supremo de libertar presos que ainda têm recursos em julgamento

Cidade: Montes Claros/MG

Comentário: Como promotor de Justiça em Montes Claros e, sobretudo, como cidadão brasileiro indignado com referida decisão do STF - segundo o qual a Constituição exigiria, em regra, aguardar a condenação da

QUARTA instância para se prender alguém - envio a este portal eletrônico, logo abaixo, cópia de artigo de minha autoria, publicado no Jornal de Notícias deste domingo (08/02/09), solicitando divulgação neste espaço eletrônico a fim de que a sociedade seja alertada sobre a barbárie que irá se abater sobre este país caso esta decisão do STF não seja revista. Presunção de inocência e certeza da impunidade O Supremo Tribunal Federal, por sete votos a quatro, decidiu recentemente que acusado condenado pela segunda instância só deve ser recolhido à prisão depois de sua condenação ter sido confirmada pela terceira (STJ) e pela quarta (STF) instâncias. Referida decisão não precisa ser obrigatoriamente seguida pelos magistrados do país, pois não possui força vinculante. Porém, na prática, significa que, se o condenado pela segunda instância não conseguir ali mesmo permanecer em liberdade, basta ter fôlego - e dinheiro - suficientes para, ao recorrer, também impetrar habeas corpus até o STF e assim garantir o seu mais “novo” direito de permanecer solto por pelo menos uns dez anos depois do crime.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/09/a-sumula-dantas-e-os-promotores/


Discórdia, do Última Instância

Para o ministro Joaquim Barbosa, não se deve fazer “letra morta” das decisões das instâncias ordinárias, sob o risco de que todas as ações penais tenham que ser julgadas pela Suprema Corte. “Adotar a tese de que o réu possa recorrer em liberdade causará um estado de impunidade e aumentará a sobrecarga do Judiciário e do Supremo”, disse o ministro.

Ele ainda afirmou que a decisão do Supremo servirá especialmente para aqueles que dispõem de defensores que tenham como único objetivo utilizar o maior número de recursos possíveis, levando casos à prescrição sem que se tenha condenação final.

Ellen Gracie afirmou na sessão desta quinta que a tese de que só o trânsito em julgado levaria o réu à prisão poderia fazer com que ninguém fosse preso no Brasil.

Os ministros lembraram que existem criminosos confessos condenados em primeira e segunda instâncias e que, mesmo assim, não vão para a cadeia.

O relator do processo, ministro Eros Grau, já havia votado pela concessão do habeas corpus. Seguiram esse entendimento os ministros Celso de Mello, Cezar Peluso, Ricardo Lewandovski, Carlos Ayres Britto, Marco Aurélio e Gilmar Mendes, presidente da Corte.

Carlos Alberto Menezes Direito, que havia pedido vista do processo, entendeu que não existia impedimento para o cumprimento da prisão, sendo seguido pelos ministros Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Ellen Gracie.
http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/61818.shtml

Favorece a impunidade, do Globo Online

Juízes e promotores criticam decisão do STF de libertar presos até se esgotarem todas as possibilidades de recurso

Associações de juízes e promotores protestaram nesta sexta contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir que réus já condenados continuem em liberdade até se esgotarem todas as possibilidades de recurso. Para elas, o novo entendimento do STF, firmado na quinta-feira por sete votos a quatro, favorece a impunidade e torna ainda mais difícil que os criminosos paguem por seus atos na cadeia. Mas a mesma decisão foi festejada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que a classificou como "coerente com o Estado democrático de Direito". (O que você achou da decisão do STF?

O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Antonio Carlos Bigonha, afirmou que a mudança na jurisprudência do STF "foi um retrocesso". Ele disse que a decisão abre espaço para uma corrida ao tribunal de réus que, mesmo com a condenação em duas instâncias da Justiça, ainda possam pedir a anulação da pena:

- Ficamos perplexos e lamentamos a decisão, que criou um instrumento a mais para a impunidade. Agora vai ficar praticamente impossível mandar alguém para a prisão.

Para ele, a decisão dará aos advogados mais uma arma para apresentar recursos com a finalidade de adiar o cumprimento de penas. Ele alertou que isso pode levar muitas condenações a prescrever antes que o réu passe um só dia na cadeia:

- Os advogados terão uma arma para protelar até o infinito o cumprimento das penas.

Ajufe: mudança beneficia quem pode pagar advogado
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Fernando Mattos, disse que o novo entendimento do STF pode beneficiar um só tipo de réu: aquele que pode pagar bons advogados para manter a causa em aberto por tempo indeterminado:

- A grande massa da população carcerária não tem acesso a advogados e continuará presa. Essa decisão vai beneficiar quem pode pagar por uma boa defesa. A Constituição garante a todos o direito à ampla defesa, mas não podemos caminhar para um sistema insano em que nunca se chega a uma condenação definitiva.

Em nota, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse que a decisão reafirma o princípio da presunção de inocência, mas exige reformas urgentes para aumentar a celeridade dos julgamentos. "Ela está correta no mérito, pois seria injusto atribuir o ônus da saturação estrutural do Judiciário ao cidadão, impondo-lhe a prévia privação da liberdade", disse Britto
Texto de Bernardo Mello Franco
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/02/06/juizes-promotores-criticam-decisao-do-stf-de-libertar-presos-ate-se-esgotarem-todas-as-possibilidades-de-recurso-754307753.asp



Presunção de impunidade, de Frederico Vasconcelos na Folha de São Paulo

A SOCIEDADE foi surpreendida por uma mudança substancial na jurisprudência: por sete votos a quatro, o Supremo Tribunal Federal determinou que, para alguém ser preso, o processo tem que percorrer todas as instâncias, até chegar ao STF.
O Supremo tem chamado para si medidas tidas como destinadas a suprir omissões de outros Poderes, como a vergonhosa situação do sistema carcerário. Mas não são os presos por "crimes de bagatela", como furtos de escova de dentes e de chinelos, lembrados pelo ministro Celso de Mello, que entopem os tribunais de recursos. Tem faltado ao Judiciário disposição para conter a avalanche de recursos protelatórios em benefício de réus que podem contratar bons advogados.
O princípio da presunção de inocência está na Constituição desde 1988, mas a grita pelo respeito ao cidadão ganhou eco quando advogados criticaram, no ano passado, os excessos da Polícia Federal.
Vieram, então, a "Súmula das Algemas" e outras medidas que motivaram resistências da corporação policial, do Ministério Público Federal e de juízes do primeiro grau. O que surpreendeu no julgamento da última quinta-feira foi o alerta de ministros do próprio STF, talvez preocupados com os efeitos do passo dado pela Corte. Joaquim Barbosa advertiu para a criação de um sistema penal de "faz-de-conta", em que o processo jamais chegará ao fim. Foram também votos vencidos os ministros Menezes Direito, Cármen Lúcia e Ellen Gracie.
Em 2005, a ex-presidente do STF já afirmara que "em país nenhum do mundo, depois de observado o duplo grau de jurisdição, a execução de uma condenação fica suspensa, aguardando referendo da Corte Suprema". Estudo do MPF, que analisou a execução da pena em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, EUA e Alemanha, confirma o que disse a ministra.
Brasília parece ter ficado mais distante do país real. A sociedade aplaudiu quando a Justiça Federal condenou responsáveis pela monumental lavagem de dinheiro no caso Banestado. E quando o inquérito do mensalão resultou em ação penal contra parlamentares da base de apoio do governo Lula.
É preocupante a reação dos juízes desses dois casos. "É um retrocesso. A sensação de impunidade vai aumentar", diz o juiz federal Jorge Gustavo Macedo Costa (mensalão). "Estou me questionando, como juiz criminal, se vale a pena dar impulso a ações penais em relação a crimes de colarinho branco, já que, de antemão, sei que estão fadadas ao fracasso", diz Sergio Fernando Moro (Banestado).
Embora a decisão do STF seja "juridicamente sustentável" (segundo Costa) e "juridicamente razoável" (segundo Moro), a bandidagem de alto calibre -e seus defensores- devem estar exultantes.

