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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A doença de amar o agressor!

A Enfª Jaqueline nos brinda com dois excelentes textos

A dependência que faz tanto mal

Embora o começo de todos os relacionamentos afetivos seja regado a muita sedução, sonhos e desejos, infelizmente com o tempo, o envolvimento emocional pode levar à dependência, rotina e desgaste. Uma pessoa pode se tornar dependente de comida, drogas, álcool, jogos, trabalho, filhos ou amigos. Mas é na relação a dois que com mais freqüência a dependência se torna destrutiva, podendo sem dúvida, tornar-se doentia e simbiótica, impedindo o crescimento e a troca entre o casal. A dependência geralmente acontece quando um ou os dois já tiveram experiências durante a vida de abandono, rejeição, levando-os a temerem passar novamente por isso. Cria-se a dependência, como uma forma desesperadora e fantasiosa de impedir que aconteça de novo.

Mesmo quando a realidade mostra uma relação transformando a vida em um pesadelo, muitos acreditam ainda que estão sonhando, pois é difícil acordar. A pessoa ao sentir-se incapaz de mudar sua vida, se acomoda. Geralmente a dependência psicológica acontece por necessidades inconscientes nem sempre identificadas. Além disso, ela propicia gratificações secundárias, como a sensação de segurança. É como se a pessoa respirasse através do outro, como se o outro fosse o responsável pela manutenção da sua vida e do ar que respira. Talvez por causa dessas gratificações, muitos sentem dificuldade para se libertarem, ainda que a relação esteja totalmente destrutiva.

Os dependentes deixam que desvalorizem tudo que lhes é mais caro: seus sentimentos. Perdem completamente o valor ao se permitirem que o outro jogue no "lixo" seu eu mais verdadeiro, desprezando tudo que dizem, sentem, fazem, pois nada que é seu é valorizado, ao contrário, tudo é motivo de crítica, fazendo-os acreditarem serem incapazes. O que não é verdade!

Em geral, essas pessoas tornam-se tristes, depressivas, enclausuradas em seus quartos escuros, podendo ficar assim durante anos, até o momento em que não suportam mais e explodem.
Algumas também implodem, ou seja, somatizam e adoecem gravemente. Depois de externalizarem toda raiva contida, e conseguem retomar de alguma forma sua saúde mental, podem perceber as contradições no outro e em si mesmo, tomando consciência de quanto eram sufocadas sob os valores e interesses de terceiros. Retomando essa consciência, que pode ser adquirida através do processo de psicoterapia ou mesmo da profundidade da dor, começam a perceber seus próprios valores, seus desejos, vontades e sentimentos, resgatando assim com sua saúde mental, a auto-estima e o amor-próprio.

Neste momento percebem que são capazes de ouvirem suas próprias vozes e não mais os gritos que as ensurdeciam e as palavras que as dilaceravam, percebem que suas vozes podem voltar a se tornarem novamente doces, suaves, como uma melodia gostosa de se ouvir. Conseguem assumir a responsabilidade pela própria vida, não mais colocando a sua vida na mão de quem quer que seja, mas na única pessoa em quem pode confiar: em si mesma. Claro que tudo isso exige muitas lutas internas, rever um passado que machucou muito, mas que se não for identificado e elaborado, continuará machucando através das repetições de padrões antigos e na manutenção de relações destrutivas.

Para romper esse círculo vicioso é preciso identificar as necessidades que não foram supridas durante a vida, principalmente na infância, entender que por mais que tenha machucado, já passou e desprender-se da ânsia, inconsciente é claro, de compensar perdas e rejeições passadas por meio de um relacionamento dependente como garantia de não mais ser abandonada. E ao conseguir se libertar de um relacionamento doente, cure cada uma das feridas existentes e não se entregue imediatamente a um novo relacionamento, pois será grande o risco de transferir os comportamentos viciados se ainda não forem identificados, podendo comprometer mais um relacionamento.

Muitos ainda dedicam suas vidas à procura da sua cara metade. Sem dúvida, seriam mais felizes se permitissem a si mesmos serem seres inteiros, capazes de aceitar e conviver com outro ser inteiro e não descobrirem depois de muito sofrimento, que a relação se manteve porque na verdade havia duas pessoas doentes e excessivamente carentes de amor. Quando um ser inteiro encontra-se com outro ser inteiro, tornam-se duas pessoas predispostas ao crescimento, a troca, a uma relação de paz e harmonia e não de brigas e desentendimentos. Quando se inicia esse processo de libertação é natural sentir-se triste e em alguns momentos duvidar se conseguirá, mas conforme as coisas forem acontecendo e for sentindo um certo alívio por poder fazer as pequenas escolhas do dia a dia, não ouvir mais críticas, nem cobranças, nem sentir-se mais culpada pelo que fez e não fez, o alívio virá com certeza e te dará a certeza que mais importante que viver um grande amor é viver em paz consigo mesma!

Rosemeire Zago,
Psicóloga clínica com abordagem jungiana. Desenvolve o auto conhecimento
e ministra palestras motivacionais.
Contato: (011) 3815.9172


Quando o amor faz sofrer

O ser humano busca e necessita de amor desde seu primeiro momento de vida. Todos nós esperamos amar e sermos amados. Pelo amor somos protegidos, nos desenvolvemos e sobrevivemos. De fato, o ser humano necessita do outro para dividir e compartilhar suas dores, alegrias e suas emoções.

