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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Grupo de Renan tira "PMDB hostil" da CCJ

Afastamento de Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE) da comissão provoca a reação de senadores da oposição

Aliados do presidente da Casa também emplacam Almeida Lima como relator do processo que investiga desvios em pastas do PMDB


Em nova manobra da bancada do PMDB, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), derrubou ontem seus adversários da Comissão de Constituição e Justiça e emplacou seu aliado Almeida Lima (PMDB-SE) como relator do processo que investigará um esquema de desvio de recursos em ministérios do partido.
Renan também costurou com o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), para deixar vaga, pelo menos até terça-feira, a escolha do relator do processo que o acusa de recorrer a laranjas para comprar rádios em Alagoas. Os dois ainda procuram um "nome de confiança".
A medida que causou maior impacto na Casa foi a retirada dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) da CCJ, a comissão mais importante da Casa. Para substituí-los foram indicados dois aliados de Renan: Almeida Lima (PMDB-SE) e Paulo Duque (PMDB-RJ).
"Não é o líder do PMDB que está fazendo isso, é o Renan Calheiros", disse Jarbas, que defende a saída de Renan do cargo. Foi Jarbas quem relatou o projeto que determina o afastamento de cargos no Senado para quem enfrentar processo de cassação. Simon foi um dos primeiros senadores a pedir que Renan se licenciasse. Ele integra a CCJ há 24 anos. "Passei pela ditadura sem ter tido uma violência como essa. Quem mandou foi Renan e Sarney porque o líder [do partido] é um estafeta deles", afirmou.
Valdir Raupp (RO), líder do PMDB, disse que a decisão foi da bancada: "Como líder tenho que fazer as mudanças onde temos problemas". Renan negou ter interferido: "Não tenho nada a ver com o que se faz nas bancadas. É uma substituição, algo normal em todos os partidos. Não sou líder, sou presidente do Senado, que é uma instituição suprapartidária".
Houve reação imediata em diversos partidos. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sugeriu uma renúncia coletiva das comissões: "Na semana passada deram um tapa na cara do Brasil, hoje deram o golpe e amanhã vão cuspir na gente".
"Acho que está armado mais um cabo-de-guerra no Senado", disse José Agripino (RN), líder do DEM. "É uma aberração, o Senado está indo para o desvão", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).


Reportagem de Sílvio Navarro e Andreza Matais na Folha de São Paulo de 05/10/07

Meu comentário: um partido que dispensa Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos não tem mais nada a dizer à população que tenha um pouquinho de informação sobre a roubalheira nunca antes vista neste país.

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