Texto de Frederico Vasconcelos na Folha de São Paulo de 10/02/2009


Processo eterno, da Folha de São Paulo

A CONSTITUIÇÃO não deixa margem a dúvida quando determina que "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Deduz-se facilmente desse enunciado que a execução da pena só poderá ser iniciada uma vez esgotados todos os recursos no Judiciário.
A decisão do Supremo Tribunal Federal que efetivou o nexo entre aquela garantia constitucional e este corolário, no entanto, despertou muita controvérsia. Ao impedir a chamada execução provisória -a prisão, para fins de cumprimento de pena, de pessoas condenadas em segunda instância-, a corte inverteu o entendimento que prevalecia em tribunais inferiores.
A reviravolta produzida pelo STF é inquestionável no mérito, pois invoca e reforça um patrimônio inalienável das democracias modernas, a presunção de inocência. Mas o julgamento projeta repercussão preocupante, para não dizer danosa, considerada a realidade da administração da Justiça no Brasil.
O problema não está na propalada ameaça de soltura em massa de criminosos perigosos. O precedente do Supremo afeta apenas os réus que já estavam qualificados para responder processo em liberdade. Acusados que representem perigo para a sociedade, que já tenham antecedentes criminais ou que possam fugir continuam sujeitos à prisão preventiva até o fim do juízo.
O risco da medida do STF é reforçar o estigma censitário da distribuição da Justiça no Brasil. Réus em condições de pagar bons advogados ganham margem para protelar os trâmites e, assim, adiar -muitas vezes evitar- o cumprimento da pena.
Decerto abrir mão de princípios não é o melhor caminho para sanar essa falha. A saída é pôr abaixo o sortimento monumental de recursos estéreis, que só fazem retardar os trâmites processuais no país e promover, desse modo, a impunidade.
Editorial da Folha de São Paulo de 11/02/09

STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato
STF dá liberdade a cinco presos condenados por crimes graves

O ministro Gilmar Mendes, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira -  Foto: Gustavo Miranda - O Globo

STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato. Decisão mantém condenados em liberdade até que o último recurso seja julgado.

BRASÍLIA - Cinco presos condenados por crimes graves, que ainda têm o direito de recorrer da sentença, foram beneficiados com a liberdade, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Os julgamentos foram realizados de forma breve, com base em uma decisão da semana passada na qual os ministros sacramentaram o direito de liberdade de um réu até que o caso tramite em julgado - ou seja, até que não haja mais possibilidade de apresentar recurso judicial à pena. As decisões foram tomadas por oito votos a dois. (Esta decisão do STF abre precedente para casal Nardoni ser tratado como inocente)

Assim como na semana passada, Ellen Gracie e Joaquim Barbosa discordaram da tese, por entender que, em alguns casos de crimes graves, o réu não merece recorrer em liberdade. Na ocasião, Barbosa criticou a tese que prevaleceu no plenário por, segundo ele, reforçar a idéia de que no Brasil há "um sistema penal de faz de conta".

Na sessão desta quinta-feira, foram beneficiados um homem condenado a quatro anos de prisão por tentativa de estupro no Rio de Janeiro, um estelionatário condenado a quatro anos e meio por ter praticado o crime de forma continuada; um ladrão que cumpria pena de sete anos e meio por roubo qualificado; e dois réus sentenciados por apropriação de bens e rendas públicas (um cumpria pena de quatro anos de prisão e o outro, de três). (Pedidos de vista retardam julgamentos no STF e permitem que os réus nunca sejam julgados)

Quatro já estavam soltos beneficiados por liminares

Com exceção do condenado por roubo qualificado, os outros já tinham sido soltos por liminar dada pelo ministro Ricardo Lewandowski. O réu que ainda estava preso teve um pedido de liminar recusado pela relatora, ministra Carmen Lúcia. Ela é contrária à libertação de presos só porque eles podem recorrer da decisão. No entanto, como a maioria dos ministros defendeu a tese, mudou de posição, nesta quinta, "em nome da coesão do tribunal" - embora tenha apresentado uma ressalva com sua opinião. O ministro Menezes Direito, que também tinha votado contra o benefício semana passada, fez a mesma ponderação de Carmem Lúcia nesta quinta e votou a favor.

Segundo Lewandowski, relator de quatro habeas corpus, um preso que ainda está recorrendo judicialmente não pode ser beneficiado com a progressão do regime - como, por exemplo, trocar o regime fechado pelo semiaberto, ou pleitear o direito de estudar ou de trabalhar enquanto estiver cumprindo a pena. Ele citou o exemplo do preso condenado por estelionato. A sentença determinava o regime semiaberto, mas como ele ainda estava recorrendo, era obrigado a cumprir a pena em regime fechado, sem direito a nenhum benefício.

- É uma flagrante ilegalidade. Se ele ficasse preso processualmente, não teria direito a nenhum benefício prisional. Numa prisão processual, ele ficaria preso em regime fechado até o cumprimento de sua pena - disse Lewandowski.

- É uma pena exacerbada - concordou Ayres Britto.

O ministro Marco Aurélio Mello lembrou que o STF já reconhece o direito de presos nessa situação. Esse direito, entretanto, não é automático: o interessado teria de pedir a progressão do regime ao tribunal e esperar o julgamento.

No STJ, ministros mantiveram réu preso

Na sessão desta quinta, os ministros não transformaram em súmula vinculante o entendimento sobre presos que ainda podem recorrer da sentença. Se tivessem aprovado a súmula, ações semelhantes que chegassem ao tribunal não precisariam ser examinadas caso a caso; o direito já seria garantido e aprovado automaticamente. Os ministros concordaram em julgar individualmente casos como esses, sempre a favor da libertação, sem a necessidade de levar ao plenário para o conhecimento dos demais ministros. Apenas Marco Aurélio discordou:

- Continuo acreditando que cada qual deve formar convicção. Nós não devemos colocar o julgador numa camisa-de-força, compelindo-o a decidir em determinado sentido. Continuarei decidindo conforme minha ciência e consciência.

Gutemberg Xavier Alves, condenado por tentativa de estupro, teve o habeas corpus negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em maio de 2007. No despacho, o relator, ministro Felix Fischer, escreveu que uma condenação confirmada por tribunal de segunda instância - no caso, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro - só é passível de recurso extraordinário, "razão pela qual se afigura legítima a execução de pena privativa de liberdade antes do trânsito em julgado da respectiva condenação".

A ministra Laurita Vaz, do STJ, é outra opositora da tese do STF. Ao negar habeas corpus a Orides Zanardi, condenado por apropriar-se de bens e rendas públicas, escreveu: "Este STJ firmou entendimento de que a execução provisória do julgado constitui mero efeito da condenação, não se cogitando de qualquer violação ao princípio do estado presumido de inocência". 

Reportagem de Carolina Brígido, publicada em 12/02/2009 às 23h41m pelo Globo Online

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/02/12/stf-da-liberdade-cinco-presos-condenados-por-crimes-graves-754387700.asp

Justiça tarda e falha

Do noticiário da última sexta-feira: "O inquérito contra (Valdir) Raupp chegou ao STF em julho de 2003. O julgamento em plenário da denúncia apresentada pelo Ministério Público começou em abril de 2007, quando seis ministros concordaram com a abertura da ação penal. Gilmar Mendes pediu vista e só devolveu o caso ontem (2009), após quase dois anos com o processo em suas mãos. Quando finalmente devolveu, foi a vez de (Carlos Alberto) Direito pedir vista". A reportagem é assinada por Carolina Brígido, de "O Globo".
Como governador de Rondônia, Raupp assinou um convênio com o Banco Mundial (Bird) para o repasse de R$ 21,7 milhões para o Estado. O dinheiro foi usado para saldar dívidas diversas. A reportagem mereceu manchete na primeira página do jornal carioca: "STF agora solta réus de casos de estupro, roubo e estelionato. Decisão mantém condenados em liberdade até que o último recurso seja julgado".
São numerosos (e escabrosos) os réus condenados em diversas instâncias e que esperam em liberdade a decisão do Supremo. Há processos em que, apesar das evidências, os acusados não confessam o crime, o que minimamente pode dar origem a uma dúvida que sempre beneficia o réu. Seria o caso do casal Nardoni, que está preso, mas poderá ser libertado até que os recursos apresentados sejam julgados em instância superior.
Mas há exemplos em que há réus confessos, como o do jornalista que matou pelas costas a namorada que lhe deu o fora. Foi condenado a muitos anos, mas continua em liberdade, esperando atingir a idade em que a pena poderá ser prescrita ou reduzida a quase nada.
Os habeas corpus sucessivos concedidos pelo atual presidente do STF também estarreceram a sociedade.    Texto de Carlos Heitor Cony na Folha de São Paulo de 15/02/2008