Quando adultos, desejamos sermos amado, e a necessidade de carinho e proteção se faz presente, mas agora dentro de uma relação de troca. No momento em que esta troca não é mais satisfatória, e a exigência de um deles prevalece, um dos parceiros passa a se anular em função do outro, instalando-se com isso a dor e o sofrimento. Esta situação pode ocorrer em ambos os sexos, porém é bem mais freqüente em mulheres.

É muito comum perceber que nestas situações, quando se ama demais, as mulheres se distanciam de outras atividades que outrora eram de seu interesse, e necessitavam de seu cuidado, como vida social, trabalhos, estudos e filhos.

Percebemos nestas mulheres um grande medo de serem abandonadas, por este motivo se entregam cegamente à relação, tornando-se extremamente dependentes desse amor. Imaginam que este homem, e somente este homem, as farão felizes e as protegerão. Aflitas e com o medo de ficar só, entregam-se ao amado imaginando não poder viver sem ele, pois, neste momento, tem alguém para amar.

Justificando tudo isso vem o chamado amor, causador desse sofrimento, pois na ansiedade e expectativa de manter este sentimento, essas mulheres se anulam, investindo toda energia neste homem idealizado, que certamente não atenderá suas expectativas. Então ouvimos algo como, “não consigo viver sem ele”, “ele é tudo para mim” “perdi o sentido de minha vida”.

Nesta relação o que se vê é uma vulnerabilidade aos caprichos do outro perdendo desta forma, até mesmo a própria identidade. O que de fato encontramos diante desse sofrer é um ciúme excessivo, o desejo de controle, o medo da perda, a insegurança e a baixa auto-estima. Uma preocupação que parece interminável, sempre imaginando haver uma terceira pessoa na relação, validando a “convicção de um ser incapaz de possuir atrativos”, sentimentos que são frutos de uma baixa auto-estima.

A referência que se tem de amor é aquele em que existem obstáculos e conflitos, amor sempre está acompanhado da dor “se existe muito sofrer, existe muito amor”. Mas sempre a sensação de algo incompleto é iminente e quando abandonada, provavelmente, entrará em processo de compulsão à repetição, com o desejo inconsciente de compreender onde errou, ou seja, muitas vezes, sem perceber, repetirá o mesmo erro em outras relações com o intuito de compreender este abandono, uma vez que imagina estar dando o melhor de si e por isso esse homem dará a ela o que precisa.

Um pouco de investigação nos remete a situações semelhantes vividas nas relações de sua infância, como necessidade de agradar, necessidade de aprovação, medo do abandono, assim, mulheres que amam demais desempenham papeis ou funções para satisfazer a vontade do outro, no desejo de sentirem-se aceitas. A culpa e a frustração, sentimentos muito comuns nessas mulheres, aparecem por não atingirem a aprovação e aproximação do objeto amado e desta forma, preocupam-se somente em agradarem e cuidarem do outro sem conseguirem cuidar e proteger a si mesma. Se não conseguem conquistar o homem amado sentem-se fracassadas mais uma vez, e enormemente estimulada a se valer dos mais impensáveis feitos para manter-se encarcerada a ele.

Desta forma é fácil perceber que estas mulheres tornam-se tão obcecadas por relacionamentos quanto pessoas às drogas em geral, imaginando que o parceiro trará significado a sua vida e alivio às suas ansiedades, tal qual acontece nas demais dependências.

Vemos em muitos casos pessoas que tiveram grandes perdas e hoje o fato de imaginarem a possibilidade do abandono e da solidão, já as fazem descompensar ou perder o equilíbrio emocional. Esse medo cria uma dependência emocional que as prendem à sedução e tirania do outro com amarras do medo, negando a realidade e suas potencialidades. A tentativa de “discutir relação” sempre acaba em imensas brigas e frustrações, pois em sua fantasia procura uma família idealizada que obviamente não se sustenta ao longo da relação. Viver sem o outro é viver sem ela mesma. Ela não existe para si.

Várias emoções são experimentadas, tais como depressão, medo, insegurança, raiva e desejo de vingança, relacionadas a uma baixa auto-estima, que as levarão ao ciúme patológico usando como mecanismos de defesas a agressividade e o egoísmo o que não muito raro as levam aos crimes passionais.

A maior dificuldade dessas mulheres reside no fato de não conseguirem olhar para si e perceber esta obsessão. Para essas amantes, receber amor vem depois de receber proteção e reconhecimento, tal qual um bebê que busca a proteção e aprovação do pai para cada realização que opera.
A priori, mulheres que amam demais necessitam saber o porquê sofrem. Por qual motivo esta pessoa tem um papel tão importante em sua vida, mais importante até do que ela mesma? Por que necessitam do outro para poder se identificar, sentirem-se seguras ou até mesmo poderem caminhar?
O que fazer diante de tanto sofrimento? Pois a verdade é que estas mulheres sofrem muito em suas vidas com os conflitos de um relacionamento insatisfatório. Sabemos da necessidade e da carência de amor que todos temos, mas penso que a dependência e distorções deste afeto só encontram resolução internamente. Admitir que neste momento encontra-se frágil e necessitando de ajuda, assim como, colocando sua recuperação em prioridade pode ser o que a fará mais fortalecida.

Valdirene Novaes Pimentel
Psicóloga clinica


Colaboração da Enfª Jaqueline em
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1126591&tid=5235126248322430519

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