O STF e a presunção da inocência 

A MAIS recente orientação do Supremo Tribunal Federal promete causar grandes repercussões no quadro da segurança pública brasileira. O fato de que presos do regime fechado, condenados por roubo, estupro e estelionato, entre outros, podem aguardar em liberdade a exaustão dos recursos processuais, com base nos princípios constitucionais da presunção da inocência e da ampla defesa, poderá desencadear a maior onda de habeas corpus da história jurídica brasileira, beneficiando metade da população carcerária no Brasil, de cerca de 500 mil pessoas.
Como o tema é polêmico, a partir dessa orientação surgiram diversas correntes filosóficas para discutir a questão e dividir opiniões. Inobstante esse princípio ser considerado a maior garantia para os cidadãos em um Estado democrático de Direito, o que não se discute, uma corrente considera a orientação um incentivo à criminalidade ao gerar sensação de impunidade, contribuir para o enfraquecimento das autoridades judiciária e policial, dificultar as ações de combate ao crime e, além disso, aumentar consideravelmente a carga de trabalho do Judiciário.
Outra corrente acredita que serão beneficiados apenas réus condenados por crimes de colarinho branco e integrantes do crime organizado, pois, com a profusão de recursos disponíveis e a quantidade de processos a serem julgados, alguns desses crimes decerto prescreverão, deixando impunes seus autores. Em suma, "bandido rico não vai para a cadeia". Há ainda os que consideram a decisão um equivoco do STF pois o mérito do fato imputado ao acusado é decidido na primeira e na segunda instâncias do Judiciário. Já as decisões do Supremo, em recurso extraordinário, não analisam mérito, mas apenas se houve vício procedimental que possa anular o processo por contrariar dispositivo constitucional.
Nessa mesma linha, existem outros exemplos de decisão. Uma dessas foi a promulgação da lei que modifica dispositivos da Lei de Crimes Hediondos, sob o argumento de que deveria ser dada nova esperança aos réus que nela são enquadrados e julgados, no sentido de proporcionar "maior oportunidade para sua ressocialização". O resultado foi que as penas para crimes hediondos, como homicídio praticado por grupos de extermínio, latrocínio, extorsão mediante sequestro e morte, estupro e corrupção, entre outros, podem ser cumpridas inicialmente em regime fechado, permitindo também a progressão de regime -o que era vedado anteriormente.
Outra decisão foi a edição da súmula vinculante nº 11, a qual determina que seja justificado por escrito, pela autoridade policial, o uso de algemas, sob pena de responsabilidades disciplinar, civil e penal e nulidade da prisão ou até do ato processual. Essas querelas jurídicas até poderiam ter um impacto positivo caso não existissem 550 mil mandados de prisão a serem cumpridos, 1,5 milhão de foragidos da Justiça, caos no sistema penitenciário -o que torna impossível o processo de ressocialização-, defasagem material e em efetivos policiais e sobrecarga no sistema judiciário. Não se pode ignorar que a sociedade vem sofrendo consequências diretas desse quadro. Isso é demonstrado por recentes pesquisas de opinião que apontam que 89% dos brasileiros acreditam que a segurança é hoje o principal problema do país e que 81,5% dos entrevistados defendem a maioridade penal aos 16 anos, entre outras questões.
O principio da presunção de inocência é uma garantia que deve ser respeitada, pois é legítimo e necessário. Todavia, seu embasamento deve ser precedido de uma avaliação de maior profundidade, como a análise do contexto social. É nesse contexto que a decisão do STF, a exemplo de outras do gênero, não atende aos anseios da sociedade brasileira e poderá contribuir para uma maior sensação de insegurança nas comunidades.
De que adianta o Brasil ser considerado pioneiro na defesa dos direitos de criminosos -na vanguarda dos países onde "não existe tamanha proteção aos réus", afirmação feita como alerta por um dos ministros do STF, se convivemos com índices alarmantes de violência e criminalidade?

Texto de ANDRÉ LUÍS WOLOSZYN, 44, analista de inteligência estratégica pela Escola Superior de Guerra, é especialista em ciências penais, criminologia e terrorismo (EUA), na Folha de São Paulo de 07/03/09.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Disque 100 já recebeu 78 mil denúncias

Desde 2003, serviço Disque 100 já recebeu 78 mil denúncias

O serviço brasileiro de denúncias de exploração de crianças e adolescentes recebe hoje oito vezes mais telefonemas por dia do que cinco anos atrás.
Neste ano, até o mês passado, o Disque 100 recebeu, em média, 94 denúncias diárias. Em 2003, eram 12.
A ligação é gratuita, e as denúncias podem ser feitas de maneira anônima. Desde 2003, o Disque 100 recebeu perto de 78 mil denúncias de todo o país, principalmente das regiões Nordeste e Sudeste.
As denúncias recebidas são enquadradas nas categorias negligência (35% dos casos nesses cinco anos), violência física e psicológica (34%) e violência sexual (31%).
O Disque 100 foi criado em 1997 e está a cargo da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que é ligada à Presidência da República.
O serviço funciona diariamente, das 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e nos feriados.
As denúncias recebidas são encaminhadas às autoridades competentes, como conselhos tutelares e delegacias de polícia. Quando se trata de tráfico de crianças e adolescentes, o caso é imediatamente repassado à Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal.

Texto de Ricardo Westin na Folha de S. Paulo de 11 de outubro de 2008.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Cotochés encerra atividades e a marolinha de demissões


Mais grave do que as demissões em massa que têm sido anunciadas pelas grandes companhias são os cortes promovidos pelas empresas de menor porte, na opinião de Valdir Pietrobon, presidente da Fenacon (federação de empresas contábeis). "Ninguém está vendo a quantidade de pequenas empresas que estão sendo fechadas e as demissões que isso traz", afirma. Segundo Pietrobon, que também tem um escritório, cerca de 20% dos funcionários de seus clientes já foram demitidos. "Isso devia ser uma preocupação nacional. Se uma empresa tem dez funcionários e manda três embora, é muito sério, apesar de socialmente não parecer tanto." (1)

Cotochés encerra atividades
Um exemplo deste desastre social aconteceu em Rio Casca em Minas Gerais, onde a Perdigão demitiu 163 trabalhadores e o governo federal nada fez para impedir.
Eu digo o governo federal, pois o controle acionário da Perdigão, 55,38%, está nas mãos dos fundos de pensão que são controlados por companheiros do PT

Vejam a composição acionária da Perdigão, conforme a ANAPAR(2)

% participação dos principais acionistas

15,72% - PREVI - Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil
11,72% - PETROS - Fundação Petrobrás de Seguridade Social
6,43% - SISTEL -Fundação Telebrás de Seguridade Social -
4,59% - FAPES Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES -
4,15% - VALIA - Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social
3,55% - REAL GRANDEZA - Fundação de Previdência e Assistência Social
2,17% - LIBRIUM Fundo de Investimentos em Títulos e Valores Mobiliários
1,50% - PREVI-BANERJ Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Banerj
0,11% - PSPP Perdigão Sociedade de Previdência Privada -
5,45% - Weg Participações e Serviços S.A.
55,38% - Total

A partir de agora as operações industriais ficarão concentradas na unidade de Sabará, onde serão fabricados leites fluidos, aromatizados e creme de leite.
A produção de queijos e requeijão será terceirizada, também em fábricas mineiras.
As instalações de Rio Casca devem funcionar apenas como posto de recepção e resfriamento da produção de leite da região. Com o fim das operações industriais da unidade, 163 funcionários de Rio Casca foram dispensados. Alguns colaboradores permanecerão para trabalhar na recepção e resfriamento do leite.
Uma verdadeira selvageria que se faz com a economia riocasquense.
Mais do que lamentar o ocorrido; num momento como este há que se empenhar, o poder executivo e a iniciativa privada para que outros investimentos venham fortalecer a economia de nossa cidade.
Imaginem o seguinte impacto :
Se 163 demitidos receberem um salário mínimo cada (nivelando por baixo), então serão aproximadamente R$65.000 mensais a menos em nossa cidade, sem contar arrecadação de impostos e etc.
É utópico acreditar que o acordo com os produtores rurais garante os recursos para o município pois esta é uma pequena parte beneficiada no âmbito da economia da cidade já que os demitidos não possuem mercado de trabalho oferecendo recolocação.
Se vai a Cotoches, esforço de todos se faz necessário para que não tenhamos um quadro caótico em nossa cidade.
Menos recursos significam menos dinheiro para todos, mais inadimplência, maior criminalidade a médio prazo; e a longo prazo uma evasão de comércios, investimentos e pessoas.
E todo o discurso que todos sempre fazem sobre a localização geográfica, a passagem da BR e etc ?
Não dá pra ficar sem perguntar quem é que ganha com isso.
Subsídios de impostos, doação de áreas para um parque industrial, subsídio de formação e capacitação de mão de obra são coisas obrigatórias de se pensar para que possamos reverter a situação e não nos tornarmos uma cidade abandonada.(3)

Créditos
(1) Da coluna Mercado Aberto da Folha de São Paulo de 25/01/2009
(2) Da revista da ANAPAR - http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=378

(3) Do Rio Casca On Line de 05/01/2009 - http://riocascaonline.com.br/

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A farra dos cartórios

Em vez de modernizar serviço notarial, Câmara discute votar anistia escandalosa a tabeliães indicados sem concurso

O ESPÍRITO da anistia contagiou Brasília. Deputados e senadores empenham-se em votar projetos que presenteiam -à custa do contribuinte, do usuário de serviços públicos e de princípios constitucionais- setores enrascados com a lei.
É o caso de 3,7 mil titulares de cartórios -28% dos 13.416 no país- que correm o risco de perder as sinecuras caso uma determinação que consta da Carta desde 1988 seja, enfim, aplicada. Trata-se do preceito que manda preencher esses cargos apenas por concurso público. A Câmara tem engatilhado um projeto de emenda constitucional tornando efetivos titulares de cartório indicados para o cargo por algum padrinho na administração.
Há poucas efetividades mais efetivas, com perdão do pleonasmo, do que ser agraciado com um cartório no Brasil. O posto é vitalício. O proprietário terá renda assegurada até o fim da vida, titular de um oligopólio, quando não de um monopólio, para a venda de serviços que em grande parte se tornaram obsoletos e inúteis.
Ao abrigo da concorrência, o tabelião não tem interesse em oferecer serviços diferenciados. É estimulado apenas a estrangular custos, a fim de aumentar a margem de ganho pelos serviços que presta -regiamente remunerados com base numa tabela, fixada pelas Assembléias estaduais sem critério transparente.
À mercê do atendimento precário e obrigados a procurar o serviço por força de uma miríade de exigências burocráticas, os usuários sofrem as conseqüências do arcaísmo. O concurso público foi um passo tímido rumo à modernização dos serviços notariais. As relações econômicas e sociais no Brasil ainda são oneradas inutilmente nesse modelo colonial de gestão pública.
A reforma dos cartórios deveria começar pela separação entre interesse público e assuntos privados. Registros de imóveis, por exemplo, ficam na primeira categoria, que deveria ser exercida diretamente pelo governo -no caso, pelas prefeituras.
O que for privado, como o registro de contratos e a grande maioria dos serviços, deveria ser submetido a um regime de livre concorrência. Quem quiser abrir um cartório e reunir as condições mínimas para tanto, que abra, cobre o preço que quiser e submeta-se à regulação pública. Outra necessidade crucial é simplificar radicalmente as exigências documentais feitas pelas diversas esferas do governo. Não se evita fraude, por exemplo, com o "reconhecimento" da assinatura.
Em vez de votar a escandalosa anistia, os legisladores deveriam emancipar os cartórios de sua origem patrimonialista.

Editorial da Folha de São Paulo de 16/12/08

A rebeldia juvenil do Banco Central

O trem da economia não terá como andar se uns pisam no freio por rebeldia juvenil ou para reafirmar sua autonomia




QUEM É mais observador já percebeu que, desde o início da crise aguda no sistema financeiro internacional, houve uma certa trégua no combate à equivocada política brasileira de juros. Entendeu-se que a incerteza gerada pelo colapso no sistema financeiro mundial justificava uma parada para reavaliação do cenário.
Passados, porém, três meses desde o fatídico 15 de setembro e tendo o Banco Central do Brasil tomado a decisão de manter por mais 45 dias a absurda taxa básica de juros de 13,75% ao ano, a trégua terminou.
Não dá para entender em que mundo vivem os diretores do Banco Central. Se olharem para fora, verão que os principais BCs do mundo cortaram drasticamente suas taxas de juro nos últimos três meses. O Fed, dos EUA, cortou 50% da taxa, ou seja, de 2% ao ano para 1%, e deverá fazer um novo corte hoje. O ortodoxo BC europeu baixou de 4,25% para 2,5%. Gastaria todo o espaço deste artigo se escrevesse aqui a lista completa dos países que cortaram juros, desde Japão até Portugal, França, Reino Unido, Índia, Canadá, Holanda, Vietnã etc. etc. etc.
Os bancos centrais fizeram isso por duas razões: primeiro porque desapareceu o risco de inflação, o velho inimigo número um. A preocupação atual é com a deflação, que já se manifesta em muitos países. Na Alemanha e no Japão, por exemplo, os preços no atacado já apresentam quedas históricas. As cotações das commodities internacionais, inclusive do petróleo, caíram mais de 60%. Segundo porque o desaquecimento foi ainda mais rápido do que se esperava, e vários países já estão em recessão. Nessas circunstâncias, o juro baixo e o crédito amplo passam a ser o oxigênio para a recuperação.
No Brasil, não é diferente. Todos os índices de inflação estão em queda. O IGP-DI, da FGV, subiu apenas 0,07% em novembro e os preços no atacado registraram deflação de 0,17%. A economia esfria a olhos vistos. A primeira estimativa do comportamento da indústria em novembro, elaborada com base no consumo de energia, mostra queda de 6% sobre outubro.
Entre as várias analogias usadas sobre a economia, a mais adequada é a que a compara a um trem. Não é possível acelerar nem frear muito rapidamente. Quando se aumenta a velocidade, é preciso esperar um tempo até que o trem alcance a velocidade desejada. Os bancos centrais do mundo inteiro estão fazendo isso agora: aceleram para que a economia volte a avançar em 2009 ou em 2010. Aqui no Brasil, o BC faz o contrário: pisa no freio.
A esta altura da crise, soa até ridículo alinhar argumentos a favor da queda dos juros. Isso é uma obviedade ululante, como diria Nelson Rodrigues. Só uma rebeldia juvenil do Banco Central pode justificar a manutenção da taxa de 13,75%, que já era exagerada em tempos de prosperidade e virou excêntrica em um momento de gigantesca crise.
Vale lembrar que essa atitude tem custo direto e elevado. Estima-se que cada ponto percentual na taxa Selic aumente em R$ 10 bilhões os gastos anuais do governo com a dívida pública. Esses recursos seriam muito mais bem aplicados em investimentos públicos, tão necessários na batalha que se começa a travar contra a recessão e o desemprego. O trem da economia não terá como andar se, enquanto uns tentam acelerar seu ritmo com medidas anticíclicas, outros pisam no freio por simples rebeldia juvenil ou para reafirmar sua autonomia.

Texto de BENJAMIN STEINBRUCH , 55, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Na Folha de São Paulo de 16/12/08

Comentário nesta terça-feira 16/12/08 o FED baixou ainda mais as taxas de juros



domingo, 14 de dezembro de 2008

Metas para a educação

ACABA de ser divulgado o primeiro relatório do movimento Todos Pela Educação, organização que reúne empresários, educadores, ONGs e fundações. Trata-se de iniciativa apartidária que tem o apoio do Ministério da Educação e de secretarias estaduais.

O projeto estabeleceu em 2006 cinco metas a serem atingidas até 2022: universalização do ensino até os 17 anos; alfabetização de todas as crianças até 8 anos; todo aluno com aprendizado esperado para sua série; todo jovem com o ensino médio concluído até os 19 anos; investimento adequado em educação.
Um dos pontos positivos da iniciativa foi ter estabelecido metas intermediárias para a verificação do progresso em relação aos objetivos finais. Os dados sobre o cumprimento da primeira dessas etapas agora vêm à luz.
Se a universalização avançou no país (90,4% das crianças estão na escola, perto da meta de 91%), a qualidade deixou a desejar. O aprendizado de português ficou abaixo do pretendido para os alunos de 4ª e 8ª séries. Em matemática, os alunos do último ano do ensino médio mostraram desempenho insuficiente. Menos de 30% dos Estados atingiram a meta.
Em relação à alfabetização até os 8 anos, ainda não há um indicador nacional confiável para que se monitore a meta de 80%, fixada para 2010. Já o investimento em educação básica atingiu 3,7% do PIB no país, em 2006. O objetivo é que a cifra chegue a 5% até 2010.
Mais que elevar os dispêndios, entretanto, é preciso otimizar os recursos disponíveis, além de mobilizar parcerias, o que foi feito recentemente com o chamado sistema S. Além disso, um programa nacional de metas para a educação deveria estabelecer, também, outros objetivos quantificáveis, como a redução nas faltas de professores e alunos.

Da Folha de São Paulo de 14/12/08

Minha pergunta: você já convenceu algum adulto a se alfabetizar?


O golpe militar de 1968

Ernesto Geisel governa imperialmente. Numa das mãos, a abertura política; na outra, o AI-5. A flor e o chicote, que usa bastante

"MOURÃO, SE você lesse o primeiro, cairia duro no chão, aqui. Era uma barbaridade. Fechava-se o Congresso, modificava-se o Judiciário, além de várias outras medidas de caráter nazista feroz. Recusei assiná-lo. O segundo era mais brando e, como quem toma um purgante ruim, assinei-o."
Palavras do presidente Costa e Silva sobre o sinistro ato institucional nº 5, anotadas por Olympio Mourão Filho, o açodado general mineiro que desencadeou o golpe de 1964.
Poderoso e venenoso purgante despejado goela abaixo dos brasileiros na sexta-feira 13 de dezembro de 1968.
Filho do radicalismo e da intolerância, chega com violência, censura, prisões a torto e a direito. Como a do cordial presidente JK, jogado num cubículo fétido de quartel fluminense. Ou a do demolidor político Carlos Lacerda, antigo expoente do regime, depositado num quartel carioca. Agora aliados, lutavam pela democracia.
Extraordinário 1968! Idéias e causas libertárias empolgavam boa parte do mundo. No Brasil, forte efervescência política. Crescimento das oposições, protestos, desafiadoras passeatas de estudantes, ações pontuais de guerrilha urbana, aumento da tensão, enrijecimento do regime. A linha dura militar, que controlava o poder, preparava golpe dentro do golpe.
Em 2/9/68, no apagado pinga-fogo da Câmara, o jovem deputado Marcio Moreira Alves desanca recente invasão militar na UnB. Trecho: "Quando não será o Exército um valhacouto de torturadores?". O governo exige punição por ofensa às Forças Armadas. A questão vai ao STF e daí à Câmara, que, em 12/12/68, num clarão de altivez, nega licença para processá-lo.
É o pretexto. "Ou a revolução continua ou a revolução se desagrega", diz o marechal-presidente no dia seguinte, ao abrir a 43ª reunião do Conselho de Segurança Nacional, que aprovou o AI-5. Do general Ernesto Geisel, muito depois: "Costa e Silva só tinha duas soluções: ou fazia o AI-5 ou renunciava".
Centralização do poder, Congresso fechado, constrangimento do Judiciário, direitos civis comuns suspensos, imprensa amordaçada, repressão impune e descontrolada, à moda "Cacete não é santo, mas faz milagre".
Cassações, prisões abusivas, tortura, seqüestros, desaparecimentos, mortes. Espaços fechados, aumentam as opções pela guerrilha. Luta fratricida, no contexto da Guerra Fria. Tancredo Neves: "O AI-5 é o instrumento mais repressivo que já existiu na civilização dos povos cultos".
Costa e Silva tenta se redimir com projeto de Constituição mais liberal e fim dos atos institucionais. Mas sofre derrame em agosto de 69 e sai de cena. Vez do terceiro golpe: o poder militar barra a posse do vice-presidente Pedro Aleixo e faz eleger o general Emílio Garrastazu Médici, entusiasta do AI-5, empossado em 30/10/69.
É o auge dos anos de chumbo e, na economia, do chamado milagre brasileiro. Ventos externos favoráveis, escalada de investimentos, expansão acelerada de renda e emprego. E o AI-5 açoitando, repressão à solta, censura implacável, intensa propaganda oficial, popularização do presidente.
Geisel assume em 15/3/74. O céu de brigadeiro tinha acabado. A primeira crise energética abatera o milagre. Dificuldades de crescimento, endividamento, inflação assanhada, fadiga do regime, conveniência de mudar.
Disciplinado, viciado em trabalho e centralizador, Geisel governa imperialmente. Mas adota lenta e cautelosa política de distensão, com avanços e recuos e progressivo envolvimento da sociedade. Numa das mãos, a abertura política; na outra, o AI-5. A flor e o chicote, que usa bastante, inclusive para fechar o Congresso e legislar sem ele. Enquadra os radicais e a própria ditadura. Coroa a liberalização do período com o fim do AI-5, jogado no lixão da história, a partir de 1979, pela emenda constitucional 11, de 13/10/ 78. "Consegui vencer todas as resistências e acabar com o AI-5, que era uma das excrescências que tínhamos."
Vigorou dez anos e 18 dias. Intimidou, feriu, atiçou a violência. Oprimiu a sociedade, puniu arbitrariamente mais de 1.600 pessoas. Cassou 113 mandatos de deputados federais e senadores, 190 de deputados estaduais, 38 de vereadores e 30 de prefeitos.
O povão era contra?
Logo depois do AI-5, Carlos Lacerda fez greve de fome na prisão. Tinha problemas de saúde, corria risco. Seu irmão foi vê-lo. Contou que a imprensa não dera nada, fazia um sol maravilhoso, as praias estavam cheias, o povo, despreocupado. Arrematou: "Carlos, você vai morrer estupidamente.
Quer fazer Shakespeare na terra de Dercy Gonçalves". Funcionou.
Em abril de 1997, ouvi do hoje presidente Lula que, se houvesse eleição presidencial direta no final de 1973, o general Médici começaria a campanha com mais de 70% dos votos. Por quê? Economia bombando, falta de consciência política.


Texto de RONALDO COSTA COUTO, 66, escritor, doutor em história pela Sorbonne, foi ministro do Interior e ministro-chefe da Casa Civil (governo Sarney). É autor, entre outras obras, de "História Indiscreta da Ditadura e da Abertura".

Da Folha de São Paulo de 14/12/08

sábado, 13 de dezembro de 2008

Peripécias de uma cueca

AS PERIPÉCIAS DE UMA CUECA, por Edmar Melo


Foi flagrada uma cueca
Recheada de dinheiro
Com euro e dólar escondido
Junto com um passageiro
E além da bagatela
Quem estava dentro dela
Era um dos mensaleiros.


Cueca fazendo câmbio
Já é fato corriqueiro
E sendo samba canção
Acomoda mais dinheiro
Tudo isso começou
Com um ilustre assessor
De um deputado matreiro

Já vi dinheiro escondido
Debaixo de um colchão
Já vi do tipo botija
E enterrado no chão
Porém, era só merreca
Já que fortuna em cueca
Só quer andar de avião.

A cueca concorrer
Com agência de viagem
Com uma casa de câmbio
É uma grande sacanagem
Ela não paga imposto
E o guardião do posto
Não leva qualquer vantagem.

Quem usa o traveler chech
Corre até menos perigo
Pode mandar cancelar
Caso roubado ou perdido
Porém, cueca hoje em dia
Já virou lavanderia
De passageiro atrevido

Já pensou se o pintinho
Resolver se rebelar
Sufocado com a grama
Entender de urinar
Daí vem o prejuízo
Pois lavar grana com mijo
É certeza desbotar.

Comentário Luis Nassif: Se ocorrer o incidente, haverá liquidez para a cueca.

Do blog do Luis Nassif 12/12/08 17:00 

http://www.projetobr.com.br/web/blog/5

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Marolinha de 480 bilhões

Em três meses, medidas para conter crise já somam quase R$ 480 bilhões



Desde o agravamento da crise global, a partir de 15 de setembro, quando vendeu dólares pela primeira vez para atenuar o impacto das turbulências, até essa quinta-feira, quando anunciou um pacote de redução de impostos para estimular o consumo , o Executivo já empenhou R$ 479,676 bilhões na operação anticrise. 
Como mostra reportagem do Globo, nesta sexta-feira, o marco inicial da ação federal foi 18 de setembro , três dias após a falência do Lehman Brothers, quando o real começou a se desvalorizar. À medida que a cotação do dólar escalava, o volume de venda de moeda americana - e o número de instrumentos utilizados, hoje cinco ao todo - aumentou. Já foram mais de US$ 50 bilhões.
Outro mecanismo que ganhou espaço foi o compulsório bancário . Começou como forma de ampliar recursos para bancos e virou uma estratégia para salvar instituições pequenas. O reforço veio com a Medida Provisória 443, que permitiu a compra de bancos por Caixa Econômica e Banco do Brasil. 
O primeiro setor produtivo atendido pelo governo foi a agricultura, seguido pelo setores exportador , automotivo , da construção civil e microempreendedor. 
O próximo alvo serão as medidas para evitar demissões. 

Elogios e cobranças no Congresso

As medidas anunciadas quinta-feira, especialmente a ampliação do número de alíquotas da tabela do IR, foram elogiadas por parlamentares da oposição e da base governista. Mas os parlamentares reclamaram que o governo poderia ter sido mais ousado, aliviando parcela maior da classe média. 
O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), disse que foi uma boa decisão e que o governo está percebendo que tem que agir e fazer o necessário para manter a economia real funcionando. Já Rodrigo Maia, presidente Nacional do DEM, disse que ainda é pouco, apesar de ser um alívio no bolso do contribuinte. 
O senador Paulo Paim (PT-RS) avaliou que as medidas vão "fortalecer o emprego. 

Pacote precisa estimular confiança

Especialistas ouvidos pelo O Globo afirmam que as medidas precisam atingir a confiança do consumidor, caso contrário, o pacote pode não ser suficiente para estimular o consumo e reduzir os efeitos da crise financeira global. 
Segundo Miguel Ribeiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as medidas são positivas. Isoladas, contudo, não estancam os efeitos da turbulência financeira no país. 
Para o presidente do Sinduscon-SP, Sérgio Watanabe, as medidas são importantes, mas as vendas de imóveis podem permanecer em queda se a confiança do consumidor não melhorar. 

Fonte: Globo Online
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/12/11/em_tres_meses_medidas_para_conter_crise_ja_somam_quase_480_bilhoes-586971064.asp

Jobim reconhece influência de ONGs na Raposa do Sol

Jobim culpa ONGs por discurso alarmista e diz que índios querem Exército na Raposa

O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse nesta sexta-feira que as comunidades indígenas da reserva Raposa/Serra do Sol (em Roraima) apóiam a presença do Exército na região.

Jobim acusou ONGs (Organizações Não-Governamentais) de espalharem o discurso de que a presença militar na localidade inflamaria os índios, elevando o clima de tensão na reserva.
"Esse discurso de que a presença das Forças Armadas dentro da circulação das reservas indígenas é prejudicial é um discurso de ONGs. Isso não é um discurso de índio. Índio não pensa assim", afirmou Jobim, após encerrar seminário sobre a concessão de aeroportos, no Rio.

Jobim ressaltou que conhece a fundo as reservas indígenas do país, devido ao seu trabalho à frente do Ministério da Justiça, em 1995. Por isso, garantiu que os índios têm absoluta tranqüilidade em relação à presença de militares na região.

"Há um motivo muito simples: 80% do efetivo do Exército amazônico é de indígenas", disse.
O ministro confirmou que o Plano Estratégico de Defesa foi aprovado ontem à noite, e será lançado no próximo dia 18.

Texto de CIRILO JUNIOR na Folha Online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u478688.shtml

Meu comentário: os brasileiros, já sabíamos disto, parece que o ministro agora está a aprender

O peru de natal dos banqueiros e o sacrifício dos pobres

Ao manter a taxa SELIC em 13,75% o banco Central garante o peru de natal dos banqueiros e sacrifica os programas sociais e investimentos governamentais.
Para rolar a gigantesca dívida interna de 1,3 trilhão o governo gastou anualmente 170 bilhões de dólares, que seriam suficientes para quadruplicar o orçamento da saúde, ou multiplicar por 20 o programa bolsa família.
Ontem, para provar que o banco Central com Lula lá obedece aos patrões financistas, o governo diminuiu impostos para arejar a economia e não matar a galinha dos ovos de ouro, que somos nós os CONTRIBUINTES, mas não baixa a taxa SELIC.
Todo aquele discurso em favor da CPMF e da CSS visavam apenas garantir o peru dos financistas.
O dinheiro economizado no enriquecimento dos banqueiros poderia ser empregado em criação de mais empregos, em melhoria do sistema de saúde, em melhoria da educação.
A taxa de juros menor incentiva o consumo e o consumo incentiva o comércio, os serviços, o turismo e em conseqüência eleva a produção da indústria, que paga mais impostos, que pode ser empregado na saúde, na educação e assim o círculo virtuoso prossegue.
A atual taxa de juros causa “as perdas internacionais” para os financistas internacionais e alguns nacionais que levam seus fundos para o exterior e depois internalizam como se fosse dinheiro de gringos e nisto eles, “os nacionais”, conseguem privilégios tributários que somente os amigos do rei conseguem.

José Geraldo da Silva

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O mensalão e as cuecas vão bem, obrigado

O artista que lavava dinheiro para a "base aliada" reabriu a tinturaria para atender aos amigos

SÓ A POLÍCIA FEDERAL poderá dizer de onde vieram e para onde iriam os 361 mil (R$ 1,1 milhão) escondidos nas meias, na cueca e na pasta de Enivaldo Quadrado. Logo ele, réu no processo do mensalão por traficâncias de lavagem do dinheiro destinado a parlamentares de base de apoio de Nosso Guia.
Quadrado é um homem audacioso. Sendo réu de um processo no Supremo Tribunal Federal, julgou-se acima de qualquer suspeita. Apesar disso, deve-se admitir que tinha todo o direito de arriscar a sorte. O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci é réu num processo de quebra do sigilo de um cidadão e foi honrado pela base de apoio com a presidência da Comissão Especial da Reforma Tributária. João Paulo Cunha, um dos 40 réus do mensalão, foi agraciado com a relatoria da medida provisória 443, a do pacotinho anticrise. Recebeu também a relatoria do projeto de reforma política. Nunca é demais lembrar que um contubérnio tucano-petista sonha com o fim do voto nominal no candidatos a deputado, estabelecendo um sistema de listas partidárias, organizadas de acordo com a preferência das caciquias. Não se sabe se João Paulo Cunha ainda assina documentos com a caneta Mont Blanc que recebeu do poderoso Marcos Valério ou se continua pedindo à mulher que cuide de alguns de seus saques bancários.
José Nobre Guimarães, o deputado estadual cearense cujo assessor carregava US$ 100 mil na cueca, foi exonerado de qualquer suspeita pelos seus pares da Assembléia Legislativa. Safou-se com o beneplácito de uma parte da bancada tucana.
Os mensaleiros petistas movem-se com a mais absoluta naturalidade. Pudera, o PSDB manteve na sua presidência por quase um ano o senador Eduardo Azeredo, patrono do mensalão mineiro.
Até bem pouco tempo estava na pauta de votações da Câmara dos Deputados um gracioso projeto de emenda constitucional. Em tese, ele acaba com todos os foros privilegiados, remetendo os processos que ora tramitam no Supremo Tribunal Federal ao juízo de primeira instância, com seus novos prazos e velhos ritos. À primeira vista, uma flor de igualitarismo. À segunda vista, refrigério para os denunciados dos mensalões. Os processos, que podem demorar ainda um par de anos no Supremo, seriam devolvidos para uma tramitação que, no mínimo, consumiria mais uma década.
Os costumes mensaleiros estão vivos e vão bem, obrigado. No fundo, Delúbio Soares foi um operador tosco. Entregue aos experimentados profissionais de todas as campanhas, as coisas voltaram aos trilhos. A máquina petista continua voraz, mas ficou chique, parecida com a tucana. Ela elegeu o comissário Luiz Marinho para a Prefeitura de São Bernardo com um ervanário que resultou no gasto global de R$ 47 por voto recebido. Até aí nada demais, mesmo sabendo-se que o companheiro Obama pagou menos da metade disso. Puxando-se mais um fio da meia, a repórter Renata Lo Prete informa que um dos principais doadores para a campanha do comissário foi a empresa Quattor, que tem 40% de seu capital nas mãos da Petrobras. É pouco? O presidente da Petrobras, o doutor (baiano) Sérgio Gabrielli, estrelou um dos poderosos jantares de arrecadação para o candidato.

Meu comentário: Raríssimas pessoas são revistadas nos aeroportos, já imaginou se todas fossem revistadas, quantos "mulas" dos mensaleiros não seriam presos?

Justiça sem fim

A Justiça no Brasil está estruturada para possibilitar que criminosos poderosos retardem indefinidamente o resultado do processo e a aplicação da lei penal.

Não raramente o discurso válido de defesa dos direitos fundamentais é utilizado para defender privilégios de casta, confundindo o debate


NA SEMANA em que famoso empresário foi condenado por corrupção, reportagem publicada na "Economist" colocou em dúvida a efetividade da punição, afirmando que a Justiça brasileira seria "estragada por cortes sobrecarregadas e recursos intermináveis".
A desconfiança também foi a marca da abordagem jornalística nacional. Segundo comentário representativo, "Dantas foi condenado à prisão, mas nunca será de fato preso".
O diagnóstico é preciso. A Justiça no Brasil está estruturada para possibilitar que criminosos poderosos retardem indefinidamente o resultado do processo e a aplicação da lei penal.
Autoridades públicas de elevada hierarquia são protegidas pelo foro privilegiado. Não respondem aos processos como os cidadãos comuns, mas diretamente perante tribunais. Como estes são estruturados para julgar recursos, e não para processar ações penais, o resultado é a extrema lentidão, às vezes sem outro fim senão o reconhecimento da prescrição do crime.
As estatísticas não mentem. Não há registro de condenações em número significativo, e casos como o do mensalão e o da Operação Furacão revelam a dificuldade para, mesmo em esforço notável, chegar ao recebimento da denúncia, ainda um passo inicial da ação penal.
Mesmo quem não tem foro privilegiado e responde perante a primeira instância pode, se -frise-se- tiver condições financeiras, valer-se de um generoso sistema de recursos, o qual possibilita que um caso seja submetido a até quatro instâncias.
Uma sentença não vale mais do que um parecer, pois a lei e a jurisprudência equivocadamente equiparam a situação de um acusado não julgado com a de um condenado, como se um julgamento, com a ampla avaliação das provas e dos argumentos da acusação e da defesa, nada significasse.
Mesmo em países como os Estados Unidos e o Reino Unido, que constituem o berço da presunção de inocência, a sentença de primeira instância gera efeitos imediatos, autorizando a prisão, salvo exceções, o que diminui a tentação de usar apelos com motivos protelatórios.
No Brasil, chegou-se ao extremo de defender que mesmo a confirmação de uma condenação por tribunal de apelação não deve ter efeito algum, consistindo em mais um parecer. Assim, criminosos que tiveram a sua culpa reconhecida por sentença e mesmo em apelação, às vezes até confessos, podem recorrer inúmeras vezes em liberdade como se nada houvesse acontecido e na expectativa incerta de que um dia chegue o trânsito em julgado.
Acrescente-se ao quadro a obstrução das cortes superiores, entulhadas com milhares de recursos mesmo de quem não têm a menor razão.
A Suprema Corte norte-americana não julga mais do que uma centena de casos no ano. Já o Supremo brasileiro, até novembro de 2008, havia recebido 63.544 processos. Institutos como o da repercussão geral e a lei de recursos repetitivos, embora representem um avanço louvável, ainda se mostram insuficientes.
Os remédios são simples. Cumpre acabar com o foro privilegiado ou, se for o caso, restringi-lo aos presidentes dos três Poderes.
Faz-se necessário desestimular recursos protelatórios, conferindo alguma eficácia, salvo exceções, às sentenças condenatórias e ainda eficácia, salvo exceções mais raras, às confirmações de condenações por tribunais de apelação.
Tem que desobstruir as cortes superiores, estendendo o instituto da repercussão geral ao Superior Tribunal de Justiça e aprofundando o uso dele no Supremo Tribunal Federal.
Se o diagnóstico e os remédios são óbvios, por que nada ou pouco é feito?
É que as distorções geram uma Justiça de casta que, apesar de incompatível com a democracia e com o Estado de Direito, protege interesses poderosos. Romper com eles exige uma mobilização da sociedade e das autoridades que é difícil de alcançar.
Não raramente o discurso válido de defesa dos direitos fundamentais é utilizado para defender privilégios de casta, confundindo o debate.
Urge fazer a distinção. Democracia e direitos fundamentais não se confundem com Justiça de casta, e a aplicação igual da lei penal democrática não é autoritarismo. Justiça sem fim é Justiça nenhuma.

Texto de SERGIO FERNANDO MORO , 36, mestre e doutor em direito pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), é juiz federal da Vara Criminal de Curitiba,na Folha de São Paulo de 10/12/08.

Taxa SELIC: - 0,25%, por favor

- 0,25%, por favor

O EXTRAORDINÁRIO apoio da população brasileira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrado pela pesquisa Datafolha da semana passada, é o reconhecimento de que sua reação intuitiva à catástrofe mundial é mais confortadora e, no fundo, mais adequada do que o "realismo terrorista" proposto por alguns sábios. Certamente não é uma "marolinha". Mas por que o Brasil precisa sofrer, necessariamente, um "tsunami" devastador?
É hora de os economistas reconhecerem e aceitarem com humildade: 1º) que o bacilo produtor desta crise foi cuidadosamente criado e cultivado nos laboratórios de uma pseudociência -parte da economia-financeira-, com sua pretensão de que tinha "descoberto" modelos estocásticos capazes de precificar qualquer risco; 2º) que sua disseminação foi feita pelos perversos incentivos apropriados pelos que vendiam tal "ciência" graças à confiança que os compradores de papéis (o aplicador, o chamado "principal") depositavam nos vendedores (o banco de investimento, o chamado "agente") e 3º) que os Bancos Centrais do mundo (nos quais o "principal" depositava sua confiança na fiscalização do "agente") surfaram alegremente a onda de liqüidez que ajudaram a criar com sua política monetária laxista e sua falta de fiscalização das possíveis conseqüências dos "novos" produtos. Nisto foram acompanhados pelas agências de risco e pelos auditores privados.
A conseqüência deste triste diagnóstico é que nem a política monetária nem a política fiscal podem alterar a situação enquanto não se restabelecer o fator catalítico que sustenta o funcionamento dos mercados: a confiança.
Manter a liqüidez do sistema financeiro é importante, mas ela não leva ninguém a tomar emprestado (o consumidor ou investidor) ou a emprestar (a instituição financeira): todos sabem que se pode levar o burro à fonte, mas não se pode obrigá-lo a beber. Manter uma política fiscal que sustente os investimentos públicos e reduza a carga tributária é importante, mas incapaz de estimular o investidor privado ou o consumidor a abdicarem da sua liqüidez enquanto não acreditarem que haverá demanda e emprego no futuro.
É hora de reconhecer que a política econômica teve responsabilidade pela crise, mas que, por si mesma, ela é incapaz de resolvê-la, uma vez que sua causa fundamental está fora da economia. Trata-se de restabelecer a confiança da sociedade no funcionamento dos mercados para que as políticas monetária e fiscal possam voltar a funcionar. É por isso que uma redução da taxa Selic de 0,25% seria psicologicamente importante. E tecnicamente recomendável.

Texto de Antonio Delfim Netto, na Folha de São Paulo de 10/12/08
Postado aqui neste blog antes da divulgação do resultado da reunião do COPOM.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Copa 2014, olimpíada 2016, com esta polícia?

Despreparo pode custar a vida do jovem torcedor

O despreparo, por todos os lados, pode custar a vida do jovem torcedor. Vimos um policial empunhando a arma da forma certa, com o dedo fora do gatilho, por cima do guarda-mato.

O dedo só vai ao gatilho, quando há a decisão de atirar. Mas, mesmo empunhando certo, ele a conduzia de forma errada, apontando na direção da nuca de outro PM, e não para baixo.

Na hora do disparo, o sargento, de capacete especial e colete à prova de bala, dava uma coronhada na cabeça do 

"Se houve tiro, é porque havia dedo no gatilho. Instrumento básico para dissolver arruaças é o cassetete", afirma Alexandre Garcia.

O despreparo, por todos os lados, pode custar a vida do jovem torcedor. Vimos um policial empunhando a arma da forma certa, com o dedo fora do gatilho, por cima do guarda-mato. 

O dedo só vai ao gatilho, quando há a decisão de atirar. Mas, mesmo empunhando certo, ele a conduzia de forma errada, apontando na direção da nuca de outro PM, e não para baixo. 

Na hora do disparo, o sargento, de capacete especial e colete à prova de bala, dava uma coronhada na cabeça do torcedor. Se houve o tiro, é porque havia dedo no gatilho da pistola ponto quarenta. 

Como se sabe, o instrumento básico para dissolver arruaças não é a arma de fogo curta, mas o cassetete, que é mais eficaz até, porque impressiona mais pelo tamanho. 

Por outro lado, não havia socorro imediato. Em um jogo de futebol, com torcidas se enfrentando, não havia plantão médico próximo. A vítima ficou sangrando e tendo espasmos na perna. 

O primeiro socorro foi no hospital vizinho, onde nasceu Kaká, o Hospital do Gama, que não tem neurocirurgião, mas que poderia fazer um primeiro exame dos danos no cérebro, com uma tomografia. Mas o tomógrafo do hospital está parado há meses. Quando funcionava, não podia ser usado por falta de técnico. 

O hospital não teve a mesma sorte do estádio: tem 40 anos e nunca foi reformado. Claro que o hospital é mais importante, mas não teve a mesma prioridade do estádio. A diferença aparece nessas horas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Caem pela metade as faltas de docentes por atestado médico

Redução na rede estadual de SP ocorre após lei limitar a 6 por ano as ausências por doença

Antes, professores podiam faltar até metade do ano letivo sem desconto, desde que ausências fossem em dias alternados e com atestado


O número de faltas de professores justificadas por meio de atestados médicos caiu 59% na rede estadual de SP. A redução ocorreu após a gestão Serra (PSDB) aprovar lei que limitou em seis a quantidade dessas ausências aos servidores por ano.
O balanço, feito pela Secretaria da Educação, comparou os seis meses posteriores à implementação da regra (em abril) com o mesmo período de 2007.
No ano passado, de maio a outubro, foram registradas 398 mil faltas justificadas com atestados de consultas ou exames. Em 2008, no mesmo período, foram 163 mil. A rede tem 230 mil docentes. O governo propôs a lei alegando que muitas faltas ocorriam sem necessidade.
Por meio da assessoria, a secretária Maria Helena Guimarães disse que a queda nas ausências dos docentes "reflete diretamente na aprendizagem dos estudantes, pois é fundamental que o professor acompanhe o dia-a-dia dos alunos".
Antes da lei, os servidores podiam faltar até metade do ano letivo sem desconto dos dias perdidos, desde que as ausências fossem em dias alternados e com atestado médico para comprovar consultas ou exames. Para licenças médicas ou ausências em dias seguidos por problemas de saúde, era preciso passar por perícia (regra que continua em vigor).
Reportagem da Folha de novembro de 2007 mostrou que, diariamente, cerca de 30 mil professores faltavam às aulas, por várias razões. A secretaria diz que não fechou o balanço geral atualizado das ausências.
Além da nova norma, o governo tomou outras medidas na tentativa de diminuir o absenteísmo, como investigar os atestados e usar o número de faltas como um dos critérios para pagamento de bônus.
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Izabel Azevedo Noronha, afirmou que não confia nos dados apresentados. "Não acho que o absenteísmo seja tão alto." Ela disse também que "o governo não tenta combater as reais causas das faltas dos professores, que são as condições de trabalho e os salários".
Professora da Faculdade de Educação da USP, Lisete Regina Gomes Arelaro diz que "a secretaria parte do princípio de que a população não adoece. Aposto que a secretária e sua equipe vão mais de seis vezes ao médico por ano". Para ela, "o governo adota métodos coercivos para evitar faltas, com prejuízos financeiros. Como os salários são baixos, os professores trabalham até doentes".
Avaliação oposta tem a diretora-executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskeházy, instituição que possui programas para melhorar a gestão de escolas públicas no país. "Todo mundo sabia que o abuso era gigantesco. Por anos, como o governo não podia dar aumento, passou a permitir as faltas. A lei veio para moralizar."
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo também registrou queda nas faltas. Entre 2006 e 2008, o número de ausências recuou 54,3%.
A gestão Gilberto Kassab (DEM) cita três explicações: os atestados agora só podem ser emitidos pela prefeitura, e não mais por médicos particulares; a falta em cada aula é descontada; e o aumento do peso das ausências como critério para pagamento de gratificações.

De Fábio Takahashi, na Folha de São Paulo de 04/12/08

Meu comentário: É por estas e outras que muita gente fala mal do Serra, da minha parte eu só posso dizer PARABÉNS governador Serra.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Juros no país estão "acima do bom senso", afirma Lula

Juros no país estão "acima do bom senso", afirma Lula

Presidente diz que ações para fomentar o crédito ainda não tiveram efeito e pede a governadores mais investimentos públicos

Jaqueline Maia/ "Diário de Pernambuco"
O presidente Lula discursa durante evento em Recife (PE)


FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE E OLINDA (PE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a 11 governadores reunidos em Recife que gastem o máximo que puderem em investimentos públicos para combater a crise. Ele disse que as ações do governo de fomento ao crédito ainda não tiveram efeito e que o país tem uma taxa de juros "acima daquilo que o bom senso indica que deveríamos ter".
"Neste momento em que temos bases de garantia de estabilização [...], temos que dizer o seguinte: precisamos economizar o máximo que a gente puder em custeio e gastar o máximo que a gente puder em investimentos públicos, em obras públicas", disse aos governadores.
Segundo ele, Estados, prefeituras e governo federal "podem ser os indutores" para que o país "saia dessa crise sem nenhum arranhão ou com alguma coisa muito pequena que não vai doer". "Vai depender muito de nossa capacidade e ousadia."
Ao comparar as ações contra a crise do governo às dos países desenvolvidos, Lula criticou os juros nacionais. Ele disse que, enquanto países como os EUA disponibilizaram dinheiro para salvar instituições financeiras, o Brasil optou pela compra de carteiras de bancos pequenos e pelo fomento ao crédito.
"Só que esse crédito ainda não tem chegado à ponta do jeito que a gente gostaria", afirmou o presidente. "Depois, obviamente, todo mundo sabe que temos uma taxa de juros acima daquilo que o bom senso indica que deveríamos ter."
Em Pernambuco desde anteontem, Lula disse que os governadores precisam fazer uma "operação pente-fino" para identificar os problemas que estariam emperrando o andamento das obras nos Estados.
"Agora é a hora de trabalhar com todo o vigor e com toda a ousadia para que a gente não permita que o dinheiro que já está disponibilizado para os Estados e os municípios deixe de ser aplicado nas obras para gerar emprego e renda e fique guardado num banco por ineficiência nossa", declarou.
Lula lembrou aos governadores que a maioria dos Estados aumentou sua capacidade de endividamento e que pode tomar dinheiro emprestado. Ele recomendou ainda aos governantes que viajem e busquem novos investimentos.
Lula também disse aos governadores que não haverá cortes nas obras da Petrobras. "Vocês todos conhecem a disponibilidade de investimento que tem a Petrobras, e eu quero dizer para vocês: não haverá diminuição nas obras da Petrobras em nenhum dólar por conta da crise. Não haverá."
"A refinaria do Maranhão, a do Ceará, a de Natal, a de Pernambuco, todas elas serão mantidas", afirmou. "Os contratos que vamos ter do pré-sal para a compra de navios e sondas, vamos continuar fazendo."

Da Folha de São Paulo de 03/12/08

Meu comentário:
5 anos e 11 meses depois de assumir o governo o presidente ACORDOU, será? 
Será que finalmente percebeu que os juros estão acima do bom senso?
.
O resto do blá-blá eu transcrevi, para cobrar daqui a alguns meses, será que a Petrobrás aguenta o tranco da má administração?